O América Futebol Clube, mais conhecido como América Mineiro, é um clube desportivo brasileiro da cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. Fundado em 30 de abril de 1912, o clube preserva o mesmo nome e escudo desde sua criação. Suas cores de jogo são o verde, branco (desde 1912) e o preto, que foi incorporado ao uniforme, em 1913, um ano após a fundação. Hoje, as três cores fazem parte das variações dos uniformes do tricolor América. Entre 1933 e 1942, o time atuou com uniformes vermelhos, em protesto à introdução do profissionalismo no futebol.
O clube é proprietário do Estádio Independência, sendo, até a inauguração do estádio do Atlético Mineiro, a Arena MRV, em agosto de 2023, o único de Belo Horizonte a mandar seus jogos em estádio próprio, com o América possuindo a terceira maior torcida entre clubes de Minas Gerais e já tendo disputado mais de 4 700 partidas em sua história. Seu maior rival é o Atlético, com quem realiza o Clássico das Multidões, possuindo ainda uma forte rivalidade com o também belo-horizontino Cruzeiro e com o Villa Nova, de Nova Lima.
O América é um dos clubes mais tradicionais e bem-sucedidos do estado: recordista de participações no Campeonato Mineiro de Futebol,Plox.com - Campeonato Mineiro marca 110 anos com recordes e marcas históricas, página editada em 24 de janeiro de 2024 e disponível em 11 de abril de 2024. conquistou 16 títulos estaduais e foi vice-campeão em outras 17 oportunidades em um total de 69 vezes no G-4. As 10 primeiras conquistas foram em sequência entre 1916 a 1925, um recorde nacional de títulos consecutivos, façanha essa compartilhada com o ABC (RN), - Gazeta Esportiva, março de 2012 com a conquista mais recente tendo sido em 2016. Dentre os demais títulos, destacam-se as conquistas nacionais da Série B em 1997 e 2017, da Série C em 2009 e da Copa Sul-Minas de 2000, com a melhor campanha na Série A do Campeonato Brasileiro tendo ocorrido na edição de 1973, quando o Coelho obteve a sétima colocação entre 40 participantes, e na Copa do Brasil o terceiro lugar na edição de 2020.
O clube é reconhecido por sua tradição na formação de novos jogadores. Entre as suas principais revelações, destacam-se Tostão, Éder, Palhinha, Gilberto Silva, Euller, Nakazawa, Alex Mineiro, Fred, Danilo e Richarlison. O América possui os 3 dos principais títulos nacionais das categorias de base: Copa São Paulo de Juniores de 1996, Campeonato Brasileiro de Futebol Sub-20 de 2011, e duas Taça Belo Horizonte de Futebol Júnior, em 2000 e em 2014.
História Primeiros anos O América foi fundado por um grupo de jovens da elite mineira em 30 de abril de 1912. Residentes, quase todos, nos arredores das Ruas Bahia e Timbiras, na bucólica Belo Horizonte de 1912, os rapazes empolgados com o novo esporte, que começava a virar mania, resolveram fundar um clube para a prática do futebol. Como não conseguiram chegar a um consenso sobre o nome da nova agremiação, decidiram então realizar um sorteio e, entre Arlequim, Guarany e Tymbiras, o nome contemplado foi América. Esta reunião foi realizada em maio, nos porões da casa de Adhemar de Meira.
Os fundadores do clube foram: Ademar Meira, Afonso Silviano Brandão, Alcides Meira, Álvaro Moreira da Cruz, Augusto Pena, Aureliano Lopes Magalhães, Caetano Germano, César Gonçalves, Francisco Bueno Brandão, Fioravante Gonçalo Labruna, Gérson de Salles Coelho, Guilherme Halfed, Henrique Diniz Gomes, José Miranda Megale, Leonardo Gutiérrez, Leon Roussoulliéres Filho, Oscar Gonçalves e Waldemar Jacob.
As cores do clube, desde a fundação, foram o verde e o branco, também escolhidas por sorteio. Em 1913, o preto foi incorporado ao estatuto do clube, passando a fazer parte das variações dos uniformes até hoje. A primeira equipe americana foi formada por Oscar Gonçalves, Leonardo Gutierrez e Fioravante Labruna, Luiz Guimarães, Augusto Pena e Lincoln Brandão, Dario Ferraz, Waldemar Jacob e Geraldino de Carvalho.
No ano seguinte de sua fundação, em 1913, o América fundiu-se com o Minas Gerais Futebol Clube e o elenco cresceu muito. Outra adesão importante foi a vinda de jogadores do , devido a problemas internos do clube alvinegro. A primeira grande vitória foi contra o Atlético-MG no dia 14 de junho de 1914Classico das Multidões por 1 a 0, gol de Júlio Cunha. O primeiro amistoso interestadual foi contra o , no Prado Mineiro, derrota por 2 a 1 em 2 de setembro de 1917.
Supremacia O início de um período de glórias, jamais visto no futebol de Minas Gerais começou em 1 de novembro de 1915. O América venceu a até então imbatível Equipe dos Ingleses da Mina do Morro Velho, formada exclusivamente por jogadores ingleses, por 3 a 0. Jogaram pelo América: Didico, Mário Pena e Luiz Guimarães, Kainço, Otávio Pena e Henrique Diniz, Edson Jacob, João Brito, José Borges, Oscar Monte e Mimi.
Em 1916, o América armou a poderosa equipe que conquistou o campeonato nesse ano e nos nove subsequentes até 1925. O América se sagrava assim decacampeão estadual. Um recorde somente igualado pelo de Natal. Os heróis dessa conquista que engrandece o pavilhão americano: Didico e Gargalhada (Euclides e Celso Mascarenhas), Marute (Mário Pena), Luiz Guimarães, Kainço (Carlos Quadros), Otacílio Negrão de Lima, Francisco Mattos, Fausto Joviano, José Borges de Carvalho, Oscar Monte, Floriano Faria, Antônio Benjamim, Edson Jacob, Waldemar Jacob (Rato), Fausto Ferraz, Gérson de Salles Coelho, Lincoln Brandão, Augusto Pena, Honório Otoni, Manoel Hermeto, Augusto Pinto, Antônio Hermeto (Tonico), Mário Jungueira, Mário Pereira, Vicente Innéco, Camilo Pimentel, Bolívar Moreira de Abreu, Joel de Salles Coelho, Lucas Machado, Raimundo Duarte de Oliveira, Gilberto Dufles, Afonso Silviano Brandão, Geraldino de Carvalho, Henrique Den Dopper, Alcides Meira, Márcio Motta, Francisco Rodrigues da Silva, Satyro Taboada e Agenor Silva, sendo ainda vice-campeão mineiro no último ano da década de 1920, em 1930.
Em 1919, o América inaugurou o primeiro campo gramado de Belo Horizonte, em 6 de maio de 1923, em uma partida contra o carioca, vindo a vencer a segunda partida contra esse mesmo clube no dia seguinte, por 4 a 2, naquela que seria a sua primeira vitória em confrontos interestaduais,Livro Minha Paixão: América Futebol Clube, BH, o América Mineiro, por Carlos Paiva onde atualmente localiza-se o Mercado Municipal.
Em 1929, com o dinheiro da venda do terreno antigo e já com o título de decacampeão mineiro, o América comprou um terreno na Avenida Francisco Sales, no bairro de Santa Efigênia, construindo o futuro Estádio Otacílio Negrão de Lima, ainda com estrutura de campo, vindo a passar posteriormente por uma grande reforma na década de 1940, dotando o campo com uma estrutura de estádio, conforme diferenciações entre estruturas arquitetônicas futebolísticas que se faziam nas primeiras décadas do .
Com o tempo, ficou conhecido como Estádio da Alameda, por também ter entrada pela Alameda Álvaro Celso. Na sua inauguração oficial, em amistoso contra o , no dia 8 de setembro de 1929, o campo americano tinha capacidade para 12 000 pessoas e foi construído em uma área de 19 338m².Jornal Correio da Manhã (RJ), de 10 de setembro de 1929, edição eletrônica 10643, página 9
Décadas de 1930, 1940 e 1950 — O Estádio da Alameda e outros títulos A década de 1930 foi marcada por ferrenhas disputas quanto aos rumos do futebol em Minas Gerais quando chegou a haver duas ligas atuando paralelamente: A AMET (Associação Mineira de Esportes Terrestres) e a LMDT (Liga Mineira de Desportos Terrestres). O América favorável a continuidade do amadorismo chegou a trocar de uniforme por 10 anos, adotando a cor vermelha em protesto. Na década de 1930 conquistou apenas dois títulos do Torneio Início e o Campeonato Extra da cidade de Belo Horizonte de 1939.
Já na década de 1940, um grande acontecimento na vida americana ocorreu em 1948, quando as instalações do então Estádio da Alameda ou Octacílio Negrão de Lima foram reinauguradas com capacidade para 15 000 pessoas, no dia 27 de maio perante 12 500 torcedores presentes (10 652 pagantes) e renda de Cr$ 305 750,00, com a realização do Torneio Quadrangular de Belo Horizonte, que reuniu (o mesmo time que sagrou-se campeão sul-americano naquele ano), (campeão paulista) e Atlético-MG (campeão estadual do ano anterior), tendo o Coelho se consagrado como campeão da competição.
Ainda em 1948, o América conquistou o título de campeão mineiro de 1948, invicto, com apenas 3 empates em 16 jogos, vencendo o Atlético na final por 3 a 1, sendo que além destes dois títulos, o Coelho ainda foi vice em 1945. Na década de 1950, o América foi campeão em 1957, ano em que conquistou os títulos nas categorias juvenil, aspirante e profissional, sendo ainda vice-campeão em 1958, 1959 e 1960.
No título profissional de 1957, o Coelho disputou 24 partidas, com 12 vitórias, 11 empates e apenas 1 derrota, para o Siderúrgica, na sexta rodada do primeiro turno, com 50 gols-pró e apenas 25 contra. A decisão do campeonato deu-se em uma melhor-de-três partidas contra o Democrata-SL, com o América vencendo a primeira por 4 a 1 e empatando as outras duas por 0 a 0 e 2 a 2.
Década de 1960 — Início da Era Mineirão Um fato extremamente negativo para a história do clube ocorreu na década de 1960, com o fechamento do departamento de juvenil do América em 1964, por motivos até hoje desconhecidos (departamento reaberto logo no ano seguinte), tendo com isto o América perdido para o diversos jovens e promissores atletas, entre eles jogadores do quilate de Tostão, Hilton Oliveira, Vanderlei, o que ajudou o clube rival a montar uma das mais brilhantes equipes do futebol brasileiro e decretou um profundo enfraquecimento do América em pleno início da Era Mineirão, que se daria em 1965.
Apesar disso, o América ainda obteve o vice-campeonato mineiro em 1964, embora perdendo o título para o por 3 a 1, em final realizada no Estádio da Alameda, tendo feito o artilheiro da competição: Jair Bala, com 25 gols. Foi vice novamente em 1965, perdendo o título de campeão para o Cruzeiro.esquerda|miniaturadaimagem|Time do América, 1971. Arquivo Nacional. Nessa época, o América experimentou uma das piores fases de sua história, perdendo a disputa da condição de principal rival do Atlético-MG, com quem faz o tradicional "Clássico das Multidões". O Coelho passou 14 anos sem conseguir um único título expressivo, só voltando a conquistar outro Campeonato Mineiro em 1971, embora este tenha sido conquistado brilhantemente, de forma invicta, com 16 vitórias e 6 empates, 36 gols pró e 16 contra. Jair Bala foi o artilheiro deste campeonato com 14 gols.
Um outro fato positivo dessa época foi a ótima campanha no Campeonato Brasileiro de 1973, quando o Coelho obteve a sétima colocação entre 40 participantes, com 14 vitórias, 13 empates, 10 derrotas, 43 gols a favor e 35 contra, sendo a segunda melhor campanha no torneio, atrás apenas do 1° lugar em 1948, tendo ainda sido vice-campeão estadual neste ano.
Porém, o clube não conseguiu deslanchar, e com dificuldades financeiras vendeu parte de seu patrimônio, inclusive seu estádio. Passou por uma crise também de identidade, chegando a mudar-se provisoriamente para a vizinha cidade de Contagem e enfrentou mais 22 sofridos anos sem grandes conquistas.
A reestruturação do América e novas conquistas relevantes No final da década de 1980 e início da década de 1990, inicia-se uma fase de renascimento do clube, com forte retomada dos investimentos nas categorias de base e contratações de bons jogadores. Vice-campeão do Campeonato Brasileiro Série C em 1990, ano após ano, o América foi ganhando força, em 1992 obteve acesso a Série A do Campeonato Brasileiro, foi vice-campeão mineiro e finalmente voltou a conquistar o Campeonato Mineiro, em 1993, após 22 anos de espera. Em 18 jogos, o América obteve 11 vitórias, 6 empates e apenas 1 derrota, para o Valério, no primeiro turno.