Caixa alta é uma expressão usada em tipografia para referir à escrita com letras maiúsculas. É o mesmo que versais ou capitais.
Caixa baixa, por sua vez, corresponde à escrita com letras minúsculas.
A terminologia caixa-alta e caixa-baixa é usada nos sectores e profissões editoriais (editores, revisores, grafistas, jornalistas). Maiúsculas e minúsculas são os termos usados na linguística, e nas ciências humanas em geral.
Escrita bicameral
Um alfabeto bicameral é um alfabeto com símbolos em caixa alta e em caixa baixa, tais como os alfabetos latino, cirílico e grego. Um alfabeto sem distinção de altura de caixa, tais como os alfabetos árabe, hebraico, tâmil e hangul, é chamado de alfabeto unicameral. Da mesma forma, uma fonte tipográfica com símbolos para ambas as caixas de um alfabeto bicameral pode ser chamada de fonte bicameral. Fontes latinas com suporte a versaletes, além de maiúsculas e minúsculas, são denominadas tricamerais.
Etimologia
Caixa alta e caixa baixa
thumb|direita|450px|Esquema de uma caixa de tipos usada em Portugal. Na tipografia, os caracteres móveis — inicialmente em madeira e mais recentemente em chumbo — estão dispostos numa caixa dividida internamente, formando caixas menores (os “caixotins”). Para facilitar o acesso do compositor aos caracteres, a caixa é colocada sobre um cavalete inclinado. A parte contendo os caracteres mais usados (as minúsculas, a pontuação mais comum, os espaços, os algarismos) ficava num plano mais baixo, mais acessível — era a caixa baixa. A parte com as maiúsculas, os caracteres acentuados e sinais e símbolos menos usados ficava no topo — era a caixa alta.
Assim, com o tempo usar a caixa alta passou a significar “escrever em maiúsculas”, enquanto usar a caixa baixa significa “escrever em minúsculas”.
É comum o uso das abreviaturas C.A. (caixa alta) e c.b. (caixa baixa).
Quando algo está escrito com maiúsculas iniciais (p.e., “Wikipédia, a Enciclopédia Livre”), diz-se que está em caixa alta e baixa (simbolicamente: c.A/b).
Maiúsculo e minúsculo
Os termos maiúsculo e minúsculo derivam dos termos em latim maiusculus e minusculus, compostos pelos prefixos latinos maius ("maior") e minus ("menor") com o sufixo diminutivo -culus.
História
No latim clássico não existia a distinção entre letras maiúsculas e minúsculas. Todos os textos eram escritos com letras semelhantes àquelas que hoje conhecemos maiúsculas. Aquilo a que hoje chamamos de letras minúsculas, ou em caixa baixa, nada mais é do que a imitação das letras das inscrições em pedra pelos escrivães que as tinham de desenhar em suportes mais parecidos com o papel (sobretudo o papiro). A diferença entre a letra imitada e a minúscula criada deve-se às características dos diferentes instrumentos de escrita usados, martelo e escopro no primeiro caso, cálamo ou pena no segundo. No essencial, a criação da maior parte das letras minúsculas deu-se entre os séculos IV e VI. Algumas letras minúsculas não foram criadas de todo, isto é, os símbolos usados são os mesmos das maiúsculas, sendo representados com um tamanho ligeiramente inferior. É o caso, por exemplo, do C, do K, do X ou do Z.
Quando surgiram, as minúsculas não eram vistas como um complemento às maiúsculas, mas como uma alternativa para a escrita cursiva (caligrafia). Isto quer dizer que um escrivão recorria só a umas ou só a outras, não as misturando.
A ideia de que maiúsculas e minúsculas constituem alfabetos tipográficos diferentes e complementares (podendo, por exemplo, uma palavra ter a primeira letra em caixa alta e as restantes em caixa baixa), nasceu durante a Idade Média. Quando a escrita e a cultura se refugiaram nos mosteiros, os livros passaram a ser vistos como objetos artísticos que valiam não só pelo seu conteúdo, mas também pelo seu aspecto físico. Assim, as iluminuras medievais desenvolveram a arte das maiúsculas nas letras que iniciavam cada capítulo de um livro. Por essa razão, ainda hoje, chama-se capitular à letra maiúscula, maior do que as restantes, que inicia um texto.
Durante este período, o cânone da escrita deixou de ser a inscrição na pedra, para passar a ser o desenho no papel. Deste modo, as letras maiúsculas, mais difíceis de usar em caligrafia, caíram em desuso para os textos correntes, sendo vistas como algo de arcaico mas elegante, próprio dos tempos glorificados da antiguidade. É assim que nasce a noção inconsciente de que as maiúsculas são para coisas mais importantes do que as minúsculas. Começa-se então a usar maiúsculas para dar ênfase a determinadas palavras, como nomes próprios.
Por outro lado, o uso da gramática latina entra num processo de degradação irreversível, com a consequente introdução de inovações e alterações que levarão à morte do latim e ao nascimento das línguas românicas modernas como o português. As funções gramaticais das palavras e as orações deixam de ser identificadas pela flexão gramatical do latim (as declinações). Assim, surge a pontuação e as maiúsculas passam a marcar o início das frases.
No alemão todos os substantivos são grafados com a primeira letra em caixa alta. Também no inglês essa regra foi seguida até ao século XVIII e no neerlandês até 1948. A profusão de maiúsculas nas letras iniciais de palavras e em títulos de obras é um traço típico das línguas germânicas que teve o seu auge durante o , havendo, desde então, uma evolução para um uso mais moderado. Tradicionalmente, as línguas românicas foram sempre mais comedidas no uso das maiúsculas. Por exemplo: nos títulos de obras, pela tradição e segundo as normas académicas, apenas a primeira palavra tem a letra inicial em caixa alta.
Uso de caixa alta A forma como as letras em caixa alta são usadas varia muito de país para país, havendo claramente uma tradição germânica e uma dos países latinos. Mesmo dentro de cada país há diferentes regras em uso conforme o editor e a finalidade dos textos em causa.
Na língua portuguesa existem várias normas em uso. Até ao aparecimento da informática, as regras de uso das maiúsculas e minúsculas eram mantidas pelos compositores, que as transmitiam de mestre para discípulo. O desaparecimento desta profissão (passando a composição do texto a ser feita pelos próprios autores dos textos nos seus computadores) e o facto de as normas serem transmitidas oralmente quase não existindo fontes escritas levaram a um certo desnorte nesta área, como em outras da tipografia.
Hoje em dia, assiste-se a um processo quase imparável de esquecimento, abandono e adulteração das tradições da tipografia e da composição em língua portuguesa e de adopção sistemática de normas de outras línguas, sem que haja sequer consciência desse processo.
Em Portugal, as normas sobre maiúsculas de virtualmente todos os manuais e livros de estilo em vigor derivam das normas da Imprensa Nacional, incluindo o Código de Redação Interinstitucional da União Europeia.
Contudo, as alterações introduzidas desde o Acordo Ortográfico de 1945 à norma das citações bibliográficas não foram acatadas pelo meio académico e científico (que tem continuado a usar largamente o sistema de caixa alta apenas na letra inicial da primeira palavra).
Todas as letras em caixa alta São raros os contextos em que todas as letras de uma palavra devem (ou podem) estar em maiúsculas: no título de um livro, na sua capa, rosto e ante-rosto (ex. OS LUSÍADAS). Este aspecto foi regra absoluta até ao início do século XX; em transcrições do latim (existindo a alternativa de grafar todas as letras em minúsculas); em siglas (ex. EUA, OMS) e acrónimos (ex. OTAN ou NATO, ONU).
É considerado falta de educação escrever uma frase em contexto normal com todas as letras em caixa alta, por ser, em geral, mais difícil de ler. Em alguns contratos menos bem intencionados chega-se a escrever cláusulas completamente em maiúsculas e com letra em ponto pequeno, para desencorajar a sua leitura.
Pontuação A letra da primeira palavra de uma frase é sempre escrita em caixa alta. Nota: depois de reticências, de ponto de exclamação ou de ponto de interrogação pode iniciar-se uma frase ou não. Se não se iniciar um novo período, então, a primeira letra deve permanecer em caixa baixa (e. g. "Ó quimera de Vida! pois a Vida é isto? estes apertos de mão, esta mentira, este monólogo entrecortado de risos, de lágrimas e de infâmias? este sonho e esta lama? esta inveja e esta vaidade?" — Raul Brandão). Coloca-se em maiúscula a primeira letra de uma fala de um interlocutor, depois do travessão (e. g. "— De que gostas mais? — perguntou-lhe o pai"). Tradicionalmente, na poesia, a primeira letra de um verso vinha em caixa alta. Alguns autores recentes (como Alexandre O'Neill ou Ruy Belo) têm posto em causa esta regra, usando a maiúscula apenas para o início de frase. Abrem-se com maiúsculas as enumerações ou alíneas que tenham redacção independente e que, no final, podem levar ponto ou ficar sem pontuação final. Nota: quando se trata de enumerações ou alíneas que continuam uma frase interrompida por dois pontos (que levam ponto e vírgula no final), não devem ser iniciadas por caixa alta. Por exemplo: a) nos casos de x; b) nos casos de y; c) nos casos de z. Em contexto jornalístico, as citações podem iniciar-se ou não com caixa alta, dependendo da redação da frase em que a citação é inserida: se a citação surge na abertura da frase, deve ficar em maiúsculas (e. g. "«Em certas zonas, a distância para a urgência é uma verdadeira desgraça», afirma um dos pacientes"); se a citação surge a meio de uma frase, deve ficar em minúsculas (e. g. "Teve de mandar chamar a ambulância, que «veio logo». O «logo», para ele, é entre 20 minutos e…"). Em contexto científico (trabalhos académicos, por exemplo), uma citação deve ficar tal como está no original: se a citação se inicia no mesmo ponto em que se inicia a frase no original, deve ficar em maiúsculas (e. g. "Segundo Celso Cunha, «Todas as variedades linguísticas são estruturadas […]», o que vai ao encontro do que defendemos"); se a citação se inicia num ponto intermédio da frase do original, então, deve iniciar-se em minúsculas (e. g. "Segundo Lindley Cintra, pelo contrário, elas «[…] são estruturadas […]», o que vai ao encontro do que defendemos").
Palavras especiais Há algumas palavras que se devem grafar sempre com inicial maiúscula. Estas regras, contudo, podem ter algumas variações. Por exemplo, no português europeu os meses são escritos com inicial maiúscula (Janeiro) e no português brasileiro com minúscula (janeiro), embora o Acordo ortográfico de 1990 estabeleça o uso de minúscula. Por vezes, conforme o livro de estilo em vigor numa instituição, pode haver algumas diferenças. A seguinte lista contém as palavras especiais que, tradicionalmente, quer no Brasil, quer em Portugal, se escrevem com maiúscula inicial. Palavras de categorias onomásticas: Nomes pessoais ou de família (e. g. António da Silva). Cognomes ou apodos (e. g. D. Dinis, o Lavrador ou Jack, o Estripador). Nomes geográficos (e. g. serra da Estrela, Luanda). Em geral, os substantivos que designam acidentes geográficos e que acompanham os topónimos não levam maiúscula (e. g. arquipélago dos Açores, cabo da Boa Esperança, oceano Atlântico, cabo Horn, estreito de Magalhães, mar Mediterrâneo, estado do Maranhão, rio Iguaçu). Existem, no entanto, algumas combinações vocabulares que embora sejam baseadas em palavras designativas de acidentes geográficos, formam no seu conjunto locuções toponímicas, não dispensando, portanto, a maiúscula inicial nesses elementos. São disso exemplos os topónimos Grandes Lagos e Península Ibérica. Neste último caso, o geónomo, mesmo quando reduzido somente ao primeiro elemento – Península – continua mantendo a maiúscula inicial. Nomes de países ou comunidades territoriais (e. g. Estados Unidos do Brasil, República Portuguesa).