Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba União Imperial é uma escola de samba tradicional que desfila anualmente no carnaval de Santos, litoral sul de São Paulo. A escola é conhecida na cidade por ter 11 títulos conquistados no Grupo Especial. Teve seu auge nos anos de 1980 quando ganhou 5 títulos consecutivos chegando a desfilar com mais de 3 Mil componentes.

História Primórdios O Bloco Carnavalesco Dengosas do Marapé já não desfilava há onze anos. E os dias de glória dos foliões do G.R.E.S. Acadêmicos da Ponte Vermelha e do B.C. Embaixada de Santa Thereza também já eram parte do passado. Com isso, uma das alternativas mais comuns para a geração de sambistas que surgia por ali – muitos deles, filhos dos integrantes destes antigos blocos – era encontrar o som de surdos e tamborins em outras partes da cidade. Este grupo não só fortalecia escolas de samba como a Brasil e a Império do Samba, como ainda chamava a atenção da cena musical da cidade, que já havia notado a "vocação" do bairro em revelar talentos.

O Bloco Carnavalesco Diabos da Vila Mathias também sabia disso. E por meio de seu Diretor Magú e de Marco José de Souza, resolveu convidar alguns marapeanos para suas fileiras. Entre eles, Haroldo Medeiros, José Eduardo Bento, Jorge Jeremias de Campos (Simonal), Wanderley de Oliveira e Wilson de Oliveira, que contribuíram naquele ano para uma bela apresentação do bloco de cor vermelha no Desfile de "Dona Dorotéia, Vamos Furar Aquela Onda?", realizado pelo C.R. Saldanha da Gama na Ponta da Praia em Santos . A ótima repercussão do desfile despertou na comunidade do Marapé um sonho antigo: ver nascer em seus domínios um novo autêntico reduto do samba, capaz de trazer seus "filhos" de volta. Assim, na tarde de 12 de março de 1976, reunidas no número 20 da Rua São Paulo, 27 pessoas decidiram tornar este sonho uma realidade.

A "união" entre as comunidades do Marapé e da Vila Mathias – lembrada por Simonal – e a ligação "imperial" dos presentes com a Império do Samba – sugerida por Marco José – batizava naquele momento a mais nova agremiação de Santos: o Grêmio Recreativo Escola de Samba União Imperial. As cores oficiais seriam o verde, o rosa – em homenagem à Estação Primeira de Mangueira, que possuía a simpatia da maioria dos que lá estavam – e o dourado. Seu símbolo, uma águia. E Haroldo Medeiros, que havia cedido a casa para aquele encontro, tornou-se o primeiro presidente.

Além de Medeiros, José Bento, Simonal, Wanderley, Wilson e Marcos José, também assinaram seu nome na história, como fundadores: Alcino Simões, Alcione Gonçalves Fernandes, Antônio Duarte de Almeida, Aparecida Conceição Miranda, Carlos Alberto Quintal, Célio Silva, Diomar Luísa Campos, Francisco Carlos dos Santos, Gilberto Barroso, José Alves dos Santos, José Carlos Leite Medeiros, José Fernandes Duarte, Josué Almeida de Melo, Manuel Barros de Almeida, Mauro Alonso, Maurino Matias, Odil Proost de Souza, Pedro César da Silva, Sérgio Antunes, Wilson Siroma e Valdir Alves Capela.

Primeiro Desfile Em 25 setembro de 1976, o primeiro fato marcante: uma comitiva formada por baluartes da Mangueira desembarcava no Salão Nobre da Associação Atlética Portuguesa, em Santos, para batizar sua mais nova afilhada. Delegado, Dona Zica e Bira da Mangueira foram saudados com o primeiro dos muitos sambas que ecoariam pelo Marapé, de autoria de Marco José de Souza:

“Parabéns a você, parabéns, ôôParabéns a você, a Mangueira chegou...Abram alas minha gente, quem faltava chegouÉ a rainha do samba, é a Mangueira sim senhor...Verde e rosa é tradição, verde e rosa é MangueiraVerde e rosa é união e União não é brincadeira...”

Após esta noite memorável, a União Imperial começou a se preparar para o seu maior desafio até então: o desfile de estreia, em 1977. O primeiro ensaio de que se tem notícia aconteceu na esquina das ruas Carvalho de Mendonça e Alberto da Veiga. Depois, seguiu-se uma proposta das primeiras reuniões, com os ensaios acontecendo alternadamente no Marapé e Vila Mathias. Apesar de integrar as comunidades, a medida durou pouco. Dificuldades técnicas e administrativas fizeram com que a agremiação ficasse definitivamente em solo marapeano. A decisão afastou alguns, mas, por outro lado, aproximou ainda mais nomes que se tornariam, ao longo dos anos, fundamentais para a escola. Caso de Elizabeth Chagas Bento, a “Tia Iza”, que “cedeu” o terreno em frente a sua casa, na esquina das ruas Heitor Penteado e Benedito Ernesto Guimarães, para que a União continuasse ensaiando. A hospitalidade foi tanta – nas noites de chuva, a bateria se abrigava sob o teto da garagem –, que Tia Iza se tornou madrinha da verde e rosa.

Divisão da Escola As poucos, as peças se encaixavam: a batuta de Simonal dirigia os ritmistas da bateria; Chocolate tornou-se mestre-sala, formando par com a porta-bandeira Verinha - a primeira convidada para conduzir o pavilhão, Ritinha de Miçangas, não chegou a se apresentar oficialmente. E Marco José de Souza compôs “Nas Páginas Antigas”, o primeiro samba-enredo oficial.

Ao pisar pela primeira vez na avenida, a escola também já contava em suas alas com um trio de amigos nascido e criado no Marapé: Heldir Lopes Penha, o “Aldinho”; Daniel Ferreira Barbosa Júnior, o “Zinho”; e Ricardo Peres. Era o início de trajetórias também importantes: o primeiro se tornou o presidente que ficou mais tempo à frente da escola; e os outros dois, depois de passarem pela bateria e harmonia, se destacaram como compositores de sambas-enredo e intérpretes oficiais da verde e rosa. O desfecho da estreia foi surpreendente: a escola de samba do Marapé conquistou o vice-campeonato do Grupo Dois. Na época, a colocação não fazia com que a escola subisse para o grupo principal, mas, isto talvez não fosse tão relevante naquele momento. O mais importante para todas aquelas pessoas foi chegar à dispersão com a certeza de ter cumprido a primeira etapa.

Grupo de Acesso Desde a fundação, a bateria era a principal fonte de recursos financeiros para a escola. Concorridas apresentações no IT Clube, na Av. Bernardino de Campos e diversos shows em outros locais contribuíram para reforçar o caixa. Não por acaso, das fileiras de ritmistas despontaram diversos nomes que se destacariam também em outros setores da verde e rosa. Nos dois carnavais seguintes – em 1978, com o 3º. Lugar de "Ontem, Hoje e Sempre" e 1979, com o vice-campeonato de "Sonho da Goméia", a escola ainda teve que adiar seus planos. A atuação dedicada de diretores, componentes e benfeitores sinalizava, porém, que a promoção ao Grupo 1 seria apenas questão de tempo. Deste período, merecem lembrança também a inauguração da barraca de praia da União Imperial, localizada em frente ao Edifício Universo Palace, no bairro do José Menino, que rapidamente se transformou em outro ponto de encontro; e o "batismo" da Ala de Compositores, que teve como madrinha a G.R.E.S. Beija-Flor de Nilópolis, do Rio de Janeiro.

O ano de 1980 registra um acontecimento fundamental para a vida da União: a doação do primeiro terreno para construção da Quadra, na Rua São Judas Tadeu. A conquista, um comodato de 100 anos junto à Prefeitura Municipal, envolveu o então presidente Ronald Peres, o prefeito Paulo Gomes Barbosa e os vereadores Eduardo Castilho Salvador, Athiê Jorge Cury e José Gonçalves – então presidente de honra da agremiação. Além deles, muitas pessoas contribuíram na transformação daquele terreno baldio numa verdadeira sede: o patrono Jorge Rodrigues do Vale; os irmãos Canuto; Mauro, Mário e Mariovaldo Alonso; Pedro Pacheco, Labruna e Fubá, entre outros.

"O Calendário" parecia trabalhar a favor da escola, literalmente. Após ensaiar provisoriamente durante meses em frente à Sociedade de Moradores do Marapé - a chamada "Sedinha" -, a escola despontou na avenida contando a história das datas comemorativas,– o primeiro samba-enredo escolhido em Concurso. Ao final da apuração, era a própria União Imperial quem ganhava uma data a mais para festejar: campeã, foi promovida ao Grupo Principal. De onde nunca mais saiu.

Em 1981, a quadra – batizada com o nome de Elizabeth Chagas Bento, "Tia Iza", num reconhecimento à dedicação de sua madrinha - começou a ser utilizada. A União estreou no grupo de elite trazendo "Chuvas de Prata" e obteve o 4º. Lugar. Depois, dois quintos lugares: em 1982, com "Brasil Folclore, Lendas e Mitos" e, em 1983, defendendo o enredo "1900 e Antigamente". Neste período, durante a administração de Mauro Alonso, a infraestrutura da quadra ficou praticamente pronta. E apta a receber apresentações de sambistas de renome nacional. Coube à Clementina de Jesus a honra de inaugurar o palco da verde e rosa, em 1983. Posteriormente, vieram Elza Soares, Originais do Samba, Exportasamba e Germano Mathias, entre outros.

Propositadamente, a União ensaiava em dias da semana que não coincidiam com nenhuma das escolas mais antigas. E depois de uma sugestão de Rui de Rosis, a escola adotou a cobrança de ingressos nos ensaios - iniciativa que se reverteria numa preciosa fonte de renda, em pouco tempo. Além disso, as boas relações de diretores e componentes trouxeram colaboradores como Mesquita, Mario Assef, Bechir, Lino Alonso, Mesquitinha, Sérgio Formiga, Irani Silva e alguns jornalistas da Baixada Santista, onde se destacam Eduardo Silva, Cristina Guedes, Miriam Bernardes e Paulo Schiff. A repercussão dos ensaios passou a motivar a presença de moradores de outros bairros como Gonzaga, Boqueirão e Ponta da Praia. Por fim, uma ousada parceria garantiu o aporte financeiro que faltava para a cobertura e ampliação do local. Nilson Constantino, o "Charré" – que assumiria a presidência no ano seguinte – trouxe a Coca-Cola para explorar a comercialização de bebidas na quadra. Em dois anos, a União Imperial seria a maior revendedora de cerveja Kaiser do Brasil.

Crescimento Mais estruturada, motivo de orgulho para a comunidade e com o número de simpatizantes aumentando cada vez mais, a escola entrou confiante na avenida em 1984, com o enredo “Vira, Gira, Vem Girando” e correspondeu às expectativas. Num desempate garantido pelas notas do quesito bateria, a escola obteve o vice-campeonato do 1º Grupo, colocando-se pela primeira vez à frente de adversárias tradicionais. Os ensaios para o desfile de 1985 consolidaram uma revolução participativa no carnaval de Santos. Graças à verde e rosa, escolas de samba se transformaram num hábito não mais restrito às comunidades próximas – e sim, numa realidade no convívio sociocultural de toda a Baixada Santista.

Encontrar personalidades influentes de diversos segmentos nos ensaios era uma cena comum na época. O conceito do "bom, bonito e barato" havia emplacado. Faltava buscar o título. Com sede de vitória, a União Imperial adentrou a avenida defendendo seu enredo sobre astrologia e magia – "Amanheceu, Hoje É Ontem". Com um conjunto refinado, irreverente e contagiante – características que se tornaram marcantes a partir dali – conquistou o público e obteve o reconhecimento dos jurados. A espera chegava ao fim: a escola de samba do Marapé, com apenas nove anos de vida, era a campeã do Grupo 1. Ainda que a disputa para o ano seguinte já desse sinais de acirramento, a União aproveitou o bom momento para valorizar seu patrimônio: comprou o terreno vizinho e ampliou sua Quadra. O efeito foi imediato: seus "sambões" ferviam" como nunca aos sábados. E quase 4 mil pessoas prestigiaram a final da disputa de samba para "Assim Dizia o Poeta", vencida por Ricardo Peres, com um samba que se tonaria antológico na vida da escola, o tão conhecido. "Hoje vou entrar nessa avenida, de verde e rosa ninguém vai me segurar...", adornando um enredo que enumerava os motivos que levavam o homem a escrever poesias.