A Mina de Neves-Corvo é uma exploração subterrânea de cobre, chumbo e zinco, situada no Município de Castro Verde, no distrito de Beja (Baixo Alentejo), em Portugal, estando concessionada à Somincor — Sociedade Mineira de Neves-Corvo, SA.

Descrição A exploração mineira está situada a cerca de 15 Km de distância da sede do município, e a 500 m de distância da aldeia de Nossa Senhora da Graça de Padrões, no município de Almodôvar. A mina de Neves-Corvo consiste numa exploração subterrânea, com cinco jazigos de sulfuretos maciços: Neves, Corvo, Graça, Zambujal e Lombador.

A mina explora um jazigo de cobre e estanho situado nos Municípios de Castro Verde e Almodôvar, que foi classificado como um dos mais ricos do mundo. Este jazigo está integrado na margem Sul da Faixa Piritosa Ibérica, uma área de grandes potencialidade mineiras, situada na região Sudoeste da Península Ibérica, sensivelmente entre Alcácer do Sal, em Portugal, e Sevilha, em Espanha. Além de Neves-Corvo, esta zona também concentra outras importantes minas em território nacional, como a de Aljustrel e de São Domingos, esta última encerrada desde 1965.

Em 2020, os principais produtos da mina de Neves-Corvo eram concentrado de cobre, zinco e chumbo. O minério era processado no mesmo local da mina, sendo os concentrados de chumbo enviados por via rodoviária, enquanto que o cobre e zinco eram expedidos por caminho de ferro. Os minérios rejeitados eram colocados na Instalação de Resíduos do Cerro do Lobo, situado a cerca de três quilómetros das lavarias. Recebe a sua água da Barragem de Santa Clara, tendo a montante duas pequenas albufeiras para reter as águas, em caso de situação extrema, e caso seja necessário a barragem despeja para a Ribeira de Oeiras. A empresa também possuía instalações no Porto de Setúbal, que eram utilizadas para a expedição dos seus produtos.

Em 2017, a Somincor tinha cerca de dois mil empregados.

Ramal de Neves-Corvo

A mina está ligada à rede ferroviária nacional pelo Ramal de Neves Corvo, com cerca de 31 Km de extensão, e que entronca em Ourique, na Linha do Alentejo.MARTINS et al, 1996:210

História Antecedentes e início da exploração Desde a antiguidade que se regista a exploração da Faixa Piritosa Ibérica, tendo Aljustrel, Castro Verde e Mértola constituído importantes núcleos mineiros, durante a época romana. No interior e nas imediações do complexo mineiro foram identificados diversos locais arqueológicos, incluindo a antiga fortificação romana do Castelinho dos Mouros, uma pequena villa e um casal rústico, igualmente daquele período, duas necrópoles pré-históricas, e dois povoados também pré-históricos.

Em 1970, o Fundo Mineiro de Beja começou a fazer pesquisas na área entre as aldeias de Neves e Corvo, no concelho de Castro Verde, tendo encontrado um importante depósito de pirites. Esta descoberta foi depois confirmada e desenvolvida por empresas especializadas de origem estrangeira, tendo-se feito sondagens até cerca de 300 m de profundidade, cujas amostras revelaram uma grande quantidade de minério rico em cobre e altas percentagens de ouro, zinco, chumbo, ferro e prata. Em 1977 foi encontrado um depósito de sulfuretos que continha uma grande quantidade de metais básicos, principalmente o cobre, o estanho e o zinco. O jazigo de Neves-Corvo veio comprovar a fortíssima riqueza mineral que se encontrava no subsolo alentejano, com reservas de pirites computadas, nos finais da década de 1970, em 230 milhões de toneladas. Até então estes depósitos ainda não tinham sido devidamente exploradas, devido principalmente à falta de meios tecnológicos, que iriam ser empregues na nova mina de Neves-Corvo. Com efeito, previa-se que seria o primeiro complexo mineiro em território nacional a usar o sistema do acesso profundo, que iria permitir o uso de viaturas desde a superfície até aos jazigos minerais, já então em voga noutras explorações mineiras em redor do globo. Outra nova tecnologia a ser introduzida seria o tratamento das cinzas das pirites, até então pouco aproveitadas, que iria permitir a recuperação do seu teor de cobre, zinco e prata. A nova exploração de Neves-Corvo iria integrar uma nova fase no aproveitamento dos recursos mineiros, em que além da simples produção e tratamento do minério, este iria ser utilizado na produção de metais ainda na mesma região, potenciando o Alentejno como um centro mineiro e industrial, e fomentando o seu desenvolvimento em termos económicos, sociais e tecnológicos. Além de Neves-Corvo, o programa do governo também previa o incremento da produção noutras unidades mineiras do Alentejo, como Aljustrel e Lousal.

Em 24 de Julho de 1980, foi formada a Sociedade Mineira de Neves-Corvo, conhecida como Somincor. A exploração dos depósitos iniciou-se em 1988, como parte de uma joint venture entre o governo português e a multinacional Rio Tinto. Foi também nesse ano que a barragem do Cerro do Lobo começou a ser utilizada como local de armazenamento para os resíduos da mina. Em 1989 iniciou-se a produção de cobre, e no ano seguinte a de estanho. A abertura da mina teve um grande impacto económico em Castro Verde, uma vez que permitiu a geração de emprego num município onde existia pouca diversidade profissional. Com efeito, eventualmente a empresa mineira tornou-se a maior empregadora na zona, não só em Castro Verde mas também nos municípios anexos, limitando o êxodo rural para o litoral, e reduzindo desta forma a desertificação do interior. A Somincor também se afirmou como um dos mais importantes eixos de desenvolvimento, tendo contribuído de forma decisiva para o desenvolvimento económico, social e ambiental da região. Uma das intervenções de maior vulto da Somincor em termos culturais foi o financiamento das obras de restauro da Basílica Real de Castro Verde, nos princípios da década de 2020.

Em 1992 foi inaugurado o Ramal de Neves-Corvo, unindo a mina à estação de Ourique, na Linha do Alentejo.REIS et al, 2006:150MARTINS et al, 1996:210 Em Março de 1999 a barragem do Cerro do Lobo atingiu o seu limite máximo, devido à forte pluviosidade que se fez sentir nos anos de 1997 e 1998, e ao acréscimo no volume de produção de minério. Devido à oposição das agências ambientais, não foi possível descarregar para a ribeira de Oeiras, pelo que a empresa optou por elevar provisoriamente os paredões da barragem em vinte centímetros. Este não foi o primeiro caso alarmante ligado à capacidade da barragem, já que em 1996 o nível de água tinha subido quase dois metros num só ano.

thumb|250px|left|Ramal da Mina de Neves Corvo Século XXI Década de 2000 Entre 2000 e 2002, a mina passou por uma fase de dificuldades financeiras devido aos prejuízos de exploração e os baixos valores do cobre, o que impediu a realização de grandes obras, como a quarta fase do alteamento da barragem do Cerro do Lobo, que só se pôde iniciar em Abril de 2003. Entretanto, em 2002 a Somincor assinou um contrato com a operadora Comboios de Portugal, para o transporte do minério.REIS et al, 2006:202 Em Junho de 2004, a Somincor foi comprada pela firma canadiana EuroZinc Mining Corporation, no âmbito de um processo de privatização da companhia portuguesa.

Em 26 de Março de 2005, o jornal Público noticiou que estavam quase terminadas as obras da quarta fase de alteamento da barragem do Cerro do Lobo, empreendimento que custou cerca de sete milhões de euros, e permitiu um aumento na capacidade de armazenamento da barragem, de 13 para 20 milhões de metros cúbicos de água e resíduos rejeitados. Foi igualmente instalado um descarregador de sifão, que substituiu o descarregador de fundo para a ribeira de Oeiras, e foram instaladas duas barragens a montante, de forma a evitar a situação de 1996. Em 29 de Abril desse ano, ocorreu um acidente no parque de minério, quando um dumper colidiu com uma pá carregadora, provocando a morte do condutor do primeiro veículo. A responsável pelas relações públicas da Somincor, Lígia Várzea, afirmou que este tinha sido o primeiro acidente com vítimas mortais «desde 1999», tendo explicado que «o número de vítimas mortais nesta mina tem sido muito reduzido e que o número de acidentes de trabalho, no geral, só foi maior nos primeiros anos, quando os procedimentos de segurança e de trabalho ainda não estavam estabilizados». Nessa mesma semana, a Somincor tinha recebido o prémio Prevenir Mais Viver Melhor no Trabalho do Instituto para a Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, por ter ficado em primeiro lugar num conjunto de 76 empresas, em termos de estatísticas de segurança entre 2000 e 2004, tendo-se verificado uma redução de 75% no número de acidentes na mina. De acordo com Lígia Várzea, em 2000 tinham-se registado cinquenta acidentes de trabalho que resultaram em incapacidade para os funcionários, número que até aos finais de Novembro de 2004 tinha descido para apenas cinco. O presidente da Somincor, António Corrêa de Sá, explicou que esta redução nos acidentes de trabalho tinha sido motivada pelo «robustecimento da cultura de segurança na empresa» e a alterações no clima social, que ficou mais estável após o final do regime de laboração contínua, permitindo a organização de programas de formação e de divulgação sobre segurança. Porém, António João Colaço, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, afirmou que esta diminuição no número de acidentes de trabalho foi devido ao final do regime de laboração contínua, uma vez que este sistema «era mais penoso e causava maiores perturbações nos trabalhadores e familiares». Em relação ao acidente de Abril, o Sindicato classificou-o como «um acidente normal de percurso».

Posteriormente, a Eurozinc fundiu-se com a Lundin Mining, pelo que a Somincor tornou-se uma subsidiária da Lundin Mining em Novembro de 2006. Nesse ano, a lavaria de estanho foi adaptada para zinco, permitindo o arranque da produção daquele metal, estimando-se que as jazidas disponíveis seriam de cerca de quinze milhões de toneladas. Após a aquisição pela Lundin Mining, iniciou-se uma nova fase na mina de Neves-Corvo, com uma maior atenção ao desempenho operacional e o aproveitamento de novos recursos e reservas, nas áreas em redor. Em 13 de Novembro de 2008, a Lundin Mining Corporation anunciou a sua decisão de suspender a extracção e produção de zinco em Neves-Corvo e Aljustrel, enquanto esperava que os preços daquele mineral voltassem a recuperar. Em Janeiro desse ano, administrador-delegado da Somincor, John Andreatidis, afirmou ao periódico O Campaniço que os resultados financeiros de 2007 poderiam ser os mais elevados de sempre da empresa, devido às elevadas cotações do cobre. Nessa altura, os principais clientes eram a Espanha, Finlândia, Suécia e o Brasil. Informou igualmente que no quarto trimestre de 2007 tinha-se iniciado um estudo de viabilidade para o Projecto Lombador, que iria indicar qual seria o melhor local para a instalação de um novo poço de extracção, em conjunto com as várias infraestruturas associadas, e a construção de uma nova lavaria, de forma a permitir a exploração do jazigo de zinco do Lombador. Nessa altura previa-se que a produção de minério seria iniciada em 2011, e atingiria um total de 130.000 toneladas por ano, fazendo da Somincor «a segunda maior mina de Zinco da Europa».

Década de 2010 Em 2012, a mina extraía cobre, chumbo e zinco, produzindo cerca de toneladas de cobre e de zinco por ano. Quarterly Operation Updates - Fourth Quarter December 31, 2012 — Lundin Mining

Em 25 de Outubro de 2013, a Somincor apresentou em Lisboa o documentário O Cante da Terra, realizado por Daniel Pinheiro, sobre a biodiversidade na região mineira de Neves Corvo.