A Placa Sul-Americana é uma placa tectônica que abriga o continente da América do Sul e a parte oeste do Oceano Atlântico Sul, se estendendo aproximadamente da Dorsal Meso-Atlântica até a Cordilheira dos Andes no sentido longitudinal e das Ilhas Malvinas à costa venezuelana no sentido latitudinal. É a menor das 7 maiores placas, com cerca de 43,6 milhões de quilômetros quadrados, se for considerado que as placas Indiana e Australiana são uma única placa, a Placa Indo-Australiana. A placa divide-se em dois tipos diferentes de Crosta: oceânica e continental, sendo a parte oceânica rasa (cerca de 15 quilômetros) e formada pela Dorsal Meso-Atlântica num limite divergente de placas, contendo algumas das rochas mais jovens do planeta; e a parte continental, em sua maior parte acima sob superfície, com espessuras que chegam a 200 quilômetros nas áreas cratônicas (algumas das regiões mais antigas da litosfera terrestre) e contendo em sua parte oeste a maior cordilheira do planeta, os Andes. thumb|Placa Sul-Americana|394x394pxOs limites da Placa Sul-Americana são heterogêneos e possuem taxas de construção e consumo variáveis. São gerados cerca de 35 milímetros por ano de Crosta no limite divergente e construtivo da Dorsal Meso-Atlântica, o que significa que África e América do Sul se afastam 70 milímetros por ano. A Placa de Nazca subducta cerca de 79 milímetros por ano para debaixo da Placa Sul-Americana, gerando a Cordilheira dos Andes como resultado, que ainda recebe influência da zona de subducção da Placa Antártica à sudoeste, com taxas de 20 milímetros por ano, e do limite transformante na costa venezuelana à norte com a Placa Caribenha. A interação Placa Sul-Americana e Caribenha é pode ser dada por limites transformantes nos limites longitudinais e destrutivos no limites latitudinais, com a Placa Sul-Americana sendo consumida a uma taxa de 18 milímetros por ano numa interação placa oceânica-oceânica. Ao sul a interação das placas Antártica e Sul-Americana é em maior parte dada por falhas transformantes, assim como boa parte com os limites da Placa de Scotia, que subducta sobre a Placa Sul-Americana na região das Ilhas Malvinas; a Placa Sul-Americana subducta em todo seu contato, disposto de maneira norte-sul, com a microplaca de Sandwich, a uma taxa média de 78 milímetros por ano.
A Placa Sul-Americana possui duas microplacas interiores, a Placa Norte dos Andes, na parte noroeste do continente e que é responsável pela parte norte da Cadeia Andina e a Placa do Altiplano, na parte oeste englobando o sul peruano e o norte chileno. A região interna do continente, com crátons e faixas móveis, permitem um melhor entendimento de como as diferentes porções crustais se juntaram e deram origem à América do Sul.
Principais Crátons da Placa Sul Americana miniaturadaimagem|404x404px A partir de cerca de 900 Ma, no início do Neoproterozóico, o Supercontinente Rodínia começou a se fragmentar, formando riftes e propiciando intrusões magmáticas, levando à separação de vários continentes e à abertura de oceanos entre eles. Microcontinentes ou blocos continentais, também foram retrabalhados por processos termotectônicos no Ciclo Brasiliano. Na Placa Sul Americana, os continentes referidos constituíram os crátons Amazônico, São Francisco e São Luís, além de outro cráton com pequena área exposta no Uruguai e o restante oculto sob a Bacia do Paraná, conhecido como cráton Rio de la Plata.
Cráton Amazônico O Cráton Amazônico situa-se na parte norte da América do Sul e recobre uma área de cerca de quatro milhões de quilômetros quadrados, sendo limitado a leste e a sudeste pelo Cinturão Móvel Araguaia, de idade Neoproterozóica, e a oeste pela Cadeia Andina. Está contido predominantemente Brasil, mas entende-se ao norte para países vizinhos: Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
O Cráton Amazônico é uma entidade geotectônica que teve comportamento estável no Neoproterozoico, limitada a oeste pelo Sistema Orogênico do Tocantins, a nordeste por pequena porção da Província Margem Continental Equatorial e no restante por cobertura de sedimentos fanerozoicos periandinos. Ele expõe o seu embasamento nas províncias Tapajós, que corresponde à parte ocidental do Escudo do Brasil Central e Rio Branco, separadas pela Província Amazonas (que inclui a Bacia do Alto Tapajós). A Província Rio Branco coincide com o Escudo das Guianas.
Considerando a vastidão territorial abrangida por essa porção cratônica, as dificuldades de acesso e a densa cobertura de floresta tropical, o conhecimento geológico acerca da região está em constante evolução. Datações geocronológicas U-Pb em zircões e dados isotópicos de Sm-Nd, sugerem a divisão do Cráton Amazônico em oito províncias geotectônicas, sendo as províncias Carajás-Imataca, Transamazônica, Tapajós-Parima e Rondônia-Juruena atribuídas ao desenvolvimento de arcos magmáticos à processos de acresção e as províncias Amazônia Central, Rio Negro, K’Mudku e Sunsás atribuídas à reciclagem de crosta continental.
Dentre os compartimentos geotectônicos, destacam-se cinco das oitos províncias geotectônicas pela ocorrência de depósitos auríferos: Carajás-Imataca, Transamazônica, Tapajós-Parima, Rondônia-Juruena e Rio Negro. A Província Carajás situada no sudeste do Estado do Pará e o Cinturão Imataca localizado no extremo norte do Cráton Amazônico, também são detentores de grandes reservas de minério de ferro.
Cráton São Francisco O Cráton São Francisco está situado no centro-leste do Brasil, entre os sistemas orogênicos Borborema, ao norte, Tocantins, a oeste, e Mantiqueira, a leste. Encontra-se em sua maior parte nos estados da Bahia e de Minas Gerais, com pequenas porções em Sergipe, Pernambuco, Tocantins e Goiás.
Em conjunto com os crátons do Amazonas, de São Luís e Rio de La Plata, o Cráton do São Francisco corresponde às porções internas das placas tectônicas, que foram aglutinadas no final do Proterozóico, formando a porção oeste de Gondwana. O Cráton do São Francisco é definido como um bloco continental estabilizado por volta de 1,8 bilhões de anos e limitado pelos sistemas orogênicos brasilianos Mantiqueira, Tocantins e Borborema.
O cráton São Francisco é compartimentado em três setores: setor Oriental, no leste da Bahia, marcado pela atuação destacada de processos do Ciclo Transamazônico; o Central, na porção mediana do estado bahiano, marcado pela presença de unidades mesoproterozoicas, e o Ocidental, que exibe principalmente unidades neoproterozoicas. Ao redor do cráton, situam-se os cinturões orogênicos Brasilianos, estando a Faixa Araçuaí a sudeste; a Faixa Ribeira a sul; a Faixa Brasília a oeste; a Faixa Rio Preto a noroeste e as Faixas Riacho do Pontal e Sergipana a norte.
O embasamento é representado por rochas arqueanas e do Paleoproterozóico (Transamazônico), e coberturas e migmatitos do Paleoproterozóico (pós-Transamazônico) a Cambriano. No Arqueano, desde o Paleoarqueano até cerca de 2,6 Ga, formaram-se complexos gnáissicos granitoides, greenstone belts, pacotes metavulcanossedimentares e metassedimentares, assim como uma profusão de granitoides orogênicos. Esse embasamento foi intensamente afetado durante o ciclo Transamazônico.
Durante o Paleoproterozoico, no Ciclo Transamazônico, a área dos crátons do São Francisco e do Congo se fragmentou, separando quatro blocos continentais: Gavião, Jequié, Serrinha e a porção oeste da Bahia. Da colisão desses blocos continentais resultaram os cinturões orogênicos do Leste da Bahia e Cinturão Mineiro.
As coberturas pré-cambrianas sobre o cráton São Francisco subdividem-se em Grupo Espinhaço, do interior da faixa de dobramentos exposta na Serra do Espinhaço, e Grupo Bambuí com as formações correlativas sobre o cráton do São Francisco, que representam a sedimentação marinha resultante de sua submersão quase total. O complexo superior da cobertura cratônica compreende a Formação Jequitaí, em Minas Gerais, a Formação Bebedouro, na Bahia, o extenso Grupo Bambuí, a Formação Três Marias, os grupos Estância e Rio Pardo e camadas correlativas, conhecidas sob outras denominações.
Cráton São Luís O Cráton São Luís está situado no Norte do Maranhão e no Nordeste do Pará e constitui-se de rochas aflorantes Pré-Silurianas . Esse cráton compreende rochas vulcânicas, granitóides e metavulcanossedimentares, de Idades Paleoproterozóicas, remanescentes do Cráton do Oeste Africano, que estão limitadas à Sul pela faixa móvel Gurupi.
O embasamento do cráton São Luís é representado pelo Metatonalito Igarapé, de 2,6 Ga, que constitui a única unidade arqueana da área. No Paleoproterozóico formaram-se os pacotes metavulcanossedimentares Gurupi, Aurizona, Chega Tudo, e granitóides. Dentre os granitóides destaca-se a Suíte Tromaí, de 2.170- 2.150 Ma, de composição TTG cálcio-alcalina e pós-colisional, em corpos até batolíticos e incluindo rochas vulcânicas e diques de riolitos e dacitos. O Granito Areal (gnaisses sienograníticos e monzograníticos), de 150 Ma, foi separado da Suíte Tromaí.
No Neoproterozóico originaram-se a Formação Marajupema, interpretada como um pacote sedimentar de menos de 1.100 Ma, a intrusão sienítica de Boca Nova, que pode ser relacionada com manifestação distensiva de 730 Ma na intraplaca que foi gnaissificada por metamorfismo de médio grau, no Evento Brasiliano e o granito Ney Peixoto, de 550 Ma, constituído por sienogranitos pouco deformado, é um corpo sin- ou tarditectônico do Evento Brasiliano. Essas unidades representam o Ciclo Brasiliano no Domínio Interior. Por fim, no Cambriano-Ordoviciano se depositaram as formações Viseu, Igarapé de Areia e Piriá, interpretadas como acumulações de bacia de antepaís do Ciclo Brasiliano.
O entendimento da evolução considera toda a área como produto de acresção de platôs, arcos insulares e bacias retroarco à crosta arqueana que existiu no Paleoproterozóico. As acresções teriam promovido metamorfismo e deformação das unidades metavulcanossedimentares e gerado granitoides sin- a pós-tectônicos em duas etapas, de 2.160-2.130 Ma e 2.080-2.070 Ma. Esse bloco arqueano estaria representado no Cráton Amazônico e na África. Esse quadro transamazônico foi modificado no Neoproterozóico, quando se diferenciam, no Ciclo Brasiliano, dois compartimentos geotectônicos: o Cráton São Luís correspondente ao Domínio Costeiro e o Cinturão Orogênico Gurupi representado pelo Domínio Interior.
Cráton Rio de la Plata O Cráton Rio de la Plata é a área cratônica compreendida entre Uruguai, leste da Argentina e sul do Brasil. Originalmente, esse cráton foi definido como a porção do Uruguai correspondente ao Domínio Piedra Alta, e parte da Argentina (Sierra de Tandília) que teve comportamento estável no Ciclo Brasiliano. Ele estabilizou-se por volta de 1,8 Ga e no Evento Brasiliano foi sítio de implantação de bacias com enchimento tardi- a pós- -tectônico e vulcanitos félsicos e máficos, bem como de intrusões de granitoides anorogênicas.
O domínio Piedra Alta, consiste em uma porção transamazônica, e encontra-se a oeste da Zona de Cisalhamento transcorrente anti-horária Sarandí del Yi. A leste dessa, encontra-se o domínio arqueano Nico Pérez , que consiste em um terreno granito-greenstone de 3,4-3,1 Ga e em metassedimentos acavalados em 2,7 Ga.
A Zona de Cisalhamento de Sierra Balena separa os domínios dos grupos Lavalleja e Rocha. A sul e leste, o domínio Nico Pérez é separado pela Zona de Cisalhamento Fralle Muerto-Maria Albina, do Grupo Lavalleja, com granitos orogênicos associados e cobertura molássica do Grupo Arroyo del Soldado.
Da zona de cisalhamento Fraile Muerto-Maria Albina, o cráton estende-se até o domínio Taquarembó no Rio Grandes do Sul a sul do Lineamento Ibaré. A continuidade para norte desse lineamento não está definida, mas é considerada como o cráton ao qual foi acrescida a Faixa São Gabriel e como a entidade cratônica que teria interagido com os crátons Kalahari e do Congo para gerar os cinturões Tijucas e Ribeira.
Amalgamento