Sauron é um personagem fictício do legendário de J. R. R. Tolkien, o epónimo Senhor dos Anéis e o principal antagonista da trilogia a que deu nome. Era um dos Maiar mais poderosos, criador do Um Anel, discípulo renomado de Aulë e o principal tenente de Morgoth na Primeira Era.
Embora negasse a existência de um mal absoluto, Tolkien confirmou que Sauron foi o ser que mais se aproximou de uma vontade inteiramente maligna, apontando ainda que os Ainur, as forças "angelicais" do seu legendário, «eram capazes de muitos graus de erro e de fracasso», sendo o caso mais extremo «a rebelião e o mal satânico absoluto de Morgoth e de seu seguidor Sauron».As Cartas de J. R. R. Tolkien, #156 Para Robert Murray, SJ. (rascunho), 4 de novembro de 1954
Sauron aparece em O Hobbit como Necromante e é brevemente apresentado numa forma humanoide na trilogia de filmes de Peter Jackson, que de outro modo o retrata como um Olho flamejante e desencarnado.
Comentaristas compararam Sauron ao personagem-título do romance Drácula de Bram Stoker, de 1897.
Em sua homenagem, a NASA apelidou a galáxia NGC 4151 de Olho de Sauron.
Biografia
Origem Originalmente, Sauron era chamado Mairon, o mais poderoso maia do vala Aulë, o Ferreiro. Com Aulë muito aprendeu sobre forja e trabalho manual, tornando-se um grande artesão e poderoso na tradição do povo de Aulë. Ele era um dos Maiar de maior poder.
No começo, Mairon era como Eru Ilúvatar o havia criado: bom e confiável. A sua maior virtude residia no seu amor pela ordem e perfeição, e na aversão a tudo o que fosse inútil. Contudo, essa também seria a causa da sua queda, pois Mairon viu em Melkor a vontade e o poder que o ajudariam a atingir os seus objetivos pessoais mais rapidamente do que se ele os perseguisse sozinho.
No entanto, enquanto Melkor pretendia controlar ou destruir a própria Terra-média, o desejo de Mairon era dominar as mentes e vontades das suas criaturas para aquilo que ele percebia ser o seu próprio benefício. Para concretizar os seus planos, Mairon procurou aumentar o seu poder inato, e esse poder, com o tempo, tornou-se um fim em si mesmo. Por isso, uniu-se a Melkor, tornando-se rapidamente o seu principal subordinado.
Após aliar-se a Melkor, Mairon manteve uma aparente fidelidade aos Valar, informando secretamente o seu mestre sobre os seus tratos com eles. Quando Melkor estabeleceu as suas fortalezas na Terra-média, Mairon deixou Valinor e declarou abertamente a sua lealdade, tornando-se um inimigo reconhecido dos Valar.
Enquanto tenente de Melkor, Sauron comandava a fortaleza de Angband, sendo com a sua ajuda que Melkor conseguiu criar os Orcs, em escárnio aos Filhos de Ilúvatar. No início da Batalha dos Poderes, Sauron simulou uma resistência contra os Valar em Angband, permitindo que Melkor reunisse forças em Utumno sem ser notado. Depois de Angband e Utumno terem sido saqueadas e Melkor capturado, Sauron não foi encontrado, já que na pressa de capturar Melkor os Valar não notaram a fuga de Sauron.
Na ausência de Melkor, Sauron iniciou a reconstrução de Angband e os Orcs multiplicaram-se sob o seu comando. Possivelmente ciente da Grande Marcha, Sauron poderá ter atormentado os Elfos na sua jornada ao enviar servos de Melkor ou afetando o clima. Sob a regência de Sauron, Angband estava quase pronta no ano 1495 A.A. (Anos das Árvores), quando Morgoth (Melkor) regressou.
Primeira Era Na guerra que os Noldor lançaram a Morgoth, Sauron foi considerado o «maior dos servos (de Morgoth) que possuem nomes», sendo rapidamente temido como um senhor de bestas terríveis, um metamorfo e um feiticeiro: «tornara-se um feiticeiro de temível poder, senhor de sombras e fantasmas, impuro em sabedoria, cruel em força, deformador daquilo em que tocava, deturpador daquilo que governava e senhor de lobisomens; o seu domínio era o tormento». Tempos depois, quando Morgoth deixou Angband para corromper os recém-despertos Atani (Homens), Sauron dirigiu a guerra contra os Elfos. Segundo um relato, comandando «um exército de Balrogs», tomou a ilha de Tol Sirion do seu guardião, Orodreth, e transformou-a em Tol-in-Gaurhoth, a Ilha dos Lobisomens. Ali estabeleceu-se como o Senhor dos Lobisomens, com Draugluin, o progenitor dos lobisomens, e Thuringwethil, uma vampira, a seu lado.
A Balada de Leithian
Em 456 da Primeira Era, Sauron foi ordenado a destruir Barahir, o chefe de um grupo de foragidos e aliado de Finrod, Rei de Nargothrond. Embora não lhe soubesse a localização, Sauron descobriu-a ao torturar e enganar cruelmente Gorlim, um dos seus companheiros, o que levou à morte de toda a companhia salvo Beren, filho de Barahir, a quem Sauron deu caça com um exército de Orcs, lobisomens e outras bestas terríveis.
Na Busca pelo Silmaril, Beren e Finrod são capturados por Sauron ao tentaram infiltrar-se em Tol-in-Gaurhoth disfarçados de Orcs. Sauron derrota Finrod num duelo de canções de poder e lança-os para as masmorras, onde lobisomens devoravam os seus companheiros um a um: um plano para que lhe revelassem a sua missão. Quando um dos lobisomens atacou Beren, Finrod lutou com ele e matou-o, mas morreu seguidamente devido aos ferimentos. Pouco depois, quando Lúthien e Huan, o grande cão, chegaram à ponte de Tol-in-Gaurhoth, Sauron enviou os seus servos para capturar Lúthien, mas todos foram mortos por Huan, incluindo Draugluin. No entanto, Draugluin conseguiu avisar o seu mestre sobre a presença de Huan. E assim, Sauron tomou a forma de um lobisomem e saltou para atacar Lúthien, mas foi interceptado e dominado por Huan. Sauron cedeu a torre a Lúthien e escapuliu-se na forma de vampiro.
Após ser derrotado por Lúthien, Sauron participou pouco nos eventos da Primeira Era (possivelmente escondendo-se do desprezo ou da ira de Morgoth). Depois do seu antigo mestre ter sido derrotado na Guerra da Ira, Sauron «prestou vassalagem a Eonwë, o arauto de Manwë, e abjurou de todas as suas más ações. E alguns afirmam que ao princípio não o fez falsamente, mas que Sauron, na verdade, se arrependera, ainda que fosse apenas por medo, apavorado com a queda de Morgoth e a grande ira dos senhores do Ocidente. (...) Mas Sauron sentiu-se envergonhado e não quis regressar humilhado e receber dos Valar uma sentença que poderia ser de longa servidão como prova da sua boa-fé, pois no tempo de Morgoth o seu poder fora grande». Fugiu então, e escondeu-se nalgum lugar da Terra-média onde voltou a cair no mal.
Segunda Era Depois de permanecer escondido e inativo durante cinco séculos, Sauron começou a revelar-se novamente e, por volta do ano 1000 da Segunda Era, tinha reunido poder e estabelecido-se na terra de Mordor, no leste da Terra-média, começando a construir a temida Barad-dûr perto da Montanha do Fogo. Logo reuniu sob o seu governo Orcs, Trolls e outras criaturas dos dias de Morgoth, corrompendo ainda certos povos de Homens, como os Orientais e os Haradrim, com ilusões de poder e riqueza. A sua paixão pela ordem levou-o a desejar ser um deus-rei, exercendo «poder temporal absoluto sobre o mundo inteiro».
Embora soubesse que os Homens eram mais fáceis de persuadir, Sauron procurou trazer os Elfos para o seu serviço, já que eles eram muito mais poderosos. Assim, por volta do ano 1500 da Segunda Era, Sauron assumiu uma aparência bela e apresentou-se perante os Elfos como Annatar, o Senhor das Dádivas. Os Contos Inacabados relatam que Annatar «fez-se passar por emissário dos Valar, (...) antecipando-se assim aos Istari». Só a Lindon não foi por Elrond e Gil-galad, o Alto Rei dos Noldor, desconfiarem dele. Mas, fingindo amizade, noutros lados Annatar foi bem recebido. Em Eregion, onde apenas Galadriel desconfiava, a sua presença muito era desejada entre Celebrimbor (o maior dos artesãos, neto de Fëanor) e os seus ferreiros élficos, os Gwaith-i-Mírdain, já que «eles desejavam aumentar sempre a perícia e a subtileza das suas obras» e por isso «escutavam Sauron e aprenderam com ele muitas coisas, pois o seu conhecimento era grande». Nalgumas versões diz-se que a sua relação com os Gwaith-i-Mírdain não era do conhecimento de Galadriel e Celeborn, e que Sauron exercia uma influência tão forte sobre os ferreiros que os persuadiu a rebelarem-se contra os dois Senhores, levando-os a abandonar Eregion para que ele pudesse trabalhar sem oposição.
A Forjadura dos Anéis miniaturadaimagem|Representação de Annatar, por Álvaro Fernández González
Eventualmente, Sauron deu aos Gwaith-i-Mírdain o conhecimento e o incentivo para forjarem Anéis mágicos, nos quais infundiu secretamente feitiços poderosos. Estes viriam a chamar-se de Anéis de Poder. A 1600 da Segunda Era — dez anos após a conclusão dos Anéis de Poder — Sauron forjou na Montanha do Fogo o Um Anel para controlar os portadores dos outros Anéis, investindo nele a maior parte do seu próprio poder, para que assim fosse mais poderoso que os outros. Com o Um Anel, Sauron completou a construção de Barad-dûr. No Um Anel, Sauron gravou em Tengwar uma inscrição na Língua Negra:Ash nazg durbatulûk, ash nazg gimbatul, ash nazg thrakatulûk, agh burzum-ishi krimpatul.Que se traduz como "Um Anel para todos dominar, Um Anel para os encontrar, Um Anel para os trazer a todos e na treva os amarrar".
Contudo, no momento em que colocou o Um Anel, os Elfos perceberam a sua traição, retiraram os seus Anéis e esconderam-nos. Esconderam-lhe os três maiores dos Anéis (Narya, o Anel de Fogo, Nenya, o Anel da Água, e Vilya, o Anel do Ar), que haviam sido feitos por Celebrimbor sem a ajuda de Annatar, mas os outros dezasseis Anéis de Poder foram capturados por Sauron, destruídos ou perdidos. Ele exigiu ainda que os outros lhe fossem entregues, pois somente com o seu conhecimento haviam sido feitos. Os Elfos recusaram, e assim uma nova guerra começava, na qual Sauron procuraria, por todos os meios, conseguir os Três Anéis.
Anos Malditos
A Guerra dos Elfos e Sauron começou em 1693 da Segunda Era e foi um conflito sangrento que destruiu Eregion e devastou grande parte de Eriador. Celebrimbor foi assassinado e o seu corpo, empalado numa estaca, foi exibido à frente das legiões de Sauron. Os Elfos recuaram quase até às Montanhas Azuis, enquanto os seus aliados Anões (que também haviam rejeitado Sauron) se retiraram para trás das muralhas de Moria, onde Sauron não os podia alcançar.
Tendo-se tornado "maior" que Morgoth no final, Sauron conquistou quase toda a Terra-média e, no auge dos Anos Malditos, tornou-se conhecido como o Senhor das Trevas pelos Povos Livres. No entanto, os Númenóreanos, descendentes dos antigos Edain (e de Beren e Lúthien) interviram, e os exércitos do rei Tar-Minastir derrotaram as forças de Sauron na Batalha do Gwathló, em 1700 da Segunda Era. Derrotado, mas não completamente vencido, Sauron fugiu de volta para Mordor com apenas a sua guarda pessoal e começou a reconstruir o seu poder ao longo dos séculos seguintes.
Como tinha sido malsucedido junto aos Elfos, Sauron decidiu distribuir os Anéis de Poder a três senhores corrompidos de Númenor, a um rei dos Orientais e a outros cinco Homens, sabendo que seriam mais facilmente corrompidos. E Sete Anéis deu aos Anões. Os senhores Anões que receberam os Anéis mostraram-se muito resistentes ao seu poder, nem "desvanecendo" nem se tornando escravos da vontade de Sauron. No entanto, os Anéis criaram neles uma sede insaciável por ouro, o que, em última instância, lhes causou grande sofrimento. Como previsto por Sauron, os nove Homens foram todos corrompidos pelos Anéis e tornaram-se nos Nazgûl (nazg, "anel" + gûl, "espírito/espectro"), os mais mortíferos servos de Sauron.
Na reta final da Segunda Era, Sauron voltou a ser poderoso o suficiente para levantar grandes exércitos e tentar conquistar a Terra-média. Nessa altura, assumiu os títulos de Senhor da Terra e Rei dos Homens, irritando os orgulhosos Númenoreanos. Ar-Pharazôn, o último dos reis de Númenor, procurou competir com Sauron pela soberania de Arda (Terra).
Em Númenor