Daniella Ferrante Perez Gazolla (Rio de Janeiro, 11 de agosto de 1970 – Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 1992) foi uma atriz e bailarina brasileira conhecida por seus papéis em telenovelas como Barriga de Aluguel (1990) e De Corpo e Alma (1992). Foi assassinada aos 22 anos, por seu colega de elenco Guilherme de Pádua e sua então esposa Paula Thomaz, em um crime que chocou o Brasil e influenciou mudanças na legislação penal brasileira.
Biografia Daniella Perez nasceu em 11 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro, primeira de três filhos da escritora de telenovelas Gloria Perez e do engenheiro Luiz Carlos Saupiquet Perez (1940–1994). Perez sempre teve sua vida ligada à arte. Com apenas cinco anos de idade, ensaiava seus primeiros passos no balé. Mais tarde surgiu o convite para dançar profissionalmente em uma das melhores companhias de dança do Rio de Janeiro, a “Vacilou, Dançou” da coreógrafa Carlota Portella.
Em 1985, então com 15 anos, participou de protesto pedindo justiça para Mônica Granuzzo, jovem vítima de assassinato.
No dia 2 de dezembro 1989, conheceu o ator Raul Gazolla, durante os ensaios para sua participação na telenovela Kananga do Japão. Logo eles iniciaram um relacionamento e em maio de 1990 se casaram; por ter 19 anos na época, a atriz teve que se emancipar.
Carreira Em 1989, Daniella Perez foi escalada para fazer uma participação como dançarina, porém devido ao seu talento, foi escalada para interpretar Daniela. Com isso, Dani realizou sua estreia como atriz na TV, fazendo o papel de uma dançarina de tango na novela Kananga do Japão, da Rede Manchete, onde conheceu seu futuro marido, Raul Gazolla.
Em 1990, Daniella recebeu um convite da TV Globo para ser dançarina na novela Barriga de Aluguel, onde quem escrevia o texto era sua mãe, Gloria Perez. Então ela fez um teste individual e acabou sendo escalada para seu primeiro papel como Clô, uma bailarina que dançava no Copacabana Café.
Devido ao seu carisma e talento, a personagem ganhou espaço na trama e a atriz acabou chamando a atenção de Dennis Carvalho, que lhe convidou para estrear a novela O Dono do Mundo no ano seguinte, fazendo assim o papel de Yara, irmã da protagonista vivida por Glória Pires.
Mais tarde, em 1992, já reconhecida pelo público, Daniella interpretou a personagem Yasmin Bianchi, uma jovem que despertava uma admiração do personagem gótico Reginaldo, vivido por Eri Johnson, que a seguia em todos os lugares. Yasmin era irmã da protagonista Paloma Bianchi, vivida por Cristiana Oliveira na novela De Corpo e Alma, também escrita por sua mãe, sendo essa sua última novela.
No início da década de 1990, a bailarina foi a melhor candidata ao posto vago de “namoradinha do Brasil”, anteriormente ocupado por Regina Duarte. No dia 25 de dezembro de 1992, durante o programa Roberto Carlos Especial, foi exibida uma pequena encenação na qual Daniella interpretava Maria, mãe de Jesus, ao lado da atriz Cássia Kis e do ator Herson Capri.
Assassinato
Em 28 de dezembro de 1992, aos 22 anos, Daniella Perez foi assassinada em um matagal na Barra da Tijuca, zona Oeste do Rio de Janeiro, pelo ator Guilherme de Pádua, seu colega de elenco na telenovela De Corpo e Alma, e por sua então esposa, Paula Thomaz.
Cerca de 21:10h, logo após o término das gravações da novela naquele dia, Daniella deixou os Estúdios Tycoon, onde tirou fotos com alguns fãs, e foi até o Posto Alvorada abastecer seu carro, sendo seguida pelo ator e sua mulher — escondida embaixo de um lençol, no banco do passageiro do carro de Guilherme. Após Daniella ser interceptada pelo ator, ambos desceram de seus carros, começaram a discutir e ele desferiu um soco no rosto da atriz, que acabou desmaiando. O ator agarrou Daniella pelo pescoço e a colocou a força no banco carona de seu Volkswagen Santana, cuja direção foi assumida por Paula. Guilherme entrou no Ford Escort de Daniella e seguiu junto com o outro carro.
O ator e sua esposa, juntamente com Daniella desacordada, seguiram até um matagal na Avenida Cândido Portanari (na época Rua Cândido Portinari), na Barra da Tijuca, perto do condomínio Rio Mar. Ao chegar no local, desferiram dezoito punhaladas que perfuraram o pescoço e o peito da atriz, na região do pulmão e do coração. Conforme apontado pela perícia, Daniella acabou morrendo em cerca de dois minutos de choque hipovolêmico, em consequência das punhaladas. Além disso, teve seu maxilar quebrado em decorrência do soco recebido. Em seguida, Pádua e Paula arrastaram o corpo da bailarina para dentro do matagal. Enquanto Daniella era assassinada, o capítulo 127 da novela estava sendo transmitido.
As investigações apontaram que o crime foi motivado por conflitos profissionais e pessoais envolvendo o elenco da telenovela. Segundo a acusação aceita pela Justiça, Guilherme de Pádua acreditava que sua carreira estava sendo prejudicada e responsabilizava Daniella Perez por decisões relacionadas ao seu personagem. Por coincidência, a participação do seu personagem havia sido reduzida na semana em que antecedeu o crime, o que o fez acreditar que sua carreira estava sendo prejudicada por Dani e Gloria. Assim, ele e sua mulher tramaram o assassinato da atriz.
Guilherme de Pádua e Paula Thomaz foram condenados por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima, a penas de 19 anos de prisão em regime fechado, tendo cumprido cerca de seis anos antes de obterem progressão de regime.
A repercussão do crime gerou ampla comoção nacional e levou à mobilização liderada por Glória Perez, mãe da atriz, que encabeçou uma campanha de assinaturas e conseguiu fazer passar a primeira iniciativa popular de projeto de lei. A alteração da legislação penal resultou na aprovação da Lei nº 8.930/1994, incluindo o homicídio qualificado no rol dos crimes hediondos. A personagem interpretada por Daniella em De Corpo e Alma teve sua ausência justificada na trama por uma viagem de estudos ao exterior, e a produção prestou homenagens à atriz.
Indenização à família pelo assassinato Em março de 2002, o desembargador Paulo Gustavo Horta determinou que Gloria Perez e Raul Gazolla deveriam receber uma multa indenizatória no valor de 500 salários mínimos ou R$ 480 mil cada um, de Guilherme de Pádua e Paula Thomaz, condenados pelo assassinato de Daniella Perez. A ação foi julgada em segunda instância pela 7ª Câmara Cível do TJ/RJ.
De acordo com a decisão, os réus ainda foram condenados ao pagamento das despesas com o sepultamento e funeral, na ordem de cinco salários-mínimos, além das custas processuais e honorários advocatícios de 10% sobre a condenação. Não obstante, o processo judicial foi adiado por muitos anos.
Depois de Gloria e Raul entrarem novamente na Justiça com essa ação exigindo o pagamento, em 29 de abril de 2016, eles conseguem vencer na Justiça com o pedido de indenização por danos morais e materiais contra Guilherme de Pádua e Paula Thomaz.
No entanto, a ação judicial continuou a tramitar e foi arquivada no início de dezembro de 2022. Paula havia sido condenada a pagar uma indenização de R$ 480 mil, mas a Procuradoria de Justiça do Rio de Janeiro julgou que a ré não tinha condições financeiras nem bens a penhorar para cumprir a decisão judicial.
Em 6 de novembro de 2022, Guilherme de Pádua (um dos assassinos de Daniella) morreu de infarto em Belo Horizonte.
Filmografia Televisão Ano Título Personagem NotasRef.1989 Kananga do Japão Daniela/Eduarda Participação especial O Sexo dos Anjos Dançarina de Lambada Participação especial 1990 Barriga de Aluguel Clotilde (Clô) 1991 O Dono do Mundo Yara Maciel 1992 Roberto Carlos Especial Virgem Maria Encenação sobre a vida e morte de Jesus De Corpo e Alma Yasmin Bianchi Episódios (1–146) 2022 Pacto Brutal - O Assassinato de Daniella Perez Ela mesma Documentário póstumo, apenas em vídeos
Prêmios e indicações Ano Prêmio Categoria Indicado ResultadoRef. 1993 Troféu Imprensa Revelação do Ano Yasmin em De Corpo e Alma
Cultura e memória Em 2022, o serviço de streaming HBO Max produziu a série documental Pacto Brutal - O Assassinato de Daniella Perez, contendo cinco episódios. A série conta com depoimentos da mãe e do marido de Daniella, a autora Gloria Perez e o ator Raul Gazolla, respectivamente, e de amigos pessoais da vítima, como Fabio Assunção, Claudia Raia, Cristiana Oliveira, Alexandre Frota, Claudia Mauro, Marieta Severo, Eri Johnson e Maurício Mattar. Logo após o documentário, o escritor e advogado Bernardo Braga Pasqualette lançou um livro sobre a história e morte de Perez intitulado de Daniella Perez: Biografia, Crime e Justiça. Por não ser uma biografia autorizada foi duramente criticada, além de conter diversos erros como o nome de um dos irmãos de Daniella que se chama Rafael e no livro está como “Daniel” e do escritor ter procurado as defesas dos condenados pelo crime da morte da atriz.
Homenagens A Prefeitura do Rio de Janeiro prestou uma homenagem, colocando o nome de Daniella em uma creche pública do município, localizada no bairro de Paciência denominada "Creche Municipal Daniela Perez". Além da creche, a Prefeitura do Rio de Janeiro possui ainda em homenagem à Daniella o Centro de Referência de Assistência Social, denominado "CREAS Daniela Perez" que foi inaugurado originalmente em 19 de janeiro de 2010 no bairro Praça Seca e que ganhou uma nova sede definitiva em dezembro de 2014 no bairro Taquara.
Os MCs Mascote & Neném criaram uma música chamada Rap da Daniela Perez. Na letra, narram fatos do crime ocorrido com a atriz em 1992. Assim como a dupla sertaneja Leão & Leopardo fizeram na música Ator Bandido. Em 11 de agosto de 2015, dia em que Daniella completaria 45 anos, os apresentadores Monica Iozzi e Otaviano Costa prestaram uma homenagem à atriz no programa Vídeo Show e também exibiram uma dedicatória feita pelo elenco da telenovela De Corpo e Alma. Nesse mesmo dia, assim como em todos os outros dias de seu aniversário, sua mãe Gloria Perez também a homenageou em suas redes sociais. Daniella Perez foi homenageada por um grupo de fãs em 2015. Vários retratos dela foram pintados pelo artista Gerri Alves, em um muro de sete metros de altura no distrito de Campo Limpo, em São Paulo. A mãe da atriz, a novelista Gloria Perez, publicou a homenagem em suas redes sociais com o e-mail da idealizadora do projeto, a atriz e fã de Daniella, Márcia Gonçalves. No dia 28 de dezembro de 2017, dia em que completou 25 anos de sua morte, o programa Vídeo Show exibiu o quadro "Memória Nacional" em sua homenagem. No ano de 2021, Miguel Pereira ganhou o primeiro espaço no município dedicado ao acolhimento de mulheres vítimas de violência doméstica. A Casa do Direito da Mulher – Daniella Perez é fruto de uma parceria entre o Governo do Estado – por meio das secretarias de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos e da Polícia Militar – com a prefeitura da cidade do Centro-Sul Fluminense. O espaço, inaugurado pelo governador Cláudio Castro, terá atendimentos jurídico, psicológico e social.
Ligações externas
Daniella Perez Daniella Perez Categoria:Atrizes brasileiras do século XX Categoria:Atrizes de televisão do Brasil Categoria:Bailarinos do estado do Rio de Janeiro Categoria:Brasileiros de ascendência espanhola Daniella Perez Categoria:Mortes por armas brancas Categoria:Atores assassinados Categoria:Pessoas assassinadas no Brasil em 1992 Categoria:Mortos no Rio de Janeiro (cidade)