A tartaruga-oliva, tartaruga-olivácea ou tartaruga-marinha-olivácea (nome científico: Lepidochelys olivacea) é uma das espécies de tartaruga-marinha (família dos quelonídeos) de menores dimensões, podendo chegar a 72 cm de carapaça e pesando menos de 50 quilos. Ganhou este nome por causa da cor de azeitona da sua carapaça em forma de coração, a qual é composta por cinco a nove pares de placas laterais ossificadas. É uma espécie carnívora, e tem uma dieta à base de moluscos, peixes, crustáceos, briozoários, tunicados e plantas aquáticas. A reprodução dura cerca de 42 dias, altura em que são postos uma média de 101 ovos em ninhos, enterrados na areia. São mais encontradas entre os oceanos Pacífico e Índico, podendo, e no oceano Atlântico ocorrem no Sul, centro e na costa oeste da África. Esta tartaruga e a tartaruga-de-kemp são conhecidas por seus eventos massivos de postura de ninhos, conhecido como arribadas, onde milhares de fêmeas se reúnem na mesma praia para desovar.
Taxonomia A tartaruga-oliva foi descrita pela primeira vez como Testudo mydas minor por Georg Adolf Suckow em 1798. Mais tarde foi descrita e nomeado Chelonia multiscutata por Heinrich Kuhl em 1820. Ainda mais tarde, foi descrita e nomeada como Chelonia olivacea por Johann Friedrich von Eschscholtz em 1829. A espécie foi colocada no subgênero Lepidochelys por Leopold Fitzinger em 1843. O nome genérico, Lepidochelys, é derivado das palavras gregas lepidos, que significa escama, e chelys, que se traduz em tartaruga. Isso poderia ser uma referência aos escudos costais supranumerários característicos deste gênero. A etimologia do nome vernáculo "oliva" é um pouco mais fácil de resolver, pois sua carapaça é de cor verde-oliva. Lepidochelys é o único gênero de tartarugas marinhas que contém mais de uma espécie existente: L. olivacea e a intimamente relacionada L. kempii.
Descrição Crescendo até cerca 72 centímetros de comprimento de carapaça (medido ao longo da curva), a tartaruga-oliva recebe seu nome comum por sua carapaça verde-oliva, que tem forma de coração arredondada. Machos e fêmeas crescem até o mesmo tamanho, mas as fêmeas têm uma carapaça ligeiramente mais abaulada que os machos. A carapaça tem quatro pares de escudos inframarginais com poros, dois pares de pré-frontais e até nove escudos laterais de cada lado. A tartaruga-oliva é a única tartaruga que pode ter contagens de escudos laterais variáveis e assimétricas, variando de cinco a nove placas de cada lado, sendo seis a oito as mais comumente observadas. Sua carapaça é achatada dorsalmente e mais alta anteriormente. Ela tem uma cabeça larga de tamanho médio que parece triangular de cima. Os lados côncavos da cabeça são mais evidentes na parte superior do focinho curto. Tem membros anteriores em forma de remo, cada um com duas garras anteriores. As partes superiores são verde-acinzentadas a verde-oliva, mas às vezes parecem avermelhadas devido ao crescimento de algas. A ponte e o plastrão de um adulto variam de branco esverdeado em indivíduos mais jovens a um amarelo cremoso em espécimes mais velhos (sendo a idade máxima de até 50 anos).
Os filhotes são cinza escuro com uma cicatriz clara da gema, mas parecem todos pretos quando molhados. O comprimento da carapaça dos filhotes varia de 37 a 50 milímetros. Uma linha fina e branca delimita a carapaça, bem como a borda posterior das nadadeiras anteriores e posteriores. Tanto os filhotes quanto os juvenis têm escudos marginais posteriores serrilhados, que se tornam lisos com a idade. Os juvenis também têm três quilhas dorsais; a quilha longitudinal central confere às tartarugas mais jovens um perfil serrilhado, que permanece até atingir a maturidade sexual. A tartaruga marinha verde-oliva raramente pesa mais de 50 quilos (110 libras). Adultos em um estudo de Oaxaca, México, variaram de 25 a 46 quilos; as fêmeas adultas pesavam em média 35,45 quilos (n = 58), enquanto os machos adultos pesavam menos, com média de 33 quilos (n = 17). Filhotes geralmente pesam entre 12 e 23,3 gramas. Os adultos são sexualmente dimórficos. O macho tem uma cauda mais longa e grossa, usada à cópula, e a garras alargadas forma de gancho nas nadadeiras dianteiras, que permitem que agarre a carapaça da fêmea durante a cópula. O macho também tem uma carapaça mais longa e afilada do que a fêmea, que tem uma carapaça arredondada e em forma de cúpula. O macho possui um plastrão mais côncavo, que pode ser outra adaptação para o acasalamento. O plastrão do macho também pode ser mais macio que o da fêmea.
Distribuição
esquerda|miniaturadaimagem|Dois filhotes se movendo ao oceano após serem libertados de um local de conservação em Puerto Vallarta, México
A tartaruga-oliva tem uma distribuição circumtropical, vivendo em águas tropicais e quentes dos oceanos Pacífico e Índico da Índia, Arábia, Japão e Micronésia, ao sul da África, Austrália e Nova Zelândia. No Oceano Atlântico, foi observado na costa ocidental da África e nas costas do norte do Brasil, Suriname, Guiana, Guiana Francesa e Venezuela. Além disso, foi registrada no Mar do Caribe até o norte de Porto Rico. Em sua aparição mais setentrional em novembro de 2016, uma fêmea foi encontrada viva em uma praia do Mar da Irlanda na ilha de Anglesey. A tartaruga foi recolhida ao , onde sua saúde foi avaliada. Uma fêmea juvenil foi encontrada na costa de Sussex em 2020. A tartaruga-oliva também é encontrada no leste do Oceano Pacífico, das ilhas Galápagos e no Chile, ao norte do Golfo da Califórnia, e ao longo da costa do Pacífico até pelo menos o estado de Oregão, nos Estados Unidos. Os movimentos migratórios foram estudados com menos intensidade nas tartarugas-oliva do que em outras espécies de tartarugas marinhas, mas acredita-se que usem as águas costeiras de mais de 80 países. Historicamente, esta espécie foi considerada como a tartaruga marinha mais abundante do mundo. Mais de um milhão delas foram capturadas comercialmente nas costas do México somente em 1968.
As tartarugas do Pacífico Oriental se distribuem da Baixa Califórnia, no México, ao Chile. Elas nidificam na Costa Rica, no México, na Nicarágua e no norte do Oceano Índico; a colônia de reprodução no México foi listada como ameaçada de extinção nos Estados Unidos em 28 de julho de 1978. A população do Pacífico no México foi estimada em pelo menos 10 milhões antes da era da exploração em massa. Mais recentemente, a população global de fêmeas nidificantes anuais foi calculada em apenas dois milhões em 2004, e foi reduzida para em 2008. Isso indicou uma diminuição dramática de 28 a 32% na população global em apenas uma geração (ou seja, 20 anos).
Áreas de nidificação miniaturadaimagem|Filhote de tartaruga-oliva miniaturadaimagem|Postura de ovos
As tartarugas-oliva exibem dois comportamentos diferentes de nidificação: a nidificação solitária é mais prevalente, e a nidificação em massa sincronizada, denominada arribada. As fêmeas retornam à mesma praia de onde eclodiram para desovar. Colocam seus ovos em ninhos cônicos com cerca de meio metro de profundidade, que escavam laboriosamente com as nadadeiras traseiras. No Índico, a maioria nidifica em duas ou três grandes grupos perto de Gairmata, em Orissa, na Índia. A costa de Orissa é um dos maiores locais de nidificação em massa da tartaruga-oliva, juntamente com as costas do México e da Costa Rica. Em 1991, mais de 600 mil tartarugas nidificaram ao longo da costa de Orissa em uma semana. A nidificação solitária também ocorre ao longo da costa de Coromandel e Seri Lanca, mas em locais dispersos. No entanto, as tartarugas-oliva são consideradas uma raridade na maioria das áreas do Índico. Na costa de Angola, no Atlântico, desovam à noite, junto às praias das províncias de Cabinda, Luanda, Namibe e Benguela, entre os meses de setembro a março.
As nidificações também são raras no Pacífico Ocidental e Central, com arribadas conhecidas ocorrendo apenas no Pacífico Oriental tropical, na América Central e no México. Na Costa Rica, ocorrem na praia de Nancite e Ostional, e uma terceira praia de arribada parece estar surgindo em Corozalito. Duas praias de arribada ativas estão localizadas na Nicarágua, em Chacocente e La Flor, com uma praia de arribada menor de situação desconhecida na costa do Pacífico do Panamá. Historicamente, as arribadas aconteceram em várias praias do México, mas nas atuais arribadas só são observadas em e Morro Ayuda em Oaxaca, e Ixtapilla em Michoacão. Embora as tartarugas-oliva sejam famosas pelas suas arribadas, a maioria das praias de nidificação conhecidas são frequentadas apenas por fêmeas que nidificam solitárias e suportam uma quantidade relativamente pequena de 100 a 3 mil ninhos. A contribuição global das fêmeas nidificantes solitárias à população pode ser subestimada pela comunidade científica, uma vez que a taxa de sucesso de eclosão dos ninhos nas praias da arribada é geralmente baixa, mas relativamente alta nas praias solitárias. A nidificação isolada também ocorre esporadicamente.
Campos de forrageamento Alguns dos campos de forrageamento da tartaruga-oliva perto do sul da Califórnia estão contaminados devido ao esgoto, escoamento agrícola, pesticidas, solventes e descargas industriais. Esses contaminantes demonstraram diminuir a produtividade da comunidade bentônica, o que afeta negativamente essas tartarugas, que se alimentam dessas comunidades. A crescente demanda para construir marinas e docas perto da Baixa Califórnia e do sul da Califórnia também está afetando negativamente as tartarugas-oliva nessas áreas, onde mais petróleo e gasolina serão liberados nesses habitats sensíveis. Outra ameaça para essas tartarugas são as usinas de energia, que documentaram casos de tartarugas juvenis e subadultas sendo aprisionadas pelos sistemas de resfriamento com água salgada.
Ecologia e comportamento
Reprodução
miniaturadaimagem|esquerda|Uma fêmea pondo ovos
Supõe-se que o acasalamento dessas tartarugas ocorra nas proximidades das praias de nidificação, mas pares copulando já foram relatados a mais de mil quilômetros da praia mais próxima. Pesquisas na Costa Rica revelaram que o número de casais copulando observados perto da praia não pode ser responsável pela fertilização das dezenas de milhares de fêmeas grávidas, então acredita-se que uma quantidade significativa de acasalamento tenha ocorrido em outros lugares em outras épocas do ano. As tartarugas-oliva geralmente começam a se agregar perto das praias cerca de dois meses antes da época de nidificação, embora isso possa variar ao longo de sua extensão. No Pacífico Oriental, a nidificação ocorre durante todo o ano, com eventos de nidificação de pico (arribadas) ocorrendo entre setembro e dezembro. As praias de nidificação podem ser caracterizadas como relativamente planas, zona de meia praia e livre de detritos.
A fidelidade a uma praia é comum, mas não absoluta. Eventos de nidificação são geralmente noturnos, mas nidificação diurna tem sido relatada, especialmente durante grandes arribadas. A idade exata da maturidade sexual é desconhecida, podendo ser apenas inferida a partir de dados sobre o tamanho mínimo de reprodução. Por exemplo, o comprimento médio da carapaça das fêmeas nidificantes (n = 251) em Praia Nancite, Costa Rica, foi determinado como 63,3 centímetros, com o menor registrado sendo de 54 centímetros. As fêmeas podem colocar até três ninhadas por temporada, mas a maioria só põe uma ou duas ninhadas. A fêmea permanece perto da costa durante o período de acasalamento, que é de cerca de um mês. O tamanho médio da ninhada varia em toda a sua extensão.