Sé é um distrito situado na região central do município de São Paulo, administrado pela Subprefeitura da Sé. Forma, juntamente com o distrito da República, o chamado Centro Histórico de São Paulo.

Trata-se do distrito em que está localizado o Pátio do Colégio, ponto no qual a cidade de São Paulo foi fundada em 1554; a Praça da Sé, onde se encontra o "marco zero" do município e a Catedral Metropolitana de São Paulo; a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo; a sede do Tribunal de Justiça de São Paulo; o Edifício Martinelli; a Prefeitura Municipal; a Brasil, Bolsa, Balcão (B3); a sede do Ministério Público do Estado de São Paulo; o Edifício Altino Arantes (Banespa); o Mercado Municipal e o Mosteiro de São Bento, entre outros pontos de interesse.

O distrito é atendido pelas linhas 1-Azul e 3-Vermelha do Metrô de São Paulo, que se interligam na Estação Sé, a mais lotada da capital. O distrito também é servido pelo Expresso Tiradentes da SPTrans e pelas estações Japão-Liberdade e Pedro II, das linhas 1-Azul e 3 -Vermelha, respectivamente.

Curiosamente, dentro desse distrito encontra-se a parte mais conhecida do bairro da Liberdade, embora também haja um distrito com este nome. A parte mais movimentada da Rua Galvão Bueno, a Praça da Liberdade e a Estação Japão-Liberdade do Metrô estão, oficialmente, dentro do distrito da Sé.

O distrito da Sé forma, junto com o da República, o chamado Centro Histórico de São Paulo. Porém, neste último, a ocupação efetiva iniciou-se apenas no século XIX e só ganhou força no início do século XX, após a construção do Viaduto do Chá.

História A história da Sé confunde-se com a própria origem da cidade de São Paulo. O núcleo inicial foi fundado em 25 de janeiro de 1554 por padres jesuítas, liderados por Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, no local hoje conhecido como Pátio do Colégio. Em 1556, sobre a primitiva capela existente no local, nasceu uma igreja, juntamente com a criação da Freguesia da Sé em 1º de novembro do mesmo ano.Durante os séculos XVI e XVII, o núcleo urbano permaneceu restrito ao entorno do Pátio do Colégio, consolidando-se como o chamado “Centro Velho” ou “Triângulo Histórico”, delimitado pelas igrejas da Sé, do Carmo, de São Bento e de São Francisco. O crescimento foi lento, condicionado pela economia de subsistência e pela função de entreposto para bandeirantes e viajantes rumo ao interior.No século XVIII, a Sé já englobava freguesias como Bom Jesus do Brás e Santa Efigênia. No século XIX, a área foi subdividida em Sé Norte e Sé Sul, refletindo o aumento populacional e a complexidade urbana. O crescimento demográfico foi significativo: de cerca de cem habitantes em 1554, a população chegou a 2.500 em 1820 e a dezenove mil em 1872. A região recebeu melhorias como a construção de uma caixa d’água em 1860, iluminação a gás em 1872 e calçamento em 1873.A partir da segunda metade do século XIX, o ciclo do café e a industrialização transformaram radicalmente a Sé. O acúmulo de capital do café, a chegada de imigrantes europeus e a expansão das ferrovias impulsionaram a verticalização e a modernização do centro, substituindo o casario colonial por edifícios comerciais e residenciais.

No início do século XX, a antiga igreja matriz da Sé foi demolida em 1911 para dar lugar à nova Catedral Metropolitana de São Paulo, em estilo neogótico, projetada pelo arquiteto Maximilian Emil Hehl. A construção da catedral exigiu a demolição de quarteirões inteiros e a remodelação da praça, marcando uma ruptura com o passado colonial. A cripta foi inaugurada em 1919, mas a catedral só foi oficialmente inaugurada em 1954, durante as comemorações do IV Centenário da cidade; as torres foram concluídas em 1969.O século XX foi marcado por sucessivas reformas urbanas na Sé, como a canalização do Anhangabaú, a construção de viadutos, a abertura de avenidas e a implantação do metrô. Em 1922, foi inaugurado o Palacete Santa Helena, com arquitetura eclética. Em 1934, foi instalado o Marco Zero de São Paulo na Praça da Sé. Em 1954, foi inaugurada a Catedral da Sé. Em 1978, foi inaugurada a Estação Sé do metrô, juntamente com a revitalizada Praça da Sé. Em 1984, a praça foi palco do comício das Diretas Já, um dos maiores eventos políticos da história recente do Brasil.

Geografia e delimitação O distrito da Sé está situado no coração do centro histórico de São Paulo, ocupando uma área de 2,1 km². Seus limites oficiais são definidos por importantes vias e marcos urbanos, conforme legislação municipal e mapeamento digital do sistema GeoSampa. Ao norte, faz divisa com Santa Ifigênia, tendo como referência a Avenida Ipiranga e a Rua Mauá; a nordeste, limita-se com o Brás, próximo à Avenida do Estado; a leste, confronta com o Cambuci, tendo como referência a Avenida Rangel Pestana e a Rua Tabatinguera; ao sudeste, limita-se com a Liberdade, próximo à Rua da Glória e à Rua Vergueiro; ao sul, faz fronteira com a República, tendo como referência a Rua da Consolação e a Avenida São Luís; e a oeste/noroeste, limita-se com o Bom Retiro, próximo à Rua José Paulino e à Avenida Tiradentes.

O relevo da Sé é caracterizado por um platô suavemente ondulado, típico do Planalto Paulistano, com presença de espigões e vales. O distrito está situado entre os antigos vales dos rios Anhangabaú e Tamanduateí, ambos atualmente canalizados, que influenciaram a formação do núcleo urbano original. A hidrografia histórica, marcada por esses cursos d’água, foi determinante para a escolha do sítio de fundação e para o desenvolvimento urbano subsequente.O distrito integra a Subprefeitura da Sé, unidade administrativa responsável pela gestão de oito distritos centrais.

Demografia e perfil socioeconômico O distrito da Sé apresenta população residente de 23.650 habitantes (Censo 2010), com densidade de 11.262 hab/km². Apesar da tendência de estabilidade ou leve decréscimo populacional, o fluxo diário de pessoas é elevado devido à concentração de atividades econômicas, culturais e administrativas.A Sé é um dos principais polos econômicos do município, com destaque para o comércio formal e informal. A proximidade da Rua 25 de Março, maior centro comercial popular da América Latina, impacta diretamente a dinâmica econômica do distrito. O comércio de rua é diversificado, abrangendo desde lojas formais até vendedores ambulantes, cuja presença é histórica e massiva.O centro de São Paulo, incluindo a Sé, concentra a maior população em situação de rua do país. Em 2025, a cidade abrigava mais de 101 mil pessoas vivendo nas ruas, com crescimento expressivo nos bairros centrais. O perfil predominante é masculino, em idade economicamente ativa, com maioria de pretos ou pardos.Evolução demográfica do distrito da SéApresenta a menor população absoluta entre os distritos centrais, mas mantém alta densidade devido à pequena extensão territorial e à concentração de atividades comerciais e institucionais. As UDHs mais desenvolvidas, com IDH-M entre 0,850 e 0,870, estão localizadas no polígono do Centro Histórico de São Paulo e Polo Jurídico, no entorno do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e do Pátio do Colégio. Já as UDHs com menor IDH-M, entre 0,700 e 0,720, situam-se no entorno do Parque Dom Pedro II e na Várzea do Carmo, áreas severamente impactadas por enchentes e ausência de zeladoria, abrigando populações em altíssima vulnerabilidade. A centralidade simbólica e histórica do distrito contrasta com desafios sociais, como a elevada presença de população em situação de rua e a polarização entre funções financeiras e vulnerabilidade social. O distrito não apresenta habitações precárias, mas enfrenta desafios específicos relacionados à exclusão social. O acesso a saneamento, água e coleta de lixo supera 99%, enquanto o índice de Gini, em torno de 0,60, e a renda per capita acima de R$ 3.000 evidenciam desigualdade acentuada. Os indicadores educacionais e de saúde mantêm-se elevados, com analfabetismo inferior a 2%, média de escolaridade superior a 11 anos, expectativa de escolaridade acima de 15 anos e expectativa de vida entre 77 e 79 anos, embora a vulnerabilidade de setores específicos limite o alcance dos benefícios sociais.

Infraestrutura urbana e transportes A Sé é o principal polo de mobilidade urbana de São Paulo, articulando metrô, ônibus, trens metropolitanos, infraestrutura cicloviária e ampla rede de circulação de pedestres.A Estação Sé é o mais importante ponto de integração do Metrô de São Paulo, conectando as Linhas 1–Azul e 3–Vermelha, com altíssimo fluxo diário de passageiros. O distrito é ainda servido pelas estações São Bento, Liberdade e Pedro II, além da proximidade com a Estação da Luz e a Estação Júlio Prestes, que integram o sistema ferroviário metropolitano.O Terminal Parque Dom Pedro II é o principal terminal de ônibus do centro, com dezenas de linhas municipais e intermunicipais. O Terminal Bandeira, próximo ao Vale do Anhangabaú, integra-se ao metrô e atende linhas estruturais para diversas regiões.A infraestrutura para pedestres é ampla, com calçadas largas, faixas de travessia, sinalização tátil e mobiliário urbano, destacando-se vias como Rua Direita, Rua XV de Novembro, Viaduto do Chá e o próprio Vale do Anhangabaú. O centro conta ainda com ciclovias e paraciclos, integrando-se à rede cicloviária municipal.

Cultura Concentra alguns dos mais importantes equipamentos culturais de São Paulo. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), localizado na Rua Álvares Penteado, é um dos principais polos de exposições, teatro e cinema do país. O 24 de Maio]], situado na Rua 24 de Maio, destaca-se como centro multifacetado de atividades culturais, esportivas e de lazer, com programação diversificada e acesso democrático. O Museu Anchieta, instalado no Pátio do Colégio, preserva a memória da fundação da cidade e oferece exposições sobre a história dos jesuítas e da formação urbana paulistana. A Biblioteca Mário de Andrade, uma das maiores do Brasil, está localizada na Rua da Consolação, próxima ao distrito, e é referência em acervo e atividades culturais.O distrito também é palco de manifestações artísticas, festivais e eventos de grande porte, como a Virada Cultural, que utiliza seus espaços públicos e instituições para democratizar o acesso à cultura.

Problemática urbana O distrito da Sé enfrenta desafios urbanos complexos e multifacetados, que impactam diretamente a qualidade de vida, a preservação do patrimônio e a dinâmica social e econômica local. Concentra uma das maiores populações em situação de rua da cidade, reflexo de sua centralidade, oferta de serviços e circulação intensa de pessoas. Em junho de 2024, São Paulo registrou 80.369 pessoas vivendo em situação de rua, segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/UFMG), com forte concentração nos bairros centrais, incluindo a Sé. O perfil predominante é masculino, em idade economicamente ativa, com maioria de pretos ou pardos. A Prefeitura mantém políticas como o Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS) e o Programa Reencontro, que prevê moradias transitórias, locação social, renda mínima, capacitação profissional e intermediação de emprego.