Denomina-se cultura punkDicionário escolar da língua portuguesa/Academia Brasileira de Letras. 2ª edição. São Paulo. Companhia Editora Nacional. 2008. p. 1 047. os estilos dentro da contracultura que possuem certas características comuns àquelas ditas punk, como por exemplo o princípio de autonomia do faça-você-mesmo, o interesse pela aparência agressiva, a simplicidade, o sarcasmo niilista e a subversão da cultura.
Entre os elementos culturais punk estão: o estilo musical, a moda, o design, as artes plásticas, o cinema, a poesia, e também um comportamento social que incluí princípios éticos e políticos, expressões linguísticas, símbolos e outros códigos de comunicação. Surge dentro do contexto de contracultura, como reação à não violência dos hippies e à opressão ocorrida pelo elitismo cultural.
História
Origem Estados Unidos thumb|300px|Ramones em São Paulo em 1987
O punk surgiu por volta de 1974 nos Estados Unidos, quando os frequentadores do clube de música "Country Bluegrass and Blues" - CBGB (em Nova Iorque) e underground local formaram, ou apoiaram, bandas contra o então prog rock e hippie (uma das referências é a banda Ramones) cultivado a filosofia da individualidade e a independência.
Ou seja, uma manifestação cultural juvenil semelhante aos das década de 1950 e 1960, caracterizado por um estilo baseado em música, moda e comportamento. Um revivalismo da cultura rock and roll com as seguintes características:
Músicas curtas, dançantes e do estilo rocker/greaser; culto à juventude, com uso de jaquetas de couro estilo motociclista, camiseta branca e calça jeans; Diversão e rebeldia. Há controvérsias sobre o movimento ter surgido nos Estados Unidos. A cena novaiorquina de 1975 se enquadrou mais ao gênero New Wave e ao que, mais tarde, veio ser chamado de proto-punk. Com exceção dos Ramones, as bandas como Blondie, Talking Heads e Televesion estavam distantes da estética sonora e das letras que caracterizam o Punk Rock.
Enquanto o rock and roll tradicional ainda criava estrelas do rock que distanciavam o público do músico, o punk rock rompeu este distanciamento trazendo o princípio da música supersimplificada (pouco mais que três acordes, facilmente tocados por qualquer pessoa sem formação mínima musical) e instigando naturalmente outros adolescentes a criarem suas próprias bandas. O punk rock chega à Inglaterra e influencia uma série de jovens pouco menos de um ano depois.
Extremamente empolgado pela apresentação dos Ramones, Mark Perry abandona seu emprego e produz o primeiro fanzine punk, o Sniffin' Glue ("cheirando cola"), com a intenção de promover esta nova agitação cultural. O fanzine foi o símbolo marco para o "Do it yourself" (faça-você-mesmo) punk, não tinha quase nenhum recurso financeiro e era marcado pelo estilo visual deliberadamente grosseiro e com senso de humor ácido.
Inglaterra thumb|direita|250px|Sex Pistols ao vivo no Roxy em 2007
Embora com origem estadunidense, os ideais punk foram apenas estabelecidos ao chegar na Inglaterra na década de 1970, com o princípio de "qualquer um pode montar uma banda" e o espírito renovador do punk rock se mesclaram a uma situação de tédio cultural e decadência social. Ganhado um teor político devido à realidade de desemprego e decadência econômica da sociedade na época, desencadeando o punk propriamente dito.
Os Sex Pistols, antes uma banda de punk rock comum, se torna um projeto mais ambicioso com a tutela de Malcom McLaren e a inclusão de um baixista inventivo e provocador, Sid Vicious. A banda passa a usar suásticas e outros símbolos nazi-fascistas, além de símbolos comunistas e indumentária sadomasoquista num agressivo deboche dos valores políticos, morais e culturais (influenciados e patrocinados por Malcolm McLaren e Vivienne Westwood, amigos aficionados pelas ideias dadaístas e situacionistas).
Além de ridicularizar clássicos do rock and roll, as músicas da banda costumavam demonstrar um profundo pessimismo e niilismo, agredindo diretamente diversos elementos da cultura vigente, sempre em tom sarcástico e agressivo. Logo chamam a atenção de entusiastas que começam a acompanhar os shows produzindo eles próprios de forma caseira estilos de roupas e acessórios, em geral rearranjos de roupas tradicionais como ternos, camisas e vestidos, com itens sadomasoquistas, pregos, pinos, rasgos e retalhos.
Essas características — sarcasmo, interesse pelo grosseiro e o ofensivo, valorização do faça-você-mesmo, reutilização de roupas e símbolos de conhecimento geral em um novo contexto bizarro, crítica social, desprezo pelas ideologias, sejam políticas ou morais, e pessimismo — somadas ao estilo empolgante e direto do punk rock, definiram a primeira encarnação do que hoje entendemos como subcultura punk.
A partir de 1977, esta postura punk se tornou um fenômeno impactante na maior parte do mundo e pouco a pouco foi se transformando e ramificando em subgêneros.
Brasil O movimento punk se estabeleceu em diversas regiões do país em momentos diferentes do final década de 1970 e no decorrer de 1980. Porém foi na cidade de São Paulo, precisamente no bairro da Vila Carolina, onde desde o início da década de 1970, já se formava uma cena pré-punk influenciada por bandas de protesto estadunidenses e inglesas, como MC5, The Stooges e Dust. Assim em 1978, surge a primeira banda punk brasileira Restos de Nada, criada pelo guitarrista Douglas Viscaino como uma forma de protestar contra a repressão do governo militar e, mostrar que a juventude lutava por uma sociedade melhor. Conscientizar a população através das músicas com letras libertárias a lutarem contra a forma de sistema imposta pela ditadura. Inspiradas nesse ideal, muitas outras bandas se formaram para também criticar o regime, tais quais como: AI-5, Detrito Federal, Condutores de Cadáver, Cólera, Aborto Elétrico.
Assim, no Brasil o punk teve uma forma mais combativa que no exterior, com o regime ditatorial militar da época, baseado na opressão e o autoritarismo, que foram de encontro os ideais de liberdade. Mas, esta cultura espalhou-se aos poucos pelo território brasileiro, devido o mercado musical não ter interesse na nova forma transgressora de música, somada a censura na mídia. Como alternativa, os festivais de música punk serviram para espalhar os ideais da cultura.
Por volta de 1977, o estilo punk-rock chegou em Brasília, através de filhos de políticos e embaixadores que trouxeram do exterior álbuns das bandas que estavam nas paradas inglesas da época.
No final de 2011, um grupo de punks da filosofia anarquistas e antifascistas invadiu no Butantã um prédio abandonado pela administração da Universidade de São Paulo dentro do campus Cidade Universitária.USP fecha espaço invadido por punksGrupo punk ocupa prédio abandonado na USPGrupo de punks ocupa prédio abandonado da USP há 1 mês
Foram registrados confrontos entre grupos de punk e skinhead.Briga entre punks do ABC e skinheads de Jundiaí deixa dois feridos na Virada Cultural Alguns casos ocorreram em São Paulo: um skinhead obrigou um punk a pular da janela de um trem;Justiça condena skinhead por morte de punk obrigado a pular de trem, acessado em 4 de setembro de 2011 Na rua Augusta punks também mataram um skinhead;Punks matam skinhead na Rua Augusta, acessado em 4 de setembro de 2011 Confrontos envolvendo aproximadamente 200 pessoas.Briga entre punks e skinheads fere dois Também houve em Porto Alegre (Rio Grande do Sul) uma briga envolvendo punks, skinheads e neonazistas resultou em 8 feridos.Briga entre neonazistas, skinheads e punks deixa ferido grave no RSRS: briga entre neonazistas, skinheads e punks deixa ferido grave E em Belo Horizonte houve duas pessoas feridas por facadas na Praça da Liberdade.Briga entre punks e skinheads acaba em facadas na Praça da Liberdade Estado de MinasBriga entre punks e skinheads termina em facadas em Belo Horizonte
Movimento social A partir do fim da década de 1970, o conceito de "cultura punk" adquiriu novo sentido com a expressão movimento punk, que passou a ser usada para definir sua transformação em tribo urbana, substituindo uma concepção abrangente e pouco definida da atitude individual e fundamentalmente cultural pelo conceito de movimento social propriamente dito: a aceitação pelo indivíduo de uma ideologia, comportamento e postura supostos comum a todos membros do movimento punk ou da ramificação/submovimento a que ele pertence. O movimento punk é uma forma mais ou menos organizada e unificada, com o intuito de alcançar objetivos — seja a revolução política, almejada de forma diferente pelos vários subgrupos do movimento, seja a preservação e resistência da tradição punk, como forma cultural deliberadamente marginal e alternativa à cultura tradicional vigente na sociedade ou como manifestação de segregação e autoafirmação por gangues de rua. A cultura punk, segundo esta definição, pode então ser entendida como costumes, tradições e ideologias de uma organização ou grupo social.
Apesar de, atualmente, o conceito "movimento punk" ser a interpretação mais popular de "cultura punk", nem todos indivíduos ligados a esta cultura são membros de um grupo ou movimento. Um grande número de punks definem o termo "punk" como uma manifestação fundamentalmente cultural e ideologicamente independente, cujo aspecto revolucionário se baseia na subversão não coerciva dos costumes do dia a dia sem, no entanto, se apegar a um objetivo preciso ou a um desejo de aceitação por um grupo de pessoas, representando uma postura distinta do caráter politicamente organizado e definido do movimento punk e de seu respectivo interesse na preservação da tradição punk em sua forma original ou considerada adequada.
Esta diferença de postura entre o movimento punk e outros adeptos da cultura é responsável por constantes conflitos e discussões, violentos ou não, que ocorrem em encontros destes indivíduos em ruas e festivais, ou através de meios de comunicação alternativos como revistas, fanzines e fóruns.
Estilo punk
thumb|200px|Jovem punk com cabelo moicano A moda é, junto à música, o aspecto cultural mais característico e evidente do punk. O termo moda, no entanto, não é bem aceito pela maioria dos punks e influenciados pela subcultura punk pois é entendido estritamente como modismo, aceitação social, comércio e/ou mera aparência. Costuma-se empregar o termo "estilo", com o significado de "roupa como afirmação pessoal" (apesar de este também ser um dos significados da palavra "moda"), ou mais comumente ainda o termo "visual", utilizado em quase toda a subcultura alternativa brasileira, não somente no meio punk.
O estilo punk pode ser reconhecido pela combinação de alguns elementos considerados típicos (alfinetes, patches, lenços à mostra no bolso traseiro da calça, calças jeans rasgadas, calças pretas justas, jaquetas de couro com rebites e mensagens inscritas nas costas, coturnos, piercings, tênis converse, correntes, corte de cabelo moicano (colorido ou espetado etc.) ou spike (espetado dos lados, atrás e em cima) e, em alguns casos, lápis ou sombra no olho, sendo esta combinação aleatória ou de acordo com combinações comuns à certos subgêneros punk. Ou, ainda, o reconhecimento pode ser pelo uso de uma aparência que seja desleixada, "artesanalmente" adaptada e que carregue alguma sugestão ou similaridade com o punk sem necessariamente utilizar os itens tradicionais do estilo.
A moda punk, em sua maioria, é deliberadamente contrastante com a moda vigente e por vezes apresenta elementos contestadores ou ofensivos aos valores aceitos socialmente — no entanto, um número considerável de punks e alguns subgêneros apresentam uma aparência menos chamativa (por exemplo, o estilo tradicional hardcore). Há, também, indivíduos intimamente ligados a esta subcultura que não têm interesse algum ou deliberadamente se recusam a desenvolver uma aparência punk, em geral motivados pelas diversas críticas que a moda punk recebeu durante sua história (veja o artigo principal: moda punk).