O Distrito de Faro é um distrito português, localizado no sul do país. Limita a norte com o Distrito de Beja, a leste com a Espanha e a sul e a oeste com o oceano Atlântico. A sede do distrito é a cidade de Faro.
Tem uma área total de , sendo o 10.° distrito com a maior área de todos os distritos nacionais. Em 2023, registou uma população de 484 122 habitantes, sendo o 6.° distrito mais populoso do país. O distrito tem uma densidade populacional de , que se dividem em 16 municípios e em 67 freguesias.
População O Algarve é a única região portuguesa perfeitamente definida, e consequentemente é a única que não tem uma divisão administrativa confusa. O distrito de Faro corresponde quer à tradicional quer à moderna região do Algarve, e esta constitui também uma única subregião estatística, com o mesmo nome.
Coincide perfeitamente com a região do Algarve, tendo uma área de e uma população de habitantes (2023) (0,06% da população da Europa e 4,74% da população de Portugal), constitui a região turística mais importante de Portugal e uma das mais importantes da Europa. O seu clima temperado mediterrânico, caracterizado por invernos amenos e curtos e verões longos, quentes e secos, as águas tépidas e calmas que banham a sua costa sul, as suas paisagens naturais, o património histórico e etnográfico e a deliciosa e saudável gastronomia são atributos que atraem milhões de turistas nacionais e estrangeiros todos os anos e que fazem do Algarve a região mais visitada e uma das mais desenvolvidas do país.
Faro é atualmente um dos distritos mais ricos de Portugal, em conjunto com os distritos de Lisboa, Setúbal e a Madeira, com um PIB per capita de 86% da média da União Europeia.miniaturadaimagem
Subdivisões
Municípios O distrito de Faro subdivide-se nos seguintes dezasseis municípios: Brasão Município População(2021) Área(km²) Densidade(hab./km²) N.ºDiário da República, 1.ª Série, n.º 19,Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 19 de dezembro de 2014.Freg.40px|centroAlbufeira44 158140,66313,93440px|centroAlcoutim2 521575,364,38440px|centroAljezur6 046323,5018,69440px|centroCastro Marim6 434300,8421,38440px|centroFaro67 566202,57333,54440px|centroLagoa23 71888.25268,76440px|centroLagos33 514212,99157,35440px|centroLoulé72 373763,6794,77940px|centroMonchique5 465395,3013,82340px|centroOlhão44 639130,12341,12440px|centroPortimão59 896182,06328,99340px|centroSão Brás de Alportel11 266153,3773,46140px|centroSilves37 813680,0655,60640px|centroTavira27 536606,9745,37640px|centroVila do Bispo5 722179,0631,96440px|centroVila Real de Santo António18 82861,25307,43 Cidades
Albufeira Faro Lagoa Lagos Loulé Olhão Portimão Quarteira (Loulé) Silves Tavira Vila Real de Santo António
Vilas
Alcantarilha (Silves) Alcoutim Algoz (Silves) Almancil (Loulé) Alvor (Portimão) Armação de Pêra (Silves) Aljezur Bensafrim (Lagos) Cabanas de Tavira (Tavira) Carvoeiro (Lagoa) Castro Marim Estômbar (Lagoa) Ferragudo (Lagoa) Fuseta (Olhão) Luz (Lagos) Luz de Tavira (Tavira) Mexilhoeira Grande (Portimão) Moncarapacho (Olhão) Monchique Monte Gordo (Vila Real de Santo António) Odeceixe (Aljezur) Odiáxere (Lagos) Parchal (Lagoa) Pêra (Silves) Porches (Lagoa) Sagres (Vila do Bispo) Salir (Loulé) Santa Luzia (Tavira) São Bartolomeu de Messines (Silves) São Brás de Alportel Vila do Bispo Vila Nova de Cacela (Vila Real de Santo António)
História Época pré-romana Na época pré-romana era habitado pelos cónios, cúneos ou cinetes, um povo (formado por várias tribos) de filiação linguística e étnica possivelmente celta ou ibera, cujo território incluía toda a atual região e ainda o sul do atual distrito de Beja. Esse antigo território dos cónios ia da foz do rio Mira à foz do Guadiana, pelo litoral, e da foz do rio Mira passando pela área das nascentes do rio Sado e pelas ribeiras de Terges e de Cobres até à confluência desta última com o Guadiana e descendo pela margem direita ou oeste desse rio novamente até à sua foz, pelo interior, abrangendo assim toda a área da Serra do Caldeirão (também denominada Serra de Mu) e seu planalto. É possível que fossem relacionados com os tartessosAAVV. (1963). "Algarve" in Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Lisboa: Editorial Verbo. (povo cuja filiação linguística e étnica também ainda não está plenamente conhecida ou determinada), mas não eram o mesmo povo, tal como diversos autores da Antiguidade clássica, por exemplo, Estrabão e Plínio, o Velho, afirmavam.
Devido ao nome do povo nativo, conii ou cynetes (cónios ou cinetes em latim), o distrito de Faro, na época romana, era denominado Cyneticum (Cinético). O território deste povo situava-se muito próximo de uma antiga civilização nativa da Península Ibérica, a de Tartessos (que se desenvolveu no oeste da atual Andaluzia), na bacia do rio Guadalquivir (antigo Betis). Devido a isso, os cónios foram muito influenciados por esta antiga cultura ou fizeram mesmo parte dessa civilização. Também foram influenciados pelas civilizações mediterrânicas (grega, romana, cartaginesa) ainda antes da época romana e eram um dos povos culturalmente mais avançados do atual território de Portugal e mesmo da Península Ibérica de então, pois já tinham conhecimento da linguagem escrita, tendo mesmo criado e desenvolvido uma escrita própria, a escrita do sudoeste, que também pode ser designada escrita cónia. Durante séculos, o atual Algarve (então denominado Cyneticum) foi ponto de passagem para vários povos, incluindo tartessos, fenícios, gregos e cartagineses.
Época romana 260px|thumbnail|esquerda|Banhos romanos na Praia da Luz, Lagos Antes da integração definitiva dos cónios no Império Romano, durante o período que vai de cerca de 200 a estes estavam sob forte influência romana mas gozavam de elevado grau de autonomia. Devido, em parte, ao relacionamento favorável com os romanos, os cónios haviam tido alguns conflitos com os lusitanos que, sob a liderança de Cauceno (Kaukenos), o chefe lusitano anterior a Viriato, tinham conquistado durante algum tempo o seu território, incluindo a capital, Conistorgis (de localização ainda desconhecida, num monte a norte de Ossonoba, atual Faro, ou talvez Castro Marim?) no ano Em parte devido a esse conflito com os lusitanos e em parte devido à influência cultural das civilizações mediterrânicas, ao contrário de muitos dos povos pré-romanos de Portugal, foram aliados dos romanos durante algum tempo e não seus adversários, diferindo da atitude de outros povos tais como os lusitanos, os célticos e os galaicos, que foram fortes opositores à conquista romana.
Apesar disso, um pouco mais tarde, no contexto das guerras lusitânicas, no ano , os cónios revoltaram-se contra os romanos, juntamente com os túrdulos da Betúria (também denominados betures), mas foram derrotados por Fábio Máximo Serviliano, procônsul romano, e integrados definitivamente no Império Romano.
Nos séculos que se seguiram, a população nativa (cónios) foi fortemente romanizada, adotando o latim como língua, e integrada em termos culturais, políticos e económicos na civilização romana e no seu império. O Algarve, então denominado Cyneticum (Cinético), fez parte do Império Romano, integrado primeiro na província da Hispânia Ulterior e, mais tarde, na província da Lusitânia, durante mais de 600 anos, desde cerca de até ao ano , ostentando cidades relevantes tais como Baesuris (atual Castro Marim), Balsa (próxima de Tavira), Ossonoba (atual Faro), Cilpes (atual Silves), Lacobriga (atual Lagos e Myrtilis (atual Mértola) ) pois, nessa época, também pertencia ao Cyneticum.
Durante a época romana, teve um desenvolvimento cultural e económico significativo (agricultura, pesca e manufatura), beneficiando muito do facto de ser uma importante região de produção agrícola. Nessa época, a região exportava principalmente azeite e garum (um condimento feito a partir de peixe), ambos os produtos eram muito apreciados no Império Romano. A sua localização geográfica também era importante em termos de apoio às rotas de navegação marítima entre os portos romanos do mar Mediterrâneo e os do oceano Atlântico, na Hispânia, Gália e Britânia. Os rios Guadiana (Anas) e Arade (Aradus) serviam de rotas de navegação fluvial de contato com o interior e continuariam a sê-lo durante muitos séculos. Também, em termos de localização geográfica, foi importante o facto da região estar logo a oeste da Bética Bética (que corresponde, em grande parte, ao território da atual Andaluzia), uma das províncias cultural e economicamente mais desenvolvidas da Hispânia e do Império Romano (região de origem de importantes figuras tais como o erudito e filósofo Séneca, o agrónomo Columela e dos imperadores Trajano e Adriano).
Todos estes factores contribuíram para a prosperidade d«e Faro durante muitos séculos. Em termos culturais, a época romana também assistiu à difusão do cristianismo na Hispânia, incluindo a Lusitânia e atual Algarve a partir de meados do , mas seria a partir do , com a publicação do Édito de Milão, no ano pelo imperador Constantino (que concedia liberdade de culto aos cristãos), que o cristianismo se difundiria mais e ganharia importância significativa na região com a conversão de muita da população nativa, embora as religiões animistas ou pagãs tenham permanecido durante mais alguns séculos.
Época bárbara Apesar de ter sido conquistado pelos chamados povos bárbaros (vândalos, alanos, suevos e depois visigodos) na época ou período das migrações ou invasões bárbaras, a cultura romana e o cristianismo permaneceram. No ano de 552, o atual Algarve foi reconquistado pelo Império Romano do Oriente ou Império Bizantino (então governado pelo imperador Justiniano), aos visigodos, governo esse que durou até 571, quando o rei Leovigildo o conquistou novamente para o Reino Visigótico.
Época árabe 230px|thumbnail|esquerda| A histórica cidade de Silves foi a capital do Algarve durante o domínio árabe. Durante mais de cinco séculos (c. 715–1249) esteve sob o domínio dos povos islâmicos, árabes, berberes e populações nativas convertidas ao islamismo, embora o cristianismo também tenha permanecido entre a população do Algarve nessa época (moçárabes – cristãos que viviam sob governo muçulmano). Durante a época de governo islâmico, o Algarve atingiu um elevado esplendor cultural e económico, em continuidade com as características que já vinham desde a época romana, sendo a cidade de Silves a mais importante durante essa época (foi mesmo capital de um reino taifa muçulmano após a fragmentação do Califado de Córdova).
As regiões espanholas e portuguesas outrora conhecidas por Gharb al-Andalus () eram o mais importante centro muçulmano da época da "Hispânia Islâmica", sendo assim o centro islâmico da cultura, ciência e tecnologia. Nessa altura, a principal cidade da região era Silves, que, quando foi conquistada pelo rei D. Sancho I, dizia-se ser cerca de 10 vezes maior e mais fortificada que Lisboa.
O Algarve foi a última porção de território de Portugal a ser definitivamente conquistado aos mouros, no reinado de , no ano de 1249.
Época portuguesa Segundo alguns documentos históricos, a conquista definitiva do Algarve aos mouros neste reinado, nomeadamente a tomada da cidade de Faro, foi feita de forma relativamente pacífica. No entanto, apenas em 1267 — no tratado de Badajoz — foi reconhecida a posse do Algarve como sendo território português, devido a pretensões do Reino de Castela.
Curiosamente, o nome oficial do reino resultante seria frequentemente designado de Reino de Portugal e do Algarve, mas nunca foram constituídos dois reinos separados. upright|thumbnail|Fortaleza de Lagos, construída no