miniaturadaimagem|Viola amarantina

As violas portuguesas são um conjunto de instrumentos musicais de Portugal, todas diferentes entre si mas estreitamente aparentadas.

Trata-se de cordofones beliscados, com a caixa em forma de “8”, e ordens duplas (às vezes triplas) de cordas. Apesar de a caixa ter a forma de “8”, estes instrumentos não estão relacionados com a guitarra (violão). Enquanto que a guitarra foi introduzida em Portugal no séc. XVIII a partir de França e tem 6 cordas simples, as violas portuguesas são mais antigasViola Caipira, desenvolveram-se a partir da vihuela ibérica, são menores e têm 5 cordas duplas. Devido ao uso generalizado em Portugal da palavra “viola” para designar a guitarra, é comum chamar a estas violas de “violas de 10 cordas”. No entanto, não há registos de serem chamadas “guitarras de 10 cordas”.

Segundo Veiga de OliveiraInstrumentos Musicais Populares Portugueses (Oliveira, Ernesto Veiga de; Fundação Calouste Gulbenkian: Lisboa, 1982), as violas podem agrupar-se em dois grandes grupos conforme o formato da caixa: o grupo das violas de enfranque acentuado, nas terras do interior, e o grupo das violas de pequeno enfranque, com a caixa com a forma de um “8”, mas com proporções mais estreitas que a guitarra (embora, modernamente, se construam violas com proporções similares à guitarra), nas terras do litoral e nas ilhas. Algumas delas encontram-se em vias de extinção, mas outras continuam gozando de grande popularidade, apesar de estarem adstritas à interpretação de música popular. De Portugal, estes instrumentos foram levados para o Brasil onde se transformaram na viola caipira ou viola sertaneja.

Viola amarantina

A viola amarantina, também designada de viola de Amarante, viola de dois corações ou simplesmente viola é típica da região do Douro Litoral. É tocada de rasgado, com todos os dedos percorrendo as cordas. Também em Cabo Verde chegou a construir-se violas amarantinasOs Instrumentos Musicais em Cabo Verde (Brito, Margarida; Centro Cultural Português: Praia – Mindelo, 1998) no início do séc. XX, sendo aí chamadas simplesmente de “violas”. A sua construção e uso andou um pouco estagnada, e a designação “viola” passou a ser usada para a guitarra de 12 cordas. No entanto, nos últimos tempos, os instrumentos tradicionais portugueses, sobretudo os cordofones, têm vindo a ser mais divulgados e utilizados, sem excepção para esta viola.

Descrição O seu comprimento é de cerca de 90 cm. A boca geralmente tem a abertura com a forma de dois corações. A escala é saliente em relação ao tampo, e estende-se por cima deste até à boca. A cabeça geralmente é plana, ligeiramente inclinada em relação ao braço, e com uma forma retangular, com uma fenda longitudinal e com cravelhas. Excecionalmente, a cabeça pode ter a forma de lequeMétodo Mágico — Cavaquinho e viola braguesa (Cebolo, Eurico A.; Edição do autor: Porto, 2007), similar à guitarra portuguesa. O cavalete também é extremamente trabalhado.

Geralmente, as ilhargas são feitas em nogueira, o tampo em pinho de Flandres, o braço em mogno, os interiores em casquinha ou choupo e a escala em pau-preto.

Afinação A viola amarantina possui 5 ordens de cordas duplas: as duas ordens mais agudas estão afinadas em uníssono, as três ordens mais graves estão afinadas em oitava.

Algumas fontesInstrumentos Populares Portugueses — Sons e tons dão a seguinte afinação (de mais agudo a mais grave): Lá4 (uníssono) Mi4 (uníssono) Si3 (com oitava acima) Lá3 (com oitava acima) Ré3 (com oitava acima) Outras fontes dão afinações um tom acima ou um tom abaixo, ou ainda pela chamada “moda velha” : Lá4 (uníssono) Fá♯4 (uníssono) Si3 (com oitava acima) Sol3 (com oitava acima) Ré3 (com oitava acima) Em Cabo Verde as afinações variavam consoante a ilha, às vezes consoante o músico, mas a afinação mais frequente era similar à guitarra (sem a corda mais grave): Mi4 (uníssono) Si3 (uníssono) Sol3 (com oitava acima) Ré3 (com oitava acima) La2 (com oitava acima)

Viola beiroa

A viola beiroa, também designada de viola de Castelo Branco, bandurra ou simplesmente viola é típica da região da Beira Baixa. Algumas fontes também referem a viola beiroa requinta que, pelo nome, deve se tratar de um tamanho menor afinado uma quinta acima.

Descrição O seu comprimento é de cerca de 80 cm, tem uma caixa com um enfranque muito apertado, e uma boca de abertura circular. A cabeça é plana, ligeiramente inclinada em relação ao braço, e com uma forma retangular, com cravelhas. Excecionalmente pode ter a forma de leque como na guitarra portuguesa.

Geralmente, as ilhargas são feitas em cerejeira ou madeira de Austrália, o tampo em pinho de Flandres, o braço em mogno, os interiores em casquinha ou choupo e a escala em pau-preto.

Afinação A viola beiroa possui 5 ordens de cordas duplas: as duas ordens mais agudas estão afinadas em uníssono e as três ordens mais graves estão afinadas em oitava. Para além disso, a viola beiroa possui mais duas cordas simples, cujas cravelhas estão situadas no fundo do braço, no ângulo que este faz com a caixa. Estas duas cordas são tocadas soltas e têm o nome de requintas.

Algumas fontes dão a seguinte afinação (de mais agudo a mais grave): Ré4 (uníssono) Si3 (uníssono) Sol3 (com oitava acima) Ré3 (com oitava acima) Lá2 (com oitava acima) Ré5 (as duas cordas soltas) Outras fontes dão uma afinação similar à viola amarantina e à viola braguesa: Lá4 (uníssono) Mi4 (uníssono) Si3 (com oitava acima) Lá3 (com oitava acima) Ré3 (com oitava acima) Ré5 (as duas cordas soltas)

Viola braguesa miniaturadaimagem|Viola Braguesa|alt=Viola Braguesa, típica de Braga e de Bragança|163x163px A viola braguesa, também designada como viola-de-Braga ou de Bragança, é uma viola típica da região do Minho e de Trás-os-Montes. É um instrumento do nordeste de Portugal. Para além do tamanho mais comum, também existe a meia-viola braguesaMuseu dos Cordofones Domingos Machado, afinada uma terça acima, e a viola braguesa requinta afinada uma quinta acima. É tocada de rasgado, com todos os dedos percorrendo as cordas.

Vários conjuntos de cariz tradicional continuam hoje a integrar a viola braguesa na sua música. O álbum de Júlio Pereira, Braguesa (1983), foi o seu primeiro impulsionador. Mas foi com os Diabo na Cruz, primeiro com B Fachada e agora nas mãos do músico Sérgio Pires, que a viola braguesa saltou para outros ambientes e chegou a novos públicos, pela forma como a encaixaram numa banda que, tendo inspiração no folclore português, toca fundamentalmente rock.

Descrição O seu comprimento é de cerca de 90 cmJúlio Pereira Site 2004 (77 cm na viola braguesa requinta) e tem 10 cordas. A boca geralmente tem a abertura com uma forma chamada “boca de raia”, mas também pode ser circular nos instrumentos mais antigos e na viola braguesa requinta. A cabeça geralmente é plana, ligeiramente inclinada em relação ao braço, e com uma forma trabalhada com motivos florísticos, com uma fenda longitudinal, com cravelhas. No entanto, pode aparecer com uma forma retangular com uma fenda longitudinal, com cravelhas, similar à viola amarantina, ou até, em instrumentos mais antigos e na viola braguesa requinta, ser similar a cabeças de guitarras, com duas fendas longitudinais e o eixo dos carrilhões paralelo à cabeça. Excecionalmente, a cabeça pode também ter o formato de leque, similar à guitarra portuguesa. O cavalete também é extremamente trabalhado.Geralmente, as ilhargas são feitas em madeira de Austrália ou nogueira, o tampo em pinho de Flandres, choupo ou tília, o fundo em nogueira, o braço em choupo, plátano, amieiro, tília, castanho ou mogno, os interiores em casquinha ou choupo e a escala em pau-preto.

Afinação A viola braguesa possui 5 ordens de cordas duplas: as duas ordens mais agudas estão afinadas em uníssono, as três ordens mais graves estão afinadas em oitava.

Algumas fontes dão a seguinte afinação (de mais agudo a mais grave), conhecida por moda velha: Lá4 (uníssono) Mi4 (uníssono) Si3 (com oitava acima) Lá3 (com oitava acima) Ré3 (com oitava acima)

A viola braguesa em S. João de Vêr "Terras da Feira" tem a seguinte Afinação:

(nº de cordas de cima para baixo)

1ª - Dó - Corda Fina (1 oitava acima)

2ª - Dó - Bordão

3ª - Sol - Corda Fina (1 oitava acima)

4ª - Sol - Bordão

5ª - Lá - Corda fina ((1 oitava acima)

6ª - Lá - Bordão

7ª e 8ª - Ré - Corda fina (uníssono)

9ª e 10ª - Sol - Corda fina (uníssono)

Outras fontes dão afinações um tom acima, um tom abaixo, uma afinação similar à guitarra (sem a corda mais grave), uma afinação similar à guitarra portuguesa (sem a corda mais grave) .

A meia-viola braguesa é afinada uma terça acima: Dó5 (uníssono) Sol4 (uníssono) Ré4 (com oitava acima) Dó4 (com oitava acima) Fá3 (com oitava acima)

Muitos tocadores afinam pela chamada “moda nova” : Lá4 (uníssono) Fá♯4 (uníssono) Si3 (com oitava acima) Sol3 (com oitava acima) Ré3 (com oitava acima) e na viola braguesa requinta: Mi5 (uníssono) Dó♯5 (uníssono) Fá♯4 (com oitava acima) Ré4 (com oitava acima) Lá3 (com oitava acima)

Viola campaniça

A viola campaniça, também designada de viola de Beja ou simplesmente viola é típica da região do Alentejo. É tocada de dedilho, apenas com o polegar.

Descrição O seu comprimento é de cerca de 110 cm, tem uma caixa com uma parte muito apertada, e uma boca de abertura circular. A cabeça é plana, ligeiramente inclinada em relação ao braço, e com uma forma retangular, com cravelhas.

Geralmente, as ilhargas são feitas em madeira de Austrália, o tampo em pinho de Flandres, o braço em mogno, os interiores em casquinha ou choupo e a escala em pau-preto.

Afinação A viola campaniça possui 5 ordens de cordas: as três ordens mais agudas são duplas e estão afinadas em uníssono, as duas ordens mais graves são triplas estão afinadas em oitava.

Algumas fontes dão a seguinte afinação (de mais agudo a mais grave): Si3 (uníssono) Sol3 (uníssono) Mi3 (uníssono) Lá2 (com oitava acima) Mi2 (com oitava acima) Outras fontes dão uma afinação uma terça abaixo: Sol3 (uníssono) Mi3 (uníssono) Dó3 (uníssono) Fá2 (com oitava acima) Dó2 (com oitava acima)

Viola de arame A viola de arame, é o nome dado a três violas típicas dos Açores e da Madeira. São bastante similares entre si, mas apresentam pequenas diferenças conforme a ilha em que são construídas.

Viola de arame madeirense

A viola de arame madeirense, viola da Madeira ou simplesmente viola é típica da ilha da Madeira.

Descrição O seu comprimento é de cerca de 87 cm. A boca geralmente tem a abertura circular. A escala é saliente em relação ao tampo, e estende-se por cima deste até à boca. A cabeça geralmente é plana, ligeiramente inclinada em relação ao braço, e com uma forma retangular com cravelhas.

Geralmente, as ilhargas são feitas em madeira de Austrália, o tampo em pinho de Flandres, o braço em choupo, os interiores em casquinha ou choupo e a escala em pau-preto.

Afinação A viola madeirense possui 5 ordens de cordas: a primeira e a segunda ordem são duplas e estão afinadas em uníssono, as duas ordens mais graves são duplas e estão afinadas em oitava, enquanto que a terceira ordem é dupla e pode ser afinada em oitava ou uníssono.

Algumas fontes dão a seguinte afinação (de mais agudo a mais grave): Ré4 (uníssono) Si3 (uníssono) Sol3 (uníssono ou oitavado) Ré3 (com oitava acima) Sol2 (com oitava acima)

Viola de arame micaelense

A viola de arame micaelense, viola da terra ou simplesmente viola é típica da ilha de São Miguel.

Descrição O seu comprimento é de cerca de 87 cm. A boca geralmente tem a abertura com a forma de dois corações. A escala é saliente em relação ao tampo, e estende-se por cima deste até à boca. A cabeça geralmente é plana, ligeiramente inclinada em relação ao braço, e com uma forma retangular, com cravelhas.