miniatura|Figura em cerâmica retratando o Zé Povinho, por Rafael Bordalo Pinheiro. miniatura|Primeira caricatura do "Zé Povinho" em "A Lanterna Mágica" (1875).

Zé Povinho é uma personagem satírica de crítica social, criada por Rafael Bordalo Pinheiro e adoptada como personificação nacional portuguesa.

História Surgiu pela primeira vez na 5.ª edição do periódico "A Lanterna Mágica", a 12 de Junho de 1875, na caricatura intitulada "Calendário 'Portuguez'", alusiva aos impostos, onde se representa o então Ministro da Fazenda, Serpa Pimentel, a sacar ao Zé Povinho uma esmola de três tostões para Santo António de Lisboa (representado por Fontes Pereira de Melo) com o "menino" (D. Luís I) ao colo, tendo ao lado o comandante da Guarda Municipal, de chicote na mão, presente para prevenir uma eventual resistência.

Nas edições seguintes do periódico, a caricatura do Zé Povinho continuou a surgir com o personagem de boca aberta e a não intervir, resignado perante a corrupção e a injustiça, ajoelhado pela carga dos impostos e ignorante das grandes questões do país.

Tomou forma tridimensional, popularizando-se com a cerâmica da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, a partir do último quartel do século XIX.

Figura marcante da caricatura de Bordalo Pinheiro,Nas 10 mil páginas de caricaturas e cenas, feitas entre 1870 e o princípio de 1905, o Zé Povinho é retratado em cerca de 300 diferentes desenhos, em diferentes poses. D'ANUNCIAÇÃO, Pedro. "Um Zé Povinho Apalermado e Subserviente". in: 100 Anos de Bordalices. Suplemento da Gazeta das Caldas, 24 de Março de 2006. p. 18. tornou-se uma figura identificativa do povo português, criticando de uma forma humorística os principais problemas sociais, políticos e económicos do país ao longo da sua história, caricaturando o povo português na sua característica de eterna revolta perante o abandono e esquecimento da classe política, embora pouco ou nada fazendo para alterar a situação.

Personagem citado por E. F. Piloni em mensagens endereçadas a J.M.D.Marçal Jr., ao compara-lo a um figurão dramático que, ora vale algo, ora perde-se o valor. Carinhosamente cunhado pela autora da anedota, deixando um certo ar de confusão ao dizer que trata-se de um homem comum, simples, do povo; zé. Expressão popular essa que significa gente simples, indivíduo do povo. Zé, é uma forma popular de exprimir o homem do povo.

Características O próprio Bordalo Pinheiro definiu o personagem: "O Zé Povinho olha para um lado e para o outro e… fica como sempre… na mesma".

Entretanto, apesar de relativamente simples, é uma figura cheia de contradições:

"Mas se ele é paciente, crédulo, submisso, humilde, manso, apático, indiferente, abúlico, céptico, desconfiado, descrente e solitário, também não deixa por isso de nos aparecer, em constante contradição consigo mesmo, simultaneamente capaz de se mostrar incrédulo, revoltado, resmungão, insolente, furioso, sensível, compassivo, arisco, activo, solidário, convivente…".Medina, João. "O Zé Povinho, caricatura do «Homo Lusitanus»" in Estudos em Homenagem a Jorge Borges de Macedo. Lisboa: INIC, 1992.

O personagem tem como característica principal o gesto do manguito (o "Toma!"), representando a sua faceta de revolta e insolência.

Galeria

Ver também o Zé povinho relacionado Museu Rafael Bordalo Pinheiro Museu de Cerâmica (Caldas da Rainha)

Ligações externas

Visita Guiada - Rafael Bordalo Pinheiro Episódio 15, 13 de junho de 2016, temporada 6, programa de Paula Moura Pinheiro na RTP

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