miniaturadaimagem|Material do CGT e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) O Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), na historiografia chamada de "Velha CGT", foi uma organização intersindical brasileira, existente entre 1962 e 1964, cujo objetivo era orientar, dirigir e coordenar o movimento sindical no Brasil. Foi criado em São Paulo, em agosto de 1962 (porém com raízes que remontam a 1953), (IA) durante o IV Congresso Sindical Nacional dos Trabalhadores, e reunia vários sindicatos, federações e confederações. No entanto, nunca foi reconhecido pelo Ministério do Trabalho e acabou sendo desarticulado por ocasião do golpe militar de 1964.
História Antecedentes Em 1945 foi criado o Movimento Unificador dos Trabalhadores (MUT) sob a liderança do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que se desenvolveu durante a preparação do congresso sindical dos trabalhadores do Brasil. Nesse congresso destacaram-se duas correntes do movimento sindical: uma era ligada ao Ministério do Trabalho, chamada "ministerialista"; a outra, ligada aos comunistas, converteu a MUT na "Confederação dos Trabalhadores do Brasil" (CTB). A conjuntura político-econômica, era extremamente favorável à manifestação de reivindicações trabalhistas. No entanto, a luta pelo controle e domínio do movimento sindical brasileiro suscitou divergências entre os trabalhadores. A perseguição ao comunismo, entretanto, foi fatal para que o MUT/CTB fosse definitivamente extinto em 1955.
Fundação e primeiros anos Em abril de 1953, durante a Greve dos 300 mil, foi constituída uma Comissão Intersindical Nacional de Greve (CING) incumbida de coordenar as negociações entre empregadores e empregados. Em 1960, os marítimos, os ferroviários e os portuários do Rio de Janeiro lançaram-se em campanhas conjuntas pelo CING, que levariam à criação, em 1961, do Pacto de Unidade e Ação (PUA) que operaria como organismo oficial de organização da CING no Rio de Janeiro.
Em junho de 1962, a PUA transforma o CING no Comando Geral de Greve (CGG), reunindo neste a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Crédito (Contec) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Marítimos, Fluviais, e Aéreos (CNTTMFA). Durante a greve deflagrada de 1 a 5 de julho de 1962, que resultou na saída do primeiro-ministro Tancredo Neves, a Comissão Permanente de Organizações Sindicais (CPOS) uniu-se à CGG. Com a união da CPOS à CGG, restou somente o Conselho Sindical dos Trabalhadores (CST) e o Fórum Sindical de Debates (FSD) como entidades intersindicais alinhadas ao governo.
Reformulação do CGT Entre 17 e 19 de agosto de 1962, realizou-se em São Paulo o IV Congresso Sindical Nacional dos Trabalhadores. Os delegados presentes, em número de 2.566, votaram como pautas de luta a revogação da Lei de Segurança Nacional, a extensão do direito de voto a todos os adultos, inclusive analfabetos e soldados, o aumento de 100% no salário mínimo, a reforma agrária, a reforma bancária, a promulgação do direito de greve e a limitação do direito à remessa de lucros para o exterior. Ainda nesse encontro, com a finalidade de impulsionar o movimento trabalhista, o CGG transformou-se no Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Na sua fundação, o CGT foi constituído por três das cinco confederações nacionais oficiais de trabalhadores — a CNTI, a Contec e a CNTTMFA —, abosorvendo a CPOS, o PUA e o FSD, institucionalizando-se como a primeira grande organização intersindical brasileira após a Confederação Operária Brasileira (COB). Na presidência do CGT ficou Dante Pellacani, na vice-presidência Clodesmidt Riani, na secretaria-geral Oswaldo Pacheco e na tesouraria Rafael Martinelli. Além dos dirigentes, cabe citar as importantes lideranças articuladoras do CGT durante sua existência: Aluísio Palhano, Demistoclides Batista, Paulo de Mello Bastos, Benedito Cerqueira, Hércules Correia dos Reis, Laudelina de Campos Melo e Roberto Morena.
Em 1963 o CGT organizou a Greve dos 700 mil em São Paulo, que tinha como pauta principal o aumento do salário mínimo em 100%, além da implantação das reformas de base e a promoção de um congresso nacional de trabalhadores em que seria pedida a legalização da entidade.
Golpe militar e extinção Em fevereiro de 1964 a liderança do CGT percebeu a articulação de um golpe contra o governo de João Goulart. Como resposta, a partir de março de 1964, o CGT passou a se organizar para convocar uma greve geral de trabalhadores urbanos e rurais em todo o país, em defesa das liberdades democráticas, a ser realizada a partir do 1 de maio de 1964. A burguesia muito se assustou com a possibilidade de organização da classe trabalhadora, mobilizando a reação de militares e civis contra o governo Goulart, culminando no golpe de Estado de 1964.
Em 31 de março de 1964, durante o golpe, vários líderes sindicalistas foram presos. Algumas prisões ocorreram no momento em que, reunidos na sede do Sindicato dos Estivadores do Rio de Janeiro, líderes do CGT discutiam acerca da estratégia a ser adotada frente ao golpe. A polícia invadiu o prédio, prendendo mais de 20 dirigentes, entre os quais Pacheco e Martinelli. O governo militar interveio na maior parte dos sindicatos, federações e confederações vinculados ao CGT, demitindo e perseguindo vários líderes sindicais. No dia 10 de abril de 1964, foi divulgada a primeira lista de elementos cassados pelo novo governo. Dela faziam parte vários membros do CGT, entre os quais Pellacani, Riani, Correia dos Reis, Pacheco, Martinelli, Morena e Palhano. O CGT extingue-se nessa data.
Categoria:Centrais sindicais do Brasil Categoria:Grupos e organizações relacionados à ditadura militar no Brasil (1964–1985)