José Carlos Becker de Oliveira e Silva, também conhecido como Zeca Dirceu (Umuarama, 21 de junho de 1978) é um empresário e político brasileiro, filiado ao Partido dos Trabalhadores que atualmente ocupa o cargo de deputado federal pelo Paraná em seu quarto mandato. Antes de ser deputado, Zeca Dirceu foi prefeito de Cruzeiro do Oeste, no noroeste do estado do Paraná.

Zeca Dirceu é filho de José Dirceu com sua primeira esposa, Clara Becker. Quando nasceu seu pai estava vivendo sob uma identidade falsa para fugir da repressão da ditadura militar. Zeca se filiou ao PT em 1996, com 18 anos, e se candidatou a cargos eletivos pela primeira vez em 2000, quando concorreu ao cargo de vereador do município de Cruzeiro do Oeste, no Paraná, porém sem conseguir se eleger. Em 2004 se candidatou novamente, dessa vez a deputado federal pelo Paraná, mas não conseguiu se eleger novamente.

Em 2004 lançou candidatura à prefeitura de Cruzeiro do Oeste, sendo eleito no primeiro turno com 72,09% dos votos válidos. Em 2008 foi reeleito também no primeiro turno, com 69,86% dos votos válidos. Em 2010 deixou a prefeitura de Cruzeiro do Oeste para se candidatar ao cargo de deputado federal pelo Paraná, sendo eleito na ocasião com 109 565 votos. Desde então, Zeca Dirceu foi reeleito mais três vezes para o Congresso Nacional: em 2014, quando recebeu 155 583 votos; em 2018, quando recebeu 77 306 votos; e em 2022, quando recebeu 123 033 votos. Foi líder da bancada do PT na Câmara em 2023.

Primeiros anos José Carlos Becker de Oliveira e Silva nasceu no dia 21 de junho de 1978, em Umuarama, no interior do Paraná, filho de Clara Becker e José Dirceu, que na época vivia sob a identidade falsa de "Carlos Henrique Gouveia de Melo". Sua mãe só ficou sabendo da identidade verdadeira do marido após a promulgação da Lei da Anistia, em 1979, quando Zeca tinha pouco mais de um ano de idade. Após um breve período vivendo em São Paulo com os pais, Clara voltou para o interior do Paraná com o filho, se divorciando oficialmente de José Dirceu dois anos depois.

Zeca se filiou ao Partido dos Trabalhadores aos dezoito anos de idade, em 1996. Em reportagem da Folha de S.Paulo de 1999, declarou que tinha interesse em entrar na política da cidade em que vivia, Cruzeiro do Oeste, como vereador para tornar o "lugar mais bonito e com mais empregos." No ano seguinte se candidatou a um cargo eletivo pela primeira vez, tentando se eleger vereador de Cruzeiro do Oeste, porém, sem conseguir se eleger após receber apenas 231 votos. Em 2002 se candidatou novamente, dessa vez a deputado federal, porém, também novamente, sem êxito.

Em 2004, Zeca se envolveu em polêmica após a Folha de S.Paulo publicar que o filho do então ministro-chefe da Casa Civil – apesar de não ocupar cargo público – "conseguiu, além de encontros com ministros, empenhar pelo menos R$ 1,4 milhão em recursos da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e do Ministério da Assistência Social em 2003". A promotoria de justiça chegou a iniciar investigações para apurar se houve prática de improbidade administrativa. À época, Zeca, que trabalhava em uma representação da Secretaria do Trabalho do estado do Paraná, declarou que as relações que mantinha em Brasília eram legítimas e que pagou pelas viagens com o próprio dinheiro.

Prefeito de Cruzeiro do Oeste (2005 - 2010) Zeca Dirceu foi lançado pré-candidato à prefeitura de Cruzeiro do Oeste por seu pai – então ministro-chefe da Casa Civil – no ano de 2003, quando este visitou a região. Em 2004, Zeca foi lançado candidato pelo Partido dos Trabalhadores e foi eleito prefeito do município com 72,09% dos votos válidos. Em 2005, foi eleito presidente da Associação dos Municípios de Entre Rios. Em 2008, foi reeleito com 68,86% dos votos válidos.

Durante a sua gestão, foi noticiado pela imprensa que o município de Cruzeiro do Oeste era um dos mais beneficiados com repasses de recursos advindos do governo federal, sendo cerca de 5,6 milhões de reais entre 2008 e 2009. Uma reportagem de outubro do mesmo ano divulgou que o valor havia ultrapassado a soma de 10 milhões de reais, o que representaria um montante de 552,85 reais per capita, um valor que, na época, ultrapassou o montante destinado a cidades como São Paulo e Curitiba. Procurado, o então prefeito negou que tenha havido qualquer favorecimento, atribuindo a quantidade de recursos repassados "à elaboração de projetos de acordo com as exigências dos ministérios".

Deputado federal (2011 - presente)

Primeiro mandato (2011 - 2015) miniaturadaimagem|Zeca Dirceu (primeiro da esquerda para a direita, na mesa mais alta) durante encontro da bancada do PT em fevereiro de 2011. Deixou a prefeitura de Cruzeiro do Oeste em 2010 para se candidatar ao cargo de deputado federal pelo Paraná, sendo eleito com 109 565 votos, o que o tornou o segundo candidato do PT mais bem votado no Paraná. Nesse primeiro mandato foi escolhido como vice-líder da bancada do PT na Câmara, além de integrar a Comissão de Viação e Transportes.

Foi durante esse primeiro mandato que o pai de Zeca, José Dirceu, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal pela suposta prática dos crimes de formação de quadrilha e corrupção passiva. Na ocasião, o deputado declarou que a condenação do pai foi obra de um judiciário influenciado pela mídia. Após a prisão do pai, Zeca comparou a situação com o período da ditadura militar, quando Dirceu foi preso e torturado.

Segundo mandato (2015 - 2019) Em 2014, Zeca Dirceu se candidatou à reeleição para o cargo de deputado federal, sendo eleito com 155 283 votos, sendo, na ocasião, o candidato do PT mais bem votado do Paraná e o oitavo candidato mais bem votado do estado de forma geral. No primeiro ano do seu segundo mandato foi escolhido como o relator do Plano Plurianual 2016-2019, que alinhou pela primeira vez o texto com as metas definidas pelo Plano Nacional de Educação, que exige um investimento anual de 7% do Produto Interno Bruto na área da educação.

Em 17 de abril de 2016, votou contra a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Após o impeachment de Dilma Rousseff, Zeca Dirceu se colocou como opositor do governo de Michel Temer, que caracterizou como "entreguista", dizendo que esse tinha o propósito apenas de privatizar o patrimônio público do país. Em agosto de 2017 votou a favor do prosseguimento das investigações contra Temer, que havia sido denunciado pela Procuradoria Geral da República pela suposta prática do crime de corrupção passiva. Em outubro do mesmo ano votou novamente pelo prosseguimento das investigações contra Temer, dessa vez denunciado pelos crimes de organização criminosa e obstrução de justiça. Em ambas as ocasiões as denúncias foram rejeitadas pela Câmara dos Deputados (na primeira por 263 votos contra 227 e, na segunda vez, por 251 votos contra 233).

Além disso, também se declarou contrário às Reformas Trabalhista e da Previdência propostas pelo governo Michel Temer, que caracterizou como "retirada de direitos". Ainda em 2017, posicionou-se contrário ao Projeto de Lei 4.302/1998, de autoria do Executivo que liberou a terceirização irrestrita para todas as atividades das empresas. O projeto foi aprovado por 231 votos a favor, 188 contra e 8 abstenções.

Naquele mesmo ano, Zeca Dirceu se posicionou contrário à maioria das chamadas "dez medidas contra a corrupção", propostas por então integrantes do Ministério Público Federal como o então coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato Deltan Dallagnol. Na ocasião, votou apenas a favor do destaque que permitia com que juízes e integrantes do Ministério Público pudessem responder pelo crime de abuso de autoridade quando atuarem com conduta incompatível com o cargo. Além disso, se absteve com relação a três "medidas" propostas pelo MPF.

Terceiro mandato (2019 - 2023) Zeca Dirceu se posicionou e votou contra a proposta de Reforma da Previdência enviada pelo governo Jair Bolsonaro em 2019, afirmando que a reforma preservava privilégios enquanto "entregava [a Previdência] na mão dos bancos, dos banqueiros". Durante os debates a respeito da reforma na Comissão de Constituição e Justiça, o deputado se envolveu em uma discussão com o então ministro da fazenda do governo Jair Bolsonaro Paulo Guedes. Zeca, na ocasião, afirmou que Guedes era "tigrão com aposentados e trabalhadores, mas [...] 'tchutchuca' com quem tem privilégios". Paulo Guedes, irritado, exigiu respeito de Zeca Dirceu e devolveu o insulto à mãe do deputado. Em meio às ofensas, o deputado Felipe Francischini, presidente da CCJ, determinou o encerramento da sessão.

Em dezembro de 2019, votou a favor do fundo eleitoral de 3,8 bilhões de reais destinados às candidaturas de 2020.

Quarto mandato (2023 - presente) miniaturadaimagem|Zeca Dirceu discursando durante a reinauguração do gabinete da liderança do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, que havia sido depredada durante os atos de 8 de janeiro de 2023. Em janeiro de 2023, ainda antes do início das atividades legislativas, Zeca foi eleito e assumiu a liderança da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, sucedendo o deputado mineiro Reginaldo Lopes. A posse de Zeca é parte de um acordo entre as diversas correntes do PT para dividir a liderança na Câmara durante os anos em que o partido ocupasse a presidência da República. Em fevereiro de 2024, seguindo esse acordo, entregou a liderança da bancada do partido para o deputado Odair Cunha, que representa a mesma corrente interna de Zeca Dirceu: a "Construindo um Novo Brasil".

Controvérsias

Em 2016, se envolveu num escândalo no município de Cruzeiro do Oeste, sendo acusado de difamar um candidato a prefeito. A polícia afirmou que houve a abertura de inquérito, e que o caso seria encaminhado para o Supremo Tribunal Federal, visto que como deputado, Zeca Dirceu tem foro privilegiado.

Em abril de 2017, o Ministério Público Federal passou a investigar Zeca Dirceu na Operação Lava Jato junto com seu pai, o ex-ministro José Dirceu, acerca de um possível recebimento de propina no valor de duzentos e cinquenta mil reais da Organização Odebrecht (atual Novonor). Em outubro do mesmo ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin determinou o arquivamento do inquérito que investigava o deputado Zeca Dirceu na Lava Jato. Fachin atendeu pedido da Procuradoria Geral da República, que não encontrou indícios de que o parlamentar tinha participação do esquema apurado.

Em 19 de maio de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, anulou a condenação de Zeca Dirceu por postagens feitas em redes sociais em que afirmava que o ex-procurador da Operação Lava Jato e pré-candidato ao Senado pelo partido Novo, Deltan Dallagnol está inelegível.

Desempenho eleitoral +AnoEleiçãoCargoPartidoVotosResultadoTotal%2000Municipal de Cruzeiro do Oeste (PR)VereadorPT2310,22%2002Estadual do ParanáDeputado federal16.4970,41%2004Municipal de Cruzeiro do Oeste (PR)Prefeito8.51472,09%2008Municipal de Cruzeiro do Oeste (PR)Prefeito8.02168,86%2010Estadual do ParanáDeputado federal109.5651,93%2014Estadual do ParanáDeputado federal155.5832,75%2018Estadual do ParanáDeputado federal77.3061,35%2022Estadual do ParanáDeputado federal123.0332,01%

Condecorações Zeca Dirceu recebeu títulos de cidadão honorário em diversos municípios do interior do Paraná. Em 2012, foi o escolhido da revista Veja para o prêmio de deputado federal mais atuante do estado. Além disso, também foi eleito Também foi eleito o deputado federal mais atuante no "Melhores do Ano" realizado pela VS Pesquisas e Promoções em 2013, e em 2014 premiado como Sócio Emérito da Associação Brasileira dos Municípios (ABM)

Em 21 de novembro de 2023 foi agraciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a honraria de Grande Oficial da Ordem do Rio Branco.

Ligações externas Página oficial Página do deputado Zeca Dirceu no site da Câmara dos Deputados

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