A Fazenda do Morro Queimado era uma das várias fazendas da região do município de Cantagalo, por volta de 1800 a 1820. Foi a fazenda destinada à colônia suíça e que futuramente veio a se tornar a cidade Nova Friburgo. Recebeu esse nome devido a cor tisnada, acinzentada de suas montanhas, as imponentes Duas Pedras, que podiam ser vistas das janelas da sua casa grande.

História Foi nesta região que, em 1819 ou 1820, chegaram os primeiros colonos suíços, que fundaram a Vila de Nova Friburgo, dando origem a primeira cidade planejada do país. Dom João IV, em 16 de maio de 1818, assinou decreto para a vinda de 200 famílias do Cantão de Fribourg para povoar o vasto reino do Brasil. Era uma fazenda que abrangia Nova Friburgo e as cidades de Bom Jardim, Duas Barras e Sumidouro.

Em maio de 1818, o rei D. João VI solicitou ao Monsenhor Miranda, recém nomeado Inspetor e Administrador Geral da colônia, que adquirisse a Fazenda de Morro Queimado, para fixar a colônia suíça. Nesta época, o Brasil era uma oportunidade, uma vez que estes suíços estavam acometidos pela fome em sua região, após a erupção do vulcão de Tambora ter coberto de fuligem de cinzas toda a Europa durante um ano, impactando a atividade agrícola. Por outro lado, D. João VI estava ansioso por intensificar a colonização do interior do Brasil.

A Fazenda de Morro Queimado pertencia à época ao Monsenhor Antonio José da Cunha e Almeida, que a tinha adquirido do Sr. Correia Dias pela modesta quantia de 500$000, talvez este estivesse decepcionado pelo fraco desempenho da criação de gado que ali tinha. No entanto, quando Monsenhor Antonio José da Cunha e Almeida vendeu ao Monsenhor Miranda, o valor negociado foi de 11.932$000 e cuja proposta foi aceita. Monsenhor Miranda adquire outras duas sesmarias também para completar assim, o território destinado à fundação da colônia.

As casas são construídas com mão-de-obra contratada em Minas e Macacu. O administrador/dignitários do governo junto à colônia instalam-se onde era a antiga casa sede da Fazenda do Morro Queimado e posteriormente, em 1886, esta casa conhecida como "Château" pelos colonos suíços abrigará o primeiro prédio do Colégio Anchieta.

Em março de 1820, a colônia já possuía cem casas, mas que ficaram com uma média de moradores alta (em torno de 17) devido à grande quantidade de imigrantes suíços recém-chegados.

Gravuras da Fazenda do Morro Queimado O jovem suíço Johann Jakob Steinmann (1800-1844) foi contratado pelo governo brasileiro para criar uma oficina litográfica na escola de impressão da Academia Militar e durante este período ele fez nove gravuras a água-tinta da Fazenda do Morro Queimado. Em 1833, ele retornou à Europa e em torno de 1835 - 1839, publicou seu álbum que pode ser visto na Biblioteca Nacional Digital.

Neste livro estão as gravuras "Imagem da gravura de Nova Friburgo, Colônia Suissa - ao Morro do Queimado", realizada por ele em 1934 e pelo gravador Friedrich Salathé, e "Imagem da gravura do Morro Queimado [Colonie Suisse: Nouvelle Frybourg]".

Primeiro Núcleo de uma Colônia Livre Esta iniciativa com a Fazenda do Morro Queimado representou o primeiro núcleo de colonização livre, que antes era baseada no trabalho escravo ou relacionada aos caçadores de índios(bandeirantes). Segundo Agenor Lafayette de Roure (jornalista e político brasileiro, 28 de fevereiro de 1870 a 18 de março de 1935), durante palestra em 1918, a criação da colônia suíça era uma tentativa de conter a escravidão uma vez que D. João VI encontrava-se pressionado pela Inglaterra.

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