Lesão ou lesões do plexo braquial são danos causados aos nervos do plexo braquial, um conjunto de nervos que conduz sinais da medula espinhal, que está alojada no canal espinhal da coluna vertebral, para os membros superiores. Essas lesões podem ocorrer como resultado de traumas, tumores ou inflamações no ombro. Em geral, lesões do plexo braquial podem ser classificadas como obstétricas ou traumáticas. As lesões obstétricas podem acometer recém-nascidos, como uma distócia de ombro durante um parto difícil.Santa Fisio. Lesão do Plexo Braquial-visão obstétrica . Acesso em 29 de junho de 2010. A lesão traumática pode surgir de várias causas, como acidentes de trânsito, principalmente envolvendo motocicletas, e esportes de contato.FLORES, Leandro Pretto. Estudo epidemiológico das lesões traumáticas de plexo braquial em adultos. Arq. Neuro-Psiquiatr., São Paulo, v. 64, n. 1, mar. 2006 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2006000100018&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 29 jun. 2010. doi: 10.1590/S0004-282X2006000100018.Clínica Deckers. Lesão do Plexo Braquial (Ferroada) . Acesso em 29 de junho de 2010 A síndrome de Parsonage-Turner causa inflamação do plexo braquial sem lesão óbvia, mas com sintomas incapacitantes.

História O primeiro relato foi feito pelo obstetra Smellie em 1764.Wgate. Fisioterapia plexo braquial. Acesso em 29 de junho de 2010 Em 1874 Duchenne e Erb comentam sobre a paralisia das raízes superiores. Onze anos depois, Klumpke descreve a paralisia das raízes inferiores. A reconstrução cirúrgica é realizada por Kennedy, em 1903.

Anatomia thumb|Visão frontal dos cinco nervos do plexo braquial no braço humano, , , , e . O plexo braquial é composto de nervos espinhais, que fazem parte do sistema nervoso periférico. Ele inclui os nervos sensoriais e motores que inervam os membros superiores. O plexo braquial inclui os 4 últimos nervos cervicais (C5-C8) e o 1º nervo torácico (T1). Cada um desses nervos se divide em troncos menores, divisões e cordões. O cordão lateral inclui o nervo musculocutâneo e o ramo lateral do nervo mediano. O cordão medial inclui o ramo medial do nervo mediano e o nervo ulnar. O cordão posterior inclui o nervo axilar e o nervo radial.

A sensibilidade e motricidade do membro superior é responsabilidade das raízes nervosas do plexo braquial (chamadas de C5, C6, C7, C8 e T1). As raízes C5 e C6 (tronco superior) tem a função básica de movimento do ombro e flexão do cotovelo. C7 (tronco médio) comanda o conjunto muscular extensor do cotovelo, extrínseco do polegar e dedos. C8 e T1 são responsáveis por muitos movimentos da mão, flexor extrínseco e musculatura intrínseca.

A inervação do braço é composta pelo plexo braquial localizado nas axilas e pescoço. Os ramos anteriores dos quatro nervos espinhais cervicais inferiores (C5,C6,C7,C8) e do primeiro torácico (T1) podem ter sofrido rompimento ou estiramento.

Mecanismo

A lesão do plexo braquial pode acontecer em muitos ambientes. Esses podem incluir esportes de contato, acidentes de trânsito e no nascimento. Embora estes sejam apenas alguns eventos comuns, existe pelo menos um de dois mecanismos de lesão, que permanecem constantes durante o momento da lesão: tração e impacto pesado. Esses dois mecanismos afetam os nervos do plexo braquial e causam a lesão. thumb|Tração, também conhecida como estiramento, é um dos mecanismos que causam lesão do plexo braquial. Os nervos são danificados pela força de tração que afasta o ombro e o pescoço. Visão aproximada do mecanismo de tração na cervical. A linha vermelha representa o estiramento dos nervos.

Tração

A tração ocorre em um movimento forte e provoca uma tensão entre os nervos. Existem dois tipos de tração: para baixo ou para cima. Na tração descendente há uma tensão do braço, que obriga o ângulo do pescoço e ombro a tornar-se mais largo. Essa tensão é forçada e pode causar lesões das raízes superiores e do tronco dos nervos do plexo braquial. A tração para cima também resulta na ampliação do ângulo de pescoço e ombro, mas desta vez os nervos T1 e C8 são arrancados.

Impacto

Forte impacto no ombro é o segundo mecanismo mais comum de causa de lesão do plexo braquial. Dependendo da gravidade do impacto, as lesões podem ocorrer em todos os nervos do plexo braquial. A localização de impacto também afeta a gravidade da lesão e, dependendo da localização, os nervos do plexo braquial podem ser rompidos ou avulsados. Algumas formas de impacto que causam lesão do plexo braquial são luxação do ombro, fratura de clavícula, hiperextensão do braço e, por vezes, o parto. Durante o parto, o ombro do bebê pode roçar contra o osso pélvico da mãe. Durante este processo, o plexo braquial pode receber danos, resultando em lesões. A incidência desses casos no nascimento é de 1 em 1.000, baixa em comparação com outras lesões do plexo braquial identificadas.

Causas

Na maioria dos casos, as raízes nervosas são esticadas ou rasgadas da sua origem, já que a cobertura de meninges de uma raiz nervosa é mais fina do que a bainha que envolve o nervo. O epineuro do nervo é continuo com dura-máter, fornecendo suporte extra para o nervo.

Lesões do plexo braquial resultam tipicamente de estiramento excessivo, ruptura de um nervo, mas não na medula espinal, ou de lesões por avulsão, onde o nervo é arrancado da medula espinhal. Um acúmulo de tecido cicatricial em torno de um local de lesão do plexo braquial também pode colocar pressão sobre o nervo lesado, interrompendo a inervação dos músculos. Embora as lesões possam ocorrer a qualquer momento, muitas lesões do plexo braquial acontecem durante o parto: os ombros do bebê podem sofrer um impacto durante o nascimento fazendo com que os nervos do plexo braquial estiquem ou rasguem. Lesões obstétricas podem ocorrer a partir de uma lesão mecânica, incluindo a distócia de ombro, as mais comuns resultando de alongamento do plexo braquial da criança durante o parto, principalmente vaginal, mas ocasionalmente cesariana. O estiramento excessivo resulta em uma função motora e/ou sensorial incompleta do nervo lesado.

As lesões do plexo braquial podem ser localizadas na frente ou atrás da clavícula, em perturbações nervosas, ou em uma avulsão da raiz de um nervo da medula espinhal. Estas lesões são diagnosticadas com base em exames clínicos, testes de reflexo do axônio e testes eletrofisiológicos.http://www.medicalhealthtests.com/medical-tests/electrophysiology-test.html Lesões do plexo braquial requerem um tratamento rápido para o paciente ter uma recuperação funcional completa (Tung, 2003). Estes tipos de lesões são mais comuns em jovens adultos do sexo masculino.

Lesões do plexo braquial traumáticas podem surgir de várias causas, incluindo esportes, acidentes com veículos motorizados de alta velocidade, especialmente em motociclistas, mas também em acidentes com outros tipos de veículo. Ferimentos causados por um golpe direto para o lado lateral da escápula também são possíveis. A gravidade das lesões nervosas pode variar desde de um estiramento suave até a raiz nervosa rasgar a partir da medula espinhal (avulsão). "O plexo braquial pode ser prejudicado por quedas de altura para o lado da cabeça e ombro, em que os nervos do plexo são violentamente esticados ... O plexo braquial pode também ser ferido por violência direta ou arma de fogo, por tração violenta no braço, ou por esforços para reduzir uma luxação da articulação do ombro”.

Tipos de lesões

Lesões do plexo braquial podem ser divididas em três tipos:

Uma lesão do plexo braquial superior, que decorre de flexão lateral excessiva do pescoço para fora do ombro. Mais comumente, o uso de fórceps no parto ou cair sobre o pescoço em um ângulo provocam lesões do plexo superior levando à paralisia de Erb. Este tipo de lesão produz um sinal muito característico, chamada de deformidade da gorjeta do garçom, devido à perda dos rotadores laterais do ombro, flexores do braço e extensores da mão. Menos frequente, a lesão do plexo braquial inteiro Mais rara, uma súbita tensão para cima em um braço (como quando alguém para uma queda segurando-se em um galho de árvore) produz uma lesão do plexo braquial inferior, em que os nervos da oitava cervical (C8) e primeiro torácico (T1) são lesionados, “seja antes ou depois que eles se uniram para formar o tronco inferior. A subsequente paralisia afeta, principalmente, os músculos intrínsecos da mão e os flexores do punho e dedos". Isso resulta em uma forma de paralisia conhecida como paralisia de Klumpke.

Classificação da lesão

A gravidade da lesão do plexo braquial é determinada pelo tipo de danos nos nervos. Existem vários sistemas de classificação diferentes para determinar a gravidade das lesões nervosas e do plexo braquial. A maioria dos sistemas tentam correlacionar o grau de lesão com sintomas, patologia e prognóstico. A classificação de Seddon, criada em 1943, continua a ser utilizada, e baseia-se em três tipos principais de lesão de fibras nervosas, e se há continuidade do nervo.

Neurapraxia: A forma mais branda de lesão do nervo. Envolve uma interrupção da condução do nervo sem perda da continuidade do axônio. A recuperação se dá sem degeneração Walleriana.Glanze, W.D., Anderson, K.N., & Anderson, L.E (1990), p.805 Axoniotmese: Envolve a degeneração axonal, com perda da relativa continuidade do axónio e sua cobertura de mielina, mas preservação da estrutura do tecido conectivo do nervo (o tecido de encapsulamento, o epineuro e o perineuro estão preservados).Glanze, W.D., Anderson, K.N., & Anderson, L.E (1990), p.117 Neurotmese: A forma mais grave de lesão do nervo, em que o nervo é completamente interrompido pela tração, contusão ou laceração. Não só o axônio, mas o tecido conjuntivo encapsular perde sua continuidade. O grau mais extremo de neurotmese é a transecção, embora a maioria das lesões neurotméticas não produzem perda bruta de continuidade do nervo, mas sim, o rompimento interno da arquitetura do nervo suficiente para envolver perineuro e endoneuro, bem como axônios e sua cobertura. O tratamento necessita de cirurgia, com recuperação imprevisível.Glanze, W.D., Anderson, K.N., & Anderson, L.E (1990), p.810

Um sistema mais recente e comumente utilizado, descrito por Sydney Sunderland, divide as lesões nervosas em cinco graus: o primeiro grau ou neurapraxia, seguindo o utilizado por Seddon, em que o isolamento ao redor do nervo, chamado mielina, é danificada, mas o próprio nervo é poupado; e do segundo ao quinto grau, que denota o aumento da gravidade da lesão. Com ferimentos de quinto grau, o nervo é completamente dividido.

Epidemiologia

Adultos

thumb|Evento traumático de lesão do plexo braquial

A epidemiologia da lesão do plexo braquial, também conhecido como BPI (brachial plexus injury, em inglês), é encontrada tanto em crianças como em adultos, mas existe uma diferença entre os casos de ambos. A lesão do plexo braquial é mais comumente encontrado em jovens adultos saudáveis, entre as idades de 14 a 63 anos de idade, sendo 50% dos pacientes entre as idades de 19 e 34 anos de idade, e com pacientes do sexo masculino sendo 89% do grupo de risco. A lesão do plexo braquial é uma lesão traumática cuja ocorrência está aumentando ao longo dos anos.

Crianças

thumb|Incidência de paralisia do plexo braquial obstétrica