"Back to Black" é uma canção gravada pela cantora e compositora britânica Amy Winehouse para o seu segundo álbum de estúdio homônimo, editado em 2006. A composição foi realizada por Winehouse com o auxílio de Mark Ronson, que foi também o responsável por sua produção. A faixa foi inspirada pelo fim do romance da intérprete para com um rapaz que conhecera em 2005 e pelas consequências provenientes disso. Após meses sem realizar sequer uma gravação, a artista foi apresentada a Ronson, em 2006, com quem iniciou uma relação de amizade que influenciou profundamente o seu processo criativo. Apenas um dia após serem apresentados um ao outro, Ronson compôs parte da melodia da canção e a expôs a Winehouse, que, imediatamente, escreveu as letras e aperfeiçoou os arranjos da obra em apenas duas horas. A sua gravação ocorreu em março de 2006, nos estúdios Dap King, Chung King — ambos em Nova Iorque — e Metropolis — em Londres.

Descrita como obscura e fúnebre, "Back to Black" é uma canção soul influenciada pela atmosfera e ritmo da Motown dos grupos femininos dos anos 1960. Com instrumentação fortemente reverberada e uma "quebra rítmica" na ponte, a faixa relata a mágoa e o sofrimento de Winehouse provocados pelo fim de um romance, os quais são metaforicamente representados pelo sentimento de luto. O tema foi lançado como o terceiro single do disco em 30 de abril de 2007 em território britânico através da gravadora Island Records. Já na América do Norte, foi disponibilizado como o quarto single do material através da Universal Music, tendo sido enviada às estações radiofônicas apenas em outubro de 2007. Noutros locais, o seu lançamento como single ocorreu a partir de 2008. A faixa foi recebida com aclamação pelos críticos musicais, que elogiaram os vocais "emotivos" de Winehouse, a sonoridade sessentista da canção e a franqueza de suas letras, bem como a produção Wall of Sound de Ronson. Tal repercussão resultou em sua inclusão em listas sobre os melhores lançamentos do ano por publicações várias, bem como no catálogo "Melhores Canções dos Anos 2000", do periódico americano Rolling Stone.

Comercialmente, a faixa obteve êxito sobretudo nas nações europeias: o registro alcançou uma posição entre as cinco primeiras colocações nas tabelas de Alemanha, Áustria, Itália e Turquia — tornando-se o mais bem-sucedido single de Winehouse a solo nas três primeiras supracitadas nações — e conquistou a liderança na Grécia e nas estações radiofônicas de Polônia. No Reino Unido, por sua vez, a canção, a princípio, não registrou o mesmo sucesso, convertendo-se no primeiro single do disco a não alcançar uma posição entre as vinte primeiras colocações da UK Singles Chart. A faixa apenas recebeu maior atenção após o falecimento da cantora, em 2011, quando registrou fortes vendas que a conduziram ao oitavo lugar da tabela. Como resultado, foi premiado com "Disco de Platina" pela British Phonographic Industry (BPI) e transformou-se no segundo lançamento mais vendido de Winehouse a solo. Nos Estados Unidos, não figurou na Billboard Hot 100, mas traçou um percusso pelas tabelas alternativas da Billboard e foi, mais tarde, premiada com "Disco de Platina" pela Recording Industry Association of America (RIAA), tornando-se a segunda canção de Winehouse a realizar a proeza.

O vídeo musical relativo à canção foi dirigido por Phil Griffin e foi lançado em 14 de março de 2007 na plataforma digital YouTube, estreando no iTunes em 19 do mesmo mês. As suas filmagens ocorreram em fevereiro de 2007 no cemitério Abney Park, nos Jardins Gibson e nas dependências de um edifício localizado em Stoke Newington, todos em Londres. Totalmente em preto-e-branco, a obra retrata o cortejo fúnebre do coração de Winehouse. Disponibilizado na plataforma de vídeos Vevo apenas em dezembro de 2009, o vídeo foi o primeiro de Amy Winehouse a ultrapassar as 100 milhões de visualizações. A gravação concorreu ao troféu "Melhor Vídeo Musical" no MOBO Award de 2007. Como forma de divulgação, a cantora apresentou a canção em festivais musicais, programas televisivos e premiações, incluindo o MTV Europe Music Award de 2007, em que a sua atuação dividiu os críticos musicais, e incluiu-a no repertório de sua turnê. Além disso, "Back to Black" foi regravada e/ou apresentada ao vivo por diversos artistas. Em 2013, os artistas americanos Beyoncé e André 3 000 regravaram a canção para o filme O Grande Gatsby e foram fortemente criticados pelo pai de Amy Winehouse.

Antecedentes e elaboração miniatura|200px|Mark Ronson foi responsável pela produção e por parte da composição de "Back to Black". Com o lançamento de seu disco de estreia, Frank (2003), Winehouse dedicou-se fortemente à sua divulgação, de modo que passou a maior parte do ano de 2004 a excursionar pelo Reino Unido. Apesar dos resultados positivos obtidos financeiramente, a turnê esgotou a artista em termos criativos.Rui Miguel Abreu (23/7/2015). "Amy Winehouse: vida trágica, grande música, talento desperdiçado". Blitz. Consultado em 3 de fevereiro de 2017. Isto porque Winehouse apenas escrevia sobre acontecimentos pessoais, como a própria afirmou em entrevistas, de modo que a promoção de seu disco não atendia às suas expectativas como letrista.Chloe Diski (8/10/2006). "What I Know About Men..." . The Guardian. Consultado em 3 de fevereiro de 2017. A ausência de criatividade logo se transformou em um bloqueio de escritor e a cantora permaneceu cerca de dezoito meses sem realizar sequer uma composição.Jacqui Swift (26/10/2006). "Wine, Woman and Song" . The Sun. Consultado em 3 de fevereiro de 2017. Por essa altura, Winehouse costumava frequentar pubs em Londres e, em um dos supracitados estabelecimentos, em Camden Town, conheceu um rapaz chamado Blake Fielder-Civil,Jenny Eliscu (14/6/2007). "Amy Winehouse: The Diva and Her Demons" . Rolling Stone. Consultado em 3 de fevereiro de 2017. com quem iniciou uma relação amorosa pouco depois. Blake, porém, era comprometido e preferiu permanecer com a sua parceira a comprometer-se com Winehouse.Marcus Dunk (10/8/2007). Amy's Downward Spiral" . The Daily Express. Consultado em 3 de fevereiro de 2017. O rompimento provocou graves alterações no estado de humor da cantora, que se viu em momentos "deveras sombrios", como a própria descreveu.Dorian Lynskey (26/6/2015). "Billboard Cover: Sam Smith, Mark Ronson and More on Amy Winehouse's Lasting Legacy, Tragic End and Eye-Opening New Documentary" . Billboard. Nielsen Business Media, Inc. Consultado em 3 de fevereiro de 2017. Profundamente deprimida, Winehouse começou a ingerir bebidas alcoólicas de maneira excessiva e a alimentar-se mal, o que, agravado por seus transtornos alimentares, culminou com a sua drástica perda de peso.Jessamy Calkin (2015). "Amy Winehouse: Behind The Controversial Documentary" . The Daily Telegraph. Consultado em 3 de fevereiro de 2017.Jim Carroll (1.º/12/2006). "From the Archive: Amy Winehouse, Act Two - 'This Time, I Know What Is Going On'" . The Irish Times. Consultado em 3 de fevereiro de 2017.

O longo período de inatividade de Winehouse, porém, desagradou à sua gravadora, que, a certa altura, chegou a pressioná-la por qualquer material novo. "Completaram-se dois anos desde o lançamento do último disco e [executivos da gravadora], de fato, disseram-me, 'Ao menos queres fazer um novo disco?', e eu disse-lhes, 'Asseguro-vos de que o farei em breve' [...] 'Quando eu começar a compô-lo, eu irei escrever, e escrever, e escrever. Apenas preciso de começar'", relatou a cantora."Police: Singer Amy Winehouse Dies" . Yahoo! News. 23/7/2011. Consultado em 7 de fevereiro de 2017. Para ajudá-la a fazer fluir o seu processo criativo, Guy Moot, presidente criativo da empresa EMI Publishing do Reino Unido e do continente europeu, resolveu apresentá-la a Mark Ronson."Vai ficar". Billboard Brasil. Edição: 22. Agosto/2011. P. 52-3. Nielsen Business Media, Inc. ISSN: 977-217605400-2. Embora conhecesse o seu trabalho, Ronson nunca fora apresentado formalmente à cantora.Terry Gross (31/12/2015). "The Story Behind Mark Ronson's Hit Song 'Uptown Funk'" . National Public Radio. Consultado em 2 de fevereiro de 2017.

Àquele momento, Winehouse encontrava-se em Nova Iorque, em busca de alguém com quem trabalhar em seu disco, de modo que os dois foram apresentados um ao outro dias depois no estúdio de Ronson. A princípio, a artista estava relutante em relação ao rapaz, como a própria relatou: "Sabia o que queria fazer no disco e não sou uma pessoa muito flexível". Após conversarem sobre música, a cantora exibiu-lhe os grupos musicais que escutara, "algumas coisas atmosféricas, como The Shangri-Las, bem como alguns grupos doo-wop, como The Flamingos e The Drifters", afirmou Winehouse, e revelou-lhe que almejava elaborar um disco que soasse como aqueles artistas. Ronson, então, comprometeu-se em elaborar algo àquela noite e mostrar-lhe o resultado no dia seguinte.Tim Perlich (10/5/2007). "Amy Winehouse" . Now Magazine. Consultado em 11 de maio de 2017. O rapaz inspirou-se nas canções que Winehouse lhe havia apresentado, especialmente em "Remember (Walking In The Sand)", das Shangri-Las,Ann Powers (17/3/2007). "What's Past Is Perfect For Her Brassy Alto" . Los Angeles Times. Consultado em 11 de maio de 2017. e elaborou os riffs de piano — que fariam parte dos versos da faixa homônima de Back to Black —, sobrepondo-os a batidas de tambores e notas de pandeireta e adicionando-lhes forte reverberação.Maura Johnston (27/10/2016). "Amy Winehouse's Back to Black: 10 Things You Didn't Know" . Rolling Stone. Consultado em 11 de maio de 2017. Conforme o combinado, Ronson levou a gravação para a artista no dia seguinte, que ficou deveras satisfeita com o resultado. "Mark regressou com essa incrível batida que constituiu a base para a faixa-título [do disco Back to Black]. Tudo apenas se encaixou", exclamou a cantora. Imediatamente, a cantora escreveu as letras da canção e concluiu a melodia em apenas duas horas. A gravação da faixa ocorreu em março de 2006.Scott Heins (8/7/2015). "Watch Amy Winehouse & Mark Ronson Record "Back To Black" In Newly-Uncovered 2006 Studio Clip" . OkayPlayer. Consultado em 2 de fevereiro de 2017. No estúdio Chung King, em Nova Iorque, foram fonografados os vocais de Winehouse. Bateria, piano, guitarra e contrabaixo foram gravados ao vivo e simultaneamente em um cômodo do estúdio Dap King, com o grupo musical The Dap-Kings, uma vez mais em Nova Iorque. Instrumentos de corda, percussão e metais foram registrados separadamente no estúdio Metropolis, em Londres.Paul Tingen (Agosto/2007). "Secrets Of The Mix Engineers: Tom Elmhirst" . Sound on Sound. Consultado em 2 de fevereiro de 2017.

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