A candidatura da cidade de Madrid a sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Verão de 2016 foi oficializada em 14 de setembro de 2007 pelo Comitê Olímpico Internacional, após escolha interna por aclamação aprovada pelo governo espanhol.

O projeto da cidade previa a realização em duas regiões, a Zona Núcleo e a Zona Rio, usando o metrô como meio de transporte principal e aliando a construção de instalações esportivas com a revitalização de áreas da cidade, como as margens do Rio Manzanares.

Em junho de 2008 Madrid foi anunciada oficialmente como cidade candidata a sede dos Jogos, ao lado de Tóquio, Chicago e Rio de Janeiro. Caso fosse eleita, seria a primeira vez que duas cidades da Europa sediariam edições consecutivas de Jogos Olímpicos de Verão desde 1952, quando Helsinque foi a sede, quatro anos depois de Londres receber os Jogos.

A fase da candidatura contou com um relatório mais detalhado e com a visita da Comissão Avaliadora à cidade, ocorrida no início de maio de 2009. Questões que deram notas baixas a Madrid no processo de eleição da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012, como acomodações e segurança, ajudaram o projeto atual a ser considerado de alto nível no primeiro relatório, mas fatores como legislação antidoping e estrutura do comitê organizador geraram críticas severas no relatório da Comissão Avaliadora, usado pelos membros do COI como base para decidir seu voto.

A sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016 foi conhecida em 2 de outubro, em Copenhague, na Dinamarca, após votação realizada pelos membros do Comitê Olímpico Internacional. Madri ficou na segunda posição, ao perder para o Rio de Janeiro, na final, por 66 votos a 32.

Escolha interna Após não conseguir a vitória no processo de eleição da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012, o conselho municipal de Madrid decidiu em julho de 2006 postular uma candidatura a sede dos Jogos de 2016. Tendo recebido apoio governamental e mesmo sabendo que a eleição de Londres era um fator contra, a candidatura foi aprovada pela prefeitura da cidade em 6 de julho (exatamente um ano após a eleição perdida) e pelo Comitê Olímpico Espanhol em 30 de maio do ano seguinte, tendo sido oficializada em setembro. O logotipo do projeto, de autoria do desenhista Joaquín Mallo, foi apresentado em 25 de setembro de 2007, após escolha de um júri especializado. A imagem mostra o contorno de uma mão aberta com as cores dos anéis olímpicos e traz em sua base uma letra "M" maiúscula.

O projeto thumb|direita|250px|O Estádio Santiago Bernabéu seria a sede das finais do futebol. thumb|direita|250px|Sistema de metrô projetado para 2016.

O Comitê Olímpico Internacional anunciou em 14 de setembro de 2007 as cidades postulantes a sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016. Madrid concorreria com Baku, no Azerbaijão, Chicago, nos Estados Unidos, Doha, no Qatar, Praga, na República Checa, Rio de Janeiro, no Brasil, e Tóquio, no Japão. As cidades teriam até 14 de janeiro de 2008 para responder ao questionário do Comitê Olímpico Internacional. A partir das respostas, seriam definidas as cidades candidatas.

O projeto de Madrid era realizar os Jogos Olímpicos entre 5 e 21 de agosto e os Jogos Paraolímpicos entre 9 e 20 de setembro, períodos escolhidos devido às boas condições climáticas e à diminuição no uso do transporte público. A candidatura esperava desenvolver a infraestrutura esportiva da região e gerar legados em cinco áreas: social, esportiva, econômica, ambiental e cultural. As competições seriam realizadas em duas áreas, a Zona Núcleo (o "coração" dos Jogos) e a Zona Rio (os "pulmões" dos Jogos).

O custo estimado da candidatura foi de 40,4 milhões de dólares. As obras de infraestrutura para os Jogos seriam custeadas com dinheiro público, e o restante da receita proviria de fontes privadas, como patrocínio, licenciamento de marca, venda de ingressos e de moedas e selos especiais. Das trinta instalações projetadas para os Jogos de Madrid, vinte e uma estariam a menos de 15 km da Vila Olímpica e vinte e cinco a menos de 12 km do centro da cidade. Na Zona Núcleo, região leste da cidade, estariam quinze locais de competição (entre eles o Estádio Olímpico), a Vila Olímpica e os centros de imprensa. Na Zona Rio, a revitalização urbana e ambiental do Rio Manzanares fazia parte do projeto, possibilitando a realização de onze modalidades às margens do rio. Fora dessas áreas, outras quatro modalidades seriam disputadas (entre elas o futebol, cuja final ocorreria no Estádio Santiago Bernabéu). Seis outras cidades também receberiam eventos dos Jogos: Valência (sede da Vela), Córdoba, Málaga, Mérida, Barcelona e Palma de Mallorca (todas sedes das preliminares do futebol).

Em relação a acomodação, o projeto de Madrid era ter em 2016 oitenta mil quartos de hotel, sendo mais de 42.000 com três, quatro ou cinco estrelas. Para os membros da imprensa, cinco mil quartos seriam reservados. O transporte público sofreria grandes reformas, como a ampliação do sistema de metrô e a abertura de novas estradas. O principal aeroporto utilizado seria o Barajas, tendo apoio de outros aeroportos nas sub-sedes. O Ministério do Interior da Espanha trataria da segurança dos Jogos, coordenando as atividades com os ministérios de Defesa e de Inteligência e outros órgãos regionais.

Madrid, que recebe milhões de turistas por ano, possui mais de 21.000 hectares de área verde, que podiam ser ampliados com as obras de revitalização do Rio Manzanares. Outras obras relacionadas ao meio ambiente faziam parte do projeto. Mais de 87% da população madrilenha desejava que os Jogos fossem realizados na cidade e nenhum grupo organizado manifestou oposição ao evento. O relatório de postulação terminou com uma lista dos eventos já sediados na Espanha, com destaque para a Universíada de Verão de 1999 (em Palma de Mallorca), o Campeonato Mundial de Atletismo de 1999 (em Sevilha), o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de 2003 (em Barcelona), e em Madri, como os Campeonatos Mundiais de ciclismo, tiro com arco e taekwondo (todos em 2005) e de badminton (em 2006).

Primeira avaliação do Comitê Olímpico Internacional Critério de avaliaçãoPesoNotasMínimaMáxima Apoio governamental 2 7,5 9,0 Infra-estrutura 5 7,9 8,9 Instalações esportivas 4 7,9 8,8 Vila olímpica 3 7,4 8,7 Acomodações e rede hoteleira 5 7,8 8,8 Impacto ambiental 2 7,4 8,8 Transporte 3 8,0 9,0 Segurança 3 7,1 7,9 Experiência em eventos esportivos 2 7,2 8,2 Economia 3 6,5 8,5 Visão geral e legados 3 8,0 9,0

O resultado da avaliação do Grupo de Trabalho designado para analisar os relatórios das sete cidades postulantes foi divulgado em março de 2008 e serviu de base para a escolha do Comitê Executivo do COI em junho. O Grupo de Trabalho estabeleceu pesos para os onze critérios de avaliação, levando em conta a quantidade de informações solicitadas às cidades postulantes e a capacidade delas de atingir as metas no período de tempo determinado. Critérios matemáticos foram usados para definir a nota de cada cidade em cada item de avaliação.

O projeto de Madri melhorou suas notas em relação à candidatura a sede dos Jogos de 2012 em oito critérios, e obteve a melhor nota entre as candidatas também em oito critérios. Os pontos criticados no processo anterior (acomodação, segurança e experiência em eventos esportivos) tiveram melhor avaliação neste, o que permitiu chegar à conclusão que a cidade aprendeu com as falhas do projeto para 2012. A cidade obteve nota 8,1 do Comitê Executivo do COI e logo foi considerada favorita, embora a realização dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012 em Londres, outra cidade europeia, pudesse atrapalhar a candidatura da capital espanhola.

As outras cidades que passaram na primeira fase e tornaram-se candidatas foram Tóquio (com nota 8,3), Chicago (nota 7,0) e Rio de Janeiro (nota 6,4).

A fase de candidatura 250px|thumb|direita|O Farol de Moncloa estampou marcas da candidatura.

250px|thumb|direita|A seleção masculina de basquetebol campeã do Eurobasket 2009 foi recebida com festa que também promoveu a candidatura de Madri.

Após o anúncio oficial de que Madrid era uma das finalistas, começou a segunda fase do processo, que contaria com a elaboração de um novo relatório, mais detalhado, e com a visita da Comissão Avaliadora do Comitê Olímpico Internacional.

A candidatura espanhola recebeu o apoio de diversos atletas, como a moçambicana Maria Mutola e o nigeriano naturalizado português Francis Obikwelu. Representantes da cidade viajaram à Pequim para participar do Programa de Observação dos Jogos Olímpicos de Verão de 2008, promovido pelo Comitê Olímpico Internacional. Durante o Programa, Madri recebeu o apoio do ex-ginasta chinês Li Ning. Em 2 de outubro, exatamente um ano antes da eleição que decidiria a cidade-sede dos Jogos de 2016, a chefe do Comitê de Madri, Mercedes Coghen, afirmou que a cidade era uma escolha segura, já que estava preparada para receber o evento. No dia seguinte, o projeto sofreu alterações que mudaram as sedes de seis modalidades, entre elas o remo e o handebol. No fim do ano de 2008 foram instaladas, na cidade, iluminações natalinas com o logotipo da campanha, a mão espalmada, em mais uma ação de promoção do evento. As escolhas de três espanhóis para a presidência das Federações Internacionais de Canoagem, Triatlo e Hóquei também impulsionaram a candidatura de Madri.

O relatório oficial, com os detalhes do projeto, foi entregue ao Comitê Olímpico Internacional em 11 de fevereiro de 2009. Resultado do trabalho de mais de 150 pessoas, os três volumes (que totalizaram mais de 600 páginas) abordaram dezessete temas (com destaque para meio ambiente e segurança) e incluíram garantias governamentais, mapas, tabelas e fotografias.

A visita da Comissão Avaliadora do Comitê Olímpico Internacional, chefiada pela ex-atleta marroquina Nawal El Moutawakel, ocorreu no início de maio. Madri foi a última cidade a receber a Comissão. Entre as atividades da passagem do grupo por Madri, estiveram apresentações do comitê de candidatura e visitas às instalações propostas.

No final de maio, o Fútbol Club Barcelona quis jogar a Final da Liga dos Campeões da UEFA com o logotipo da candidatura de Madri estampado no uniforme, em sinal de apoio, mas a UEFA não permitiu. No mesmo mês, a Agência Mundial Antidoping rejeitou a proposta de flexibilização das leis espanholas em relação ao tema, fato que atrapalharia a candidatura de Madri.

Em junho, as cidades candidatas tiveram, pela primeira vez na história, uma oportunidade de apresentar a candidatura para os membros do COI que elegeriam, meses mais tarde, a cidade sede dos Jogos de 2016. No evento, realizado no Museu Olímpico, as cidades tiveram uma hora e meia para expôr detalhes dos projetos e responder a questões formuladas pelos integrantes do Comitê. A apresentação de Madri focou em três temas: Missão e Visão, Projeto Técnico e Opção Segura. Em vídeos, políticos e esportistas falaram sobre o projeto e manifestaram o apoio popular que a cidade recebia.

Durante toda a fase de candidatura, o Comitê Madri 2016 viajou pelo mundo divulgando o projeto e participou de encontros da Organização Desportiva Pan-americana, do Conselho Olímpico da Ásia, dos Comitês Olímpicos Europeus e da Associação de Comitês Olímpicos Nacionais da África.

Relatório da Comissão Avaliadora Após as visitas às cidades candidatas e as análises dos dossiês, a Comissão Avaliadora elaborou um relatório técnico sobre as condições de cada cidade, que serviu de base para os membros do COI formarem sua opinião na eleição final, em 2 de outubro de 2009. Diferentemente do primeiro relatório, este não trouxe notas ou sugestões, apenas apresentou o parecer da Comissão.

O projeto de Madrid foi severamente criticado nos aspectos de Estrutura organizacional do comitê, Leis antidoping e Garantias governamentais. A Segurança e a Infraestrutura foram os itens mais elogiados na avaliação.

Repercussão