Luís de Bourbon (nome completo em castelhano: Luis Antonio Jaime de Borbón y Farnesio; Sevilha, 25 de julho de 1727 – Arenas de San Pedro, 7 de agosto de 1785), Infante da Espanha e Conde de Chinchón, foi o filho mais novo do rei Filipe V da Espanha e de Isabel Farnésio. Destinado à carreira eclesiástica por sua mãe, chegou a ser administrador da Arquidiocese de Sevilha, mas abandonou a vida religiosa para se casar com a nobre Maria Teresa de Vallabriga.
Biografia Luís nasceu em 25 de julho de 1727, filho do rei Filipe V da Espanha e de Isabel Farnésio. Era o quarto e último menino do casal. Fontes da época descrevem seu nascimento como sem complicações e relatam que foi batizado logo após o parto na presença de autoridades e membros da nobreza.
Foi descrito como afável, de personalidade frágil e fortemente influenciado pelos familiares, especialmente pela mãe e, posteriormente, pelos irmãos, os reis Fernando VI e Carlos III, além de sua esposa, Maria Teresa de Vallabriga.
Educação esquerda|miniaturadaimagem|247x247px|O jovem Infante Luís. Obra de Jean Ranc, 1731. Recebeu uma educação considerada insatisfatória em diversas áreas:
Segundo relato do jesuíta Martín García, demonstrava pouco interesse pelos estudos e preferia conviver com criados e pessoas de condição inferior.
Em contrapartida, destacou-se na formação artística por incentivo de Isabel Farnésio. A partir de 1735 recebeu educação voltada às belas-artes, financiou a restauração da Igreja dos Santos Justo e Pastor, em Madrid, e promoveu a aquisição de obras de arte italianas para a corte.
Carreira eclesiástica
Sem perspectivas relevantes na sucessão ao trono, foi destinado à carreira eclesiástica por decisão de sua mãe. Após negociações entre a Coroa espanhola e a Santa Sé, foi nomeado, em 1735, administrador temporal da Arquidiocese de Toledo, sem ser arcebispo nem sacerdote, devido às restrições impostas pelo Concílio de Trento.
Recebeu o hábito da Ordem de Santiago, diversas comendas honoríficas e foi criado cardeal em 1735, recebendo o barrete cardinalício em 1738. Em 1741 tornou-se também administrador da Arquidiocese de Sevilha.
Apesar dos cargos, nunca demonstrou vocação religiosa nem exerceu efetivamente funções pastorais. Em 1754 solicitou ao rei Fernando VI autorização para abandonar a carreira eclesiástica, obtendo dispensa vitalícia do Papa Bento XIV e renunciando a todos os seus cargos sem jamais ter sido ordenado sacerdote.
Retorno à vida civil Após deixar a Igreja, tentou casar-se, mas enfrentou resistência dos irmãos Fernando VI e Carlos III. Em 1761 adquiriu o condado de Chinchón, tornando-se seu décimo terceiro conde.
A possibilidade de ter descendentes gerou preocupações sucessórias para Carlos III, que promulgou em 1776 normas restringindo os efeitos dinásticos dos casamentos morganáticos dos infantes da Espanha.
Casamento miniaturadaimagem|275x275px|A Família do Infante Luís: a atmosfera cortesã que caracteriza a obra é um exemplo da representação dos últimos anos de vida do infante, sentado com sua esposa e rodeado por criados, com o compositor Luigi Boccherini em destaque à direita, em primeiro plano. Obra de Francisco Goya, 1784. Em 27 de junho de 1776 casou-se com Maria Teresa de Vallabriga, após obter autorização de Carlos III. Por tratar-se de um casamento morganático, sua esposa e seus descendentes foram excluídos dos direitos sucessórios, dos títulos reais e do uso do sobrenome Bourbon, restrições parcialmente revertidas apenas em 1799 pelo rei Carlos IV da Espanha.
O casal teve quatro filhos, dos quais três chegaram à idade adulta:
Luís Maria de Bourbon e Vallabriga (1777–1823), 14.º Conde de Chinchón, Cardeal e Arcebispo de Toledo e Sevilha; Antônio Maria (1779), morreu poucos dias após o nascimento; Maria Teresa de Bourbon e Vallabriga (1780–1828), 15.ª Condessa de Chinchón e Duquesa de Sueca, casou-se com com Manuel de Godoy; Maria Luísa de Bourbon e Vallabriga (1783–1846), casou-se com com Joaquín José Melgarejo y Saurín, Duque de San Fernando de Quiroga.
Retiro em Arenas de San Pedro Após o casamento, retirou-se da corte, residindo inicialmente em Boadilla del Monte e, posteriormente, em Cadalso de los Vidrios, Velada e Arenas de San Pedro.
Em Arenas de San Pedro construiu o Palácio de la Mosquera e manteve uma pequena corte própria, reunindo numerosos servidores, artistas e intelectuais. Tornou-se importante mecenas das artes, apoiando nomes como Francisco Goya, Luis Paret e Luigi Boccherini, transformando sua residência em um relevante centro cultural do Iluminismo espanhol.
Morte Luís morreu em 7 de agosto de 1785, em Arenas de San Pedro, aos 58 anos. Embora tenha manifestado o desejo de ser sepultado na capela de seu palácio em Boadilla del Monte, foi inicialmente enterrado na Igreja de San Pedro de Alcántara, em Arenas. Por ordem de Carlos III, recebeu honras de Infante da Espanha e parte de seus bens foi incorporada às coleções reais. Em 1801, durante o reinado de Carlos IV, seus restos mortais foram trasladados para o Panteão dos Infantes do Mosteiro de El Escorial.
Após sua morte, Carlos III providenciou a educação de seus três filhos, confiando-a ao Arcebispo de Toledo, Francisco Antonio de Lorenzana, enquanto Maria Teresa de Vallabriga permaneceu confinada no Palácio de la Mosquera até 1792.
Ancestrais
Bibliografia
Ligações externas
El infante don Luis de Borbón biografia em Boadilla.com (em castelhano)
Categoria:Naturais de Madrid Categoria:Casa de Bourbon Categoria:Cardeais de Espanha Categoria:Cardeais nomeados pelo papa Clemente XII Categoria:Arcebispos de Sevilha Categoria:Arcebispos de Toledo Categoria:Mecenas da Espanha