Hugo Capeto (Paris, 941 – Paris, ) foi o Rei dos Francos desde a sua eleição em 987 até à sua morte. Foi o primeiro monarca da Casa de Capeto, sucedendo ao último rei carolíngio Luís V.

Biografia Infância Hugo nasceu provavelmente no castelo de Dourdan entre 939-941. É filho de Edviges da Saxónia (irmã de Otão I) e de Hugo, o Grande.

A 16 de Junho de 956, Hugo, o Grande morre em Dourdan e o seu filho Hugo Capeto deveria herdar um poder de primeira ordem: em Roma, o papa reconhece-o como «glorioso príncipe dos Francos». A meio do século X, a competição pela coroa entre os Carolíngios e Robertianos inicia-se, e a vitória destes últimos é quase inevitável. A legitimidade robertiana concretiza-se ainda mais através do jogo de alianças. Corre nas veias de Hugo Capeto sangue carolíngio levado por sua avó paterna (Beatriz de Vermandois), mas também sangue germânico por ascendência direta. Esta origem provém da Renânia e não da Saxónia. Enfim, o seu pai tinha-se aliado com o novo rei da Germânia Otão I, tendo desposado a irmã Edviges de Saxónia para contrariar o desejo de Luis IV sobre a Lotaríngia. No total, à morte de seu pai, Hugo Capeto herdou teoricamente um título prestigioso e um poder principesco.

Nome Existem várias hipóteses para explicar o cognome Capeto, que serviu para distinguir Hugo do seu pai. A etimologia popular segue a explicação de ser o rei da capa (chappet), uma vez que antes de ser rei já era abade, e os abades da época usavam uma capa característica (em português: capelo, que por motivos semelhantes foi o cognome do rei Sancho II de Portugal).

Outras etimologias derivam dos termos para chefe (caput), zombador (capetus) ou cabeça grande (capillo).Dictionnaire Universel d'Histoire et de Géographie (Bouillet et Chassang) Pensa-se também que o cognome do seu pai foi atribuído depois da sua morte, a partir do latim Hugo Magnus, Hugo o Velho, sendo o seu filho Hugo o Novo, e podendo Capeto ser uma invenção do século XII.The Origins of France: From Clovis to the Capetians 500-1000, Edward James, London: Macmillan, 1982 (ISBN 0312588623)

O reino e a sociedade do século X A Francia dos Robertianos Robertianos Desde o fim do século IX, a política real não se pode fazer sem os descendentes de Roberto, o Forte dos quais faz parte Hugo Capeto. A outorga da coroa tornou-se electiva, as maiores famílias do reino disputavam-na. Os Robertianos beneficiam da juventude desde a decadência de Carlos, o Simples para ascender ao trono. Odão de França ou Roberto I, respetivamente tio-avô e avô de Hugo Capeto, foram reis dos Francos (888-898 e 922-923).

Hugo Capeto era sobrinho-neto e neto, respectivamente, dos carolíngios Odo I de Paris e Roberto I, os dois únicos reis dos francos eleitos. O seu sétimo avô por parte de sua avó Beatriz de Vermandois era Carlos Magno. Hugo pertencia então a uma família poderosa e com muitas ligações à nobreza reinante da Europa.Les Carolingiens: Une famille qui fit l'Europe, Pierre Riché, Paris: Hachette, 1983. (ISBN 2-012-78551-0)

Mas apesar disso, o seu pai nunca chegou a rei. Hugo, o Grande é confrontado com a ascensão ao poder de Herberto II de Vermandois que controla por sua vez o Vexin, Champagne e Laon, outorga a arquidiocese de Reims a seu filho Hugo e alia-se ao imperador Henrique I da Germânia. O robertiano, que tinha já decidido renunciar à coroa em 923 em favor de Raul de França, a falta de um herdeiro do sexo masculino susceptível de gerir o seu principado, coloca sob o trono em 936 o jovem carolíngio Luís IV, refugiado em Inglaterra desde a decadência de seu pai Carlos, o Simples e desprovido de todas as posses na Francia, sublinhando que ele seria ilegítimo empurrar para o trono alguém estranho à linhagem de Carlos Magno.

Quando Raul I de França morreu em 936, Hugo, o Grande organizou o regresso de Luís de Ultramar, filho de Carlos III de França, do seu exílio na corte de Etelstano de Inglaterra. Não se sabe ao certo os seus motivos, mas presume-se que agiu para evitar que o trono francês fosse atribuído a outros pretendentes: Hugo, o Preto, o irmão de Raul e seu sucessor no ducado da Borgonha; Herberto II de Vermandois; e Guilherme I da Normandia.Histoire du Moyen Âge français: Chronologie commentée 486-1453, Laurent Theis, Paris: Perrin, 1992 (ISBN 2-87027-587-0) Luís IV atribui-lhe o título de dux Francorum (duque dos francos), o que anuncia um novo título real. O rei qualifica-o oficialmente (talvez sob pressão) como « o segundo depois de nós em todos os nossos reinos ». Ele ainda ganha poder quando o seu grande rival Herberto de Vermandois morreu em 943, porque o seu principado poderoso é então dividido entre seus quatro filhos.

Hugo, o Grande domina então numerosos territórios entre Orleães-Senlis e Auxerre-Sens. Finalmente, o duque dos Francos está à frente dos bispos e abades tais como Marmontier (perto de Tours), de Fleury-sur-Loire (perto de Orleães) e de Saint-Denis. Ele é também abade laico da colegial de Saint-Martin de Tours pela qual Hugo, o Grande e sobretudo o seu filho Hugo « Capeto » herdaram talvez o seu apelido em referência à cappa (a capa de Martinho de Tours) conservada como relíquia nesse local.

Quando seu pai, Hugo, o Grande, morreu em 16 de Junho de 956, Hugo Capeto, o mais velho de seus três filhos varões, era ainda menor. Foi colocado, juntamente com os seus dois irmãos, sob a tutela do seu tio materno, Bruno, duque de Lorena e arcebispo de Colónia.

Herdeiro do seu pai, e por isso um dos mais poderosos nobres do reino, tornou-se conde d'Orleães e abade laico das abadias de São Martinho de Tours, Saint-Germain-des-Prés e Saint-Denis. Em 960 o rei Lotário de França concedeu-lhe os títulos que o seu pai detivera: duque dos francos e marquês de Nêustria. Era o nobre mais rico de seu tempo.

Os nobres dos territórios vizinhos aos de Hugo aproveitaram a oportunidade da sua menoridade. Teobaldo I de Blois, um antigo vassalo de Hugo Magno, tomou os territórios de Chartres e Châteaudun. Mais a sul, na fronteira do reino, Fulque II de Anjou, outro antigo cliente de o Grande, construiu um principado à custa de Hugo e da Bretanha.

Este poder provém também das suas alianças: Hugo, o Grande casou-se a primeira vez com a irmã de Etelstano de Inglaterra, um dos mais poderosos soberanos do Ocidente no início do século X após ele ter caçado os viquingues de Danelaw. Quando Otão I restaurando o Império o faz o mais poderoso da Europa, Hugo, o Grande desposa a sua irmã. No entanto, o poder que deve herdar Hugo Capeto tem os seus limites: os seus vassalos são eles mesmos suficientemente poderosos para ter uma grande autonomia e praticar uma política de equilíbrio entre Carolíngios e Robertianos.

Geografia O reino recobre a antiga Francia Ocidental cujas fronteiras tinham sido definidas na partilha de Verdun em 843. Hugo é agora o novo soberano do reino da Francia, que não se chama mais Francia occidentalis desde a segunda metade do século X. Os quatro rios (Escalda, Mosa, Saône e Ródano) constituem os seus limites a norte e a leste, e separam do império otoniano. A sul, os Pirenéus não constituem um limite desde que o condado de Barcelona faz parte do reino francês.miniatura|esquerda|300px|Os reinos da Frância Ocidental (futura França) e da Frância Oriental (futura Alemanha) depois da dissolução do império de Carlos Magno

O reino, ducado ou condado da Bretanha não faz parte do reino da França. Além disso o senhor da Bretanha não participa na eleição de Hugo Capeto. Enfim, a rota da costa é muito diferente da que conhecemos, porque os golfos não estão entupidos, em particular na bacia d' Arcachon e o glofe de Saint-Omer, e a foz dos rios evoluem ainda.''La France de l'an Mil'', Seuil, Paris, 1990, p. 20

O reino em que Hugo viveu era bastante diferente da França atual. Os seus predecessores não se intitulavam reis de França, esse título só começaria a ser usado por Filipe o Belo (1285-1314). O reis usavam sim o título de rex Francorum (Rei dos Francos) e as terras que governavam eram apenas uma pequena parte do antigo Império Carolíngio.

As terras francas do leste, o Sacro Império Romano-Germânico, eram governadas pela dinastia otoniana, representada por Otão II, primo de Hugo, e depois pelo seu filho Oto III. As terras a sul do rio Loire tinham deixado de pertencer à Frância ocidental depois da deposição de Carlos III o Simples em 922. Os ducados da Normandia e da Borgonha eram na sua maioria independentes, apesar de desde 956 este último ser governado pelos irmãos de Hugo, Odão de Paris e Henrique, e a Bretanha era completamente independente.La France au Moyen Âge du Ve au XVe siècle, Claude Gauvard, Paris: PUF, 1996 (ISBN 2-13-054205-0)

De 978 a 986, Capeto aliou-se aos imperadores germânicos Oto II e Oto III e com o arcebispo Adalbarão de Reims para dominar o fraco rei Lotário. Em 986 era na prática rei, apesar de não oficialmente.

Renovação econômica esquerda|thumb|Camponeses nos campos. Iluminura medieval. Biblioteca real do Escurial, Madrid, século XIIIO ano mil conhece um crescimento económico cujo apogeu fez-se notoriamente sentir nos séculos XII e XIII. Desde meados do século X, assiste-se a uma primeira fase de crescimento agrário. Parece que a « angústia da fome » leva o campesinato a produzir melhor e mais. Assim, os camponeses adaptam-se: melhoria no conhecimento do solo, adaptação da aradura conforme a área, introdução da rotação trienal, a qual leva a clareiras por aumentar as superfícies em causa, evolução do método de atrelagem (colar de cavalo e ferradura), relha do arado assimétrica, desenvolvimento da micro-hidráulica (vala de drenagem e irrigação). thumb|Moeda de Hugo Capeto para Beauvais