Bode Ioiô (sertão do Ceará, c.1915 – Fortaleza, 1931) foi um bode brasileiro que viveu na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará no início do século XX e seu nome remetia ao movimento de vai-e-volta do ioiô. Tornou-se um símbolo de irreverência na cultura do Estado com o passar dos anos.
Ioiô virou tema de documentários, literatura de cordel e livros infantis. É citado em obras de memorialistas cearenses como o poeta Otacílio de Azevedo e o historiador Raimundo Girão.
Vida Foi trazido para Fortaleza por retirantes sertanejos, que segundo o turismólogo Gerson Linhares, fugiram da seca de 1915, — tema do primeiro livro da escritora cearense Rachel de Queiroz —, vindos do interior do Estado. Após ser vendido por seus antigos donos, o bode foi adquirido e mantido por José de Magalhães Porto, representante do industrial Delmiro Gouveia, correspondente no nordeste da empresa britânica Rossbach Brazil Company de exportação de couros e peles, localizada na Praia de Iracema, da qual tornou-se uma espécie de mascote. Posteriormente, passou a acompanhar Magalhães durante os seus passeios ao Centro.
Demonstrando independência, logo passou a circular livremente pela cidade e, segundo conta a história popular, recebeu o nome de "Ioiô", pois geralmente fazia o mesmo trajeto, definido entre a Praça do Ferreira e a Praia de Iracema —, daí o seu nome, remetendo ao movimento do brinquedo.
thumb|right|Praça do Ferreira, com coreto, em 1920 Tornou-se figura folclórica da cultura popular cearense pois, costumava perambular pelas ruas centrais da cidade, frequentando diversos estabelecimentos comerciais, especialmente os bares e cafés ao redor da Praça do Ferreira — o antigo Centro Cultural da capital —, na companhia de boêmios e escritores que lhe davam cachaça para beber. Entre as histórias contadas sobre o bode ao longo do tempo, consta a de que ele batia a cabeça e os chifres nos balcões para conseguir comida.
Eleição como vereador Em 1922, Ioiô foi eleito vereador como forma de protesto à política local na época, pois naquele tempo os eleitores votavam em cédulas de papel, escrevendo o nome de seus candidatos. Ioiô nunca tomou posse oficialmente de seu posto de vereador, mas passou a ser conhecido como "Bode Celebridade" e "despachava" todos os dias na Praça do Ferreira, reforçando sua imagem como símbolo da opinião pública.
Morte Ioiô foi encontrado morto nas proximidades da Praça do Ferreira em 1931, posteriormente empalhado a mando do escritor Adolfo Caminha e doado ao acervo do Museu do Ceará. Foi inicialmente rejeitado por uma elite intelectual que o julgava indigno de exposição, porém, com o passar dos anos, o bode se tornou um símbolo de rebeldia e irreverência na cultura do Ceará.
Roubo Em 1996, teve o seu rabo roubado dentro do museu.
Restauração No ano de 2024, Ioiô volta a ser exposto no museu após ação de restauro efetuado pelo taxidermista e museólogo Emerson Boaventura. O processo foi realizado no Museu de História Natural do Ceará (MHNCE), localizado na cidade de Pacoti. Foram feitos a higienização e esterilização, retoque, implante e coloração da pelagem, além de inclusão de novos chifres, orelhas e um outro rabo.
Homenagens
Foi eleito pelas crianças da capital cearense como o mascote de Fortaleza em 2008. Já em 2011, foi lançado no Museu do Ceará o livro infantojuvenil: Yoiô - O Bode Celebridade, com texto de Arlene Holanda e ilustrações de Julião Júnior. No Carnaval do Rio de Janeiro de 2019, foi enredo da escola de samba Paraíso do Tuiuti sobre a importância do voto consciente.
Em 2024, é inaugurado o "Anexo Bode Ioiô" no Museu do Ceará, por meio da Secretaria Estadual da Cultura do Ceará (SECULT) através do Governo do Ceará. O espaço abriga exposições, lançamento de livros, oficinas, cursos e palestras voltadas para a população.
Ver também Macaco Tião Rinoceronte Cacareco
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