thumb|upright=1.3|Nota de 100 quintilhões (1020) de pengő, a nota com maior valor numérico já emitida, Hungria, 1946. Notas de 1 sextilhão de pengő foram impressas, mas nunca emitidas. O acréscimo de zeros é sinal da desvalorização do poder de compra de uma moeda. thumb|upright=1.3|A hiperinflação na Venezuela representada pelo tempo que levaria para o dinheiro perder 90% de seu valor (média móvel de 301 dias, escala logarítmica invertida) Na economia, a hiperinflação é uma inflação muito alta e normalmente acelerada. Ela corrói rapidamente o valor real da moeda local, à medida que os preços de todos os bens aumentam. Isso faz com que as pessoas mudem para moedas estrangeiras mais estáveis, como o dólar americano. Quando medidos em moedas estrangeiras estáveis, os preços normalmente permanecem estáveis.

Ao contrário da inflação baixa, onde o processo de aumento de preços é prolongado e geralmente não é perceptível, exceto pelo estudo dos preços de mercado anteriores, a hiperinflação é um aumento rápido e contínuo nos preços nominais, no custo nominal dos bens e na oferta de moeda.Where's the Hyperinflation? , Forbes.com, 2012 Normalmente, no entanto, o nível geral de preços aumenta ainda mais rapidamente do que a oferta de dinheiro, à medida que as pessoas tentam se livrar da desvalorização da moeda o mais rápido possível. À medida que isso acontece, o estoque real de dinheiro (ou seja, a quantidade de dinheiro circulante dividido pelo nível de preços) diminui consideravelmente.Bernholz, Peter 2003, capítulo 5.3

Quase todas as hiperinflações foram causadas por déficits orçamentários do governo financiados pela criação de moeda.Bernholz, Peter 2003, capítulo 5.2 e tabela 5.1 A hiperinflação é frequentemente associada a algum estresse no orçamento do governo, como guerras ou suas consequências, convulsões sociopolíticas, colapso na oferta agregada ou nos preços de exportação ou outras crises que dificultam a arrecadação de impostos pelo governo. Uma queda acentuada na receita tributária real, juntamente com uma forte necessidade de manter os gastos do governo, associado a uma incapacidade ou falta de vontade de emprestar, pode levar um país à hiperinflação.

Definição Em 1956, Phillip Cagan escreveu The Monetary Dynamics of Hyperinflation, o livro muitas vezes considerado como o primeiro estudo sério da hiperinflação e seus efeitos (embora The Economics of Inflation de C. Bresciani-Turroni sobre a hiperinflação alemã tenha sido publicado em italiano em 1931). Em seu livro, Cagan definiu um episódio hiperinflacionário como começando no mês em que a taxa de inflação mensal excede 50% e termina quando a taxa de inflação mensal cai abaixo de 50% e permanece assim por pelo menos um ano.Phillip Cagan, The Monetary Dynamics of Hyperinflation, in Milton Friedman (Editor), Studies in the Quantity Theory of Money, Chicago: University of Chicago Press (1956). Os economistas geralmente seguem a descrição de Cagan de que a hiperinflação ocorre quando a taxa de inflação mensal excede 50% (isso equivale a uma taxa anual de 12.874,63%).

O International Accounting Standards Board emitiu orientações sobre regras contábeis em um ambiente hiperinflacionário. Ele não estabelece uma regra absoluta sobre quando surge a hiperinflação, mas lista fatores que indicam a existência de hiperinflação:

A população em geral prefere manter sua riqueza em ativos não monetários ou em uma moeda estrangeira relativamente estável. As quantias de moeda local detidas são imediatamente investidas para manter o poder de compra; A população em geral considera os montantes monetários não em termos de moeda local, mas em termos de uma moeda estrangeira relativamente estável. Os preços podem ser cotados nessa moeda; As vendas e compras a prazo ocorrem a preços que compensam a perda esperada de poder aquisitivo durante o período de crédito, mesmo que o prazo seja curto; As taxas de juros, salários e preços estão vinculados a um índice de preços; e A taxa de inflação acumulada ao longo de três anos aproxima-se ou excede 100%.

Histórico

A hiperinflação não é uma novidade. Em diversos países e outros períodos históricos foram conhecidos também processos inflacionistas extraordinários. O mais estudado de todos eles é o sofrido pela Alemanha depois da Primeira Guerra Mundial. A obrigação de pagar fortes indenizações às nações vencedoras e a caótica situação interna que impedia obter pela via fiscal os ingressos necessários, induziram a República de Weimar a financiar-se imprimindo papel moeda sem nenhuma contenção. Entre janeiro de 1922 e dezembro de 1923 a taxa acumulada de inflação ascendeu a um bilhão por cento. No ano de 1923 a situação alcançou um nível tão grande que os trabalhadores das fábricas recebiam a diária antecipada e davam o dinheiro a suas esposas para que fossem no mercado comprar tudo o que puder comprar.

Ainda mais grave foi a hiperinflação sofrida pela Hungria imediatamente depois da Segunda Guerra Mundial. Os preços se multiplicaram por mais de 1027 em doze meses, multiplicando-se duas vezes cada dia. Países como Rússia, Peru, Bolívia, Polônia, Áustria, Grécia, China, Argentina e mais recentemente Equador, Iugoslávia também tiveram hiperinflação.

Alemanha thumb|Uma moeda de 5 milhões de marcos valeria US$ 714,29 em janeiro de 1923, mas valia apenas cerca de um milésimo de um centavo em outubro de 1923

O governo recém eleito da jovem república de Weimar queria atender a todos os desejos de seus eleitores, mas não havia receitas de impostos suficientes para isso, então o mesmo recorreu a impressora de dinheiro, a república ainda tinha que pagar reparações de guerra astronômicas aos países vencedores e teve partes de seus territórios produtivos ocupados pelos países vencedores, deixando o estado debilitado.

América Latina

A hiperinflação latino-americana nunca alcançou essas taxas extremas, mas já foram muito mais perduráveis no tempo. A taxa média de inflação anual durante o período 1978-1987, por exemplo, foi de: 166% para o Brasil 257% para a Argentina 602% para a Bolívia % para o Peru (Alan García) % para o México (Miguel de la Madrid Hurtado)

Mas não foram as propostas estruturalistas senão as mais clássicas (restrição monetária e contenção do gasto público) as que conseguiram deter a espiral inflacionária. Isso sim, com efeitos muito desagradáveis para a população desses países. De fato, como consequência das repercussões de algumas políticas anti-inflacionistas excessivamente rígidas, no final dos anos 1980 ocorreram em vários países sul-americanos (Argentina, Peru, entre outros) motins espontâneos com assalto a lojas de alimentação por multidões procedentes dos bairros mais pobres. A cultura popular no México atribui a derrota do Partido Revolucionário Institucional (PRI) nas eleições do ano 2000 em parte às más políticas presidenciais diante da inflação e desvalorização que açoitaram aquele país em 1994, sob a presidência de Ernesto Zedillo Ponce de León.

Recentemente, a inflação na Venezuela passou da casa de um milhão porcento ao ano durante o ano de 2018. Estima-se que ela possa passar dos dez milhões por cento no ano de 2019.

Brasil

miniaturadaimagem|Base Monetária (M1) e Inflação Mensal no Brasil, a inflação cai de forma brusca devido aos vários congelamentos de preços e a base monetária devido aos sucessivos cortes de zeros na moeda. A Hiperinflação no Brasil ocorreu durante o período da década de 80 e 90, terminando só em 1994 com o Plano Real. A inflação atingiu % em 1993 e apenas nos 10 anos anteriores ao Plano Real, a moeda do país teve cinco mudanças de denominação.

Cabe destacar que a moeda já havia passado por uma redenominação em 1942, onde o mil-réis foi substituído pelo cruzeiro na paridade de 1 mil-réis por cruzeiro e mais tarde, em 13 de novembro de 1965, foi estabelecido pelo decreto-lei nº 1 a instituição do cruzeiro novo, destinado a substituir o cruzeiro então circulante na razão de 1000 cruzeiros antigos para 1 cruzeiro novo, sendo que a denominação cruzeiro novo veio a se tornar uma denominação transitória usada apenas até que as novas cédulas do padrão emitidas pela Casa da Moeda do Brasil viessem a ser colocadas em circulação, o que veio a ocorrer apenas em 15 de maio de 1970.

Quando da instituição do cruzeiro novo, o Banco Central do Brasil já havia sido criado por meio do decreto 4.595, de 31 de dezembro de 1964 e ficou responsável pela colocação de cédulas similares as então circulantes com carimbos de equivalência nos valores de 1, 5, 10 e 50 centavos, 1, 5 e 10 cruzeiros novos, que viriam a junto as moedas centesimais colocadas em circulação a partir de 1968, sendo que tais cédulas, junto a outras cédulas então circulantes do padrão anterior, vieram a ser retiradas de circulação e a perder seu valor legal entre 1972 e 1975.

Em 1978 foi lançada a cédula de 1000 cruzeiros, a primeira cédula da segunda família de cédulas, que viria a ser base para as novas cédulas que viriam a circular a partir de 1981, sendo que as duas famílias, que tiveram seu design sob a responsabilidade de Aloísio Magalhães, as únicas a circularem no Brasil entre a retirada das últimas cédulas do primeiro cruzeiro (e as similares com o carimbo de equivalência em cruzeiros novos) de circulação em 1975 até o segundo semestre de 1984, quando foram lançadas as duas primeiras cédulas da terceira família do cruzeiro, nos valores de 10 mil e 50 mil cruzeiros, sucedida pelo lançamento da cédula de 100 mil cruzeiros e pelas moedas da terceira família nos valores de 100, 200 e 500 cruzeiros no ano seguinte.

Em 1986, ocorreu a primeira redenominação após o fim do regime militar, ocorrida por meio do Plano Cruzado, implantado pelo governo Sarney, onde a partir do dia 28 de Fevereiro de 1986, 1000 cruzeiros então circulantes passaram a valer 1 cruzado, sendo que as moedas então circulantes, exceto as de 1 e 5 cruzeiros que vieram a perder o valor legal, passaram a ter equivalência na nova moeda, com as cédulas e moedas com valor nominal de 10, 20, 50, 100, 200 e 500 cruzeiros seguindo em circulação até 1987 e os demais valores inferiores a 10 mil cruzeiros permanecendo válidos até 1989.

Na ocasião, as cédulas da terceira família do cruzeiro, nos valores de 10 mil, 50 mil e 100 mil cruzeiros vieram a receber um carimbo circular com os dizeres Banco Central do Brasil e os valores de 10, 50 e 100 cruzados respectivamente, sendo emitidas mais adiante novas cédulas similares as mesmas com a nova denominação que vieram a acompanhar a cédula de 500 cruzados lançada em 1986 e a de 1000 cruzados lançada em 1987, bem como as cédulas de 5000 e 10000 cruzados, que viriam a ser lançadas no segundo semestre de 1988.

Ainda sob a égide do Plano Cruzado, foram lançadas em 1986 as moedas entre 1 centavo e 5 cruzados destinadas a substituir as moedas e as cédulas da segunda família do cruzeiro, bem como as moedas da terceira família do cruzeiro lançadas no ano anterior. Tais moedas foram complementadas no ano seguinte pela moeda de 10 cruzados lançada em 1987.

Em 1989, foi lançado o Plano Verão, onde na segunda redenominação monetária após o fim do regime militar se instituiu o cruzado novo com equivalência a mil cruzados, tendo as três últimas cédulas do cruzado, nos valores de 1000, 5000 e 10000 cruzados recebendo o carimbo de equivalência no formato triangular com os valores de 1, 5 e 10 cruzados novos respectivamente. As cédulas da segunda família do cruzeiro e as moedas então circulantes, com exceção da moeda de 10 cruzados, vieram a perder o valor. Ainda em 1989, foram lançadas moedas com o propósito de substituir as cédulas então circulantes nos valores abaixo de 1 cruzado novo e cédulas novas nos valores de 50, 100 e 200 cruzados novos, que vieram a ser complementadas pela cédula de 500 cruzados novos em 1990.