A rivalidade entre SC Braga e Vitória SC é mais antiga que o próprio país e por conseguinte é um dos dérbis mais importantes do futebol português, envolvendo as duas maiores forças da região do Minho. Este confronto histórico é chamado de Dérbi do Minho.

Mais do que uma rivalidade entre dois clubes desportivos é uma rivalidade entre duas cidades históricas e vizinhas, que remonta antes da fundação da nacionalidade, numa disputa entre os poder dos Arcebispos de Braga e os Condes do Condado Portucalense. Daí até à atualidade são várias as demonstrações de rivalidade entre ambas as partes, justificando-se assim o facto de não existir uma linha férrea entre ambas cidades (mas antes dois ramais isolados que ligam cada uma das cidades ao Porto) ou a polémica em torno da criação da Universidade do Minho.

Assim a rivalidade entre SC Braga e Vitória SC é mais um reflexo de uma rivalidade entre a sociedade de ambas as cidades. Bracarenses e Vimaranenses não gostam uns dos outros, sendo, respetivamente, apelidados de "marroquinos" e de "espanhóis" e para lá da fronteira é território inimigo. Contudo, tal como as cidades a que pertencem, há muito mais em comum entre eles do que aquilo que os separa: A data de fundação oficial do SC Braga remonta a 1921 enquanto a do Vitória SC a 1922. No ano de 2025, o Braga possui cerca de 30 mil associados enquanto o Vitória possui cerca de 39 mil. Têm conseguido conquistar títulos (tanto em séniores como na formação) fora da esfera dos chamados três grandes. No Século XXI são os clubes que, desportivamente, mais dificuldades causam aos chamados Três Grandes e que normalmente disputam as posições mais altas na Liga Portugal e no apuramento para as competições europeias. Para além dos denominados Três Grandes, são os únicos clubes a manterem uma considerável massa adepta, sempre com boas assistências em casa, que proporcionam jogos emocionantes o espetáculo eletrizante vindo das bancadas com grandes tifos e coreografias. Ambos contam sempre com boas deslocações fora de portas fazendo do recinto do adversário casa, já que se encontram em superioridade numérica na maioria dos estádios portugueses, devido à proximidade geográfica dos clubes da Liga.

Mediatismo do Derby Minhoto O SC Braga e o Vitória SC são reconhecidos pela qualidade das infraestruturas e das equipas que apresentam, sendo os mais destemidos a intrometerem-se na clássica disputa do título nacional entre os três habituais (FC Porto, Sporting e Benfica), sendo ainda mais conhecidos pela rivalidade entre os seus adeptos e associados, razões pela qual os colocam num patamar intermédio entre os Três Grandes e os restantes clubes. Com efeito, o Dérbi do Minho é tido como o 4.º jogo mais mediático entre adeptos, jornais e televisão, logo a seguir aos Clássicos, com as respetivas cidades de Braga e Guimarães ao rubro para ver este dérbi sempre escaldante, que já conta com mais de centena e meia de jogos oficiais.

Com respeito às assistências em casa como às deslocações fora o Vitória se destaca em relação ao Braga pois existe uma cultura de apoio muito enraizada, marcada pelo bairrismo e pela forte ligação dos adeptos ao clube da terra. Mesmo quando a equipa não está nas posições cimeiras, o Vitória continua a registar médias de assistência elevadas dado que a base de apoio mantém-se fiel independentemente dos resultados. Contudo, do lado de Braga, face aos excelentes resultados desportivos mais regulares obtidos no virar do século, têm conseguido aumentar aos poucos a sua média dada a mudança de mentalidade dos adeptos, muitos dos quais eram anteriormente bi-clubistas (apoiam também um dos três grandes) e agora tendem a apoiar de forma mais exclusiva o clube da cidade.

Desenvolvimento de Audiência

Dados presentes neste gráfico são de EFS Attendances e desde 2009/10 da Liga Portugal.

História da Rivalidade No início da sua existência a rivalidade entre Guimarães e Braga teve sobretudo como palco a luta pela direção da AF Braga do que desportivamente, dado que se a maior parte dos jogos eram disputados contra equipas da mesma cidade. Em Braga, o SC Braga tinha diversos adversários como o Braga Sport Club (o grande rival do SCB à altura), Braga Football Club, Liberdade Foot-ball Club e Soarense. Já o Vitória exercia uma maior hegemonia na cidade de Guimarães, devendo as suas origens a um grupo de futebol fundado em 1913 com duas equipas, sendo a primeira o Sport Club Vimaranense e a segunda o Foot-ball Grupo Vimaranense, que mais tarde viriam a tornar-se um só.

Primórdios Os primeiros campeonatos regionais são dominados pelo SC Braga e só em 1936/37, após 10 títulos Bracarenses, os Vitorianos se conseguem impor no campeonato regional, assistindo-se a um período de crise do SC Braga. É precisamente neste período que é criado o Campeonato Português de Futebol em 1934/35, sendo que só a partir de 1941/42 o Campeão da AF Braga se passa a apurar para a Primeira Divisão (até aí apurava-se para a Segunda Divisão, estando a Primeira Divisão reservada aos clubes de Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal).

Em 1946/47 dá-se a reformulação dos quadros competitivos do futebol português, acabando-se com a qualificação a partir dos campeonatos regionais, passando a existir uma lógica de continuidade entre edições, e um sistema de promoções e descidas entre divisões. A Primeira Divisão foi alargada para 14 equipas, enquanto a II Divisão foi reformulada, e criada uma III Divisão. Desta forma, o Vitória SC foi integrado na I Divisão (como campeão) enquanto o SC Braga se viu relegado para a II Divisão, deixando de participar no campeonato distrital dessa data. O SC Braga viria a conseguir a subida de divisão nessa mesma época, retomando o Minhoto.

Desde essa data, apenas por 3 épocas ambos os clubes não participaram na Primeira Divisão: em 1956/57, de 1961/62 e 1963/64, de 1970/71 a 1974/75 (épocas do SC Braga na II Divisão) e de 1955/56 a 1957/58 e 2006/07 (épocas do Vitória no segundo escalão).

De salientar que em 1947 após a vitória do Braga no Montijo que valeu a subida à I Divisão, a comitiva do SCB foi homenageada em Famalicão, tendo o Vitória se feito representar por António Faria Martins que referiu:

Afirmação Nacional Entre 1970 e 1985 o Vitória conseguiu com frequência terminar o campeonato entre os 6 primeiros classificados, enquanto o SC Braga o conseguiu com alguma regularidade entre 1975 e 1985. Braga e Guimarães tornavam-se aí deslocações difíceis para qualquer clube nacional. Entre 1985 e 2003 assistem-se a percursos algo irregulares de ambos clubes, alternando posições cimeiras com classificações mais modestas, ainda assim o Vitória na década de 80 e 90 consegue vários apuramentos Europeus (10 no total), e boas campanhas na Europa, conseguindo mesmo em 1987, a chegada aos Quartos de Final da Taça Uefa.

Glória Europeia O século XXI traz uma alteração do status quo. Em 2006/07 o Vitória vê-se mesmo obrigado a disputar a a Segunda Liga (após 48 anos ininterruptos no escalão maior do futebol português), mas na época seguinte e após uma excelente campanha na Liga (3º posto num conjunto coeso orientado por Manuel Cajuda) consegue o feito de se intrometer na luta pelo campeonato, conseguindo o apuramento histórico para a 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões de 2008/09. Viria a ser afastado da fase de grupos após dois jogos polémicos contra o Basileia. No entanto, foi um feito único, e o Vitória nos anos seguintes não viria a conseguir melhor do que o 4º lugar (2016/17) e 5º lugar (2010/11, 2014/15, 2018/19 e em 2023/24). Já na Taça de Portugal, o Vitória consegue o seu maior troféu (havia apenas vencido a Supertaça Cândido Oliveira em 1988 ao FC Porto), após derrotar na final de 2013 o Benfica por 2–1 no Jamor.

Por seu lado em Braga, o início do novo século é sinónimo de António Salvador, o empresário que assume a direção do clube e o transporta de classificações modestas para as grandes noites europeias. Desde 2003 o SC Braga conseguiu terminar a Liga em 2º (2009/10, onde lutou até à última jornada pelo título), 3º (2011/12 e 2019/20) e por 7 vezes em 4º lugar. Pelo meio consegue dois apuramentos para a fase de grupos da Liga dos Campeões, uma final da Liga Europa, a conquista da Taça Intertoto, (único troféu internacional conquistado por um clube português que não faz parte dos denominados três grandes). A nível nacional conquista também a Taça da Liga em 2013 e 2020 (venceu em ambas o FC Porto), e em 2015 e 2016 atinge a final na Taça de Portugal, tendo perdido a final de 2015 frente ao Sporting e vencido a de 2016 frente ao FC Porto, ambas decididas nas grandes penalidades.

Presente Nos últimos anos, o SC Braga tem-se destacado pelo desempenho desportivo e pela estabilidade institucional na região do Minho. O clube tem também registado resultados financeiros positivos, nomeadamente através da transferência de jogadores, bem como participações regulares em competições da UEFA, nas quais tem alcançado resultados relevantes.

Na época 2020/21, o Sporting de Braga conquistou a sua terceira Taça de Portugal, ao derrotar o Benfica por 2–0 no Estádio Cidade de Coimbra.

Já no lado Vimaranense, e após a saída do histórico líder Pimenta Machado em 2004 (24 anos no Clube, conduzindo nessa fase o Vitória a bons desempenhos desportivos e financeiros), tem-se assistido a sucessivas mudanças na presidência, e após várias épocas com medíocres resultados a nível desportivo, e péssimos no capítulo financeiro, encetou uma campanha sob a presidência de Júlio Mendes, com vista à diminuição do passivo do Clube (passou de 24 milhões de euros no final de 2012, para praticamente 12 milhões no final da época 2014/15).

Em 2016/17, o Vitória Sport Club, atinge o 4º lugar na Liga, ficando 9 anos depois à frente do rival SC Braga na tabela classificativa.

Na Taça de Portugal, atingiu a sua 7º final na Prova Rainha do Futebol Luso (terceira nos últimos 7 anos). Fortemente apoiada pela sua massa adepta, a Equipa de Pedro Martins foi derrotada no Jamor pelo Campeão Nacional Benfica por 2–1, não conseguindo assim trazer a Taça para a Cidade Berço.

Na temporada 2025/26, o Vitória SC assegurou o seu primeiro troféu da Taça da Liga, histórica por ser o primeiro Dérbi do Minho numa final de uma competição. A final acontece após eliminação do FC Porto por 1–3 no Estádio do Dragão, nos quartos de final, e, nas meias finais derrotou o Sporting por 1–2 em Leiria, ambos com reviravolta na partida. Na final minhota, o Vitória voltou a vencer de reviravolta o SC Braga por 2–1, conquistando o seu primeiro troféu da Taça da Liga na história, sendo ainda o primeiro clube a vencer a competição apenas com reviravoltas no resultado.

Modalidades Para além do futebol, a rivalidade desportiva entre SC Braga e Vitória SC tem sido vivida sobretudo a nível de formação, onde proporcionam sempre duelos muito aguardados e emotivos. No entanto, no que se refere às disputas deste derby nas primeiras divisões das competições nacionais, elas acabam por ser menos frequentes, uma vez que cada instituição optou por investir em modalidades distintas permitindo ainda assim bater-se por títulos.

O SC Braga apostou mais forte nas modalidades de Futsal e Futebol de Praia (entretanto extinta em 2024), enquanto que o Vitória SC apostou no Voleibol, Basquetebol, Polo Aquático e Andebol (reativada em 2020) sendo estas as modalidades com mais representatividade e também com mais apoio entre os adeptos.

Participações dos Clubes Contabilizando as épocas desde 1934/35 (Data da criação oficial dos Campeonatos Nacionais da Primeira e Segunda Divisão).