Diógenes de (; 499 a.C. – 428 a.C.) foi um filósofo grego de Apolônia, na Trácia. Foi contemporâneo de Anaxágoras de Clazômenas e pode ser considerado o último filósofo pré-socrático. Do ponto de vista doutrinário, sua filosofia é uma espécie de retorno ao modo de pensar jônio. Diógenes assumiu um único princípio primordial―o ar―e pretendeu explicar os mais variados fenômenos a partir dele. Ao mesmo tempo, também encontrou espaço para o Nous de Anaxágoras em seu sistema filosófico e isso revela um caráter eclético em seu pensamento.
Sabe-se que escreveu uma Meteorologia, um livro chamado Da natureza do homem e outro chamado Sobre a natureza.
Vida Diógenes era natural da colônia milesiana Apolônia Pôntica, na Trácia, atual Sozopol, no Mar Negro.Kirk, G. S.; Raven, J. F.; Schofield, M. (1983). The Presocratic Philosophers. 2. ed. p. 434. A visão alternativa, não aceita por muitos acadêmicos modernos, é de que a Apolônia em questão seria uma cidade cretense que era originalmente Eleuterna. O nome de seu pai era Apolotêmis. Nada se sabe sobre os acontecimentos de sua vida, exceto que viveu algum tempo em Atenas. Diógenes Laércio afirma que "um grande ciúme quase colocou sua vida em perigo em Atenas", mas pode haver confusão com Anaxágoras, que é mencionado na mesma passagem.Diógenes Laércio, ix. 57 Como todos os physiologoi (filósofos naturais), ele escreveu no dialeto jônico. Em As Nuvens de Aristófanes,Aristófanes. As Nuvens, 264 if. acredita-se que algumas visões de Diógenes foram transferidas para Sócrates.Laks, André (1983). Diogène d'Apollonie. La dernière cosmologie présocratique. Lille: Presses Universitaires de LilleLaks, André (ed.) (2008). Diogène d'Apollonie: edition, traduction et commentaire des fragments et témoignages. International Pre-platonic Studies; 6. Sankt Augustin: Academia Verlag.
Obra Segundo Simplício em seu Comentário sobre a Física, 151, 20:O Sobre a Natureza também se perdeu e restam poucos fragmentos, porém suficientes para nos fazer compreender sua doutrina, citada sobretudo no comentário de Simplício à Física de Aristóteles:Aqui Simplício comenta:Outro comentário de Simplício aponta:Teofrasto, em De sensu, 39-45, relata muitas provas que, segundo Diógenes, provariam que o princípio primordial é o ar:
Doutrina Novamente Simplício, Comentário à Física, 25, 1, citando Teofrasto, resume a filosofia de Diógenes, afirmando que:Aqueles que se empenharam em pesquisar o princípio primordial das coisasA doutrina deste último representante da filosofia jônica não é original, retomando as teorias de Anaxímenes depois de um século e, assim, retornando a uma interpretação monística após as tentativas pluralistas de Empédocles e Anaxágoras. O ar, porém, não possui as únicas características naturalísticas de Anaxímenes, assumindo em seu lugar as do Nous anaxagórico.
No entanto, nem todos os comentaristas mais antigos parecem ter apreendido no pensamento de Diógenes a presença de uma natureza divina no princípio original das coisas; Diógenes Laércio, Plutarco, Alexandre de Afrodísias, Sêneca e Teofrasto consideram-no um filósofo da natureza, Cláudio Eliano o coloca entre os ateus e Aristóteles, citando-o no Da Geração e da Corrupção, escreve apenas que:"Diógenes afirma acertadamente que se todas as coisas não viessem de um único princípio não seria possível ... por exemplo, que o calor resfrie e depois aqueça, porque não é o calor nem o frio que se transformam, mas obviamente o substrato."Simplício indica a estranheza de um princípio que, transformando-se, cria coisas e, no entanto, é eterno, enquanto Cícero, no De Natura Deorum, escreve: "O ar que Diógenes considera deus, que sensibilidade pode ter ou que natureza divina?". Agostinho, em De Civitate Dei, VIII, 2, escreve que:Entre suas outras doutrinas, diz-se que ele acreditava que havia um número infinito de mundos e um vazio infinito; que o ar, densificado e rarefeito, produziu os diferentes mundos; que nada era produzido do não-ser ou perecia no não-ser; que a Terra era redonda, sustentada no meio, e tinha recebido sua forma com o redemoinho dos vapores quentes, e sua concreção e endurecimento com o frio.
O fragmento mais longo de Diógenes que sobreviveu é aquele inserido por Aristóteles no terceiro livro de sua História dos Animais, sobre biologia.Fragmento B6. Aristóteles, História dos Animais, 511-12 Ele contém uma descrição da distribuição dos vasos sanguíneos no corpo humano. É notável principalmente porque "aqui podemos ler em primeira mão o que, no caso dos outros pré-socráticos, aprendemos apenas indiretamente: uma tentativa de descrever em detalhes científicos a estrutura e a organização do mundo físico".Barnes, Jonathon (1987). Early Greek Philosophy. Penguin Books. p. xlviii
Os meteoritos diogenitos são nomeados em homenagem a Diógenes de Apolônia, que foi o primeiro a sugerir uma origem espacial para os meteoritos:"Com as estrelas visíveis giram pedras que são invisíveis e, por isso, sem nome. Elas costumam cair no chão e se extinguir, como a estrela de pedra que caiu em chamas em Egospótamo."Aécio, ii. 13. 9
Ligações externas
Dockstader, Jason.
Categoria:Pré-socráticos Categoria:Gregos do século V a.C.