BlackBerry (BB) foi uma marca de dispositivos móveis e serviços relacionados, desenvolvida e mantida originalmente pela empresa canadense Research In Motion (RIM, mais tarde BlackBerry Limited) até 2016. O primeiro BlackBerry foi o pager bidirecional Inter@ctive Pager 950, lançado na América do Norte em 1999 para a rede Mobitex, mais tarde também para a DataTAC. O aparelho se popularizou pelo funcionamento permanentemente conectado e pela possibilidade de enviar e receber e-mail sem fio. A linha foi uma das primeiras a difundir notificações push e popularizou o teclado móvel QWERTY, que se tornou uma característica da marca.

Nos primeiros anos, o BlackBerry oferecia comunicação bidirecional onde os pagers convencionais em geral só recebiam mensagens, sem exigir conexão a um computador pessoal. Seu uso se espalhou sobretudo entre empresas nos Estados Unidos e no Canadá. A RIM lançou o BlackBerry na Europa em setembro de 2001, mas o produto teve menor aceitação inicial em mercados onde as mensagens de texto por SMS já eram mais difundidas. Com a evolução das redes celulares, a RIM lançou em 2002 o BlackBerry 5810, seu primeiro telefone celular, compatível com GSM e GPRS para e-mail e acesso à web. A RIM também ganhou reputação pela segurança das comunicações, e o governo dos Estados Unidos se tornou seu maior cliente.

O lançamento do BlackBerry Pearl em setembro de 2006 e a expansão do BlackBerry Messenger levaram a marca além do mercado empresarial tradicional. A linha teve peso na evolução dos smartphones daquela fase. Por algum tempo, foi a plataforma de smartphones com maior participação nos Estados Unidos. No auge, em setembro de 2011, os serviços BlackBerry tinham cerca de 85 milhões de assinantes no mundo. A participação caiu nos anos seguintes diante do Android e do iOS. Ao fim do ano fiscal de 2016, a empresa informava uma base de aproximadamente 23 milhões de usuários de smartphones. Em 2013, a RIM substituiu o BlackBerry OS pela plataforma BlackBerry 10. Em 2015, começou a vender smartphones BlackBerry com Android, a partir do BlackBerry Priv.

Em 28 de setembro de 2016, a BlackBerry Limited anunciou que deixaria de projetar os próprios aparelhos e passaria a licenciar a marca a parceiros responsáveis por projeto, fabricação e comercialização. Os licenciados iniciais foram a BB Merah Putih para a Indonésia, a Optiemus Infracom para a Ásia Meridional e a BlackBerry Mobile, nome comercial da TCL Technology, para os demais mercados. Os novos aparelhos não recuperaram uma parcela expressiva do mercado, e a produção terminou em 2020. Uma nova licenciada norte-americana chegou a anunciar outro telefone BlackBerry, mas encerrou as atividades em 2022 sem lançar o produto. Em 4 de janeiro de 2022, a BlackBerry Limited encerrou os serviços das plataformas legadas, entre eles e-mail, BlackBerry Messenger, BlackBerry World, BlackBerry Protect e Voice Search. Os aparelhos baseados em Android não foram afetados. Depois do fim dos smartphones e de seus serviços, a BlackBerry Limited concentrou suas atividades em software e serviços e manteve patentes de aplicações de software.

História

miniaturadaimagem|Mike Lazaridis, fundador e ex-codiretor executivo da BlackBerry A Research In Motion, fundada em Waterloo, Ontário, desenvolveu primeiro o Inter@ctive Pager 900, anunciado em 18 de setembro de 1996. O aparelho tinha formato flip e permitia troca bidirecional de mensagens. Depois do 900, a empresa criou para a IBM o Inter@ctive Pager 800, do qual a IBM comprou US$ 10 milhões em 4 de fevereiro de 1998. O Inter@ctive Pager 950 foi lançado em 26 de agosto de 1998. O BlackBerry 850, um pager de e-mail lançado em 19 de janeiro de 1999, foi o primeiro aparelho a usar o nome BlackBerry. Tinha a mesma aparência do 950, mas incorporava e-mail, e a denominação Inter@ctive Pager deixou de ser usada nos produtos.

O BlackBerry 850 foi apresentado em 1999 como pager bidirecional em Munique, na Alemanha. A plataforma havia sido concebida pela RIM para entregar e-mail por redes sem fio diferentes. O nome BlackBerry foi criado pela empresa de marketing Lexicon Branding. Entre cerca de 40 opções, a escolha recaiu sobre esse nome porque os botões do teclado lembravam os pequenos frutos que compõem uma amora-preta.

Os RIM 850 e 857 usavam a rede DataTAC. Em 2002, a empresa lançou o BlackBerry 5810, que reunia e-mail push, telefonia móvel, mensagens de texto, fax internet, navegador web e outros serviços sem fio. A BlackBerry ampliou sua participação no setor móvel com foco em e-mail e passou a oferecer o BlackBerry Connect, que levava seu serviço de e-mail a aparelhos de outras marcas, como o Palm Treo.

Os primeiros aparelhos tinham tela monocromática, substituída por telas coloridas nas gerações seguintes. Os modelos posteriores foram adaptados à digitação com os polegares. O Storm e o Storm 2 usavam o teclado SureType. Nos aparelhos anteriores à série 8700, a navegação dependia de uma roda lateral. A série Pearl trocou a roda por uma trackball com rolagem em quatro direções. A série 8500 introduziu o trackpad óptico. Modelos para redes iDEN, como os usados pela Nextel e pela NII Holdings, também tinham push-to-talk (PTT), em funcionamento semelhante ao de um rádio bidirecional.

Em 30 de janeiro de 2013, a BlackBerry anunciou os smartphones Z10 e Q10. O Z10 tinha tela inteiramente sensível ao toque, enquanto o Q10 combinava tela sensível ao toque e teclado QWERTY. No segundo trimestre financeiro daquele ano, a empresa vendeu 6,8 milhões de aparelhos e, pela primeira vez, foi superada em unidades pela linha Lumia da Nokia.

Em 12 de agosto de 2013, a BlackBerry anunciou que avaliava a venda da empresa, diante da piora de sua situação financeira e da concorrência no mercado móvel. As vendas abaixo do esperado do Z10 levaram a empresa a anunciar, em 20 de setembro, a eliminação de 4.500 postos de trabalho, cerca de 40% de sua equipe operacional, e a redução da linha de produtos de seis para quatro modelos. Três dias depois, a Fairfax Financial, que detinha 10% da BlackBerry, apresentou uma proposta de US$ 4,7 bilhões, ou US$ 9 por ação. A companhia aceitou a oferta de forma provisória e continuou aberta a propostas até 4 de novembro.

Em 4 de novembro de 2013, Thorsten Heins foi substituído interinamente por John S. Chen, ex-diretor executivo da Sybase. O conselho rejeitou propostas de empresas de tecnologia interessadas em comprar partes isoladas da BlackBerry, por entender que a divisão da companhia não atendia ao conjunto de seus acionistas, empregados, clientes e fornecedores.

Em 2014, a empresa apresentou o Passport, com tela quadrada de 11,4 cm e resolução de 1.440 × 1.440 pixels, voltado a profissionais de áreas como saúde e arquitetura. Em 17 de dezembro foi apresentado o BlackBerry Classic, inspirado na antiga série Bold e com botões de navegação semelhantes aos dos aparelhos com BlackBerry OS. Descontinuado em junho de 2016, foi o último BlackBerry cujo teclado ocupava grande parte da frente do telefone no formato clássico da marca.

Em setembro de 2015, a BlackBerry apresentou oficialmente o BlackBerry Priv, um phablet deslizante com Android, câmera de 18 megapixels e recursos de segurança e produtividade inspirados nos sistemas BlackBerry.

Licenciamento de hardware e BlackBerry Mobile, 2016–2022 Em 26 de julho de 2016, a empresa apresentou o DTEK50, um aparelho intermediário com Android 6.0 Marshmallow, teclado apenas na tela e display Full HD de 13,2 cm na diagonal. O modelo tinha proteção integrada contra malware e criptografia dos dados do usuário. O DTEK50 era uma versão do Alcatel Idol 4, fabricada e projetada pela TCL com alterações de software voltadas à segurança.

Em setembro, a BlackBerry Limited acertou uma parceria de licenciamento na Indonésia para criar a BB Merah Putih, responsável por obter, distribuir e comercializar aparelhos BlackBerry no país. Em 25 de outubro, a empresa lançou o DTEK60, também projetado e fabricado pela TCL. O aparelho tinha tela Quad HD de 14 cm, processador Qualcomm Snapdragon 820, Quick Charge 3.0, USB-C e leitor de impressões digitais.

Entre dezembro de 2016 e agosto de 2020, a TCL Communication usou o nome comercial "BlackBerry Mobile" para fabricar e vender aparelhos da marca em quase todo o mundo. O acordo não abrangia a Indonésia, atendida pela BB Merah Putih, nem Índia, Bangladesh, Sri Lanka e Nepal, atendidos pela Optiemus Infracom. Os aparelhos desse período continuaram a usar Android com um pacote de software de segurança da BlackBerry Limited, que reunia DTEK, BlackBerry Messenger, BlackBerry Hub e inicialização segura.

O KeyOne, lançado em 2017, foi o primeiro aparelho comercializado pela BlackBerry Mobile e o último cujo hardware havia sido projetado internamente pela BlackBerry Limited. Tinha teclado físico sob uma tela de 11,4 cm e bateria de longa duração. A TCL também projetou, fabricou e distribuiu o BlackBerry Motion, o Key2 e o Key2 LE. A BB Merah Putih lançou o Aurora em 2017 com um sistema baseado no Android 7.0. Em junho de 2018, o Key2 chegou a mercados internacionais e, na Índia, foi lançado pela Optiemus Infracom. Em agosto, a Optiemus anunciou os Evolve e Evolve X, concebidos, projetados e fabricados na Índia.

A mudança do negócio da BlackBerry para software também levou a acordos com fabricantes de automóveis. Em 2016, a empresa ampliou a colaboração com a Ford Motor Company em software para veículos conectados. Em 2018, firmou trabalho semelhante com a Jaguar Land Rover.

A produção sob o nome BlackBerry Mobile terminou em 31 de agosto de 2020, quando expirou o acesso da TCL à licença. No mesmo mês, a BlackBerry assinou novo acordo de licenciamento com a startup norte-americana OnwardMobility, que pretendia lançar um aparelho 5G com teclado físico. A empresa encerrou as atividades em 2022 sem lançar o produto. As licenças para a fabricação e a venda de aparelhos no sul da Ásia e na Indonésia também expiraram, encerrando a produção de hardware sob a marca BlackBerry.

Litígios de propriedade intelectual Caso NTP Inc. Em 2000, a NTP informou empresas sobre suas patentes de e-mail sem fio e ofereceu licenças. Depois processou a Research In Motion por infração de patente no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Leste da Virgínia, corte conhecida pela rapidez no andamento dos processos e pelo apelido "rocket docket".

O júri concluiu que as patentes da NTP eram válidas e que a RIM as havia infringido deliberadamente, fixando US$ 33 milhões em perdas e danos. O juiz James R. Spencer elevou a indenização para US$ 53 milhões, determinou o pagamento de US$ 4,5 milhões em honorários jurídicos da NTP e expediu uma liminar contra a continuação da infração. Se aplicada, a ordem poderia ter interrompido os sistemas BlackBerry nos Estados Unidos. A RIM recorreu, e a liminar e outras medidas ficaram suspensas enquanto os recursos eram examinados.

Em março de 2005, durante o recurso, RIM e NTP tentaram chegar a um acordo de US$ 450 milhões, mas as negociações fracassaram. O processo voltou aos tribunais em 10 de junho. No início de novembro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou manifestação para que o serviço da RIM continuasse funcionando, devido ao grande número de usuários de BlackBerry no governo federal.

Em janeiro de 2006, a Suprema Corte dos Estados Unidos recusou o recurso da RIM sobre sua responsabilidade pela infração e o caso retornou ao tribunal inferior. Em 9 de fevereiro, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos alegou que seria impraticável interromper o serviço para o público e manter uma exceção para usuários governamentais. A RIM anunciou no mesmo dia que havia preparado alterações de software que contornariam as patentes da NTP caso a liminar entrasse em vigor.