A história do petróleo no Brasil começou na década de 1870, antes que o primeiro poço fosse descoberto quando o óleo de baleia, usado como fonte de energia da iluminação pública, começou a ser substituído por derivados de petróleo. Antes disso, já havia um documento do Estado sobre o insumo. Tratava-se do “Instruções para a extração do petróleo e da nafta exigidas pelo governo”, de autoria do Museu Nacional.

Em 1864, o Império promulgou um decreto que autorizava um inglês, Thomas Denny Sargent, a explorar turfa, petróleo e outros minerais por 90 anos em Camamu e Ilhéus, na Bahia. Depois, em 1891, na primeira Constituição Republicana, as riquezas do subsolo foram consideradas de propriedades dos donos das terras em que eram encontradas.

Da pesquisa, passando pelas primeiras descobertas, até a viabilização de produção em escala, um longo caminho foi percorrido.

Desde o fim do século XIX que o Petróleo foi considerado uma riqueza mineral indispensável para o desenvolvimento econômico dos países. Em boa parte desse período o Brasil, graças a extensão do seu em grande parte inexplorado território, sempre alimentou a crença dos estudiosos e empresários nacionais de que contasse com grandes reservas, capazes de tornar o pais autossuficiente desse recurso energético, como o fizeram as grandes potências industriais do século XX, Estados Unidos e União Soviética.

Mas a prospecção de petróleo em território brasileiro se mostrou difícil e custosa, fazendo com que os governantes procurassem atrair a ajuda estrangeira. A falta de resultados geraria uma desconfiança generalizada, que teve seu auge em 1936 quando o prestigiado escritor e ex-adido comercial nos Estados Unidos Monteiro Lobato publicou o livro "O Escândalo do Petróleo", denunciando ações de empresas estrangeiras, principalmente a Standard Oil, no sentido de "não explorar e não deixar que explorem".

O assunto, pelas suas implicações estratégicas e patrióticas, tornou-se um dos temas que mais interessaram aos militares brasileiros. Ficou famoso o debate entre os Generais Júlio Caetano Horta Barbosa (que defendia a total exclusão dos estrangeiros da exploração do petróleo) e Juarez Távora (favorável a participação do capital estrangeiro). A corrente de Barbosa ganhou força quando, em seu mandato à frente do Conselho Nacional do Petróleo, foi enfim descoberto petróleo na Bahia, em 1939, no bairro do Lobato, em Salvador. As ações estrangeiras se renovaram com essa descoberta e após a Segunda Guerra Mundial houve a reação da opinião pública, com a campanha nacional do "O petróleo é nosso!".

Encampando a campanha Getúlio Vargas criou a Petrobras em 1953. Apesar das expectativas gerais nos 21 anos seguintes a Petrobras acumularia insucessos em relação ao objetivo de dar a autossuficiência ao país. A situação só iria mudar a partir da década de 1960, quando foram desenvolvidas técnicas de pesquisa marítima que levaram a descobertas do produto na plataforma continental brasileira, primeiro em Sergipe, em 1968, e na Bacia de Campos, em 1974. Em 1997 o monopólio estatal do petróleo foi quebrado e o Brasil enfim alcançou a capacidade de se tornar independente dos fornecedores estrangeiros dessa importante matéria-prima.

Primeiros estudos

Como se acredita que o petróleo é formado pela decomposição de material orgânico que ocorreu durante milhões de anos, as pesquisas em busca do valioso produto procuram indícios geológicos desse tipo de formação antiga. A evidência se deu a partir de achados de fósseis em depósitos de petróleo ou xisto betuminoso. No Brasil, no início do século XX, já haviam sido encontrados fósseis marinhos em áreas betuminosas.

Buscas por petróleo durante o Império

Orville Derby|200px|thumb|direita

Com a eclosão da Guerra Civil dos Estados Unidos investidores ingleses procuraram novas áreas no mundo para sondar a existência de petróleo. Thomas Denny Sargent estudou tratados geológicos e pediu a concessão para exploração em diversas áreas na Bahia, sendo atendido com o Decreto 3.352-A de 30 de novembro de 1864.

A segunda concessão foi em 1869, dada a Edward Pellew Wilson, que havia lido o livro de 1863 de Gustavo Adolfo de Menezes, denominado "Notícia Descritiva e Estatística da Riqueza Mineral na Província da Bahia". Esse ato acabou sendo contestado nos tribunais pois as terras cedidas, próximas do Rio Maraú, alcançaram a Fazenda Gamboa, de propriedade de João da Costa Júnior e de seus filhos.

As pesquisas não acharam petróleo, apenas reservas de um tipo de betume, batizado de "maruíta" por Orville Derby, diretor do futuro Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil. Algumas mortes na região como a de Fred Nicholson e Allan Fitzpatrick causaram rumores de ações estrangeiras que queriam deter a "concorrência". Da metade do século XIX até o final do Império estima-se terem entrado no pais cerca de 150 cientistas do solo, entre geólogos e paleontólogos, sendo que muitos dos resultados obtidos foram levados aos países de origem, permanecendo ignorados pelo cientistas e governo brasileiros.COTTA, Pery - O petróleo é nosso? - Guavira Editores - 1975 - pgs 173,177-178,182-183,184 a 186, 188 a 190,198 a 206,209, 215 a 216, 218, 220 a 221,227 a 230,236 a 238,242,245-246,252-253,263-264,266-267,272

Primeiro período republicano

200px|direita|thumb|Perfuração em Bofete, Estado de São Paulo, 1892 O escritor Monteiro Lobato por volta de 1920|thumb|200px|direita

Ao contrário de outras regiões no mundo, no Brasil as pesquisas mineralógicas continuavam esparsas no início do século. Em 1891 uma companhia britânica chegou a instalar uma torre metálica no litoral de Alagoas, mas a abandonou. As maiores pesquisas do período se concentraram em São Paulo, lugar onde já despontava a industrialização. Houve alguma notoriedade a exploração de Tito Lívio Martins no Morro do Bofete, na região de Tatuí, causa de muitos debates nos anos seguintes sobre a existência de petróleo nessa área, principalmente após a perfuração em 1892 de 48 metros por Eugênio Ferreira de Camargo, sucessor de Martins, quando foi encontrada areia argilosa com cheiro supostamente de petróleo. Glycon de Paiva afirmou que a perfuração alcançou mais de 400 metros e encontrou água sulfurosa (1940).

Outras concessões foram dadas nas terras de Guaratinguetá e Pindamonhangaba, dentre outras. As pesquisas geológicas do solo brasileiro continuaram sendo feitas principalmente por estrangeiros. John Casper Branner publicou um relatório em 1919, pela Sociedade Geológica dos Estados Unidos, no qual destacou possibilidades petrolíferas no Brasil. Já o norte-americano Israel Charles White, em trabalho publicado no Brasil em 1908 pelo Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil (organizado em 1907), descartou possibilidades de achar petróleo no sul do Brasil (seus estudos na região levaram a descobrir a chamada Coluna White).

Em trabalho designado por Orville A.Derby, o técnico e futuro diretor do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil Eusébio Paulo de Oliveira contestou essas conclusões, a partir de 1915 (ano do suicídio de Derby), em publicações nos anais da Escola de Minas de Ouro Preto (fundada em 1880). À essa altura o petróleo já alcançara o patamar dos grandes negócios internacionais, vital para o desenvolvimento industrial dos Estados Unidos e das nações europeias

O professor Luis Felipe Gonzaga de Campos sucedeu a Derby no Serviço Geológico. Pouco afeito as pesquisas de campo, o professor defendeu a elaboração de novas leis para o setor de mineração. Em 1910 apresentou um projeto de lei que não foi adiante. Em 1915 surgiu a primeira Lei de Minas - Lei Calógeras, substituída em 1921 pela Lei Simões Lopes. Campos incumbiu o engenheiro Avelino Inácio de Oliveira de realizar pesquisas de carvão-de-pedra e petróleo no Vale do Amazonas. Em 1917, Otávio Brandão anunciou haver evidências petrolíferas em Riacho Doce, Alagoas. Foi perseguido e novamente houve rumores de ações estrangeiras que incluiriam a morte de José Bach em 1918, encontrado boiando no canal do Calunga, junto à lagoa Mundaú.

Entre 1917 e 1918, o professor Eduardo Costa dirigiu perfurações em Rio Claro com auxilio de técnicos do Departamento Geológico de São Paulo e da Empresa Paulista de Petróleos. A companhia abandonou os trabalhos após ter sido negado pedido de subvenção ao governo. Em 1919 foi criada a Comissão Eusébio de Oliveira pelo Serviço Geológico, que concentrou a exploração do petróleo por ação governamental nos dez anos seguintes, uma vez que houve enfraquecimento da iniciativa privada no setor.

Em 14 de abril de 1920, houve perfuração do poço nº 12 em Garça Torta em Alagoas. Três poços foram perfurados em Cururupe, nas proximidades de Ilhéus na Bahia. Em São Paulo, houve a transferência das sondagens de Rio Claro para São Pedro. Iniciadas em 12 de julho de 1921, ali ocorreu a primeira incidência registrada de "gás natural" em todo o país. A busca por petróleo na região foi abandonada em 1926.

Em 20 de julho de 1925 foi aberto o primeiro poço em Itaituba, no Pará. Em 15 de janeiro de 1926, a sondagem de Afonso Galeão em Santo Amaro na Bahia alcançava pela primeira vez um lençol petrolífero. Em 1923 surgiu o livro do professor e funcionário de empresa, Valentim R.Garfias, "Petroleum Resources of the World", que trazia um capítulo sobre o Brasil e apontava locais promissores de exploração petrolífera ao longo da fronteira ocidental, Alto Amazonas e no litoral, desde São Paulo até Maceió.

Em 14 de dezembro de 1922 havia sido descoberto petróleo na Venezuela, pela companhia americana Venezuelan Oil Company, o que renovou o interesse pelas pesquisas no Amazonas, devido a similaridades geológicas. Com a descoberta de reservas importantes no Oriente Médio em 1927, os preços do petróleo caíram bastante. Em 1926 a Standard Oil Company investiu diretamente no Amazonas através de três companhias: The Amazon Corporation, American Brazil Exploration e Canadian Amazon Company Limited. A concessão obtida pela lei estadual 1.297 de 18 de outubro de 1926, foi cancelada pela Revolução de 1930.

Em 1927, o especialista norte-americano Chester Washburne foi contratado pelo Estado de São Paulo e concluiu haver petróleo naquele território, mas defendia que a exploração fosse entregue às companhias estrangeiras. Suspeitou-se de que estava à serviço delas, sendo que a Companhia Geral Pan-Brasileira, subsidiária da Standard Oil, iniciou compras de grandes porções de terras paulistas após a publicação em inglês das conclusões de Washburne. Anos depois, Monteiro Lobato afirmou que essas aquisições não tinham objetivo de exploração, mas de impedir a exploração por terceiros. O trabalho só foi publicado em português no ano de 1939, editado pelo Ministério da Agricultura, sob o título "Geologia do Petróleo do Estado de São Paulo". Lobato explicou sua posição no livro "O Escândalo do Petróleo" de 1936. O Serviço Geológico foi extinto em julho de 1933, após perfurar 127 poços, 63 especificamente buscando petróleo. A pouca profundidade que fora alcançada, foi ridicularizada por Lobato que chamou esses perfurações de "buraco de tatu".

Era Vargas

thumb|200px|direita|Getúlio Vargas

Com a Revolução de 1930 e a subida de Getúlio Vargas ao poder houve algumas mudanças em relação a "precária situação da indústria nacional de mineração" (conforme Juarez Távora, então Ministro da Agricultura): foram iniciadas medidas de proteção às riquezas naturais, racionalização dos processos de exploração e centralização normativa federal da matéria. Os órgãos foram reestruturados no âmbito do Ministério da Agricultura, a política do governo foi definida no Estatuto das Minas de 1934 e foi criado o Conselho Nacional do Petróleo (CNP) em 1938.