Alá ou Alláh (em árabe: , transl Allāh, ) é a palavra utilizada no árabe para designar Deus (al ilāh, literalmente "O Deus"). A palavra possui cognatos em outras línguas semíticas, tais como Elah em aramaico, ʾĒl em canaanita e Elohim em hebraico.

Embora o termo seja mais conhecido no Ocidente devido ao seu uso pelos muçulmanos para se referir a Deus no Islã, é utilizado pelos falantes do árabe de todas as fés abraâmicas, incluindo judeus e cristãos, para se referir à divindade monoteística."Allah." Encyclopædia Britannica. 2007.Allah, Encyclopedia of the Modern Middle East and North AfricaAllah, Columbia Encyclopedia Os cristãos árabes utilizam o termo antes mesmo do advento do Islã.Rick Brown, "Who was 'Allah' before Islam? Evidence that the term 'Allah' originated with Jewish and Christian Arabs" (2007), página 8. Também é utilizado, embora não exclusivamente, por babistas, bahá'ís, cristãos indonésios e malteses e judeus mizrahim. Cristãos e sikhs da Malásia Peninsular também têm usado a palavra para se referir a Deus. Isto tem causado controvérsia política e legal, já que há leis no país proibindo o uso da palavra por não-muçulmanos.Sikhs target of 'Allah' attack, Julia Zappei, 14 de janeiro de 2010, The New Zealand Herald.Malaysia court rules non-Muslims can't use 'Allah', 14 de outubro de 2013, The New Zealand Herald.Malaysia's Islamic authorities seize Bibles as Allah row deepens, Niluksi Koswanage, 2 de janeiro de 2014, Reuters.

Etimologia O termo Allāh é derivado de uma contração do artigo definido al- ("o") com ilāh ("divindade", "deus"). Cognatos da palavra "Allāh" existem em outras línguas semíticas, tais como hebraico e aramaico.Segundo a Columbia Encyclopaedia: "Derivada de uma antiga raiz semítica referindo-se ao Divino e usada no canaanita, El, no mesopotâmico, ilu, e no bíblico, Elohim e Eloah, a palavra Allah é usada por todos os muçulmanos, cristãos, judeus e outros monoteístas que falam árabe. A forma correspondente em aramaico é Elah (אלה), mas sua forma enfática é Elaha (אלהא). É escrita como ܐܠܗܐ (ʼĔlāhā) no aramaico bíblico e ܐܲܠܵܗܵܐ (ʼAlâhâ) no siríaco conforme utilizado pela Igreja Assíria, ambos significando apenas "Deus".The Comprehensive Aramaic Lexicon – Entry for O hebraico bíblico utiliza a formal plural (com sentido singular) Elohim (אלהים), mas também raramente usa a forma singular Eloah (אלוהּ). Na escritura sikh de Guru Granth Sahib, o termo Allah (Punjabi: ਅਲਹੁ) é usado 37 vezes.Sri Granth.

O termo também era utilizado pelos habitantes pagãos politeístas de Meca (na atual Arábia Saudita), em referência a um deus criador, possivelmente a divindade suprema na Arábia pré-islâmica.L. Gardet, "Allah", Encyclopedia of Islam

Alá é o único, onipotente e única divindade e criador do universo das religiões abraâmicas. Há tanto similaridades quanto diferenças ao conceito de Deus apresentado no Corão e na Bíblia hebraica. Também foi aplicado a certos seres humanos vivos como personificações do termo e do conceito.Nation of Islam – personification of Allah as Detroit peddler W D Fard

Há um caractere no Unicode para a palavra Allāh, ﷲ com code point U+FDF2.Unicode Standard 5.0, p.479,492 Diversas fontes em árabe contam com ligaduras especiais próprias para o nome.* Arabic fonts and Mac OS X Programs for Arabic in Mac OS X

Utilização Na Arábia pré-islâmica Na Arábia pré-islâmica, incluindo a região de Meca, Allah era provavelmente um termo utilizado pelos árabes politeístas para se referenciar a um deus criador ou à entidade suprema do panteão deles.Zeki Saritopak, Allah, The Qu'ran: An Encyclopedia, ed. by Oliver Leaman, p. 34 É possível que o termo não fosse utilizado para se referir a uma única divindade como no Islã. O termo pode ter tido noção vaga na religião então praticada em Meca.Gerhard Böwering, God and his Attributes, Encyclopedia of the Qur'an, ed. Jane Dammen McAuliffe O nome do pai de Maomé era Abedalá (ʿAbd-Allāh), que significava "servo de Alá". Os árabes cristãos, judeus e monoteístas pré-islâmicos (Hanifs) utilizaram a palavra "Alá" e o termo bismilá ("em nome de Alá") para se referir à entidade suprema deles em inscrições em pedras séculos antes do advento do Islã.

No judaísmo

Uma vez que o hebraico e o árabe são línguas semíticas próximas, é comumente aceito que Alá e o termo bíblico Elohim são derivações cognatas de mesma origem, assim como Eloah, palavras hebraicas usadas para significar "o Deus" e "deuses", respectivamente. Elohim e Eloah derivam da raiz El ("forte"), provavelmente oriundo do genérico ʾĒl ("deus"), contraído com o ugarítico ’lhm (apenas consoantes), que significaria "filhos de El". Nas escrituras judaicas, Elohim é utilizado como um título descritivo para Deus, cujo nome pessoal é YHWH, Elohim também é utilizado para se referir aos deuses pagãos.

No cristianismo

A palavra em aramaico para "Deus", utilizada pelos assírios, é ʼĔlāhā ou Alaha. Os falantes de árabe das religiões abraâmicas, como cristãos e judeus, usam a palavra Alá para se referir a Deus. Os árabes cristãos da atualidade não possuem outra palavra se não Alá para se referir a Deus. Eles usam o termo Allāh al-ab (الله الأب) para Deus-pai, Allāh al-ibn (الله الابن) para Deus-filho e Allāh al-rūḥ al-quds (الله الروح القدس) para Deus-Espírito Santo. Até mesmo na língua maltesa, de origem árabe, falada quase que exclusivamente por católicos, a palavra Alá (Alla) é utilizada para se referir a Deus.

Os árabes cristãos tem utilizado duas formas de invocação que foram afixadas no início de suas obras escritas. Eles adotaram o conceito muçulmano de bismilá e criaram seu próprio bismilá trinitarizado no início do século VIII. O bismilá muçulmano se traduz para "Em nome de Deus, o clemente, o misericordioso". O bismilá trinitarizado se traduz para "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Um Deus". As invocações em siríaco, latim e grego não incluem as palavras "Um Deus" no final. Esta adição foi acrescentada para enfatizar o aspecto monoteísta da crença na Trindade e também para torná-la mais palatável aos muçulmanos.Thomas E. Burman, Religious Polemic and the Intellectual History of the Mozarabs, Brill, 1994, p. 103

Segundo Marshall Hodgson, parece que em tempos pré-islâmicos alguns árabes cristãos faziam peregrinações à Caaba, à época um templo pagão, para honrar Alá como Deus criador do universo.Marshall G. S. Hodgson, The Venture of Islam: Conscience and History in a World Civilization, University of Chicago Press, p. 156 Algumas escavações arqueológicas levaram à descoberta de inscrições pré-islâmicas e túmulos feitos por cristãos falantes de árabe nas ruínas de uma igreja em Umm el-Jimal, no norte da Jordânia, contendo referências a Alá como o Deus cristão; alguns túmulos traziam a inscrição Abd Allah, que significa "servo de Alá".James Bellamy, "Two Pre-Islamic Arabic Inscriptions Revised: Jabal Ramm and Umm al-Jimal", Journal of the American Oriental Society, 108/3 (1988)Enno Littmann, Arabic Inscriptions (Leida, 1949)Rick Brown, Who is "Allah" ? - International Journal of Frontier Missions, (23:2 Summer 2006), page 80.

O termo Alá pode ser encontrado diversas vezes nas listas de mártires cristãos na Arábia, conforme indicado por antigos documentos siríacos com os nomes dos mártires da era dos reinos Himiarita e Axum.Rick Brown, Who was 'Allah' before Islam? Evidence that the term 'Allah' originated with Jewish and Christian Arabs (2007), page 8.Ignatius Ya`qub III, The Arab Himyarite Martyrs in the Syriac Documents (1966), Pages: 9-65-66-89 Um líder cristão chamado Abedalá ibne Abi Becre ibne Maomé foi martirizado em Najrã em 523; ele usava um anel que dizia "Alá é o meu Senhor".Alfred Guillaume & Muhammad Ibn Ishaq, (2002 ). The Life of Muhammad: A Translation of Isḥāq's Sīrat Rasūl Allāh with Introduction and Notes. Karachi and New York: Oxford University Press, page 18. Numa inscrição de martírio cristão datada de 512, referências a Alá são encontradas tanto em árabe quanto aramaico; ela se inicia com a seguinte declaração: "Com a ajuda de Alá ...".Adolf Grohmann, Arabische Paläographie II: Das Schriftwesen und die Lapidarschrift (1971), Wien: Hermann Böhlaus Nochfolger, Page: 6-8Beatrice Gruendler, The Development of the Arabic Scripts: From the Nabatean Era to the First Islamic Century according to Dated Texts (1993), Atlanta: Scholars Press, Page:

Nos Evangelhos pré-islâmicos, o nome usado para Deus era Alá, conforme evidenciado pela descoberta de algumas versões do Novo Testamento em árabe no norte e no sul da Península arábica.Rick Brown, Who was 'Allah' before Islam? Evidence that the term 'Allah' originated with Jewish and Christian Arabs (2007), page 10.Frederick Winnett V, Allah before Islam-The Moslem World (1938), Pages: 239–248Michael Macdonald, Personal Names in the Nabataean Realm-Journal Of Semitic Studies (1999), Page: 271 Os árabes cristãos do período pré-islâmico teriam como grito de guerra "Ya La Ibad Allah" ("Ó servos de Alá") para convocar uns aos outros para a batalha.Irfan Shahîd, Byzantium and the Arabs in the Fourth Century, Dumbarton Oaks Trustees for Harvard University-Washington DC, page 418. A palavra Alá também foi utilizada em poemas de poetas cristãos pré-islâmicos na Síria e no norte da Arábia.Irfan Shahîd, Byzantium and the Arabs in the Fourth Century, Dumbarton Oaks Trustees for Harvard University-Washington DC, Page: 452A. Amin and A. Harun, Sharh Diwan Al-Hamasa (Cairo, 1951), Vol. 1, Pages: 478-480Al-Marzubani, Mu'jam Ash-Shu'araa, Page: 302

No Islã

frame|left|Alá em caligrafia árabe

Segundo a crença islâmica, Alá é o nome próprio de DeusBöwering, Gerhard, God and His Attributes, Encyclopaedia of the Qurʼān, Brill, 2007. e a submissão humilde a sua vontade, ordens e mandamentos é o pivô da fé muçulmana. Segundo o Corão, "ele é o único Deus, criador do universo e juiz da humanidade". "Ele é único (wāḥid) e inerentemente uno (aḥad), todo piedoso e onipotente". O Corão declara "a realidade de Alá, seu mistério inacessível, seus vários nomes e suas ações em nome de suas criaturas".

Na tradição islâmica, Deus tem 99 nomes (al-asmā’ al-ḥusná, literalmente "os melhores nomes" ou "os nomes mais bonitos"), cada um do qual evoca uma característica distinta de Alá. Todos eles se referem ao mesmo Deus, o supremo e todo-abrangente Alá. Entre os 99 nomes de Deus, os mais famosos e utilizados incluem "o misericordioso" (al-Raḥmān) e "o compassivo" (al-Raḥīm). Algumas tradições afirmam que existe um centésimo nome que seria o próprio nome de Deus, ou seja, Alá.

A maioria dos muçulmanos usam a frase em árabe in shā’ Allāh ("se Deus quiser") em referência a eventos futuros.Gary S. Gregg, The Middle East: A Cultural Psychology, Oxford University Press, p.30 As devoções discursivas muçulmanas começam com a invocação da bismilá, traduzida como "em nome de Deus".Carolyn Fluehr-Lobban, Islamic Society in Practice, University Press of Florida, p. 24 Algumas frases de louvor a Deus são preferidas pelos muçulmanos, tais como Subḥān Allāh ("Sagrado seja Deus"), al-ḥamdu lillāh ("Louvado seja Deus"), lā ilāha illā Allāh ("Não há outra divindade além de Deus") e Allāhu akbar ("Maior é Deus") como forma de exercício devocional em memória de Deus (dhikr).M. Mukarram Ahmed, Muzaffar Husain Syed, Encyclopaedia of Islam, Anmol Publications PVT. LTD, p. 144 Numa prática sufista conhecida como dhikr Allah ("em memória de Deus"), o sufista repete e contempla o nome (ou os nomes) de Alá enquanto controla sua respiração.Carl W. Ernst, Bruce B. Lawrence, Sufi Martyrs of Love: The Chishti Order in South Asia and Beyond, Macmillan, p. 29