A saliva é uma secreção aquosa transparente secretada pelas glândulas salivares diretamente na cavidade bucal. Sua maior parte (cerca de 99%) é constituída por água e cerca de 1% composto por proteínas (ex:ptialina, lactoferrina, lisozima, gustina, imunoglobulinas, etc.) e íons (ex: Cálcio e Ferro).

Informação A saliva é um dos mais complexos, versáteis e importantes fluidos do corpo, que supre um largo espectro de necessidades fisiológicas. Suas propriedades são essenciais para a proteção da cavidade bucal, do epitélio gastrointestinal e do orofaringe. Além de umedecer os tecidos moles e duros da cavidade bucal, tem função de destaque no controle da quantidade de água do organismo. Quando o corpo está com falta de água, a boca fica seca, manifestando a sede.

A saliva desempenha diversas funções e em condições ideais de saúde o ser humano produz de 1 a 2 litros de saliva por dia.

A saliva diminui a acidez bucal, prevenindo a cárie. Muitos grupos sociais primitivos e indígenas, por não terem hábitos perniciosos, como o fumo, consumo excessivos de álcool e açúcar têm uma saliva de melhor qualidade e menor acidez, por isso menos cáries e problemas gastrointestinais.

Recentemente foi comprovado,Revista National Geographic, abril 2006. através de pesquisas, que quando ratos tinham as glândulas salivares extraídas, adoeciam mais de infecções e intoxicações, o que justifica plenamente o hábito de "lamber as feridas" mantido pela maioria dos animais.

A saliva é renovada na cavidade bucal aproximadamente 2 vezes por minuto pelas glândulas salivares.

Todas as glândulas salivares maiores e menores contribuem para a composição da saliva. Essa composição varia de acordo com a taxa de secreção, que é baixa durante o sono e alta (± 5 ml por minuto) quando em estimulação. A secreção é controlada pelo centro salivar no cérebro, e o fluxo é gerado pelo paladar (gustação). A função mastigatória é controlada por meio de receptores no periodonto e nos músculos da mastigação.

Fisiologia A saliva é uma secreção exócrina de células especializadas que se denominam globalmente células salivares, e podem, ou não, congregar-se, formando as glândulas salivares (maiores e menores). A secreção salivar é um líquido aquoso que contém, em solução, uma multiplicidade de substâncias, principalmente proteínas e glicoproteínas. Dentro das glicoproteínas destaca-se a mucina, molécula de elevado peso molecular que confere à saliva a propriedade mucinosa viscosa. Quando a proporção de mucina predomina sobre a concentração de outras proteínas na saliva, fala-se de secreção mucosa; ou, quando for maior a concentração das outras proteínas diz-se secreção Sabugosa.

As células produtoras de saliva podem ter duas características citológicas diferentes, segundo o tipo de secreção salivar que sejam capazes de secretar. Por exemplo, as células que secretam saliva mucosa apresentam menor densidade eletrônica, são células claras, contendo poucos grânulos no citoplasma, que pelo fato de secretar mucina, são chamados grânulos mucinogênicos.

Estas células claras encontram-se nas glândulas salivares menores e, entre as maiores, principalmente na glândula sublingual e estão na parótida. As células salivares isoladas, espalhadas na mucosa bucal e faríngea, em geral, são apenas células com grânulos de mucinogênio (claras). As células secretoras de saliva serosa têm características diferentes; são escuras, porque contêm alta proporção de grânulos de zimogênio, isto é, formadores de proteínas, entre elas ciclopes (zimo = fermento). Estas células só existem nas glândulas salivares maiores, mas predominam definidamente na glândula parótida (são praticamente as únicas) e diminuem, proporcionalmente, na submandibular, sendo escassas na sublingual. Estas células (claras e escuras) diferem ainda, entre si, pelas características do núcleo.

Estruturas das glândulas salivares

Composição A saliva secretada pelas glândulas salivares contém água e glicoproteínas (entre elas a mucina, que confere viscosidade à saliva).

Também lubrifica os alimentos e a boca, sendo que mantém úmida esta última.

Outra substância presente na saliva é a ptialina, uma enzima proteica que digere amidos. A ptialina hidrolisa cerca de 70% do amido ingerido, transformando-o em maltose.

Água99,1g%Sólidos900 mg%    A)Substâncias inorgânicas500 mg%    b)Substâncias orgânicas400 mg%A)Substâncias inorgânicas    Ânions150mg%        1. Cl-80 mg%        2. H2PO-425 mg%        3. HPO--415 mg%        4. HCO-3 (CO2)10 mg%        5. SO--<sub>410 mg%        6. S--6mg%        7. F-0,02 mg%        8. Outros anions:0,89 mg%    Cátions350 mg%        1. Na+160 mg%        2.K+170 mg%        3.Ca++4 a 10 mg%        4.NH410 mg%        5.Mg++0,5 mg%B) Substâncias orgânicas        1.Mucina300 mg%        2.Amilase (ptialina)40 mg%        3.Ureia20 mg%        4.Lisozima10 mg%        5.Anidrase carbônica (ac)10 mg%        6.Tiocianato (SCN-)10 mg%        7. Glicose1 mg%        8. Outras:9 mg%                a)Enzimas microbianas                b)Componentes sangüíneos                c) Produtos de excreção                d) Produtos da atividade microbiana

Considerações gerais A água entra em grande proporção, e serve para manter úmidas a mucosa bucal e as superfícies dos dentes, ao mesmo tempo em que é o solvente geral das substâncias do meio bucal.

Entre os ânions, particularmente, o bicarbonato, o monofosfato e o bifosfato, que exercem um efeito tamponante eficaz, frente aos ácidos e às bases, o que permite a constância do pH salivar em torno de 6,9.

Entre os cátions, o cálcio, na taxa de 4 a 10 mg%, é usado como parâmetro para se determinar a susceptibilidade dos pacientes à cárie dental no método de Fosdick.

Entre os componentes orgânicos, a mucina (glicoproteína), graças à sua elevada viscosidade, exerce um papel protetor de grande eficiência, lubrificando a mucosa da boca, aglutinando as partículas alimentares e microrganismos, ao mesmo tempo em que tem um elevado poder tamponante, contribuindo para a manutenção do Ph a 6,9.

A amilase, ou ptialina, hidrolisa o amido e glicogênio até maltose, conforme a seqüencia:

amido e glicogênio → dextrinas → maltose

A ureia, resíduo do catabolismo dos aminoácidos, e que excreta, principalmente, pela urina, também é eliminada na saliva na taxa de 20 mg%. A lisozima exerce importante ação bactericida e a]] anidrase carbônica catalisa a reação:

CO2 + H2O ↔ H2CO3 ↔ H+ + HCO-3

que é importante na formação do tártaro ou cálculo dental.

A glicose entre numa taxa bastante reduzida de 1,0 mg%, mas é o principal substrato que, na via glicolítica, explica a formação do ácido láctico, que está relacionado ao processo bioquímico da cárie dental.

Finalmente entre os componentes orgânicos da saliva destacam:

Enzimas microbianas A hialuronidase hidrolisa os mucopeptídeos, como o ácido hialurônico, produzindo ácido glicurônico, glicosamina, e ácido acético.

A urease hidrolisa a ureia, responsável pelo aparecimento da amônia (NH3) na saliva, que é uma substância básica que eleva o pH salivar, o que facilita a precipitação dos sais de cálcio na formação do tártaro dental e, além disso, a amônia é tóxica e cáustica,e acaba lesando o periodonto de proteção, o que permite a instalação da doença periodontal. (piorreia):

O=C(NH2)2 + H2O   (urease)→    CO2 + 2NH3

As fosfatases ácidas hidrolisam ésteres fosfóricos e tomem parte no processo da cárie a aftas da mucosa da boca. As fosfatases alcalinas tomam parte nas alterações do periodonto, precipitando os sais de cálcio para a formação de tártaro dental.

As lipases hidrolisam os diferentes tipos de lipídeos, produzindo ácidos graxos, glicerol, H3PO4 e outros.

As oxidases (sacarose, lactase, maltose e amilase) hidrolisam sacarose, lactose, maltose, amido e glicogênio, dando frutose-galactose e glicose.

Componentes sanguíneos Destacamos os aminoácidos, o ácido úrico, as alfa, beta e gamaglobulinas; mas, a concentração desses componentes é sempre inferior àquela que se apresenta no sangue, e é pouco influenciada pelas variações das respectivas taxas sanguíneas.

Produção de excreção Medicamentos (I- e Br-) e tóxicos (Pb++, Hg++, Bi+++ e alcaloides) podem ser encontrados na saliva; assim é prática rotineira, nos prados de corrida, pesquisar-se a presença de drogas estimulantes (doping) na saliva dos cavalos ganhadores. Por outro lado, é importante ao cirurgião-dentista ter esse conhecimento, em função do diagnóstico das gengivo-estomatites medicamentosas.

Produtos da atividade microbiana São variados como já tivemos a oportunidade de ver, mas em especial destacam-se os produtos de putrefação como fenóis, ácidos, aminas, amônia, aminoácidos, H2S, tiós, indol, escatol que são dotados de cheiro desagradável, determinando, pois, o mau hálito ou halitose.A saliva diminui a acidez bucal, prevenindo a cárie. Muitos grupos sociais primitivos e indígenas, por não terem hábitos perniciosos, como o fumo, consumo excessivos de álcool e açúcar têm uma saliva de melhor qualidade e menor acidez, por isso menos cáries e problemas gastrointestinais.

Glândulas produtoras Glândula parótida Glândula submandibular Glândula sublingual Glândulas menores.

Função Preparação do bolo alimentar Pelas propriedades cognitivas da saliva, em especial pela ação adesiva das glicoporteínas (mucina), pode-se colar partículas previamente quebradas pela ação mecânica da mastigação para posterior deglutição.

Umidade Confere o grau de umidade à mucosa bucal e faríngea e o ambiente úmido das vias digestivas superiores em geral.

Ação solvente e de limpeza A água da saliva é o solvente no qual se dissolvem as substâncias que estimulam os corpúsculos gustativos, estimulação importante que mantém a secreção salivar (feed back positivo).

Proteção A função protetora é expressa de varias formas. A saliva tem papel lubrificante. Seu conteúdo glicoproteico, que torna mucinosa, protege a mucosa de revestimento, formando uma barreira contra estímulos nocivos, toxinas microbianas e pequenos traumas. Sua consistência fluida também provê uma ação de lavagem mecânica, a qual carreia bactérias não-aderentes e debris celulares da boca. Em particular, a limpeza promovida pela saliva limita a disponibilidade dos açúcares para os microrganismos da placa acidogênica. As proteínas da saliva que se ligam ao cálcio ajudam a formar uma película que se comporta como uma membrana protetora.

Tamponamento A saliva comporta-se como um sistema tampão que protege a cavidade oral de duas maneiras: primeiro, muitas bactérias necessitam de um pH específico para seu crescimento máximo; a capacidade tampão da saliva evita a colonização da boca por microrganismos potencialmente patogênicos, por negar-lhes a otimização das condições ambientais: em segundo lugar, os microrganismos da placa podem produzir ácido a partir de açúcares, os quais, não sendo rapidamente tamponado e limpos pela saliva, podem desmineralizar o esmalte.

Capacidade-tampão A capacidade-tampão da saliva (CTS) é a propriedade de a saliva manter o seu pH constante a 6,9-7,0, graças aos seus tampões, mucinato/mucina, HCO-3/H2CO3 e HPO--4/H2PO-4, que bloqueiam o excesso de ácidos e de bases conforme os mecanismos: Excesso de ácidos (H+):H+ + HCO-3 → H2CO3 → H2O + CO2 Excesso de bases (HO-): HO- + H2CO3 → HCO-3 + H2O

Os tampões mucinato/mucina e monofosfato/bifosfato agem da mesma forma e. assim. o elevado poder tamponante da saliva mantém a higidez da mucosa bucal e dos dentes.