thumb|Protestos contra o feminicídio em São Paulo, Brasil, em dezembro de 2025 Machismo (do espanhol e do português "macho")O termo "machismo" é usado em países anglófonos, por exemplo, apenas no contexto latino; quando se referem a discriminação contra mulheres em suas regiões, geralmente usam os termos sexismo, misoginia, discriminação etc. é uma forma de masculinidade tóxica que incorpora uma discriminação sexista e misógina associada a "uma masculinidade exagerada"Morales, Edward. S. Gender roles among Latino gay and bisexual men: Implications for family and couple relationships. In, J. Laird & R. J. Green (Eds.), Lesbians and gays in couples and families: A handbook for therapists. pp. 272-297. San Francisco: Jossey-Bass. 1996. que prega a inferioridade da mulher e a ideia de que o homem é o líder superior. Basicamente, refere-se à suposição de que a masculinidade é superior à feminilidade (conceito semelhante à masculinidade hegemônica de R.W. Connell),Connell, R. W. (1995). Masculinities. Los Angeles, California, United States: University of California Press no sentido de que supostos traços femininos entre homens (os traços historicamente vistos como femininos entre as mulheres) devem ser considerados indesejáveis, socialmente reprováveis ou desvios.
O termo é universalmente usado para descrever um conjunto negativo de comportamentos hipermasculinos, que coloca homens em uma posição dominante sobre as mulheres e outros homens, e tem sido usado de várias maneiras para coisas diferentes, às vezes contraditórias, sendo tipicamente associado como uma imputação de traços de caráter negativos relacionados à masculinidade. As atitudes e os comportamentos machistas podem ser mal vistos ou encorajados em vários graus em várias sociedades ou subculturas - embora seja frequentemente associado a matizes patriarcais, principalmente nas visões atuais do passado.
Na América Latina, a cientista política Evelyn Stevens identifica o machismo como o "outro lado do marianismo" ao explicar o fenômeno latino de considerar mulheres "santas ou prostitutas".Zaira A. (2000). Masculino y femenino en el imaginario católico: De la Acción Católica a la Teología de la Liberación São Paulo: Annablume Editora.Marianismo: Origin and Meaning Durante o movimento de libertação feminina das décadas de 1960 e 1970, o termo começou a ser usado por feministas latino-americanas para descrever a agressão masculina e a violência. O termo foi usado por feministas latinas e estudiosos para criticar a estrutura patriarcal das relações de gênero nas comunidades latinas. Seu objetivo era descrever uma determinada marca latino-americana de patriarcado.Opazo, R. M (2008). Latino Youth and Machismo: Working Towards a More Complex Understanding of Marginalized Masculinities. Retrieved From Ryerson University Digital Commons Thesis Dissertation Paper 108. http://digitalcommons.ryerson.ca/dissertations/108Ramirez, R, translated by Rosa Casper (1999). What Means to be a Man: Reflections on Puerto Rican Masculinity. Rutgers University Press: New Brunswick, NJ.
Etimologia e definição "Macho" em português, é usado como adjetivo e também como substantivo. Preserva os mesmos significados do Latim masculus. Por metáfora, passou a ser empregado como termo de algumas áreas técnicas como arquitetura carpintaria, náutica, serralheria e tecnologia. Como adjetivo, masculus preserva os mesmos significados de "macho" e não apresenta uso em áreas técnicas ou específicas como acorre como "macho".
Abordagem histórica
esquerda|upright|thumb|150px|Representação da deusa da fertilidade no sexto milênio , demonstrando que as mulheres foram cultuadas e valorizadas na pré-história. Nas sociedades pré-históricas, o papel social da mulher era bastante valorizado, sendo muito cultuado na forma de deidades relacionadas à fertilidade, abundância e fartura, visto em obras pré-históricas como a Vênus de Willendorf. Em 2006, análises na Caverna de Cosquer constataram que a grande maioria das impressões de mãos pré-históricas nas paredes da gruta eram de mãos femininas. Segundo os especialistas Jean Michel Chazine e Arnaud Noury, percebe-se que não havia distinção hierárquica entre as atividades desempenhadas pelos homens (como a caça) e pelas mulheres (como a agricultura), tendo ambas a mesma valoração. Também não se percebia no Paleolítico qualquer diferenciação entre os ritos funerários entre homens e mulheres.
Entretanto, já a partir das sociedades consideradas basilares da civilização ocidental, como as da Grécia e Roma, o papel da mulher na sociedade já havia sido fortemente reduzido frente ao do homem, de forma que o indivíduo do sexo feminino tivera sua esfera de atuação limitada ao campo doméstico e familiar, jamais alcançando pleno exercício de direitos sociais e políticos permitidos ao sexo masculino, que assumiam as responsabilidades ligadas ao trabalho e chefia. Na Roma Antiga a mulher vivia sob tutela perpétua, jamais gozando de autonomia patrimonial ou política, ficando sob o gerenciamento do pater familias (termo que significa o mais elevado estatuto familiar na época: o marido ou um tutor; homens que, em seu papel familiar, tinha poder absoluto sob sua mulher, como um chefe).
Implicações
Papéis de gênero
Muitas mulheres identificam que o machismo é perpetuado através da pressão para criar filhos de uma certa maneira e instilar construções sociais de gênero durante o desenvolvimento de uma criança. Isto é complementado pelo distante relacionamento pai-filho no qual a intimidade e o afeto são normalmente evitados. Esses aspectos configuram o ambiente pelo qual a ideologia se perpetua. Ele cria um sentimento de inferioridade que leva os meninos a alcançar um nível inalcançável de masculinidade, uma busca frequentemente validada pelo comportamento agressivo e apático que observam nos homens ao seu redor e, finalmente, levando-os a continuar o ciclo. As várias características atribuídas ao machismo na literatura das ciências sociais incluem: dominação masculina e subordinação feminina; o controle do comportamento feminino e sexualidade; o uso de agressão física e verbal; embriaguez; a recusa em fazer qualquer coisa percebida como feminina; um forte impulso sexual com poucas restrições sociais; e o desejo de ser pai de muitas crianças, dentro e fora de uniões legais, como um sinal de virilidade e conquista das mulheres. O machismo também tem sido associado a conceitos como invulnerabilidade, coragem, honra, respeito e dignidade, em particular, em torno de questões da família, veneração de suas mães e um senso de obrigação de proteger e sustentar sua família. Embora essas caracterizações tenham sido vistas por alguns pesquisadores e programas como atributos positivos da masculinidade latina, alguns estudiosos feministas alertaram sobre as questões subjacentes de poder e desigualdade de gênero também relacionadas a essas atitudes e comportamentos.
A diferença de poder na relação entre um homem e uma mulher não só cria a norma social do machismo, como também cria o conceito social de marianismo. Isso coloca em foco a ideia de que as mulheres são inferiores e são, portanto, dependentes de seus maridos. Como resultado, elas não só dependem de seus maridos para apoio financeiro, mas no âmbito social são colocadas ao mesmo nível de "crianças com menos de 12 anos, pessoas com doenças mentais e esbanjadores". Por tradição, não só as mulheres recebem oportunidades limitadas no que são capazes de fazer e de ser, mas também são vistas como pessoas que nem conseguem cuidar de si mesmas. Casar-se fornece segurança à mulher sob o sucesso de seu marido, mas também implica um compromisso ao longo da vida para servir seu marido e seus filhos. Enquanto as pressões sociais e as expectativas desempenham um papel enorme na perpetuação do marianismo, essa ideologia também é ensinada às meninas à medida que crescem. Elas aprendem a importância de executar o trabalho doméstico e tarefas domésticas, como cozinhar e limpar, porque este será o papel que vão desempenhar em suas futuras famílias. São ensinadas que estas coisas devem ser feitas bem de modo que possam servir adequadamente suas famílias e evitar a punição e a disciplina de seus maridos.
Violência “O machismo como um fator cultural é substancialmente associado à criminalidade, a violência e ilegalidade, independentemente das variáveis de controle estruturais,”. Um aspecto-chave da associação do Machismo à violência é sua influência no comportamento de um homem para provar sua força física. Enquanto força e a resistência são reconhecidas como componentes chave para o estereótipo do machismo, as manifestações de violência e ações agressivas têm se tornado quase esperadas dos homens e têm sido justificadas como produtos desejáveis serem duros e "machos". Pode ser implícito que "se você é violento, você é forte e, portanto, mais homem do que aqueles que recuam ou não lutam".
Os encontros violentos podem resultar do desejo de proteger sua família, amigos e particularmente seus parentes femininos que são vulneráveis às ações do machismo de outros homens. No entanto, através de ciúme, competitividade e orgulho, encontros violentos também são muitas vezes procurados como forma de demonstrar força física para outros. As inseguranças de um homem podem ser alimentadas por uma série de pressões. Estes variam de pressões sociais para "ser um homem" a pressões internas de superar um complexo de inferioridade. Isso pode se traduzir em ações que desvalorizam as características ditas como femininas e enfatizam demais as características de força e superioridade atribuídas à masculinidade.
Violência doméstica/sexual
miniaturadaimagem|Cartaz de campanha para alertar sobre violência contra a mulher, no Chile.
Em muitos casos, a posição de um homem de superioridade sobre uma parceira pode levá-lo a ganhar controle sobre diferentes aspectos de sua vida. Uma vez que as mulheres são vistas como subservientes aos homens em muitas culturas, os homens muitas vezes têm poder para decidir se sua esposa pode trabalhar, estudar, socializar, participar da comunidade, ou mesmo sair de casa. Com poucas oportunidades para obter uma renda, meios mínimos para obter uma educação, e as poucas pessoas que têm como um sistema de apoio, muitas mulheres tornam-se dependentes de seus maridos financeiramente e emocionalmente. Isso deixa muitas mulheres particularmente vulneráveis à violência doméstica, tanto porque é justificado por essa crença de que os homens são superiores e, portanto, são livres para expressar essa superioridade e porque as mulheres não podem deixar tal relação abusiva, uma vez que dependem de seus maridos para viver.
O conceito de machismo está diretamente ligado a violência doméstica perpetrada por homens contra suas próprias esposas ou companheiras desde que a doutrina do machista muitas vezes considera essas ações apropriadas e justificadas. Cecilia Maria B. Sardenburg (1994) disse "Durante o período colonial, o Brasil estava sob as Ordenações Filipinas, um legado da dominação da Espanha sobre Portugal. Segundo as Ordenações, a esposa não era exatamente a propriedade de seu marido, mas ele tinha total controle sobre ela e sua vida. Em caso de adultério por parte da esposa, o marido/patriarca tinha todo o direito de matá-la, em defesa da honra da família. Muitos homens que matam suas esposas no Brasil ainda são condenados, alegando que fizeram isso em defesa da honra - "a honra do macho".
Doenças sexualmente transmissíveis