Sedna, formalmente designado 90377 Sedna (símbolo: 16px|⯲),U+2BF2 ⯲. David Faulks (2016) 'Eris and Sedna Symbols,' L2/16-173R, Unicode Technical Committee Document Register. é um planeta anão localizado nas regiões mais externas do Sistema Solar, orbitando o Sol muito além da órbita de Netuno. Foi descoberto em 2003 e tem aproximadamente mil quilômetros de diâmetro. Desde 2012, Sedna está cerca de três vezes mais longe do Sol que Netuno. Sua órbita é extremamente excêntrica, com um afélio de cerca de 937 UA (31 vezes a distância de Netuno), tornando-o um dos objetos mais distantes conhecidos no Sistema Solar além de cometas de longo período.Corpos menores como , , , , e têm órbitas heliocêntricas maiores. Mas apenas , , e têm periélio mais longe que a órbita de Júpiter, então é possível que alguns ou até a maioria de objetos assim sejam cometas. Análises espectroscópicas revelaram que a composição da superfície de Sedna é parecida à de outros objetos transnetunianos, sendo principalmente uma mistura de gelo de água, dióxido de carbono e etano, juntamente com depósitos sedimentares de tolinas avermelhadas derivadas do metano. Não é esperado que Sedna possua uma atmosfera substancial. Sedna, dentro das incertezas estimadas, está empatado com Ceres como o maior planeta anão conhecido por não ter um satélite natural. Devido à ausência de luas conhecidas, a massa e a densidade de Sedna permanecem desconhecidas. ainda não se sabe se Sedna pode ter ou não luas.
A órbita de Sedna é uma das maiores do Sistema Solar além das dos cometas de longo período, com seu afélio (maior distância do Sol) estimado em 937 unidades astronômicas (UA). Isso é 31 vezes a distância de Netuno ao Sol, e bem além da porção mais próxima da heliopausa, que define o limite externo do espaço interplanetário. Sedna atingirá seu periélio em 2076, ou seja, seu ponto mais próximo do Sol, a uma distância de 84 UA, quase três vezes mais longe que Netuno. Os planetas anões Éris e Gonggong estão atualmente mais longe do Sol do que Sedna. Uma missão exploratória de sobrevoo para Sedna no periélio poderia ser concluída em 24,5 anos usando a assistência da gravidade de Júpiter.
A órbita excepcionalmente alongada de Sedna, com um período orbital de cerca de 11400 anos e um periélio de 76 UA, tem criado muitas teorias sobre sua origem. A União Astronômica Internacional inicialmente considerou Sedna um membro do disco disperso, um grupo de objetos enviados em órbitas altamente alongadas pela influência gravitacional de Netuno. No entanto, vários astrônomos contestaram essa classificação, porque seu periélio é muito grande para ter sido espalhado por qualquer um dos planetas conhecidos, o que levou alguns astrônomos a se referirem informalmente a ele como o primeiro membro conhecido da parte interna da nuvem de Oort. Outros especulam que Sedna foi colocado em sua órbita atual por uma ou mais estrelas, possivelmente do aglomerado em que o Sol nasceu, ou até mesmo que foi capturado de outro sistema planetário. Outra hipótese sugere que sua órbita pode ser a evidência de um grande planeta além da órbita de Netuno. O astrônomo Michael E. Brown, o codescobridor de Sedna e dos planetas anões Éris, Haumea e Makemake, acredita que Sedna é cientificamente o objeto transnetuniano mais importante já descoberto, pois o entendimento de sua órbita anormal provavelmente vai fornecer informações valiosas sobre a origem e evolução do Sistema Solar. Sedna é o protótipo de uma nova classe de objetos orbitais, os sednoides, que incluem , Leleākūhonua e 2021 RR205.
Descoberta e nomeação thumb|left|Imagem de descoberta de Sedna Sedna foi descoberto por Michael E. Brown (Caltech), Chad Trujillo (Observatório Gemini) e David L. Rabinowitz (Universidade Yale) em 14 de novembro de 2003, recebendo a designação provisória . A descoberta foi parte de uma pesquisa começada em 2001 com o telescópio Samuel Oschin no Observatório Palomar, situado perto de San Diego, Califórnia. Nesse dia, um objeto foi visto se movendo 4,6 segundos de arco em 3,1 horas, indicando que ele estava a cerca de 100 UA. Outras observações em novembro e dezembro de 2003 com o telescópio SMARTS no Observatório de Cerro Tololo no Chile e com o telescópio Tenagra IV no Observatório W. M. Keck no Havaí revelaram que o objeto estava se movendo em uma órbita distante e muito excêntrica. Mais tarde o objeto foi descoberto em imagens precovery feitas pelo telescópio Samuel Oschin assim como no arquivo do Near Earth Asteroid Tracking. Essas imagens expandiram o arco orbital conhecido e permitiram calcular sua órbita com mais precisão.
"A nossa mais recente descoberta é o lugar mais frio e distante conhecido no Sistema Solar," disse Mike Brown em seu site, "então nós achamos apropriado nomeá-lo em homenagem a Sedna, a deusa inuíte do mar, que segundo a mitologia vive no fundo do Oceano Ártico" Brown também sugeriu ao Minor Planet Center que outros objetos descobertos na região orbital de Sedna deveriam ser nomeados também a partir de entidades das mitologias árticas. A equipe anunciou o nome "Sedna" antes mesmo de o objeto ser numerado oficialmente. Brian Marsden, o diretor do Minor Planet Center, disse que isso era uma violação de protocolo, e que alguns membros da UAI poderiam votar contra o nome. No entanto, não houve oposição, e nenhum nome concorrente foi sugerido. O nome foi aceito formalmente em setembro de 2004, e foi anunciado que, em casos similares de extraordinário interesse, seria possível nomear um corpo antes de ele ser oficialmente numerado.
Órbita e rotação thumb|A órbita de Sedna (em vermelho) comparada com as órbitas de Júpiter (laranja), Saturno (amarelo), Urano (verde), Netuno (azul), e Plutão (roxo) Sedna possui o maior período orbital dentre todos os grandes objetos conhecidos no Sistema Solar, calculado em cerca de 11 400 anos, menor apenas que o de cometas e alguns corpos menores. Sua órbita é extremamente excêntrica, com um afélio estimado em 937 UA e um perélio de cerca de 76 UA, o perélio mais distante já observado para qualquer objeto do Sistema Solar, até a descoberta do 2012 VP113. Na época de sua descoberta ele estava se aproximando do perélio, a 89,6 UA do Sol, e era o objeto do Sistema Solar mais distante já observado. Em 2005 Éris foi detectado pela mesma pesquisa a 97 UA. Embora as órbitas de alguns cometas de longo período se estendam mais longe que a de Sedna, eles são muito pouco brilhantes para serem descobertos, exceto ao se aproximarem do perélio no Sistema Solar interno. Mesmo quando Sedna alcançar o perélio na metade de 2076, o Sol irá aparecer apenas como uma estrela muito brilhante no seu céu, somente cem vezes mais brilhante que a Lua cheia na Terra, e muito distante para ser visível como um disco a olho nu. A título de comparação, o Sol parece na Terra ser aproximadamente 400 mil vezes mais brilhante que a Lua cheia.
Quando foi descoberto, acreditava-se que Sedna tinha um período de rotação anormalmente grande (20 a 50 dias). Inicialmente especulou-se que a rotação de Sedna era desacelerada pela maré gravitacional de um grande companheiro binário, similar a Caronte, lua de Plutão. Uma busca por um tal satélite pelo Telescópio Espacial Hubble em março de 2004 não achou nada, e medições subsequentes feitas pelo telescópio MMT sugerem um período de rotação muito menor, de cerca de 10 horas, o que é típico para um corpo do tamanho de Sedna.
Características físicas thumb|left|Impressão artística de 90377 Sedna Sedna tem uma magnitude absoluta (H) de cerca de 1,8, e um albedo estimado em 0,32, dando assim um diâmetro de aproximadamente 1 000 km. Na época de sua descoberta ele era o objeto intrinsecamente mais brilhante achado no Sistema Solar desde Plutão em 1930. Em 2004, os descobridores colocaram um limite superior de 1 800 km em seu diâmetro, mas em 2007 o valor foi revisto para 1 600 km, após observações com o Telescópio Espacial Spitzer. Em 2012, medições com o Observatório Espacial Herschel sugeriram que o diâmetro de Sedna é de , tornando-o menor que a lua de Plutão Caronte. Como Sedna não tem luas, determinar sua massa é impossível atualmente sem o envio de uma sonda espacial, porém ela é estimada em 1 kg.
Observações pelo telescópio SMARTS mostram que na luz visível Sedna é um dos objetos mais vermelhos do Sistema Solar, quase tão vermelho quanto Marte. Chad Trujillo e sua equipe sugeriram que a cor vermelho escuro e de Sedna é causada por um revestimento de lodo de hidrocarboneto (ou tolina) na superfície, formado a partir de compostos orgânicos mais simples submetidos à radiação ultravioleta por muito tempo. A superfície é homogênea em cor e espectro; isso pode ser porque Sedna, ao contrário de objetos mais próximos do Sol, raramente recebe impactos de outros corpos, o que iria expor manchas brilhantes de material gelado fresco como em 8405 Asbolo. Sedna e outros dois objetos distantes ( e ) compartilham suas cores com objetos clássicos do cinturão de Kuiper e o centauro 5145 Pholus, sugerindo uma região de origem similar.
Trujillo e sua equipe colocaram como limites superiores, na composição da superfície de Sedna, 60% de gelo de metano e 70% de gelo de água. A presença de metano também suporta a presença de tolinas na superfície de Sedna, pois elas são produzidas por irradiação de metano. Barucci e sua equipe compararam o espectro de Sedna com o de Tritão e detectaram fracas bandas de absorção de gelo de metano e nitrogênio. Com essas observações, eles sugeriram o seguinte modelo da superfície: 24% de tolinas como as de Tritão, 7% de carbono amorfo, 10% de nitrogênio, 26% de metanol e 33% de metano. A detecção de gelo de metano e água foi confirmada em 2006 por análises fotométricas feitas pelo Telescópio Espacial Spitzer no infravermelho médio. A presença de nitrogênio na superfície sugere que, mesmo por pouco tempo, Sedna pode possuir uma atmosfera tênue. Em um período de 200 anos perto do perélio a temperatura máxima em Sedna deve exceder 35,6 K (−237,6 °C), a temperatura de transição entre o N2 sólido na fase alfa para a fase beta encontrada em Tritão. A 38 K a pressão de vapor do N2 seria de 14 microbar (1,4 Pa ou 0,000014 atm). No entanto, seu gradiente espectral vermelho indica altas concentrações de material orgânico em sua superfície, e suas fracas bandas de absorção de metano indicam que o metano em Sedna é antigo, e não recém-depositado. Isso significa que Sedna é muito frio para o metano evaporar de sua superfície e então cair de novo como neve, como acontece em Tritão e provavelmente em Plutão.
Modelos de aquecimento interno através de decaimento radioativo sugerem que Sedna pode ser capaz de suportar um oceano subsuperficial de água líquida.
Origem No artigo em que anunciaram a descoberta de Sedna, Mike Brown e sua equipe descreveram-no como o primeiro corpo conhecido que pertence à nuvem de Oort, a nuvem hipotética de cometas situada a cerca de um ano-luz do Sol. Eles observaram que, ao contrário de objetos do disco disperso como Éris, o perélio de Sedna (76 UA) é muito distante para que ele tenha sido influenciado pela gravidade de Netuno. No entanto, como Sedna está bem mais próximo do Sol que um objeto da nuvem de Oort, e tem uma inclinação parecida à dos planetas e do cinturão de Kuiper, descreveram-no como um "objeto da nuvem de Oort interna", situada no disco entre o cinturão de Kuiper e a parte esférica da nuvem.