Os Jogos Olímpicos da Juventude (JOJ) são um evento internacional multidesportivo, cuja primeira edição foi realizada em Singapura entre 14 e 26 de agosto de 2010. Os Jogos são realizados a cada quatro anos entre edições da mesma estação (Verão ou Inverno), tal como sucede com o atual formato dos Jogos Olímpicos. A idade dos participantes está limitada - os atletas só podem ter entre 15 e 17 anos. A ideia para este evento partiu do austríaco Johann Rosenzopf durante o ano de 1998. Em 6 de julho de 2007, os membros do Comité Olímpico Internacional (COI), reunidos na sua 119ª Sessão na Cidade da Guatemala, aprovaram a criação da versão juvenil dos Jogos Olímpicos.

Os Jogos Olímpicos da Juventude de Verão devem ter 12 dias de duração, enquanto os Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude devem ser realizados em 10 dias. O COI permite a participação de um máximo de 3500 atletas e 875 oficiais acreditados nos Jogos de Verão, enquanto que para os Jogos de Inverno são permitidos 970 atletas e 580 oficiais. Os Jogos têm também programas de intercâmbio cultural e oportunidades para os participantes conhecerem os atletas olímpicos.

O formato dos Jogos Olímpicos da Juventude é baseado no de outros eventos olímpicos para jovens, como o Festival Olímpico Europeu da Juventude ou o Festival Olímpico Australiano da Juventude, realizados igualmente a cada dois anos e durante os anos ímpares, alternando eventos de Verão e de Inverno. Os Jogos Olímpicos da Juventude são os sucessores dos Jogos Mundiais da Juventude, realizados apenas uma vez.

As últimas Olimpíadas da Juventude de Verão foram realizadas entre 6 a 18 de outubro de 2018 em Buenos Aires, Argentina. Já a última edição das Olimpíadas da Juventude de Inverno ocorreram entre 9 e 22 de janeiro de 2020 em Lausana, na Suíça.

História

O conceito dos Jogos Olímpicos da Juventude partiu do industrial austríaco Johann Rosenzopf, em 1998. Correspondeu a uma resposta à crescente preocupação a nível global com a obesidade nas crianças e a diminuição da participação dos jovens em atividades esportivas, especialmente nos países em desenvolvimento. Além disso, para melhorar o desempenho acadêmico dos estudantes, já que existe uma tendência global de diminuição do peso dos esportes e da educação física nos currículos escolares. Admitiu-se que uma versão jovem dos Jogos Olímpicos poderia ajudar a promover a participação nos Jogos Olímpicos. Apesar destas razões, a resposta do COI à criação de um evento exclusivamente esportivo foi inicialmente negativa. Os membros do COI queriam que o evento tivesse uma vertente de intercâmbio e educação cultural, e não apenas esportiva, razão pela qual foi desenvolvido o Programa de Intercâmbio Cultural como componente de cada celebração dos Jogos. Jacques Rogge, o Presidente do COI, anunciou formalmente os planos para os Jogos Olímpicos da Juventude na 119ª Sessão do COI, na Cidade da Guatemala, a 6 de julho de 2007. Há vários objetivos para os JOJ, e quatro deles incluem juntar os melhores jovens atletas do Mundo, oferecendo uma introdução ao Olimpismo, inovando na educação e no debate dos valores Olímpicos. A cidade-estado de Singapura foi anunciada como a sede dos primeiros Jogos Olímpicos de Verão da Juventude, em 21 de fevereiro de 2008. No dia 12 de dezembro de 2008, o COI anunciou que Innsbruck iria ser a sede das primeiras Olimpíadas de Inverno da Juventude, em 2012. A cidade austríaca já foi a sede dos Jogos Olímpicos de Inverno em 1964 e 1976.

Selo thumb|right|Uma das versões da etiqueta YOG-DNA. O selo das Olimpíadas da Juventude – YOG-DNA –, que é voltada para os jovens, não pretende ser um logotipo ou uma marca; o objetivo é ser uma etiqueta. O selo representa as atitudes e a liberdade dos jovens, não tendo restrições como é hábito em logomarcas. Destina-se a ser usado pelos jovens como um selo de aprovação do Espírito dos Jogos Olímpicos da Juventude. Quando esta etiqueta foi lançada havia pouco tempo para o início das Olimpíadas da Juventude de 2010 e o seu programa visual já estava pronto; a etiqueta YOG-DNA só começou a ser incorporada nos logotipos das Olimpíadas da Juventude em Innsbruck 2012.

Comitê Olímpico Internacional

thumb|esquerda|250px|Sede do COI em Lausana, Suíça. O Movimento Olímpico abrange um grande número de organizações esportivas nacionais e internacionais e federações, reconhecidos parceiros de imprensa, além de atletas, dirigentes, juízes e qualquer outra pessoa e instituição que concorda em obedecer às regras da Carta Olímpica. O Comité Olímpico Internacional (COI), organização maior do Movimento Olímpico, tem ao seu cargo as tarefas mais importantes: a escolha das sedes das Olimpíadas, a supervisão do planeamento dos Jogos, atualizar e aprovar o programa/quadro de eventos, e ainda a negociação dos patrocínios e dos direitos de transmissão. O Movimento Olímpico tem três elementos constituintes principais:

Federações Internacionais (FIs): são os organismos que regem a supervisão de um esporte ao nível internacional. Um exemplo de FI é a Federação Internacional de Futebol (FIFA; para o futebol). Atualmente o Movimento Olímpico tem 38 FIs, uma por cada esporte olímpico. Comités Olímpicos Nacionais (CONs): estes são os responsáveis pelo regulamento e representação do Movimento Olímpico na sua respectiva nação. Por exemplo, o Comitê Olímpico de Portugal (COP) e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), representam respectivamente Portugal e Brasil perante a instituição. O COI reconhece atualmente (agosto de 2015) a existência de 206 CONs. Comitês de Organização dos Jogos Olímpicos (OCOGs): estes Comitês constituem as comissões temporárias que têm a seu cargo a organização de uma determinada edição dos Jogos Olímpicos. Os OCOGs são dissolvidos no ano posterior após cada edição dos Jogos, quando o relatório final é entregue ao COI.

Os idiomas oficiais do Movimento Olímpico são o Francês e o Inglês.Mas nos Jogos Olímpicos sêniores o uso do francês é obrigatório, algo que não acontece nos Jogos Olímpicos da Juventude.

Requisitos das cidades sede A escala dos Jogos Olímpicos da Juventude é menor da dos Jogos Olímpicos, o que é intencional e permite a cidades menores a sediarem um evento Olímpico. As cidades que se queiram candidatar devem manter todos os eventos na mesma cidade, e não deverão ser construídas nenhuma infraestrutura esportiva. Existem algumas exceções quanto a esta regra, já que algumas cidades poderão ter a necessidade de construírem um centro de imprensa, salas de aula para eventos e workshops, e Vila Olímpica. Essa vila é o centro dos Jogos para os atletas, e ponto central das atividades. Não existe a necessidade da construção de novas infraestruturas viárias, já que todos os atletas e treinadores serão transportados de ônibus. De acordo com o processo de candidatura, o estádio com pista e campo para o atletismo deve ter a capacidade mínima para 10 000 espectadores e também para as cerimônias. Muitos outros esportes têm que ter uma infraestrutura de menor escala, segundo as regras estabelecidas pelo COI.

Entretanto, em 2016 foram apresentadas novas recomendações sobre os objetivos estratégicos dos Jogos que implicam diretamente as cidades-sede. Um deles estabelece para levar os JOJ "a cidades que não conseguem organizar os Jogos Olímpicos", ou seja, tornar as Olimpíadas da Juventude mais acessíveis a cidades pequenas e médias.

Financiamento thumb|250px|Os custos não têm - nem devem - ser tão elevados quanto os das Olimpíadas "seniores". Atenas foi excluída da corrida aos Jogos de 2010 pelo alto orçamento, entre outros motivos. Os custos estimados inicialmente para a realização dos Jogos estavam nos US$ 30 a 35 milhões para os Jogos de Verão e de US$ 15 a 20 milhões para os Jogos de Inverno, sem incluir melhoramentos de infraestruturas e construção de locais. O financiamento vem por parte dos fundos do COI e não de seus lucros. Os orçamentos iniciais para cada edição dos Jogos de Verão estão estimados em US$ 75,5 milhões, muito mais alto do que o que se previra, e ainda subiram mais, mas mais recentemente Buenos Aires já apresentou um orçamento de quase US$ 105 milhões para 2018. O orçamento com os custos-base para os primeiros Jogos de Inverno, realizados em Innsbruck, foi estimado em US$ 22.5 milhões.

Participação Mais de de 3600 atletas de 200 Comitês Olímpicos Nacionais participaram na primeira Olimpíada de Verão da Juventude. Já no que respeita às Olimpíadas de Inverno, participaram por volta 1100 atletas de 70 CONs em sua primeira edição. Em ambos os casos, os participantes devem ter entre 15 e 18 anos no dia 31 de dezembro do ano dos Jogos, podendo ser divididos em grupos etários. A classificação para se participar nas Olimpíadas da Juventude é determinada pelo COI em conjunto com as Federações Internacionais dos esportes que estão participando do evento. Para assegurar que todos os CONs estão representados nos JOJ, o COI instituiu o conceito do Princípio da Universalidade. Para cada evento o COI dá um certo número de "wildcards" (convites) para os atletas de países que não se classificaram. Isso assegura que todos os CONs conseguiam enviar no mínimo dois atletas para cada edição dos Jogos Olímpicos da Juventude. Quanto aos esportes coletivos, a proposta original era de que cinco times, sendo cada um representando cada continente juntamente com um sexto time do país organizador. Por fim, nenhuma nação poderia enviar mais do que 70 atletas para cada edição.

Esportes

left|thumb|300px|O futebol é um dos esportes integrantes das Olimpíadas de Verão da Juventude. Foi, aliás, o primeiro esporte a ser realizado na variação jovem dos Jogos Olímpicos, com um jogo feminino entre Irã e Turquia.

Os esportes em competição nos Jogos Olímpicos da Juventude são os mesmos do programa dos Jogos tradicionais, mas com algumas adaptações e com um número limitado de disciplinas e eventos. Por exemplo, nos esportes aquáticos (de pavilhão) o COI decidiu incluir a natação e os saltos ornamentais, mas excluiu o nado sincronizado, a natação em águas abertas e o polo aquático. O comitê organizador pode escolher entre duas disciplinas do voleibol (praia e quadra) e do basquetebol (o tradicional ou o FIBA 3X3). As disciplinas de ciclismo são o BTT, o BMX e o ciclismo de estrada (prova em linha e contrarrelógio), com o ciclismo de pista sendo eliminado.

As Olimpíadas de Inverno da Juventude incluíram na sua primeira edição sete esportes e 15 modalidades, que se mantêm para a segunda edição. O hóquei no gelo não só tem apenas os torneios masculino e feminino, como também um concurso de habilidades individuais. Na segunda edição, em 2016, o curling foi disputado por equipes mistas. Outros eventos poderão ser demonstrados nos Jogos de Verão e de Inverno, cujos programas desportivos podem variar consoante a disponibilidade de cada cidade-sede.

Cultura e educação

A educação e a cultura também são componentes chave dos Jogos para os mais jovens. O aspecto de educação e de cultura se aplica não só aos atletas e aos participantes, mas também aos jovens à volta do mundo e aos habitantes da cidade-sede e das redondezas. Para este fim existem as Actividades de Aprendizagem e Partilha (Learn and Share activities), anteriormente conhecidas como Programa de Educação e de Cultura (PEC). O primeiro PEC, nos Jogos de Singapura 2010, incluiu eventos que fomentaram a cooperação entre atletas de diferentes nações. Decorreram aulas em assuntos desde a saúde e a forma física até ao ambiente e ao planeamento de carreiras. Estudantes locais de Singapura fizeram cabines na Vila da Cultura Mundial que representavam cada um dos 205 Comitês Olímpicos Nacionais participantes. As sessões de Conversa com os Campeões foram a parte mais popular do programa. Os participantes foram convidados a ouvir intervenções de inspiração feitas por antigos e atuais atletas Olímpicos.