Uma canção de trabalho ou canto de trabalho é, tipicamente, uma canção rítmica a cappella cantada por pessoas enquanto trabalham numa tarefa muitas vezes repetitiva. Uma canção de trabalho é uma peça de música intimamente ligada a uma forma de trabalho, seja cantada durante a realização de uma tarefa (geralmente para coordenar o tempo) ou uma canção ligada a uma tarefa que pode ser uma narrativa, descrição ou canção de protesto.

Definições e categorias Os registros das canções de trabalho são tão antigos quanto os registros históricos, e evidências antropológicas sugerem que a maioria das sociedades agrárias tende a tê-las.

A maioria dos comentaristas modernos incluem as canções cantadas enquanto se trabalha e as músicas sobre o trabalho, uma vez que as duas categorias são vistas como interconectadas. Norm Cohen dividia as canções de trabalho em canções domésticas, agrícolas ou pastorais, celeumas, cantos de trabalho afro-americanos, canções de direção e gritos de rua. Ted Gioia dividiu as canções agrícolas e pastorais em canções de caça, cultivo e pastoreio, e destacou as canções industriais ou proto-industriais dos trabalhadores da indústria têxtil, operários, marinheiros, lenhadores, cowboys e mineiros.

Na década de 70, o diretor Leon Hirszman produziu uma trilogia de documentários em curta-metragem registrando cantos de trabalho na área rural e mostrando como essas canções sobrevivem. O escritor Ferreira Gullar, que narra um dos documentários, diz: “Os cantos de trabalho são talvez as primeiras canções criadas pelo homem. A sua origem se perde na distância do tempo. Essas remotas cantigas nasceram do trabalho coletivo, da solidariedade de pessoas que se juntaram em grupo para executar uma tarefa comum. E especialmente a primeira e primordial tarefa do homem: lavrar a terra e cultivar os seus frutos.”

Canções de caça e pastoreio Em sociedades sem cronometragem, as canções de mobilização – ou seja, convocando os membros para uma tarefa coletiva – eram extremamente importantes. Tanto a caça quanto a criação de gado envolviam pequenos grupos ou indivíduos, geralmente meninos e jovens, que passavam longas horas trabalhando, longe dos centros urbanos. Como resultado, essas atividades produziam longas canções narrativas, frequentemente cantadas individualmente, com o objetivo de passar o tempo.

As canções de caça, como as do povo Mbuti, frequentemente incorporavam assobios e iodelei distintos para que os caçadores pudessem identificar a localização uns dos outros e a localização de suas presas.

Canções de trabalho agrícola A maioria das canções de trabalho agrícola eram cantadas a cappella e destinadas a aumentar a produtividade e reduzir a sensação de tédio. Os ritmos, semelhantes à batida de um tambor africano, serviam para sincronizar os movimentos físicos em grupos, coordenando a semeadura, a capina e a colheita. Os versos eram, por vezes, improvisados e diferentes. A improvisação proporcionava aos cantores uma forma de expressão. Os escravizados cantavam versos improvisados ​​para zombar de seus capatazes, expressar frustrações e compartilhar sonhos de fuga. Muitas canções de trabalho serviam para criar conexão e familiaridade entre os trabalhadores.

Canções de trabalho afro-americanas As canções de trabalho afro-americanas desenvolveram-se originalmente na era da escravidão, entre os séculos XVII e XIX. Por fazerem parte de uma cultura quase inteiramente oral, não possuíam uma forma fixa e só começaram a ser registradas após 1865, quando a escravidão chegou ao fim. Slave Songs of the United States foi a primeira coleção de "canções de escravos". Foi publicada em 1867 por William Francis Allen, Charles Pickard Ware e Lucy McKim Garrison. As canções de trabalho afro-americanas também foram vistas como um meio de suportar as dificuldades e expressar raiva e frustração por meio da criatividade.

Uma característica comum das canções afro-americanas era o formato de "chamada e resposta", onde um líder cantava um ou mais versos e os outros respondiam com um refrão. Isso veio das tradições africanas de canções de trabalho agrícola. A parte do líder pode se sobrepor à resposta, criando assim um som colaborativo único. Da mesma forma, a música folclórica e tradicional afro-americana se concentra na polifonia em vez de uma melodia com harmonia.Brooks, Tilford, America's Black Musical Heritage. New Jersey: Prentice-Hall, Inc., 1984. O foco na polifonia também permite a improvisação, um componente crucial para as canções de trabalho afro-americanas. Nos primórdios do cativeiro africano, os tambores eram usados ​​para marcar o ritmo, mas foram proibidos anos depois devido ao receio de que os africanos os utilizassem para se comunicar em caso de rebelião. Mesmo assim, os africanos conseguiram gerar percussão e sons percussivos, usando outros instrumentos ou seus próprios corpos.

As canções de trabalho eram usadas por equipes de operários ferroviários afro-americanos no sul dos Estados Unidos antes da disponibilidade de máquinas modernas na década de 1960.

Outro tipo comum de canção de trabalho afro-americana eram as canções de barco, cantadas por escravos que tinham a tarefa de remar. Esse tipo de canção de trabalho é caracterizado por um "canto plangente e melancólico". Essas canções eram melancólicas para que pudessem manter o ritmo lento e constante necessário para remar. Dessa forma, as canções de trabalho seguiam a tradição africana, enfatizando a importância de as atividades serem acompanhadas pela canção apropriada.

Celeumas

Os celeumas eram canções de trabalho cantadas por marinheiros entre os séculos XVIII e XX. Essas canções eram tipicamente executadas enquanto ajustavam o cordame, içavam a âncora e realizavam outras tarefas em que os homens precisavam remar em ritmo. Essas canções geralmente têm um ritmo muito pontuado justamente por esse motivo, além de um formato de "chamada e resposta". Bem antes do século XIX, as canções de trabalho marítimo eram comuns em embarcações a remo. Tais canções também eram muito rítmicas para manter os remadores unidos. Como muitas culturas utilizavam escravos para remar, algumas dessas canções também podem ser consideradas canções de escravos. Versos improvisados ​​cantados por marinheiros falavam dos males relacionados às condições de trabalho e aos capitães. Essas canções eram executadas com ou sem o auxílio de um tambor.

Canções de trabalho femininas As rendeiras das Midlands Orientais, da Flandres e da Saxônia cantavam contos sobre renda — rimas cativantes sobre a fabricação de renda e temas mórbidos — ao ritmo do seu trabalho. O conjunto sobrevivente de contos sobre renda ingleses constitui uma parte substancial das canções de trabalho femininas inglesas que sobreviveram.

Categoria:Música tradicional Categoria:Música vocal