Maria Luísa Teresa VitóriaAchaintre, Nicolas Louis, Histoire généalogique et chronologique de la maison royale de Bourbon, Vol. 2, (Publisher Mansut Fils, 4 Rue de l'École de Médecine, Paris, 1825), 155. (em francês: Marie-Louise-Thérèse-Victoire; Versalhes, 11 de maio de 1733 – Trieste, 7 de junho de 1799) foi uma princesa da França, sétima filha, a quinta menina, do rei Luís XV e da rainha Maria Leszczyńska.

Chamada de "Madame Quinta" (Madame Cinquième) por ser a quinta filha do rei, Vitória ficou mais conhecida como "Madame Vitória". Ela vivia na corte com suas irmãs, quase todas solteiras, e juntas eram conhecidas como as Mesdames. Ela e sua irmã Adelaide se opuseram fortemente à rainha Maria Antonieta e, no início da Revolução Francesa, se exilaram na Itália, onde faleceram..

Biografia Nascimento Vitória nasceu no Palácio de Versalhes em 11 de maio de 1733. Ela foi a sétima filh, a quinta menina, do rei Luís XV de França e da rainha Maria Leszczyńska. Ao contrário dos filhos mais velhos do rei, Madame Vitória não foi criada no Palácio de Versalhes. Em junho de 1738, ela foi enviada para viver na Abadia de Fontevraud com suas irmãs mais novas, pois o custo de criá-las em Versalhes, com todo o estatuto a que tinham direito, foi considerado muito caro pelo Cardeal Fleury, principal ministro de Luís XV. Ela permaneceu lá até 1748, quando tinha quinze anos.

Vida em Fontevraud De acordo com Madame Campan, as Mesdames tiveram uma educação bastante traumática em Fontevraud e não receberam muita instrução: "O Cardeal Fleury, que na verdade teve o mérito de restabelecer as finanças, levou esse sistema de economia tão longe que obteve do Rei a supressão da casa das quatro princesas mais novas. Elas foram criadas como meras pensionistas em um convento a oitenta léguas da corte. Saint-Cyr teria sido mais adequado para a recepção das filhas do Rei. Porém, provavelmente o Cardeal compartilhava alguns desses preconceitos que sempre se apegam até mesmo às instituições mais úteis e que, desde a morte de Luís XIV, haviam sido levantados contra o nobre estabelecimento de Madame de Maintenon. Madame Luísa costumava me assegurar que, aos doze anos, ela não dominava o alfabeto inteiro e nunca aprendeu a ler fluentemente até após seu retorno a Versalhes. Madame Vitória atribuía certos paroxismos de terror, que nunca conseguiu superar, aos violentos sustos que experimentou na Abadia de Fontevraud, sempre que era enviada, como penitência, para rezar sozinha no mausoléu onde as irmãs estavam enterradas. Um jardineiro da abadia morreu enlouquecido. Sua moradia, fora das muralhas, ficava perto de uma capela da abadia, onde as Mesdames eram levadas para rezar pelas almas dos moribundos. Suas orações foram interrompidas mais de uma vez pelos gritos do homem moribundo."Madame Campan, Memoirs of the Court of Marie Antoinette, Queen of France (em inglês), Project Gutenberg.

Na corte de Luís XV

miniaturadaimagem|Retrato de Vitória aos quinze anos, por Jean-Marc Nattier, 1748 Em 24 de março de 1748, aos quinze anos e já considerada adulta, Vitória escreveu ao seu pai e obteve com sucesso permissão para retornar à corte. Luís XV designou três damas de honra para atendê-la e a Duquesa de Duras, para buscá-la e acompanhá-la, encontrando-a com seu irmão, o Delfim, em Sceaux.. Em novembro de 1750, ela foi acompanhada por suas irmãs Sofia e Luísa.

Ao chegarem à corte, não foram incluídas no séquito de suas irmãs mais velhas Henriqueta e Adelaide, as "Mesdames mais velhas" (Mesdames aînées), mas receberam sua própria comitiva, a das "Mesdames mais novas" (Mesdames cadettes), chefiada pela Duquesa de Duras.Luynes (Charles-Philippe d’Albert, duque de), Mémoires du duc de Luynes sur la cour de Louis XV (1735-1758), publiés sous le patronage de M. le duc de Luynes par Louis Dussieux et Eudore Soulié, Paris, Firmin Didot, 1860-1865, 17 vol. Embora sua educação tivesse sido negligenciada no convento, elas aparentemente compensaram isso e estudaram de forma intensiva após seu retorno à corte, incentivadas por seu irmão, com quem formaram uma forte ligação: "Quando as Mesdames, ainda muito jovens, retornaram à corte, desfrutaram da amizade de Monsenhor, o Delfim, e aproveitaram seus conselhos. Dedicaram-se ardentemente aos estudos, e abandonaram quase todo o seu tempo a isso; passaram a escrever corretamente em francês e adquiriram um bom conhecimento de história. O italiano, o inglês, as ramas mais elevadas da matemática, marcenaria e relojoaria preencheram, por sua vez, os momentos de lazer." esquerda|miniaturadaimagem|Busto em mármore de Vitória, por Louis-Claude Vassé, 1763 Vitória fez sucesso na corte com sua autoconfiança e charme, e seu pai a considerava uma beldade; foi descrita assim: "Madame Vitória era bonita e muito graciosa; sua postura, semblante e sorriso estavam em perfeito acordo com a bondade de seu coração", e "seus belos, suaves e ternos olhos castanhos, pele fresca [...] e um sorriso radiante transmitiam a impressão de felicidade e saúde, que, juntamente com seu desejo de agradar, irradiava de toda a sua personalidade". Em 1753, sugeriu-se que ela pudesse eventualmente se casar com o rei Fernando VI da Espanha, pois sua esposa, Bárbara de Bragança, estava gravemente doente e esperava-se que morresse. Contudo, a rainha espanhola sobreviveu à sua doença e viveu mais cinco anos. Nenhum outro parceiro de casamento com religião e estatuto adequados foi encontrado, e Vitória permaneceu solteira......

Vitória, assim como suas irmãs, mantinha uma relação muito próxima com seu irmão, via sua mãe como modelo e seguiu sua irmã Madame Adelaide em sua campanha contra a influência de Madame de Pompadour e, mais tarde, Madame du Barry. Também tinha uma amizade íntima com sua dama de companhia favorita, a Marquesa de Durfort, que "oferecia à Madame Vitória uma amizade agradável. A Princesa passava quase todas as suas noites com essa dama e acabou se considerando domiciliada com ela." Em contraste com sua irmã mais velha Adelaide, Vitória foi descrita como "boa, doce, afável" e bem-quista tanto pela sociedade quanto por sua camarilha.

Madame Campan descreveu as irmãs e suas vidas por volta de 1770: "Luís XV via muito pouco de sua família. Ele chegava todas as manhãs por uma escada privada no apartamento de Madame Adelaide. Muitas vezes trazia e bebia o café que havia feito ele mesmo. Madame Adelaide puxava um sino que avisava Madame Vitória sobre a visita do Rei; Madame Vitória, ao se levantar para ir ao apartamento de sua irmã, tocava para Madame Sofia, que, por sua vez, tocava para Madame Luísa. Os apartamentos das 'Mesdames' eram de grandes dimensões. Madame Luísa ocupava o quarto mais distante. Esta dama era deformada e muito baixa; a pobre Princesa costumava correr o mais rápido que podia para juntar-se ao encontro diário, mas, tendo que atravessar vários quartos, frequentemente, apesar da pressa, mal tinha tempo de abraçar o pai antes que ele saísse para a caçada. Todas as noites, às seis, as 'Mesdames' interrompiam a leitura que faziam para acompanhar os príncipes até Luís XV; essa visita era chamada de 'debotté' do Rei [referia-se ao momento em que se retiravam as botas] e era marcada por uma certa etiqueta. As 'Mesdames' usavam um enorme anágua que destacava uma saia ornamentada com ouro ou bordado; amarravam uma longa cauda na cintura e ocultavam a indumentária da parte inferior com uma capa longa de tafetá preta que as envolvia até o queixo. Os cavaleiros de honra, as damas de companhia, os pajens, os estribeiros e os porteiros, com grandes archotes, as acompanhavam até o Rei. Em um instante, todo o palácio, geralmente tão quieto, estava em movimento; o Rei beijava cada Princesa na testa, e a visita era tão breve que a leitura que ela interrompia frequentemente era retomada após um quarto de hora; as 'Mesdames' voltavam aos seus apartamentos, desamarravam as fitas de suas saias e caudas; retomavam seu bordado, e eu o meu livro."

Reinado de Luís XVI miniaturadaimagem|esquerda|300px|Retrato das Mesdames Sofia, Vitória e Luísa de França, após François-Hubert Drouais, por volta de 1775 A partir de abril de 1774, Madame Vitória e suas irmãs ficaram ao lado de seu pai, Luís XV, em seu leito de morte, cuidando dele até o falecimento por varíola, em 10 de maio. Embora as irmãs nunca tivessem contraído a doença, e os membros masculinos da família real, assim como o Delfim, tivessem sido afastados por risco de infecção, as Mesdames foram autorizadas a permanecer com o rei até o fim, justamente por serem mulheres e, portanto, sem relevância política devido à lei sálica. Após a morte de Luís XV, seu neto, Luís Augusto, o sucedeu no trono como Luís XVI e passou a chamá-las de "Madames Tias'" (Mesdames Tantes). No entanto, as irmãs acabaram se infectando com a varíola e adoeceram, mas se recuperaram. Elas foram então isoladas em uma pequena casa perto do Castelo de Choisy, para onde a corte foi evacuada após a morte do rei, até se restabelecerem completamente..

miniaturadaimagem|Retrato de Madame Vitória tocando harpa, de Étienne Aubry, 1773 O sobrinho delas, o novo rei, permitiu que mantivessem seus apartamentos no Palácio de Versalhes, e continuaram a frequentar a corte em ocasiões especiais – como, por exemplo, na visita do Sacro Imperador José II.Joan Haslip (1991). Marie Antoinette. Stockholm: Norstedts Förlag AB. . No entanto, elas se distanciaram da corte e frequentemente preferiam residir em seu próprio Castelo de Bellevue em Meudon; também viajavam anualmente para Vichy, sempre com um séquito de pelo menos trezentas pessoas, e tornaram as águas termais da cidade populares.. As Mesdames continuaram sendo as confidentes de Luís XVI, e também mantiveram um bom relacionamento com sua sobrinha, Madame Isabel, e frequentemente a visitavam em seu retiro no Domaine de Montreuil.Maxwell-Scott, Mary Monica, Madame Elizabeth de France, 1764-1794, London: E. Arnold, 1908.

Entretanto, as Mesdames não se davam bem com a rainha Maria Antonieta. Quando a Rainha introduziu o novo costume de jantares informais em família, assim como outros hábitos informais que minavam a etiqueta formal da corte, isso resultou em um êxodo da antiga nobreza da corte, que se opunha às reformas da Rainha, reunindo-se no salão das Mesdames. Elas ofereciam extensas recepções em Bellevue, assim como em Versalhes; seu salão era, segundo relatos, frequentemente frequentado pelo ministro Conde de Maurepas, a quem Adelaide havia elevado ao poder, com o auxílio de Príncipe de Condé e pelo Príncipe de Conti, ambos membros do partido anti-austríaco, assim como Pierre Beaumarchais, que lia em voz alta suas sátiras sobre a Áustria e suas figuras no poder. O embaixador austríaco Conde de Mercy-Argenteau relatou que o salão delas era um centro de intrigas contra Maria Antonieta, onde as Mesdames toleravam poemas satirizando a rainha. As Mesdames reuniam o partido extremista conservador dos Dévots, nobres que se opunham aos filósofos, aos enciclopedistas e aos economistas.

Revolução e vida posterior miniaturadaimagem|esquerda|Madame Vitória de FrançaAdélaïde Labille-Guiard, 1788 Madame Vitória e sua irmã Adelaide estavam em Versalhes durante a Marcha das Mulheres sobre Versalhes em 6 de outubro de 1789, e foram algumas das pessoas reunidas no apartamento do rei na noite do ataque ao quarto de Maria Antonieta. Elas participaram da caravana que deixou o Palácio de Versalhes em direção a Paris; no entanto, suas carruagens se separaram do restante da procissão antes de chegarem à capital. Elas nunca residiram no Palácio das Tulherias com a família real, preferindo se retirar para o Castelo de Bellevue em Meudon.