Carne cultivada, também chamada de carne de cultura, carne artificial ou, popularmente, carne de laboratório, é uma forma de na qual a carne é produzida pelo cultivo de células animais in vitro. Esse método de produção envolve o crescimento de tecido animal molecularmente idêntico, fora de um animal vivo. A carne cultivada é produzida com técnicas de engenharia de tecidos desenvolvidas originalmente na medicina regenerativa. Ela é conhecida por seu potencial de mitigar o impacto ambiental da produção de carne, além de abordar questões relacionadas ao bem-estar animal, à segurança alimentar e à saúde humana. Esse potencial desperta interesse há muito tempo, inclusive no estadista britânico Winston Churchill, em 1931.

Jason Matheny popularizou o conceito no início dos anos 2000, depois de coescrever um artigo sobre a produção de carne cultivada e fundar a , a primeira organização sem fins lucrativos do mundo dedicada à pesquisa de carne in vitro. Em 2013, criou um hambúrguer feito de tecido cultivado fora de um animal, e outros protótipos de carne cultivada ganharam atenção da mídia desde então. Em 2020, a abriu em Tel Aviv um restaurante "da fazenda à mesa" chamado The Chicken, que servia hambúrgueres de frango cultivado em troca de avaliações, e não de dinheiro, para testar a reação dos consumidores. Já a "primeira venda comercial de carne cultivada em células do mundo" ocorreu em dezembro de 2020, no restaurante 1880, em Singapura, onde foi vendido frango cultivado produzido pela empresa estadunidense .

A maior parte dos esforços se concentra em carnes comuns, como a suína, a bovina e a de frango, espécies que constituem a maior parte do consumo de carne convencional nos países desenvolvidos. Algumas empresas têm explorado diversas espécies de peixes e outros frutos do mar, como a Avant Meats, que lançou garoupa cultivada no mercado em 2021. Outras empresas, como a Orbillion Bio, têm se dedicado a carnes sofisticadas ou incomuns, incluindo alce, cordeiro, bisão e carne bovina wagyu.

O processo de produção da carne cultivada está em constante evolução, impulsionado por empresas e instituições de pesquisa. As aplicações da carne cultivada têm suscitado discussões éticas, de saúde, ambientais, culturais e econômicas. Ao minimizar a presença de patógenos e o uso de antibióticos na criação de gado, essa abordagem pode ajudar a prevenir o surgimento de bactérias resistentes a antibióticos e infecções alimentares. Dados publicados pelo indicam que, entre 2021 e 2023, as empresas de carne e frutos do mar cultivados atraíram mais de US$ 2,5 bilhões em investimentos em todo o mundo. No entanto, a carne cultivada ainda não está amplamente disponível.

Atualmente, uma das principais técnicas mais promissoras para o cultivo de carnes de laboratório é a bioimpressão. Utilizando-se de bioimpressoras de tecidos, pesquisadores células-tronco de animais para criar alimentos com texturas, cores e sabores semelhantes ao adquiridos da proteína animal. Após o cultivo das células, estas são adicionadas à uma pasta, conhecida como biotinta, que contém aditivos que permitem a sobrevivência do material orgânico e compostos que dão resistência e maleabilidade ao tecido que será impresso. Após a impressão, o material é deixado para crescer e se desenvolver até que atinja o ponto ideal para comercialização.

História Em fevereiro de 2012 Mark Post, pesquisador da Maastricht University, nos Países Baixos, afirmou que apresentaria o primeiro hambúrguer de laboratório em agosto de 2012. Houve desavença entre grupos concorrentes durante uma apresentação conjunta na reunião da AAAS (Associação Americana para o Progresso da Ciência) em Vancouver, no Canadá A afirmação deu margem para que Patrick Brown, da Faculdade de Medicina da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, criticasse o outro cientista. Brown afirmou que seu grupo trabalhava com um método mais eficiente e barato, e que já havia inclusive experimentado a carne cultivada. thumb|Primeira carne cultivada apresentada ao público em agosto de 2013. No entanto, o primeiro hambúrguer in vitro apenas foi apresentado ao mundo um ano após o tempo previsto, em agosto de 2013, pela equipe de Mark Post. O primeiro restaurante a servir carne cultivada está em Israel.

Em dezembro de 2020, o governo de Singapura concedeu a Eat Just, uma start-up de San Francisco, a aprovação regulatória para vender carne de frango produzida a partir de cultura celular de nuggets em biorreatores pela empresa californiana. Dessa forma, a cidade-estado asiática tornou-se o primeiro país do mundo a permitir a venda de carne cultivada.

Em 2021, as duas maiores empresas brasileiras de carne, BRF e JBS iniciaram investimentos em carne de cultura e podem chegar ao consumidor até 2024. A BRF investiu através da empresa israelita Aleph Farms, enquanto a JBS investiu através da empresa espanhola BioTech Foods. Também houve a iniciativa da startup brasileira Ambi Real Food em Porto Alegre.

Ver também Alternativas à carne Direitos dos animais Vegetarianismo

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