thumb|261x261px|Grande Mesquita rodeia a Caaba, a qual é o lugar mais sagrado no Islão

Uma mesquita é um local de culto dos seguidores da fé islâmica. Os muçulmanos geralmente referem-se às mesquitas pelo seu nome árabe, masjid (árabe: مسجد — , no plural masājid (مساجد, ). A palavra "mesquita" usa-se em português para falar de todo tipo de edifícios dedicados ao culto islâmico, mas em árabe existe uma diferença entre as mesquitas privadas, menores, e as maiores, de uso coletivo (masjid jāmiʿ; árabe: مسجد جامع), que alojam uma comunidade maior e têm mais serviços sociais. Estas construções são originárias da Península Arábica, mas na atualidade podem encontrar-se nos cinco continentes.

O objetivo principal da mesquita é de ser o lugar onde os muçulmanos possam reunir-se para orar. Contudo, atualmente, são conhecidas em todo o mundo não só pela sua importância para a comunidade muçulmana, mas também como mostras da arquitetura islâmica. Desde o ponto de vista arquitetónico, as mesquitas evoluíram significativamente desde os espaços ao ar livre, como foram numa altura as de Quba e a Mesquita do Profeta no . Nos dias de hoje a maioria das mesquitas têm cúpulas elaboradas, minaretes e salas para orar. Culturalmente, as mesquitas não são só lugares para orar, mas também lugares para aprender sobre o Islão e conhecer outros fiéis.

Etimologia thumb|esquerda|A Mesquita Ibrahim-al-Ibrahim em Gibraltar A palavra masjid significa templo ou local de culto e deriva da raiz árabe sajada (raiz s-j-d, "prostrar-se", em alusão às prostrações realizadas durante as orações islâmicas).

A Mesquita nos textos sagrados muçulmanos A palavras "masjid" encontra-se no Alcorão, frequentemente fazendo referência ao santuário da Caaba, na cidade da Meca. O Alcorão aplica o termo "masjid" a lugares de adoração de várias religiões, incluindo o judaísmo e o cristianismo. Com este significado geral de templo a palavra está presente nos hádices, coleções muçulmanas sobre os feitos de Maomé e dos seus companheiros.HILLENBRAND, R. Masdjid. I. In the central Islamic lands. PJ Bearman, Th. Bianquis, CE Bosworth, E. van Donzel and WP Heinrichs. Encyclopaedia of Islam Online. Brill Academic Publishers.

História Durante muito tempo, e até na atualidade, associa-se às mesquitas com grandes entradas e torres altas, ou minaretes. Porém, as três primeiras mesquitas foram simplesmente espaços abertos na Arábia. As mesquitas evoluíram consideravelmente nos seguintes mil anos, nos quais foram adquirindo os seus traços distintivos e adaptaram-se às diferentes culturas do mundo. Hoje em dia, a maioria das mesquitas possuem cúpulas, minaretes e salas de oração que podem assumir formas elaboradas.

As primeiras mesquitas thumb|Os muçulmanos acreditam que a Caaba, em Meca, na Arábia Saudita, foi a primeira mesquita|261x261px De acordo com as crenças islâmicas, a primeira mesquita no mundo foi a Caaba, edificada por Adão seguindo um mandato divino e posteriormente reconstruída por Abraão. A mesquita mais antiga da que se tem memória é a de Quba, em Medina. Quando Maomé vivia na Meca, considerava a Caaba a sua primeira e principal mesquita e celebrava ali as suas orações junto aos seus seguidores. Até durante a época na qual os árabes pagãos realizavam os seus rituais dentro da Caaba, Maomé sempre teve-lhe muito respeito. A tribo dos Coraixitas, a responsável de proteger a Caaba, tentou excluir aos seguidores de Maomé do santuário, o que se tornou em motivo de queixa por parte dos muçulmanos, como diz-se no Alcorão. Quando Maomé conquistou Meca em 630, fez da Caaba uma mesquita, e desde então conhece-se como Grande Mesquita, ou "Mesquita sagrada". A Grande Mesquita foi ampliada e melhorada consideravelmente nos primeiros séculos do Islão para acolher ao crescente número de muçulmanos que viviam na região ou faziam o haje, a peregrinação anual à Meca. Adquiriu a sua forma atual em 1577, durante o reinado do sultão otomano .Weinsinck, A.J. Masdjid al-Haram.. En P.J. Bearman, Th. Bianquis, C.E. Bosworth, E. van Donzel y W.P. Heinrichs. Encyclopaedia of Islam en línea. Brill Academic Publishers. ISSN 1573-3912.

A primeira realização de Maomé quando chegou com os seus seguidores a Medina (então chamada Iatrebe), depois da Hégira, no ano 622, foi construir a mesquita de Quba numa aldeia periférica de Medina. Os muçulmanos afirmam que ele teria permanecido na mesquita de Quba durante três dias antes de ir com o resto dos seus seguidores a Medina.Ghali, Mohammad. «O primeiro estado muçulmano». The Prophet Mohammad and the First Muslim State.

Poucos dias depois de ter começado a trabalhar na mesquita de Quba, Maomé fundou uma nova mesquita em Medina, conhecida hoje como a Mesquita do Profeta, que assim foi chamada por ter sido o lugar da primeira jumu'ah (جمعة, "oração das sexta-feiras") de Maomé. Esta palavra partilha em árabe a raiz جمع (j-m-'), com مسجد جامع (masjid jāmi', as mesquitas maiores). Nos anos que sucederam à sua fundação, a Mesquita do Profeta continuou a introduzir algumas das práticas que agora são consideradas comuns nas mesquitas da atualidade. Por exemplo, a adhan, ou "chamada à oração", desenvolveu-se da maneira ainda usada nas mesquitas atuais. A Mesquita do Profeta foi construída com um grande pátio, um elemento comum nas mesquitas posteriores. Maomé teria predicado de pé num dos extremos da arcada. Mais tarde teria criado um púlpito de três escalões para ser utilizado como plataforma onde pronunciar os seus sermões. O púlpito, agora conhecido como mimbar, continua a ser um elemento muito comum das mesquitas.

Maomé vivia junto à mesquita de Medina, que era ao mesmo tempo o centro religioso e político da primitiva comunidade muçulmana. Na mesquita tiveram lugar negociações, planejamentos militares, também mantiveram-se prisioneiros de guerra, resolveram-se disputas, predicaram-se e receberam-se oferendas. Os seus seguidores tratavam aos feridos ali, e até algumas pessoas viviam permanentemente na mesquita, em suas tendas. Como no Islão não existem distinções entre a religião e a política, não é estranho que a primeira mesquita fosse um centro político e religioso para as primeiras comunidades muçulmanas.

Nos dias de hoje, a Grande Mesquita em Meca, a Mesquita do Profeta em Medina e a Al-Aqsa em Jerusalém (Al-Quds) são consideradas os três lugares mais sagrados do Islão.

Difusão e evolução O minarete da Grande Mesquita de Xian, China|thumb|180px A Grande Mesquita de Cairuão, Tunísia|thumb|esquerda|220px

Pouco a pouco os muçulmanos foram expandindo-se por outras partes do mundo e construiram-se mesquitas fora da península arábica. O Egito foi conquistado pelos árabes muçulmanos em 640, e desde então apareceram tantas por todo o país que a sua capital, O Cairo, adquiriu a alcunha de "a cidade dos mil minaretes". As mesquitas egípcias variam nos seus serviços: algumas têm escolas islâmicas (madraçais), e outras, hospitais ou sepulcros.Budge, E.A. Wallis (13 de junio de 2001). Budge's Egypt: A Classic 19th-Century Travel Guide. Publicaciones Courier Dover. pp. 123-128. As mesquitas da África do Norte, como a Grande Mesquita de Cairuão, ilustram a relação simbiótica entre o património arquitetónico da época romana bizantina e as influência do Oriente.

As mesquitas da Sicília e da Espanha não estão muito ligadas aos estilos visigodos que as precederam, mas sim ao estilo que foi introduzido pelos mouros muçulmanos. Porém, alguns elementos da arquitetura visigoda, como o arco de ferradura, originaram provavelmente os arcos califais cordoveses e de outras mesquitas do Al-Andalus.

A primeira mesquita chinesa construiu-se no em Xian. A Grande Mesquita de Xian, cuja edificação atual é datada do , não utiliza muitos dos elementos geralmente associados com as mesquitas tradicionais. Ao contrário, está construída tendo como base a arquitetura chinesa tradicional. As mesquitas do ocidente da China têm mais elementos característicos das mesquitas de outras partes do mundo, como minaretes e cúpulas, enquanto as orientais adotam o modelo do pagode.

As mesquitas espalharam-se na Índia durante o Império Mogol nos séculos XVI e XVII. Os mogóis trouxeram consigo o seu próprio estilo arquitetónico, que incluía cúpulas pontiagudas e bulbosas, como pode ver-se na Jama Masjid de Deli.

A Mesquita Azul, em Istambul, Turquia, com os seus altos minaretes está considerada um exemplo clássico da arquitetura do Império otomano|thumb|esquerda|244x244px

As mesquitas apareceram pela primeira vez no Império otomano (que forma parcialmente o território da atual Turquia) durante o , quando muitos turcos da região começaram a converter-se ao Islão. Muitas das primeiras, como a Santa Sofia na atual cidade de Istambul, tinham sido originalmente igrejas ou catedrais durante o Império bizantino. Os otomanos mantiveram os seus próprios estilos de tradição arquitetónica romana para as mesquitas, caracterizados por enormes cúpulas centrais, vários minaretes e alçadas abertas. O estilo otomano das mesquitas incluía geralmente colunas elaboradas, naves e altos tetos no interior, ao mesmo tempo que incorporava elementos tradicionais como o mirabe. Nos dias de hoje, a Turquia continua a acolher muitas mesquitas que têm este peculiar estilo arquitetónico otomano.

thumb|A mesquita central de Glasgow, Escócia|265x265px As mesquitas foram difundiram-se gradualmente por várias partes da Europa, onde aumentaram especialmente durante o , quando muitos muçulmanos emigraram ao continente. As maiores cidades europeias, como Roma, Londres e Munique, acolhem mesquitas que têm as tradicionais cúpulas e minaretes. Estas, ao estar em centros urbanos, servem de comunidade e centro social para o grande número de muçulmanos que vivem na zona. Porém, podem-se encontrar várias mesquitas pequenas em muitas zonas rurais e suburbanas em todos os lugares da Europa nos quais há população muçulmana. Na América o fenómeno teve mais influência nos Estados Unidos, onde começaram a aparecer nos começos do . Porém, como consequência da afluência de imigrantes, o número de mesquitas aumentou enormemente.

Transformação em locais de culto thumb|244x244px|esquerda|A Basílica de Santa Sofia, em Istambul, Turquia, igreja ortodoxa convertida em mesquita em 1453 depois da queda de Constantinopla. Atualmente é um museu secularizado

No , o cádi Abu Zakaria Mohiuddin Yahya ibn Sharaf An-Nawawi afirmou que os que não eram muçulmanos não haviam de continuar a usar os seus lugares de adoração para os seus propósitos se eram conquistados pelos muçulmanos e não havia um tratado de rendição que dissesse explicitamente o direito dos não muçulmanos a continuar a usar esses lugares. Acorde com os primeiros historiadores muçulmanos, às cidades que se rendiam sem resistência e faziam tratados autorizava-se que elas conservassem as suas igrejas ou esnogas, enquanto que nas cidades tomadas por assalto, os templos passavam a ser utilizados pelos muçulmanos. Atribui-se ao comandante árabe Anre ibne Alas ter feito o salá numa igreja. Zaíde ibne Ali disse, acerca das igrejas cristãs: "Fazede o vosso salá nelas, não nos aleijaremos", o que significava que as igrejas e esnogas capturadas podiam ser usadas como mesquitas.

thumb|265x265px|right|A mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, Israel, foi construída no Monte do Templo, o lugar mais sagrado do judaísmo. É a terceira mesquita mais sagrada do Islão