thumb|300px|O Império Huno estendia-se das estepes da Ásia Central até à atual Alemanha, e do Mar Cáspio até o mar Báltico Os Hunos foram uma antiga confederação eurasiática de povos nômades ou seminómades equestres,Walter Pohl observou "povos do início da era medieval era bem menos homogéneos do que frequentemente se pensava. Eles compartilhavam a crença fundamental da origem comum, e historiadores modernos, por muito tempo, não acharam razão para pensar outra coisa." (Walter Pohl, "Concepções de Etnicidade nos Estudos do início da Idade Média" "Debatendo a Idade Média", ed. Lester K. Little e Barbara H. Rosenwein, (Blackwell), 1998, p.16). Na revisão de Beiträge zur Archäologie des Attila-Reiches de Joachim Werner , (Munique 1956), no Speculum 33.1 (Janeiro de 1958), p.159, Otto J. Maenchen-Helfen notou que "o autor não está preocupado com a ligeira e infantil questão, quem eram os hunos; ele não se pergunta de onde os hunos vinham". com a aristocracia de núcleo altaico.Transilvânia durante a época das migrações Calise, J.M.P. (2002). 'Pictish Sourcebook: Documents of Medieval Legend and Dark Age History'. Westport, CT: Greenwood Press. p279, ISBN 0-313-32295-3Peckham, D. Paulston, C. B. (1998). Linguistic Minorities in Central and Eastern Europe. Clevedon, UK : Multilingual Matters. p100, ISBN 1-85359-416-4 Canfield, R.L. (1991). Turko-Persia in Historical Perspective. Cambridge: Cambridge University Press. p49, ISBN 0-521-52291-9 Frazee, C.A. (2002). Two Thousand Years Ago: The World at the Time of Jesus. Wm. B. Eerdmans Algumas dessas tribos moveram-se para a Europa no século IV provavelmente devido a mudanças climáticas. Eles eram excelentes criadores de cavalos e adeptos de combates a cavalo (com espada, lanças e arco).

Movendo-se com suas famílias e grandes rebanhos de animais domesticados e cavalos, eles migraram em busca de novos pastos para se estabelecerem. Devido à sua proeza militar e disciplina, mostraram-se imbatíveis, tirando todos do seu caminho. Eles começaram uma corrente migratória anterior a deles pois outros povos mudaram-se para sair do caminho dos hunos. Esse efeito dominó de grandes populações contornou Constantinopla e o Império Bizantino e chegou aos rios Danúbio e Reno e resultou na tomada do Império Romano do Ocidente em 476, pelos hérulos chefiados por Odoacro.

Encontrando terras a seu gosto, os hunos estabeleceram-se nas planícies húngaras, na Europa Central, tomando a cidade de Szeged, no Tísia, como seu quartel-general. Eles precisavam de vastas áreas de pasto para obter forragem para os cavalos e outros animais. Dessas áreas de pastagens, os hunos controlavam, através de alianças ou conquistas, um império que se estenderia dos Montes Urais (na Rússia) ao rio Reno (na França) e do Báltico ao Danúbio.

Como não construíam casas, viviam em suas carroças e também em barracas que armavam nos caminhos que percorriam.

Origem e identidade thumb|300px|Campo Huno imaginado no livro do Young Folks' History of Rome escrito por Charlotte Mary Yonge. Debates sobre os ancestrais asiáticos dos hunos vêm acontecendo desde o século XVIII. Por exemplo, os filologistas debatem até hoje sobre qual heterônimo de fontes chinesas e persas são idênticas ao latim Hunni ou o grego Chounnoi como evidência da identidade dos hunos.Walter Pohl(1999), "Hunos" em Antiguidade Tardia, editor Peter Brown, p.501-502 . Referências suplementares em F.H Bauml e M. Birnbaum, ed., Átila: O Homem e sua Imagem (1993). Peter Heather, "Os Hunos e o fim do Império Romano na Europa Ocidental", English Historical Review 90 (1995):4-41. Peter Heather, A Queda do Império Romano (2005). Otto Maenchen-Helfen, O Mundo dos Hunos (1973). E. de la Vaissière, "Hunos e Xiongnu" "Jornal Centro-Asiático" 2005-1 pág. 3-26

Recentes pesquisas genéticas mostram que a maioria das grandes confederações de guerreiros não era inteiramente da mesma etnia, mas provavelmente uma mistura entre clãs euro-asiáticos. Outro exemplo são as múmias de Tarim descobertas em Taklamakan, na Ásia Central, que datam de a . A característica mais notável dessas múmias é o seu tipo físico caucasoide. Entretanto, mais testes genéticos mostraram uma complexidade nessa teoria. Segundo ela, aparecem características europeias e do leste asiático.

Além disso, muitos clãs podem simplesmente ter se autodenominado hunos em razão do prestígio e da fama do nome, ou terem sido assim chamados pelos outros povos por causa de características comuns, lugar de origem, ou reputação. Igualmente, crônicas gregas e latinas podem ter usado "hunos" num senso mais geral, para descrever características étnicas ou sociais ou reputação. "Tudo que podemos seguramente dizer", disse Walter Pohl, "é que o nome ’hunos’, na antiguidade clássica, designava prestigiosos grupos de guerreiros das estepes". Antigas visões apareceram no contexto de um ensino nacionalista e etnocêntrico de gerações passadas, que comumente presumiam que homogeneidade étnica devia interligar povos social e culturalmente homogêneos.Michael Kulikowski (2005). Guerras góticas em Roma. Cambridge University Press. Pág. 52-54 Pesquisas modernas mostram que cada uma das grandes confederações de guerreiros das estepes (tais como citas, xiongnu, hunos, ávaros, cazares, cumanos, mongóis, etc.) não eram homogeneamente iguais, mas uniões de múltiplas etnias como as de turcos, ienisseianos, tungúsicos, úgricos, irânicos, mongólicos e muitos outros povos.

Evidências de pesquisas genéticas e etnogênicas contrastam com teorias tradicionais baseadas em relatos chineses, arqueologia, linguística e outras evidências indiretas. Essas teorias contêm diversos elementos, como que o nome "huno" primeiramente descrito como um grupo nômade de guerreiros cujas origens étnicas eram a Ásia Central, mais próximo de onde hoje é a Mongólia, e que eles eram possivelmente ligados, em parte, aos Xiongnu (匈奴), derrotados pelo Império Han chinês, e que isso provocou a saída deles da Mongólia em direção ao oeste, invadindo a Europa 200 anos depois. Evidências indiretas incluem a transmissão de suporte em madeira para arco composto da Ásia central para o oeste.

Essa narrativa está presente na historiografia ocidental (e oriental), mas a evidência é às vezes indireta ou ambígua. Os hunos não deixaram praticamente nenhum relato escrito. Não há nenhum documento sobre o que aconteceu entre a saída deles da China e a chegada na Europa 150 anos depois. A última referência aos Xiongnu do norte foi a derrota deles pelos chineses em 151 no lago Barkol, quando fugiram para as estepes do oeste em Kangju (centrado na cidade do Turquistão no Cazaquistão). Documentos chineses entre o e IV sugeriam que uma pequena tribo chamada Yuebnan, remanescente dos Xiongnu do norte, estava distribuída nas planícies do Cazaquistão.

Uma tendência recente de interpretação dá suporte a uma ligação política e cultural entre Hunos e Xiongnu. Fontes centro-asiáticas (sogdianas e bactrianas) do traduziram "hunos" para "Xiongnu" e vice-versa; também, os caldeirões de Xiongnu e hunos eram virtualmente idênticos e foram escondidos nos mesmos lugares (barrancos de rios) na Hungria e nos Ordos.E. de la Vaissière, "Hunos e Xiongnu", Jornal Centro-Asiático, págs. 3-26

Teoria turca

Os hunos foram talvez de origem turca (ou pré-proto-turca). Essa linha de pensamento surgiu quando Joseph de Guignes no identificou os hunos com os Xiongnu ou (H)siung-nu. A tese obteve o apoio de Otto Maenchen-Helfen, baseado nos seus estudos linguísticos.Otto J. Maenchen-Helfen. The World of the Huns: Studies in Their History and Culture. University of California Press, 1973 O inglês Peter Heather chamou os Hunos de "o primeiro grupo de nômades turcos, em oposição aos iranianos, a invadir a Europa".Peter Heather, "The Huns and the End of Roman Empire in Western Europe", The English Historical Review, Vol. 110, No. 435, February 1995, p. 5. O pesquisador turco Kemal Cemal amparou essa afirmação com a comparação de palavras e nomes semelhantes nas línguas turca e huna, e semelhanças nos sistemas de governo de tribos hunas e turcas. O historiador húngaro Gyula Nemeth também apoiou esse ponto de vista. O historiador uigur Turghun Almas sugeriu uma ligação entre hunos e os uigures, um povo de língua turcomana que habita a região de Sinquião, na China.

História Séculos II ao V Dioniso Perígetes descreveu um povo que pode ser huno vivendo próximo ao Mar Cáspio no . Em 139, o geógrafo europeu Ptolemeu escreveu sobre os cunos (Khuni) vivendo próximos ao Rio Dniepre e governados por sunos. Ele listou o século, embora não é certo se esse povo eram os hunos. No , o historiador armênio Moisés de Corene, na sua História da Armênia, pondo os hunos próximos dos sármatas e descrevendo a captura da cidade de Bactro por eles, em algum momento entre 194 e 214, o que explicaria o porquê dos gregos chamarem aquela cidade de Hunuk.

Prosseguindo com a derrota dos Xiongnu pelos Han, a história daquele povo permaneceu desconhecida por um século, até quando a família Liu do "Tiefu" dos Xiongnu do sul, tentaram estabelecer um estado no oeste da China (ver Han Zhao). Os quionitas apareceram na Transoxiana em 320 imediatamente depois de Jin Zhuan subjugar Liu Can, fazendo os Xiongnu entrarem num caos. Depois Quidara surgiu para liderar os quionitas na pressão contra o Império Cuchana.

No oeste, os ostrogodos entraram em contato com os Hunos em 358. Em 372, a rápida expansão dos ostrogodos para o Leste levou ao conflito com os hunos das estepes do Volga, decorrendo a vitória dos hunos, que contavam com cavalaria de arqueiros, sobre o rei ostrogodo Ermanarico. A queda dos ostrogodos permitiu aos hunos alcançarem o rio Danúbio, subjugando também os visigodos e os gépidas.Os armênios mencionam Vund (em torno de 370): o primeiro líder huno na região do Cáucaso. Os romanos convidaram os hunos do leste da Ucrânia para estabelecerem-se na Panônia em 361, e em 372 eles foram para o oeste liderados pelo rei Balímiro, e derrotados pelos alanos. No leste, no começo do , Tiefu Xia foi a última dinastia dos Xiongnu do sul na China Ocidental e os alchon/Huna apareceram onde hoje é o Afeganistão e o Paquistão. Nesse ponto decifrar as histórias hunas para os multi-linguistas tornou-se fácil com eventos relativamente bem documentados por fontes bizantinas, armênias, persas, indianas e chinesas.

Hunos na Europa thumb|300px|Uma pintura romantizada-à-cavalaria do dos "hunos" cercando uma cidade. Notam-se os detalhes anacrônicos nas armas, armaduras e no tipo da cidade. Crônica Iluminada da Hungria, 1360

Os hunos apareceram na Europa no , aparentemente vindos da Ásia Central. Eles primeiro apareceram no norte do mar Negro, forçando um grande número de Godos a buscar refúgio no Império Romano; depois, os Hunos apareceram no oeste dos Cárpatos na Panônia, provavelmente em algum momento entre 400 e 410, provocando a massiva migração das tribos germânicas para o oeste e provocando a famosa travessia do Reno em dezembro de 406.

O estabelecimento do Império Huno no marca historicamente o inicio da migração com cavalos. Os hunos eram soberbos cavaleiros, treinados desde a infância, e alguns acham que eles inventaram o estribo, instrumento crítico para aumentar o poder de luta. Eles espalharam terror nos inimigos devido a velocidade em que eles podiam se movimentar, trocando de montaria várias vezes ao dia para manter a vantagem. Uma segunda vantagem eram os seus arcos compostos recurvados, muitos superiores a qualquer coisa usada no Ocidente. Apoiados em seus estribos, eles podiam atirar para frente, para os lados e para trás. A principal fonte de renda dos hunos era a prática do saque aos povos dominados. Quando chegavam numa região, espalhavam o medo, pois eram extremamente violentos e cruéis com os inimigos. Sua tática essencial era fazer ataques-surpresa relâmpago e garantir o terror para os outros povos.