O furacão Hanna foi o oitavo ciclone tropical dotado de nome e o quarto furacão da temporada de furacões no Atlântico de 2008. O Hanna formou-se a leste-nordeste das ilhas de Sotavento das Pequenas Antilhas em 28 de agosto. O sistema seguiu para oeste-noroeste e, em 1º de setembro, começou a seguir erraticamente sobre as ilhas Turks e Caicos, onde atingiu seu pico de intensidade, com ventos máximos sustentados de 130 km/h. A partir de 3 de setembro, o Hanna começou a seguir para norte e para noroeste, seguindo paralelamente as Bahamas. Em 6 de setembro, o Hanna, já como uma enfraquecida tempestade tropical, atingiu a costa leste dos Estados Unidos, perto da divisa dos estados da Carolina do Sul e da Carolina do Norte. A partir de então, o Hanna começou a seguir para norte-nordeste e, no dia seguinte, começou a perder as suas características tropicais, se tornando um ciclone extratropical sobre a região da Nova Inglaterra. Devido às intensas chuvas causadas pelo furacão, severas enchentes foram relatadas no Haiti, que causaram a morte de 537 pessoas. Com isso, o Hanna é o furacão mais mortífero desde o furacão Stan, em temporada de furacões no Atlântico de 2005. Nos Estados Unidos o Hanna causou 160 milhões de dólares (valores em 2008) em prejuízos. No entanto, os danos provocados pelo sistema tropical no Haiti ainda são desconhecidos.
História meteorológica thumb|200px|left|O caminho do Hanna Uma onda tropical deixou a costa ocidental da África em 19 de agosto e seguiu para oeste sobre o Atlântico norte tropical. Áreas de temporais e trovoadas começaram a se formar gradualmente em associação à onda e, em 26 de agosto, a onda tropical formou uma área de baixa pressão a cerca de 880 km a leste-nordeste das ilhas de Sotavento das Pequenas Antilhas. A área de baixa pressão começou a mostrar sinais de organização e o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) classificou o sistema para a sétima depressão tropical da temporada às 00:00 (UTC) de 28 de agosto; naquele momento, o centro ciclônico de baixos níveis da depressão localizava-se a cerca de 510 km a leste-nordeste das ilhas de Sotavento das Pequenas Antilhas.
A depressão continuou a se intensificar e se tornou a tempestade tropical Hanna apenas 12 horas depois da formação da depressão. No entanto, a aparência da tempestade tropical em imagens de satélite começou a se degradar mais tarde naquele dia; as principais áreas de convecção profunda estavam localizadas a oeste do centro ciclônico de baixos níveis, indicando a presença de cisalhamento do vento moderado. O aumento do cisalhamento do vento foi provocado pela passagem de uma área de baixa pressão de altos níveis localizada a noroeste do Hanna. Mesmo com a presença de cisalhamento moderado do vento, o Hanna continuou a se intensificar lentamente assim que seguia para oeste-noroeste, sob a influência de uma alta subtropical ao seu norte. Em 30 de agosto, a aparência do Hanna em imagens de satélite estava bastante degradada, assemelhando-se à aparência de um ciclone subtropical, assim que a área de baixa pressão de altos níveis realizou a sua aproximação máxima da tempestade tropical. A área de alta pressão seguiu para o sul e se dissipou, diminuindo o cisalhamento do vento associado e favorecendo as condições meteorológicas para a intensificação do Hanna. Com isso, novas áreas de convecção profunda começaram a se formar em associação à tempestade a partir da madrugada de 1 de setembro. Durante aquele dia, o Hanna sofreu um período de rápida intensificação. Com o afastamento do furacão Gustav, que seguia sobre os Estados Unidos naquele momento, a alta subtropical se fortaleceu, forçando o Hanna a se deslocar mais lentamente e a seguir para sul-sudoeste e para sul. No começo da noite de 1 de setembro, um avião caçador de furacões sobrevoou o Hanna e constatou que a tempestade tropical tinha se tornado um furacão de categoria 1 na escala de furacões de Saffir-Simpson a apenas alguns quilômetros ao norte de Caicos, Turks e Caicos. Mais tarde naquele dia, o avião caçador de furacões verificou que a pressão central mínima tinha caído para 978,9 mbar, e observações meteorológicas de superfície feitas em Pine Cay, em Caicos, indicaram que os ventos máximos sustentados tinham aumentado para 140 km/h enquanto o furacão seguia sobre a ilha de Providenciales, Turks e Caicos. Imagens de satélite no canal infravermelho mostraram que o Hanna tinha um olho, ainda que obscurecido por nuvens cirrus.
No entanto, logo depois, o Hanna começou a se enfraquecer rapidamente assim que o cisalhamento do vento em associação à alta subtropical, que se fortalecia ao seu norte, aumentou. Com isso, o Hanna enfraqueceu-se para uma tempestade tropical por volta das 12:00 (UTC) de 2 de setembro. Durante a rápida tendência de enfraquecimento do Hanna, o sistema tropical começou a seguir para oeste-sudoeste e para sudoeste, passando muito perto de Grande Inagua, no sudeste das Bahamas. Seguindo para sudoeste, o centro do Hanna passou a apenas 55 km/h da costa do Haiti durante a madrugada de 3 de setembro. Mais tarde naquele dia, o Hanna começou a interagir com outra área de baixa pressão de altos níveis, localizada sobre as Bahamas, e novamente começou a se degradar quanto à sua aparência em imagens de satélite, assemelhando-se novamente com um ciclone subtropical. A partir de então, o Hanna começou a seguir para norte e começou a se intensificar gradualmente e seguiu sobre Middle Caicos, Turks e Caicos, por volta das 18:00 (UTC) daquele dia. Continuando a seguir para norte, a trajetória do Hanna executou um loop ciclônico e, a partir de então, começou a seguir para noroeste assim que o Hanna começou a se interagir com a periferia da alta subtropical sobre o Atlântico. Em 4 de setembro, a intensidade do Hanna estabilizou em 100/110 km/h e seguiu paralelamente e a leste das regiões central e noroeste das Bahamas. Assim que o Hanna alcançou o extremo oeste da alta subtropical e se separou da área de baixa pressão de altos níveis, começou a seguir novamente para norte, passando a cerca de 275 km/h da costa da Flórida, Estados Unidos. Continuando a seguir para norte, o Hanna fez landfall na costa leste dos Estados Unidos, perto da divisa dos estados da Carolina do Norte e da Carolina do Sul, com ventos de até 110 km/h, por volta das 07:20 (UTC) de 6 de setembro. Sobre terra, começou a se enfraquecer enquanto cruzava a região de Mid-Atlantic, nos Estados Unidos. O Hanna começou a seguir para nordeste e seu centro passou perto da cidade de Nova Iorque pouco depois da meia-noite de 7 de setembro.
Pouco depois, o Hanna começou a sofrer transição extratropical assim que seguia velozmente sobre a região da Nova Inglaterra, ainda nos Estados Unidos. O sistema extratropical remanescente do Hanna continuou a seguir para leste-nordeste assim que se fundiu com uma frente fria, e seguiu em direção às províncias atlânticas do Canadá. O centro do ciclone passou sobre Nova Escócia, Canadá, ainda naquela tarde, antes de seguir para leste-nordeste e passar sobre o sul da ilha de Terra Nova. Logo após, o ciclone extratropical remanescente do Hanna ficou menos definido logo a leste-sudeste de St. John's, Terra Nova e Labrador, assim que se fundiu com um segundo sistema frontal. Um outro ciclone extratropical que tinha se formado naquela região absorveu o sistema remanescente do Hanna e se tornou um forte sistema extratropical sobre o Atlântico norte.Ocean Prediction Center. Fourteen Day Unified Surface Analysis Loop. Acessado em 15/09/2008.
Preparativos Caribe Em 30 de agosto, o governo das Bahamas emitiu um alerta de tempestade tropical para Turks e Caicos e para o sudeste das Bahamas. Durante a tarde de 31 de agosto, o alerta foi aumentado para um aviso de tempestade tropical para Turks e Caicos. O governo local ordenou a limpeza de ruas para evitar o possível arremesso de detritos pelos ventos fortes. Também fechou o fechamento de escolas e de aeroportos. O transporte naval entre as ilhas do arquipélago também foi suspenso enquanto perdurava a ameaça do Hanna à navegação. Nos dias seguintes, os alertas e avisos de tempestade tropical e de furacão foram se alternando nas regiões sudeste, central e noroeste das Bahamas; finalmente, em 4 de setembro, todos os alertas e avisos sobre o Hanna nas Bahamas foram descontinuados. No mesmo dia, também foram descontinuados os avisos e alertas para Turks e Caicos. Com a aproximação do Hanna da costa norte da ilha de São Domingos, os governos do Haiti e da República Dominicana também começaram a emitir avisos e alertas sobre o Hanna em 2 de setembro, que foram descontinuados dois dias mais tarde.
Estados Unidos Alertas de tempestade tropical começaram a ser emitidos para a costa leste dos Estados Unidos em 4 de setembro. A partir de então, vários alertas e avisos de tempestade tropical e de furacão foram emitidos, modificados e descontinuados, afetando as costas da Geórgia até a costa de Rhode Island. O último aviso de tempestade tropical foi descontinuado em 7 de setembro na porção sul da costa de Rhode Island.
A NASA anunciou que o deslocamento do ônibus espacial Atlantis, que iria na missão STS-125, para o Centro Espacial John F. Kennedy, poderia ser adiado em um dia devido à ameaça do Hanna. A Amtrak também cancelou algumas rotas de trem no sudeste dos Estados Unidos.
Na Carolina do Norte e na Virgínia, várias universidades, entre elas a Universidade da Carolina do Norte em Wilmington, em Wilmington, Carolina do Norte, a Christopher Newport University em Newport, Virgínia, o The College of William & Mary, em Williamsburg, Virgínia, o Old Dominion University, em Norfolk, a Universidade Estadual de Norfolk, também em Norfolk, o Virginia Wesleyan College e a Regent University, ambos em Virginia Beach, fecharam em 5 de setembro, voltando a ter aulas normais em 8 de setembro.
Ainda em 5 de setembro, a NASCAR anunciou que poderiam adiar a Nationwide Series de Emerson Radio 250 (programada para acontecer durante aquela noite), além da Sprint Cup Series de Chevy Rock and Roll 400 para 7 de setembro, já depois da passagem do Hanna pela Virgínia. Ambas as corridas aconteceram Richmond International Raceway, no condado de Henrico. Com o atraso da chegada do Hanna em 6 de setembro, o US Open de tênis começou normalmente, mas foi suspenso assim que os ventos e as chuvas fortes associadas ao Hanna chegaram. Perto dali, no estádio de Shea, o jogo de beisebol entre o New York Mets e o Philadelphia Phillies foi adiado para 7 de setembro com a chegada da tempestade. Em 5 de setembro, as associações rurais de água ao longo da costa leste e também dos estados vizinhos disseram que iriam se preparar para responder com prontidão a possíveis emergências. As associações ativaram as suas redes mútuas de ajuda, preparando-se para a chegada do Hanna e o furacão Ike, as associações ainda estavam provendo ajuda em áreas atingidas pelo furacão Gustav. Ainda naquele dia, a Organização de Medidas de Emergência da província canadense de Nova Brunswick declarou um aviso de "chuvas significativas" e de "enchentes localizadas" em 7 e 8 de setembro.
Em Long Island, as empresas de energia elétrica estavam se preparando para a chegada de um furacão mínimo; as empresas queriam testar a plena capacidade de sua infraestrutura resistir a uma forte tempestade. No condado de Nassau, telefonemas foram feitos para tentar recrutar voluntários para o corpo de bombeiros no caso de impactos que poderiam ser causados pela passagem do Hanna na região. No entanto, uma falha causada pelo congestionamento telefônico deixou a tentativa de recrutamento de voluntários praticamente impossível de ser realizada. Cerca de 800 trabalhadores ficaram em estado de alerta para efetuar possíveis reparos nas redes de eletricidade e de telefonia.http://www.newsday.com/services/newspaper/printedition/monday/longisland/ny-lihann085834125sep08,0,742443.story
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