thumb|A Taça, um afloramento de arenito e cartão-postal do Parque Estadual de Vila Velha, Paraná, Brasil|alt=Rocha em formato de taça, com cor avermelhada

Arenito, ou também chamado grés (ou grês), é uma rocha sedimentar que resulta da compactação e litificação de um material granular da dimensão das areias. O arenito é composto normalmente por quartzo, mas pode ter quantidades apreciáveis de feldspatos, micas e/ou impurezas. É a presença e tipo de impurezas que determina a coloração dos arenitos; por exemplo, grandes quantidades de óxidos de ferro, fazem esta rocha vermelha. O arenito é usado em diversas construções civis.

O arenito é depositado em ambiente continental, nos rios e lagos, ou em ambiente marinho, em praias, deltas ou nas sequências turbidíticas do talude continental.

Os arenitos são rochas lapidificadas constituídas por areias aglutinadas por um cimento natural, que geralmente caracteriza a rocha. São rochas também designadas por grés e muitas vezes são classificadas pela natureza do cimento. Os arenitos argilosos têm um cimento constituído por argilas.

Os arenitos calcários são fundidos por rochas magmáticas e granito de cimento, em geral, de carbonato de cálcio (calcite) fazer efervescência fácil com os ácidos. Se o cimento do arenito for dolomite (carbonato de cálcio e magnésio) a efervescência é menos nítida.

Economicamente, o arenito pode ter interesse se for associado a jazidas minerais do tipo plácer, onde os metais interessantes se depositam como os grãos de areia, integrando depois o arenito.

No Brasil, o arenito é muito estudado em diversas formações geológicas, especialmente na Bacia do Paraná, onde ocorrem importantes depósitos sedimentares. A composição e a textura do arenito podem fornecer informações sobre a história geológica da Terra, como a origem dos sedimentos e o ambiente de deposição.

Em Sapucaia do Sul, município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, próximo a Porto Alegre, há uma grande mineração de arenito, pedras que são extraídas, recortadas e que servem à construção civil, como pedras de alicerce. O arenito encontrado naquela região é do tipo eólico, pertencente à Formação Botucatu. Formou-se pela compactação de areias de um vasto deserto arenoso que existiu onde é hoje a América do Sul no período Triássico e que foi coberto pelas lavas basálticas da Formação Serra Geral.

Os arenitos são rochas silicosas sedimentares, constituídos por grãos de sílica ou quartzo, ligados por cimento silicoso, argiloso ou calcário. São empregados em revestimentos, resistindo bem aos ataques de agentes agressivos da atmosfera.

Origens Os arenitos são de origem clástica (em oposição à origem orgânica, como o giz e o carvão, ou química, como o gesso e o jaspe)."A Basic Sedimentary Rock Classification", L.S. Fichter, Department of Geology/Environmental Science, James Madison University (JMU), Harrisonburg, Virginia, October 2000, JMU-sed-classif (accessed: March 2009): separates clastic, chemical & biochemical (organic). Os grãos de areia de silicato a partir dos quais eles se formam são o produto do intemperismo físico e químico da rocha matriz. O intemperismo e a erosão são mais rápidos em áreas de alto relevo, tais como arcos vulcânicos, áreas de rifte continental e cinturões orogénicos.

A areia erodida é transportada por rios ou pelo vento das suas áreas de origem para ambientes de deposição, onde a tectónica criou espaço de acomodação para a acumulação de sedimentos. Bacias de ante-arco tendem a acumular areia rica em grãos líticos e plagioclásio. Bacias intracontinentais e grábens ao longo de margens continentais também são ambientes comuns para a deposição de areia.Blatt and Tracy 1996, pp. 220–227

À medida que os sedimentos continuam a se acumular no ambiente de deposição, a areia mais antiga é sepultada por sedimentos mais jovens e passa por diagénese. Isso consiste principalmente na compactação e litificação da areia.Blatt and Tracy 1996, pp. 265–280Boggs 2006, pp. 147–154 Os estágios iniciais da diagénese, descritos como eogénese, ocorrem em profundidades rasas (poucas dezenas de metros) e são caracterizados por bioturbação e mudanças mineralógicas nas areias, com apenas uma leve compactação. A hematita vermelha que confere aos arenitos de camadas vermelhas a sua cor é provavelmente formada durante a eogénese.Boggs 2006, p. 148 O sepultamento mais profundo é acompanhado pela mesogénese, durante a qual ocorre a maior parte da compactação e litificação.Boggs 2006, pp. 147–154

A compactação ocorre à medida que a areia fica sob pressão crescente dos sedimentos sobrejacentes. Os grãos de sedimento movem-se para arranjos mais compactos, grãos dúcteis (como os grãos de mica) são deformados e o espaço dos poros é reduzido. Além desta compactação física, a compactação química pode ocorrer por meio de dissolução por pressão. Os pontos de contato entre os grãos estão sob maior tensão, e o mineral sob tensão é mais solúvel do que o resto do grão. Como resultado, os pontos de contato são dissolvidos, permitindo que os grãos entrem em contato mais próximo.

A litificação segue-se de perto à compactação, à medida que o aumento das temperaturas em profundidade acelera a deposição de cimento que une os grãos. A dissolução por pressão contribui para a cimentação, pois o mineral dissolvido dos pontos de contato sob tensão é redepositado nos espaços de poros não tensionados.

A compactação mecânica ocorre principalmente em profundidades inferiores a . A compactação química continua até profundidades de , e a maior parte da cimentação ocorre em profundidades de .

A exumação do arenito sepultado é acompanhada pela telogénese, o terceiro e último estágio da diagénese. À medida que a erosão reduz a profundidade do sepultamento, a exposição renovada à água meteórica produz alterações adicionais ao arenito, como a dissolução de parte do cimento para produzir porosidade secundária.

Referências

Categoria:Rochas sedimentares Categoria:Areia