Charles-Marie-Photius Maurras (Bouches-du-Rhône, 20 de abril de 1868Charles Maurras, Barsa Saber – 16 de novembro de 1952) foi um poeta monarquista francês, jornalista, dirigente e principal fundador do jornal nacionalista e germanófobo Action Française e teórico do Nacionalismo Integral.
Foi uma das figuras principais do movimento anti-Dreyfusard.
Salazar estudou as suas ideias, que confessou terem tido relevante influência na sua formação política.Excerto da Tese de doutoramento apresentada pelo Dr. Marcos Pinho de Escobar , publicado no jornal Action française, Paris, 2000
Foi um grande ideólogo e exerceu alguma influência sobre movimentos nacionalistas como o Integralismo Lusitano e o Patrianovismo, e alguns autores integralistas brasileiros, como Félix Contreiras Rodrigues e Gustavo Barroso. No entanto, sendo contra o nacional-socialismo e anti-nazista, colaborou com o governo fantoche de Vichy, mais por desgosto a figura de De Gaulle e seus aliados, e também devido a sua lealdade ao Marechal Pétain.
Pensamento Político de Maurras As ideias centrais do pensamento político de Maurras eram um intenso nacionalismo (que ele descreveu como um "nacionalismo integral") e uma crença numa sociedade ordenada. Estas eram as bases para o seu apoio à monarquia e à Igreja Católica Romana.
Como muitas pessoas na Europa do seu tempo, ele foi assolado pela ideia da decadência, em parte inspirado pelas leituras de Hippolyte Taine e Ernest Renan.
Ele achava que a França perdera a sua grandeza com a Revolução Francesa de 1789, uma grandeza herdada das raízes clássicas romanas e desenvolvida, como ele disse, por "quarenta reis que fizeram a França em mil anos".
A Revolução, como escreveu no Observateur français, foi uma revolta, uma obra negativa e destrutiva.
Ele viu neste declínio o resultado do Iluminismo e da Reforma Protestante; ele descreveu a fonte deste mal como "Ideias Suíças", uma referência a Jean-Jacques Rousseau e João Calvino.
Ele colocou as culpas naquilo a que chamou a "Anti-França", definida como os "quatro estados confederados de Protestantes, Judeus, Mações e estrangeiros". De facto, para ele, os primeiros três já eram todos uma forma de estrangeiros internos.
O Anti-Semitismo e anti-Protestantismo eram temas comuns nas suas escritas. Ele achava que a Reforma, O Iluminismo e a Revolução tinham todos contribuído para que os indivíduos se colocassem à frente da nação, com consequentes efeitos negativos nesta última. Segundo ele, a democracia e o liberalismo continuavam a fazer as coisas ainda pior.
Durante a Primeira Guerra Mundial, o empresário judeu Emile Ullman foi forçado a demitir-se do conselho de administração do "Comptoir d'Escompte" após Maurras lhe ter chamado de agente do Kaiser Wilhelm II da Alemanha.
Apesar de que as soluções políticas que ele advogava serem não muito distantes das dos monarquistas franceses, de muitas maneiras Maurras não se incorporava na tradição monarquista na França.
As suas visões - pelo menos era o que ele dizia - eram baseadas na razão e não tanto no sentimento, lealdade e fé. Aliás, tal como muitos líderes da Terceira República Francesa que ele detestava, Maurras era também um admirador do filósofo Augusto Comte.
Enquanto que a maioria dos monarquistas se recusava a envolver na acção política - por esta altura muitos tinham recuado para um Catolicismo intransigentemente conservador e uma indiferença para com os acontecimentos do mundo, que eles viam agora como irremediavelmente perigosos - Maurras estava preparado para se envolver na acção política, seja ela convencional ou não convencional (os Camelots du Roi, grupo para-militar da Action Française, envolviam-se frequentemente em violência nas ruas).
Ele adoptou a frase "La politique d'abord" (política primeiro) como o seu slogan, querendo significar "política religiosa em primeiro lugar". Com isto ele dizia apoiar a Igreja Católica porque ela estava intimamente ligada com a história Francesa e porque a sua estrutura hierárquica e distinta elite clerical eram para si o espelho de uma sociedade ideal. A Igreja Católica em França era, na sua opinião, a argamassa que mantinha a nação unida.
No entanto, ele desconfiava dos evangelhos, escritos, como ele o colocou, "por 4 obscuros Judeus" (Le Chemin du Paradis, 1894) e admirava a Igreja por ter, na sua opinião, conseguido esconder muitos dos ensinamentos perigosos da Bíblia. De facto, ele advogava um Catolicismo sem Cristandade, tanto quanto possível.
Apesar disto, ele gozou de um grande apoio entre católicos e monárquicos, incluindo os orleanistas, de cujo pretendente ele recebeu o apoio directo.
No entanto, o seu agnosticismo era motivo de insatisfação por partes da hierarquia católica, e em 1926 alguns dos seus livros foram incluídos no Index Librorum Prohibitorum pelo Papa Pio XI (o movimento Action Française como um todo foi condenado ao mesmo tempo e Maurras excomungado) — um grande choque para muitos dos seus seguidores, incluindo um número considerável do sacerdócio francês.
thumb|390x390px|right|Busto de Charles Maurras em Bocas do Ródano, Provença.
Obra 1889: Théodore Aubanel 1891: Jean Moréas 1894: Le Chemin du Paradis, mythes et fabliaux 1896-1899: Le voyage d'Athènes 1898: L'idée de décentralisation 1899: Trois idées politiques: Chateaubriand, Michelet, Sainte-Beuve 1900: Enquête sur la monarchie 1901: Anthinéa: d'Athènes à Florence 1902: Les Amants de Venise, George Sand et Musset 1905: L'Avenir de l'intelligence 1906: Le Dilemme de Marc Sangnier 1910: Kiel et Tanger 1912: La Politique religieuse 1914: L'Action française et la religion catholique 1915: L'Étang de Berre 1916: Quand les Français ne s'aimaient pas 1916-1918: Les Conditions de la victoire, 4 volumes 1921: Tombeaux 1922: Inscriptions 1923: Poètes 1924: L'Allée des philosophes 1925: La Musique intérieure 1925: Barbárie et poésie 1927: Lorsque Hugo eut les cent ans 1928: Le prince des nuées. 1928: Un débat sur le romantisme 1928: Vers un art intellectuel 1929: Corps glorieux ou Vertu de la perfection. 1929: Promenade italienne 1929: Napoléon pour ou contre la France 1930: De Démos à César 1930: Corse et Provence 1930: Quatre nuits de Provence 1931: Triptyque de Paul Bourget 1931: Le Quadrilatère 1931: Au signe de Flore 1932: Heures immortelles 1932-1933: Dictionnaire politique et critique, 5 volumes 1935: Prologue d'un essai sur la critique 1937: Quatre poèmes d'Eurydice 1937: L'amitié de Platon 1937: Jacques Bainville et Paul Bourget 1937: Les vergers sur la mer. 1937: Jeanne d'Arc, Louis XIV, Napoléon 1937: Devant l'Allemagne éternelle 1937: Mes idées politiques 1940: Pages africaines 1941: Sous la muraille des cyprès 1941: Mistral 1941: La seule France 1942: De la colère à la justice 1943: Pour un réveil français 1944: Poésie et vérité 1944: Paysages mistraliens 1944: Le Pain et le Vin 1945: Au-devant de la nuit 1945: L'Allemagne et nous 1947: Les Deux Justices ou Notre J'accuse 1948: L'Ordre et le Désordre 1948: Maurice Barrès 1948: Une promotion de Judas 1948: Réponse à André Gide 1949: Au Grand Juge de France 1949: Le Cintre de Riom 1950: Mon jardin qui s'est souvenu 1950 1951: Tragi-comédie de ma surdité 1951: Vérité, justice, patrie (with Maurice Pujo) 1952: À mes vieux oliviers 1952: La Balance intérieure 1952: Le Beau Jeu des reviviscences 1952: Le Bienheureux Pie X, sauveur de la France 1953: Pascal puni (published posthumously) 1958: Lettres de prison (1944-1952) (published posthumously) 1966: Lettres passe-murailles, correspondance échangée avec Xavier Vallat (1950-1952) (published posthumously)
Ligações externas Charles Maurras, Barsa Saber Charles Maurras e o surgimento do Integralismo Lusitano, por Felipe A. Cazetta, Revista Cantareira - Edição 17 / JUL-DEZ, 2012
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