miniaturadaimagem|Estrutura química da fluoxetina, um Inibidor selectivo da recaptação da serotonina (ISRS).

Antidepressivos são fármacos para tratar transtornos depressivos, mas também são utilizados para tratar diversas outras doenças, como transtornos de ansiedade, transtornos alimentares, distúrbios do sono, disfunção sexual, dor crônica, adicção e mal de Parkinson.

A maioria das pessoas não se adapta ao primeiro antidepressivo e devem mudar a medicação até encontrar o antidepressivo com o qual responde com melhor efeito e menores efeitos colaterais. O melhor remédio e a dose ideal dependem do organismo e ambiente de cada indivíduo. Combinações com outro antidepressivo, com remédios para ansiedade, com estabilizantes de humor ou neurolépticos podem ser necessários. Os efeitos são melhores quando associados à psicoterapia.R. Morgan Griffin. Treatment-Resistant Depression: Your Continuum of Care. http://www.webmd.com/depression/features/treatment-resistant-depression-your-continuum-of-care#2

Tipos

Podem ser classificados emMORENO, Ricardo Alberto; MORENO, Doris Hupfeld and SOARES, Márcia Britto de Macedo. Psicofarmacologia de antidepressivos. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 1999, vol.21, suppl.1 [cited 2017-04-18], pp.24-40. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44461999000500006&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1516-4446. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44461999000500006.: Antidepressivos tricíclicos: Os primeiros a serem inventados, muito eficientes, mas causavam muitos efeitos colaterais anticolinérgicos. Os novos antidepressivos tricíclicos causam menos efeitos colaterais. Atuam aumentando a disponibilidade de noradrenalina e serotonina no cérebro.Kessel JB , Simpson GM.Tryciclic and Tetracyclic Drugs. In: Kaplan HI , Sadock BJ, editors. Comprehensive Textbook of Psychiatry. 6th ed. Baltimore: Williams e Wilkins; 1995. p. 2096-112 inibidores da monoaminoxidase (IMAO): Os segundos a serem inventados, atuam inibindo a degradação da serotonina, noradrenalina e dopamina pela enzima monoaminoxidase (MAO). Seu uso foi limitado pelo risco da interação com a tiramina, comum em diversos queijos, carnes e bebidas alcoólicas, causando crises hipertensivas.Himmelhoch JM. Monoamine oxidase inhibitors. In: Kaplan HI, Sadock BJ, editors. Comprehensive textbook of psychiatry. 6th ed. Baltimore: Williams & Wilkins; 1995. p. 2038-56 Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS): Incluem os antidepressivos mais usados atualmente (citalopram, fluoxetina, paroxetina e sertralina). A recaptação de serotonina pelo neurônio que a libera inibe a liberação de mais serotonina (é um feedback negativo), assim ao inibir essa inibição o medicamento aumenta a disponibilidade de serotonina para ativar seus receptores. A seletividade por receptores específicos é a principal diferença entre os membros desse grupo, receptores distintos ativam efeitos diferentes.Goodnick PJ, Goldstein BJ. Selective serotonin reuptake inhibitors in affective disorders – I: Basic pharmacology. J Psychopharmacol 1998;12 (3 suppl B): S3-S20. Inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina(ISRN): Uma nova classe de antidepressivos, cujo principal representante é a reboxetina. Uma alternativa aos pacientes que não respondem aos ISRS. Inibe um mecanismo de inibição da noradrenalina.Montgomery SA. Reboxetine: additional benefits to the depressed patient. J Psychopharmacol 1997; 11 (4 suppl): S9-S16. Inibidor seletivo da recaptação de dopamina(ISRD): Uma alternativa para os que sofrem com efeitos colaterais serotoninérgicos, como ejaculação retardada. Geralmente bem tolerado, pois não inibe a monoaminoxidase e tem pouca afinidade pelo sistema serotoninérgico e colinérgico. Se tomado junto ao álcool ou outras drogas pode causar convulsão.United States Pharmacopeial. Dispensing Information (USP-DI). Drug Information for the Health Care Professional. Massachusetts: World Color Book Services; 1999. Inibidor selectivo da recaptação da serotonina e da noradrenalina (ISRSN): Similares aos tricíclicos, mas sem os efeitos colaterais anticolinérgicos. Apresenta fraca atividade sobre a dopamina, perceptível apenas em grandes doses. Seu principal representante é a venlafaxina.14. Horst WD, Preskorn SH. Mechanism of action and clinical characteristics of three atypical antidepressants: venlafaxine, nefazodone, bupropion. J Affective Disord 1998; 51: 237-54. Antidepressivos tetracíclicos: Atuam em um grande número de receptores, como antagonistas ou agonistas inversos dos receptores: 5-HT1A, 5-HT2A (serotoninérgicos), α1, α2 (alfa adrenérgicos), D2 (dopaminérgico), H1 (histaminérgico) e mACh (muscarínico).Brunton, Laurence (2011). Goodman & Gilman's The Pharmacological Basis of Therapeutics 12th Edition. China: McGraw-Hill. pp. 406–410. ISBN 978-0-07-162442-8. Seus representantes incluem a Maprotilina, a Mianserina e a Mirtazapina.

Indicações miniaturadaimagem|Em 2010, 15,4% das mulheres adultas usaram algum antidepressivo e o uso está aumentando a cada ano.April L. Dawson, MPH et al. Antidepressant Prescription Claims Among Reproductive-Aged Women With Private Employer-Sponsored Insurance. United States 2008–2013, January 29, 2016 / 65(3);41–46 O uso de antidepressivos tem eficácia comprovada como parte do tratamento de diversas condiçõesSchatzberg AF1. New indications for antidepressants. J Clin Psychiatry. 2000;61 Suppl 11:9-17. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10926050: Depressão maior: Todos Transtorno de ansiedade generalizada: Venlafaxina, Escitalopram Transtorno obsessivo-compulsivo: Fluvoxamina, paroxetina, sertralina, fluoxetina, Clomipramina, Citalopram e Escitalopram Fobia social:Escitalopram, Paroxetina, Venlafaxina, Sertralina Transtorno do pânico: Sertralina, paroxetina, Amitriptilina,Escitalopram e Citalopram Transtorno de estresse pós-traumático: Sertralina Bulimia nervosa: Fluoxetina Transtorno disfórico pré-menstrual: Fluoxetina Transtorno de personalidade limítrofe: FenelzinaSoloff, PH; Cornelius, J; George, A; Nathan, S; Perel, JM; Ulrich, RF (1993). "Efficacy of phenelzine and haloperidol in borderline personality disorder". Arch Gen Psychiatry. 50 (5): 377–85. doi:10.1001/archpsyc.1993.01820170055007. PMID 8489326. Compulsão alimentar: Fluoxetina ou sertralina Tabagismo: bupropiona e nortriptilinaHughes JR, Stead LF, Hartmann-Boyce J, Cahill K, Lancaster T. Os medicamentos utilizados para tratamento de depressão ajudam os fumantes que estão tentando parar de fumar? http://www.cochrane.org/pt/CD000031/os-medicamentos-utilizados-para-tratamento-de-depressao-ajudam-os-fumantes-que-estao-tentando-parar Alcoolismo e outras dependências psicológicas: fluoxetinaKabel, D.I., and Petty, F. A placebo-controlled, double-blind study of fluoxetine in severe alcohol dependence: Adjunctive pharmacotherapy during and after inpatient treatment. Alcohol Clin Exp Res 20(4):780–784, 1996Kranzler, H.R.; Burleson, J.A.; Korner, P.; Del Boca, F.K.; Bohn, M.J.; Brown, J.; and Liebowitz, N. Placebo controlled trial of fluoxetine as an adjunct to relapse prevention in alcoholics. Am J Psychiatry 152(3):391–397, 1995. e desipraminaMason, B.J., and Kocsis, J.H. Desipramine treatment of alcoholism. Psychopharmacol Bull27(2):155–161, 1991. Insônia: Mirtazapina, AgomelatinaAntidepressant treatment of the depressed patient with insomnia. Thase, Michael E. The Journal of Clinical Psychiatry, Vol 60(Suppl 17), 1999, 28-31. Dor crônica neurológica: Imipramina, amitriptilina ou duloxetinaLunn MP, Hughes RA, Wiffen PJ (2014). "Duloxetine for treating painful neuropathy, chronic pain or fibromyalgia". Cochrane Database Syst Rev. 1: CD007115. doi:10.1002/14651858.CD007115.pub3. PMID 24385423. Fibromialgia: Duloxetina, MilnacipranoHäuser W, Wolfe F, Tölle T, Uçeyler N, Sommer C (April 2012). "The role of antidepressants in the management of fibromyalgia syndrome: a systematic review and meta-analysis". CNS Drugs. 26 (4): 297–307. doi:10.2165/11598970-000000000-00000. PMID 22452526. Mal de Parkinson: IMAO seletivos B como a selegilina.Riederer P, Lachenmayer L, Laux G (August 2004). "Clinical applications of MAO-inhibitors". Curr. Med. Chem. 11 (15): 2033–43. doi:10.2174/0929867043364775. PMID 15279566. Ejaculação precoce: Paroxetina e ClomipraminaMcMahon CG, Touma K. Treatment of premature ejaculation with paroxetine hydrochloride. Int J Impot Res. 1999 Oct;11(5):241-245; discussion 246. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10553802

Mecanismo de ação Bioquímica dos transtornos do humor Os transtornos do estado de ânimo parecem estar relacionados a uma redução na transmissão dos impulsos ou dos sinais nervosos nas áreas do cérebro que regulam o humor. As teorias atuais das causas biológicas da depressão têm-se focado numa falha na neurotransmissão. Atualmente de todas as teorias da depressão propostas, as mais aceitas são das anormalidades que envolvem os neurotransmissores monoaminérgicos, especialmente norepinefrina, dopamina, serotonina (pelo receptor 5HT2, físicas do receptor que são traduzidos em um sinal intracelular).

O cérebro de indivíduos com fase depressiva na transtorno bipolar (transtorno maníaco-depressivo), depressão crónica ou profunda poderá apresentar pequenas diminuições na utilização dos neurotransmissores monoaminas (noradrenalina e dopamina) e da serotonina (5-HT e 7-HT). Esta teoria das origens bioquímicas da depressão é conhecida como teoria das monoaminas e foi desenvolvida pelo Professor Mariok Usamunu da Universidade do Texas, nos Estados Unidos da América. No entanto na depressão unipolar mesmo profunda, na maioria das vezes não há alterações e na depressão unipolar moderada estas diminuições quando existem não são significativas. Contudo os todos os fármacos eficazes no tratamento da depressão aumentam os níveis de alguns desses neurotransmissores. É sabido que a dopamina é importante nas vias da satisfação, e a adrenalina e serotonina produzem efeitos de satisfação.

Em 2006, uma equipe internacional de investigadores internacionais descobriu uma substância endógena que poderia estar diretamente relacionada ao evento da depressão. Níveis reduzidos de p11, a proteína que modula a atividade das células cerebrais à serotonina, foram encontrados em pessoas deprimidas e em ratos de laboratório com depressões artificialmente induzidas. Esta descoberta, publicada na revista Science, constitui um avanço importante no tratamento da depressão e também alterações do sono, dentre outras aplicabilidades.

Os sintomas mais comuns nas pessoas que sofrem de depressão, podem ser agrupados da seguinte forma: sintomas emocionais (falta ânimo, ansiedade, perda de interesse ou prazer, sentimentos de culpa, ideias suicidas e transtornos cognitivos) e sintomas físicos (agitação, mudanças de peso, dores musculares, perda de energia, alterações do sono).

Os antidepressivos atuam diretamente no cérebro, modificando e corrigindo a transmissão neuro-química em áreas do sistema nervoso que regulam o estado do humor (o nível da vitalidade, energia, interesse, emoções e a variação entre alegria e tristeza), quando o humor está afetado negativamente num grau significativo.

Farmacocinética A maioria dos antidepressivos são bem absorvidos pelo trato gastrintestinal, sofrem biotransformação hepática e diversos possuem metabólitos ativos. A fluoxetina possui um metabolito ativo (norfluoxetina) que prolonga seu efeito no organismo. O início de ação se dá entre 7 a 14 dias com doses apropriadas, mas pode levar de 4 a 8 semanas para atingir o efeito terapêutico pleno. Interagem medicamentosamente com um grande número de medicamentos e drogas. A maioria não deve ser usada concomitantemente ao uso de álcool.

Tempo de tratamento De modo geral o tratamento é dividido nas seguintes fases: aguda, continuação (até 6 meses) e preventiva (após 6 meses).