Ricardo Izecson dos Santos Leite (Gama, 22 de abril de 1982), mais conhecido como Kaká, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como meio-campista.
No ano de 2007, durante o auge de sua carreira, foi o vencedor dos prêmios de melhor jogador do mundo pela FIFA e pelo Ballon d'Or, entregue pela revista francesa France Football, premiações que posteriormente foram unificadas. Em 2008 e em 2010, foi eleito uma das personalidades mais influentes do ano no mundo pela Time 100. Kaká sempre foi habitualmente convocado à Seleção Brasileira.
Além de suas atividades esportivas, Kaká é conhecido por seu trabalho humanitário. Em 2004, ele tornou-se o mais novo embaixador da Organização das Nações Unidas para o Programa Alimentar Mundial. Foi considerado pela revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.
Kaká foi o último jogador a ser eleito o Melhor do Mundo pela FIFA antes da longa e intensa disputa entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo pelo troféu, até a vitória de Luka Modrić em 2018, além de ter sido o último brasileiro agraciado pela honraria.
Infância e juventude Kaká nasceu em Gama, Distrito Federal, filho do engenheiro civil Bosco Izecson Leite e da professora Simone Cristina dos Santos. Ainda pequeno, se mudou com a família para Cuiabá. Em 1987, mudou-se novamente, agora para São Paulo, no bairro de Perdizes. Na infância, no Colégio Batista Brasileiro, Kaká demonstrava aptidão para a matemática e queria seguir a profissão de seu pai, mas também se destacava nas aulas de educação física. O professor do colégio, José Carlos Montoro, recomendou à mãe de Kaká que o matriculasse em uma escolinha de futebol. Assim, o jovem foi matriculado na escolinha Soccer Brasil, do chileno Andrés Córdoba, no bairro do Sumaré. Lá, o garoto se destacava pelo seu toque de bola, e foi levado pelo treinador para jogar no Alphaville Tênis Clube. Em 1993, representando a equipe internacionalmente em um torneio disputado em La Serena, no Chile, Kaká teve boas atuações e terminou como artilheiro.
Aos 10 anos de idade, Kaká e sua família se mudaram para o bairro do Morumbi. O garoto recebeu uma bolsa de estudos do Colégio Objetivo para representar a escola em competições de futebol de salão, incluindo torneios internacionais. Ao mesmo tempo, após ser aprovado em uma peneira, Kaká iniciava seus passos no São Paulo Futebol Clube.
Em setembro de 2000, enquanto estava em Caldas Novas, Kaká bateu com a cabeça no fundo de uma piscina e sofreu uma fratura na espinha dorsal que quase o deixou tetraplégico. Ao retornar para São Paulo se queixando de uma dor de cabeça, o jovem fez exames num hospital e precisou usar um colete cervical por 40 dias.
Carreira São Paulo Despontando em seu primeiro ano Ainda conhecido como "Cacá", após se recuperar do acidente na espinha dorsal, o jogador, que ficou sem atuar pelo time de juniores durante dois meses, estreou como profissional no dia 1 de fevereiro de 2001, entrando no decorrer da partida contra o Botafogo realizada no Estádio do Morumbi. Na ocasião, as equipes empataram em 1–1.
Marcou seu primeiro gol como jogador profissional logo no seu segundo jogo com a camisa do São Paulo, na vitória por 4–2 contra o Santos, quebrando uma invencibilidade do rival. O jovem entrou no segundo tempo, com a partida empatada por 1–1 — o São Paulo estava com um jogador a menos em campo, após a expulsão de Fabiano — e conseguiu marcar o gol da virada, colocando o Tricolor em vantagem no placar. Considerado o principal responsável pela vitória no clássico, depois do jogo a imprensa começou a compará-lo com o ex-meio-campista Raí, então recém-aposentado e ídolo do São Paulo. Após disputar sua terceira partida, Kaká rapidamente começou a ser um ídolo para alguns são-paulinos, que pediam a sua titularidade na equipe.
No dia 7 de março, no segundo jogo contra o Botafogo pela final do Torneio Rio-São Paulo de 2001, Kaká entrou aos 14 minutos do segundo tempo, com o São Paulo perdendo por 1–0 para o time carioca. O jovem meia fez dois gols em dois minutos, aos 35 e 37 do segundo tempo, fato que deu a vitória de virada sobre o clube carioca. O São Paulo foi o campeão do torneio, conseguindo um dos últimos títulos oficiais que ainda não havia conquistado. Logo, passou a assinar seu apelido com a letra K no lugar do C"O herdeiro", Fernanda C. Massarotto e Gian Oddi, Placar número 1302, janeiro de 2007, Editora Abril, págs. 34-41 e tornou-se definitivamente o novo ídolo da torcida tricolor, surgindo comparações a Raí, que jogava na mesma posição do meio de campo e que, como o novo talento, desfrutava de grande carisma e assédio do público feminino, em especial, pela imagem de galã e de bom moço."Sai daqui um Raí?", Arnaldo Ribeiro, Especial Placar 35 Anos - Craques do Milênio, número 4, junho de 2005, Editora Abril, págs. 76-77
Em dez meses, tão querido quanto Rogério Ceni e França,"10 Mandamentos", Arnaldo Ribeiro e Eduardo Cordeiro, Especial Placar 35 Anos - Craques do Milênio, número 4, junho de 2005, Editora Abril, págs. 78-79 Kaká cumpriu sete dos dez objetivos que havia traçado no final do ano anterior para a sua carreira: desde voltar a jogar futebol, após o acidente que quase o deixou paraplégico, a manter-se entre os titulares do São Paulo depois de disputar o Mundial Sub-20 pela Seleção Brasileira. Apesar de alternar entre boas e discretas atuações, foi um dos líderes do São Paulo no Campeonato Brasileiro de 2001. Acabou deixando o torneio sobre uma maca, após violenta falta cometida por Cocito, na eliminação frente ao futuro campeão Atlético Paranaense.
Protagonista no Tricolor No mês de novembro de 2001, Kaká foi convocado pela primeira vez para disputar os amistosos no início de 2002, pelo técnico da Seleção Brasileira, Felipão — que havia anunciado que convocaria uma seleção só com jogadores que atuavam no Brasil para testar alguns que estavam muito bem em seus clubes."ENTREVISTA: Felipão - Te Cuida França", Placar Especial Guia da Copa 2002 número 1220, maio de 2002, Editora Abril, pág. 8 Antes de completar um ano de carreira como profissional, Kaká estreou com a camisa da Seleção Brasileira no dia 31 de janeiro de 2002, no amistoso contra a Bolívia (completando o seu oitavo e nono objetivo; ser convocado pela Seleção e jogar por ela).
Suas atuações nos amistosos e no Tricolor fizeram o jogador ser eleito pelo torcedor brasileiro como um dos que seriam titulares absoluto na "Seleção do Povo", em uma pesquisa realizada em maio no site oficial da revista Placar. Foi convocado para a Copa do Mundo FIFA de 2002, onde fez parte do time misto que jogou já classificado contra a Costa Rica, na primeira fase — sendo considerado como azarão."As Promessas, Edmundo Clairefont, IstoÉ Especial Brasil na Copa, junho de 2002, Editora Três, págs. 92-96 Nos minutos finais no jogo da final da Copa, Felipão colocou Kaká para entrar em campo, porém, quando estava esperando a autorização do árbitro para a substituição, o mesmo acabou apitando o encerramento da partida.
Antes de Copa, embora ainda magro, sem tanta velocidade nem noção de posicionamento e até com dificuldade para escapar de marcação individual, foi elogiado por Carlos Alberto Parreira como "um daqueles jogadores que aparecem a cada vinte, trinta anos, como Zico"."Incontestável", Caio Maia, Cassiano Ricardo Gobbet e Ubiratan Leal, Trivela número 21, novembro de 2007, Trivela Comunicações, págs. 20-29 A experiência na Copa e ter saído dela como campeão, embora jogando apenas cerca de vinte minutos, fez bem ao novato:"13 Junho, Quinta Feira", Especial Placar Retrospectiva 2002, número 1251, dezembro de 2002, Editora Abril, págs. 76-77 foi um dos líderes da boa campanha são paulina no Brasileirão que se seguiu, em que o time terminou a primeira fase do campeonato disparado na liderança, com ele mais maduro e se responsabilizando em armar as jogadas."Kaká na kabeça", Especial Placar O Melhor do Brasileirão 2002, número 1252, dezembro de 2002, Editora Abril, pág. 85
Nas oitavas de final, não teve uma boa atuação no segundo jogo contra o Santos, que, vindo da oitava colocação, venceu os dois clássicos, eliminando o Tricolor. Porém, o seu desempenho no torneio, em que marcou nove vezes e distribuiu várias assistências para Reinaldo e Luís Fabiano, lhe renderia a Bola de Prata como o melhor 'meia' do campeonato e também a Bola de Ouro da revista Placar como o 'melhor jogador da competição'."Davi bateu Golias", Especial Placar O Melhor do Brasileirão 2002, número 1252, dezembro de 2002, Editora Abril, pág. 24
Ao conquistar a Bola de Ouro, a edição de número 1252 publicada em dezembro de 2002 da revista Placar — destacou que Kaká conseguiu quebrar um tabu que durava desde 1997 — onde todos os vencedores da Bola de Ouro pertenciam ao time campeão. Classificou o fato como "um feito e tanto", pela liderança de 'ponta a ponta' na disputa pelo prêmio — mesmo com vários jogos a menos do que seus principais concorrentes. A revista destacou também que Kaká só não foi o jogador mais jovem a receber o prêmio por causa de Amoroso que também tinha os mesmos 20 anos de idade, porém, era dois meses mais novo do que Kaká.
A eliminação precoce lhe renderia os primeiros atritos com a torcida. A pecha de "amarelão" aumentou com outro título perdido a seguir, o Paulistão de 2003, em que ele, com um estiramento na coxa, não jogou a final contra o Corinthians. Mesmo sem atuar, foi apontado como culpado pelos torcedores pelos resultados ruins da equipe,"Ciao, belo!", Especial Placar Melhores e Piores de 2003, número 1265-B, dezembro de 2003, Editora Abril, pág. 35 bem como na eliminação na Copa do Brasil, pelo Goiás. Kaká chegou a disputar o Campeonato Brasileiro de 2003, quando finalmente recebeu convite para transferir-se para um grande clube europeu da Itália ou Espanha, a última meta que ele havia traçado dois anos antes.
Milan Chegada Em 2003, embora houvesse uma proposta de 12 milhões de euros do Chelsea, Kaká preferiu o ambiente do recém campeão europeu do Milan (que contava com os brasileiros Dida, Cafu, Roque Júnior, Serginho, Rivaldo além do cartola Leonardo, um dos responsáveis pela sua contratação e seu ex-colega de São Paulo, em 2001),"Brasil à milanesa", Especial Placar Guia dos Europeus 2003-2004, Editora Abril, págs. 22-23 numa transação inicialmente programada apenas para o verão seguinte,"Mania de Kaká", Arnaldo Ribeiro e Gian Oddi, Placar número, novembro de 2003, Editora Abril, págs. 36-39 e apressada justamente pelo interesse do clube inglês.
O acerto da transferência de Kaká para o clube de Milão foi fechado por 8,5 milhões de euros. Devido ao que vinha tendo no São Paulo, este valor foi considerado muito baixo pelos torcedores do tricolor e jornalistas esportivos, além de ter sido ridicularizado pelo presidente do Milan, Silvio Berlusconi, que, com seu característico bom-humor, batizou a contratação de Kaká como "preço de banana".
Kaká chegou para ser reserva, mas, surpreendendo a todos, desbancou o português Rui Costa (e também o brasileiro Rivaldo) ainda no primeiro turno e transformou-se no principal astro da equipe, ao lado de Andriy Shevchenko."Mudar pra quê?", Especial Placar Guia dos Europeus 2004-2005, Editora Abril, págs. 18-19 Em dois meses sua camisa já estava entre as mais vendidas do clube, tornando-se ídolo logo no início do campeonato, ao dar passe de 30 metros para Shevchenko marcar o gol da vitória contra o Ancona, logo em sua estreia pela Serie A"Top 10 estreias melhores que a do Pato", Trivela número 24, fevereiro de 2008, Trivela Comunicações, pág. 8 e, na quinta rodada, ao marcar um dos gols da vitória por 3–1 sobre a rival Internazionale, em partida em que peitou o argentino Kily González. "Eu precisava me impor naquele momento. Não por maldade, mas para mostrar que estava ali de fato, que vim para ficar, que não era só um garoto", declarou.