Virgilio Barco Vargas (Cúcuta, 17 de setembro de 1921 — Bogotá, 20 de maio de 1997) foi um engenheiro civil, empresário e político colombiano. Foi Presidente da Colômbia entre 7 de agosto de 1986 e 7 de agosto de 1990. Foi membro do Partido Liberal Colombiano.
Ocupou vários cargos públicos como Prefeito de Bogotá, ministro de Obras Públicas, ministro da Agricultura, embaixador junto ao Reino Unido e senador da República. Foi finalmente eleito presidente da Colômbia em 1986, com a votação mais alta da história para aquele momento, quando ainda não existia o segundo turno presidencial.
Com a saída dos liberais do poder em 1946, Barco declarou-se em oposição ao governo, vendo-se obrigado a sair do país em 1950. Também fez parte da oposição à ditadura de Gustavo Rojas Pinilla e participou da campanha presidencial de Alberto Lleras Camargo, durante o sistema do Frente Nacional, no qual também esteve envolvido desde sua origem, já que apoiou todas as campanhas presidenciais bem-sucedidas de 1958 a 1974.
Posteriormente foi senador da República, ministro de Obras Públicas, ministro da Agricultura e Embaixador junto ao Reino Unido. Foi prefeito de Bogotá entre 1966 e 1969, tempo durante o qual conseguiu a modernização física e institucional da capital, destacando obras como o Hospital Militar e a conclusão do Aeroporto El Dorado.
Foi o sexto e último presidente engenheiro na História da Colômbia (o primeiro foi Pedro Nel Ospina e o quinto foi Rubén Piedrahíta, que integrou a Junta Militar em 1957).
Como presidente da Colômbia, Barco enfrentou a guerra que os cartéis do narcotráfico declararam às instituições do país. Conseguiu estabelecer o princípio da corresponsabilidade com países consumidores de droga, apesar de os narcos banharem de sangue o país. Também teve de lidar com grupos paramilitares que exterminaram a União Patriótica surgida dos Acordos de La Uribe com as FARC-EP em 1984.
Seu esforço para reduzir a pobreza, levar o Estado às regiões isoladas do país e reformar a Constituição de 1886 passou a segundo plano devido à necessidade de defender a ordem e a legitimidade das instituições do Estado, com uma fracassada reforma constitucional em 1989.
Seu último ano de governo foi ofuscado pelo assassinato de três candidatos presidenciais: Luis Carlos Galán, do Partido Liberal, Bernardo Jaramillo Ossa, da União Patriótica, e Carlos Pizarro Leongómez, da Aliança Democrática M-19 surgida do acordo de paz em 1990 com o grupo guerrilheiro Movimento 19 de Abril (M-19), que entregava as armas e se convertia em um partido político, que, no entanto, foi o maior êxito de seu governo.
Foi o último dos presidentes liberais radicais devido a seu esquema governo-oposição, no qual afastou do poder seus rivais conservadores.
Biografia Nasceu em Cúcuta, em 17 de setembro de 1921, em um lar abastado de empresários do petróleo.
Depois de estudar o ensino médio no colégio Sagrado Corazón de Jesús em Cúcuta, mudou-se para Bogotá para estudar engenharia civil na Universidade Nacional da Colômbia; no entanto, pouco antes de terminar, conseguiu ingressar no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde obteve o título de engenheiro civil em 1943. Ali entrou em contato com o progressismo liberal do democrata Franklin Delano Roosevelt e a luta contra o nazismo e o fascismo em plena Segunda Guerra Mundial.
Trajetória política Entrou na política em 1943, ao regressar à Colômbia, quando foi designado Secretário de Obras Públicas de Norte de Santander pelo governador Alfredo Lamus Girón até 1945, e depois foi secretário-geral do Ministério de Comunicações, durante o primeiro governo de Alberto Lleras Camargo. Em 1945, tornou-se vereador de Durania (Norte de Santander) em nome do Partido Liberal. Barco trabalhou para dotar o departamento de serviço de luz e esgoto.
Em 1946 declarou-se em aberta oposição ao governo conservador de Mariano Ospina Pérez, e o clima de violência que se vivia em seu departamento, especialmente depois do El Bogotazo. Devido a ameaças contra ele, Barco foi levado a sair do país em 1950, apesar de ter conquistado uma cadeira no Congresso como representante à Câmara por seu departamento nas eleições legislativas de 1949.
Já nos Estados Unidos, Barco aproveitou para dar continuidade a seus estudos. Obteve os títulos de mestre em Economia no MIT em 1952, e o doutorado em Economia pela Universidade de Boston em 1954. Durante seus estudos no MIT, foi aluno de dois futuros laureados com o Prêmio Nobel; os professores Robert Solow e Paul Samuelson. esquerda|miniaturadaimagem|Virgilio Barco (segundo da esquerda para a direita) com Enrique Peñalosa Camargo no aeroporto da Cidade do México, 1958.
Frente Nacional Durante o Frente Nacional, entre 1958 e 1974, Barco foi eleito senador da República, nas eleições de 1958. Além disso, exerceu como ministro de Obras Públicas entre 1958 e 1960 durante o segundo governo de Alberto Lleras Camargo. Em 1958, Barco fundou o jornal La Opinión, em sua natal Cúcuta.
Ficou encarregado de redigir e apresentar ao Congresso o projeto de Lei para a celebração do Sesquicentenário da Independência. Assim é que a Lei 95 de 1959 tornou possível a realização de numerosas obras que fizeram recordar essa celebração. Entre as obras realizadas estão a remodelação da Praça de Bolívar ao que é hoje, a restauração da Casa Museu 20 de Julho, a remodelação do Observatório Astronômico Nacional da Colômbia e a construção da Praça de San Bartolomé contígua à Praça de Bolívar.
Entre 1961 e 1962 foi nomeado pelo governo de Alberto Lleras Camargo como Embaixador da Colômbia junto ao Reino Unido.
Após as eleições legislativas de 1962, Barco serviu durante outro mandato no Senado (1962-1966) e no Governo de Guillermo León Valencia (conservador) representou o liberalismo como ministro da Fazenda (sendo nomeado em 7 de agosto de 1962 por meio do Decreto 2263), e depois como ministro da Agricultura (nomeado em 23 de abril de 1963 pelo Decreto 914, ratificado em 6 de agosto de 1964), renunciando em outubro de 1964.
Prefeito de Bogotá (1966-1969) Barco foi prefeito de Bogotá por designação do governo do liberal Carlos Lleras Restrepo (primo segundo de Lleras Camargo), sucedendo Jorge Gaitán Cortés, em novembro de 1966. Barco foi escolhido por Lleras dada sua capacidade de execução rápida de obras de infraestrutura, diante da necessidade de modernização da cidade.
Tornar-se prefeito da capital ajudou-o a formar uma figura de alto prestígio nacional e ponto de referência para as administrações posteriores. Alternou suas atividades de prefeito com a presidência do Centro Internacional para o Melhoramento do Milho e do Trigo, permanecendo no cargo até 1985.
Como prefeito, criou e pôs em funcionamento o Museu Taurino, que recorda a história da Festa brava em Bogotá e na Colômbia, o Museu de História Natural como mostra da fauna colombiana, o Planetário de Bogotá, o Museu de Desenvolvimento Urbano de Bogotá, o Museu e Casa Montes como homenagem ao prócer Antonio Nariño e o Museu de Santa Clara como centro de restauração. Barco criou a Loteria de Bogotá por meio do Acordo 81 de 1967, para ajudar na sustentação dos programas de Saúde Pública e Assistência Social para os pobres.
Remodelou o Palácio Liévano, criou o Centro Distrital de Computação com o fim de agilizar, reduzir e melhorar o trabalho das Empresas Distritais, adquiriu e remodelou o edifício Cristo Rey, local onde atualmente funciona o Conselho de Bogotá, e pôs em marcha a elaboração do projeto e construção do Centro Administrativo Distrital.
O prefeito Barco impulsionou atividades para a recreação e o esporte de Bogotá com a construção do Coliseu Coberto El Campín, melhorando as quadras esportivas nos diferentes bairros e construindo 180 quadras de basquete, 50 de futebol e 15 para outros esportes, conseguiu terrenos e realizou obras para 10 parques, criou a Orquestra Filarmônica de Bogotá como desenvolvimento de trabalhos culturais e melhorou as instalações do Estádio Nemesio Camacho El Campín.
Barco iniciou o programa Chingaza (mais tarde se tornaria o Parque Nacional Natural Chingaza), ampliou o serviço da planta de Tibitó, contratou 13 km de tubulação que permitiram dar serviço a bairros afastados da periferia, introduziu melhorias na Empresa Distrital de Transportes Urbanos duplicando o número de passageiros transportados, impulsionou os programas de geração de Energia Elétrica em Bogotá iniciando a construção das centrais El Colegio II Etapa, Canoas e Chivor. Também realizou um plano de iluminação de ruas, avenidas e praças, pôs em serviço 85 unidades de limpeza e 10 varredeiras, construiu o mercado de Fontibón e do bairro Restrepo, iniciou os estudos da Corabastos. Barco geriu a construção de 3 km de canais de concreto para evitar inundações em bairros de Bogotá, 36 km de tubulação, 12 km de esgotos, 11 pontes para veículos e 16 pontes para pedestres, duplicou as linhas telefônicas e construiu a sede da Empresa de Telefones de Bogotá (ETB).
Estabeleceu o Plano Viário de Integração Urbana cujo objetivo era unir o norte ao sul da cidade. Para cumprir tal objetivo, construiu vias como a carrera 68 desde a Autopista Sur até a carrera Séptima, prolongamento da avenida Caracas desde a rua 11 até a rua 50 sul, melhorou a avenida Ciudad de Quito e construiu o trecho entre El Campín e a rua 68, remodelou a autopista El Dorado, construiu a rua 63, desde a carrera 24 até a carrera 68, construiu a rua 68, o plano viário do Salitre, a rua 19 entre a carrera Séptima e a avenida Caracas, a avenida Primeiro de Maio entre os bairros Alcalá e Pastrana, realizou um setor da avenida Boyacá e interseções que facilitassem o fluxo veicular. Todas tiveram a previsão de redes de abastecimento de água e esgoto.
O plano de habitação do prefeito Barco contemplou a edificação do bairro de Los Laches por meio da Caja de Vivienda Popular e a edificação de apartamentos para os servidores do distrito. Também geriu a reabilitação dos serviços públicos de 32 bairros da periferia e do bairro Las Colonias. miniaturadaimagem|Templete eucarístico do parque Simón Bolívar, Bogotá Barco ajudou a organizar o Congresso Eucarístico Internacional. No curto tempo de organização desse evento, contou-se com os sistemas de transporte de massa, alojamentos, sanidade, vigilância, segurança etc.; sendo todas as obras supervisionadas e dirigidas pessoalmente por Barco. Entrevistou-se com o Papa Paulo VI em sua visita a Bogotá em agosto de 1968, e foi o encarregado de inaugurar obras como a avenida 68 e o templete eucarístico, construído especialmente para a celebração eucarística do pontífice no parque Simón Bolívar.
O plano escolar da administração do prefeito Barco assegurou 1 700 salas de aula escolares, o que significou um incremento importante na cobertura da população escolar, fato significativo na história educativa de Bogotá para a época. Emitiu o Decreto 764 da Prefeitura com o qual se tornou obrigatória e gratuita a frequência de crianças em idade escolar a colégios de educação primária, cobrindo 255 000 vagas nos colégios públicos de primária de Bogotá.
Pós-prefeitura Após deixar a prefeitura de Bogotá, Barco tornou-se membro da Junta Diretiva do Banco Mundial, de 1969 a 1974. Terminado seu mandato, foi senador da República e integrou-se à Comissão Assessora de Relações Exteriores.
Embaixador junto aos Estados Unidos Barco foi nomeado embaixador da Colômbia junto aos Estados Unidos pelo governo de Alfonso López Michelsen em 1977, e depois foi ratificado pelo governo de Julio César Turbay em 1978, permanecendo no cargo até 1980. Teve de enfrentar a má imagem internacional que a Colômbia tinha com o auge do tráfico de maconha e os inícios do tráfico de cocaína.