thumb|250px|A dura lição, pintura de William-Adolphe Bouguereau. Aprendizagem é o processo pelo qual as competências, habilidades, conhecimentos, comportamento ou valores são adquiridos ou modificados, como resultado de estudo, experiência, formação, raciocínio e observação. Este processo pode ser analisado a partir de diferentes perspectivas, de forma que há diferentes teorias de aprendizagem. Aprendizagem é uma das funções mentais mais importantes em humanos e animais e também pode ser aplicada a sistemas artificiais.

Aprendizagem humana está relacionada à educação e desenvolvimento pessoal. Deve ser devidamente orientada e é favorecida quando o indivíduo está motivado. O estudo da aprendizagem utiliza os conhecimentos e teorias da neuropsicologia, psicologia, educação e pedagogia. Outra característica da aprendizagem é a temporalidade e a ciclicidade dos conteúdos a serem aprendidos, que além de estruturantes e acumulativos (não se pode aprender a interpretar um texto escrito, sem antes aprender a ler), estão atrelados e podem variar de acordo as necessidades de um sujeito e de um tempo histórico.

Aprendizagem como um estabelecimento de novas relações entre o ser e o meio ambiente tem sido objeto de vários estudos empíricos em animais e seres humanos. O processo de aprendizagem pode ser medido através das curvas de aprendizagem, que mostram a importância da repetição de certas predisposições fisiológicas, de "tentativa e erro" e de períodos de descanso, após o qual se pode acelerar o progresso. Esses estudos também mostram o relacionamento da aprendizagem com os reflexos condicionados. Algumas pesquisas começam a revelar que os sonhos têm um papel muito importante na aprendizagem e na formação de memória. Por exemplo, alguns cientistas observaram que, durante o sono o cérebro recorda coisas que aprendeu recentemente. Durante o sono de ondas lentas, a mente recorda novas memórias. Em seguida, no sono REM - em que acontecem os sonhos - o cérebro trabalha para guardar essas memórias por um longo prazo.

Histórico Antiguidade A aprendizagem vem sendo estudada e sistematizada desde os povos da antiguidade oriental. Já no Egito, na China e na Índia a finalidade era transmitir as tradições e os costumes.

Na antiguidade clássica, na Grécia e em Roma, a aprendizagem passou a seguir duas linhas opostas porém complementares: A "pedagogia da personalidade", que visava a formação individual; e A "pedagogia humanista", que desenvolvia os indivíduos numa linha onde o sistema de ensino era representativo da realidade social e dava ênfase à aprendizagem universal.

Idade Média Durante a Idade Média, a aprendizagem e consequentemente o ensino (aqui ambos seguem o mesmo rumo) devem muito à tenacidade da Igreja. Embora a censura fosse uma realidade, a Igreja teve o mérito de fundar Universidades e estimular o estudo aprofundado da natureza, do cosmo e da realidade humana.

No final daquele período, iniciou-se a separação entre as teorias da aprendizagem e do ensino com a independência em relação ao clero. Devido às modificações que ocorreram com o advento do humanismo e da Reforma, no século XVI, e sua ampliação a partir da Revolução Francesa, as teorias do ensino-aprendizagem tomaram novos caminhos.

Século XVII ao início do Século XX Do século XVII até o início do século XX, a doutrina central sobre a aprendizagem era demonstrar cientificamente que determinados processos universais regiam os princípios da aprendizagem, tentando explicar as causas e formas de seu funcionamento, forçando uma metodologia que visava enquadrar o comportamento num sistema unificado de leis, a exemplo da sistematização efetuada pelos cientistas para a explicação dos demais fenômenos das ciências naturais.

Muitos acreditavam que a aprendizagem estava intimamente ligada somente ao condicionamento. Um exemplo de experiência sobre o condicionamento foi realizada pelo fisiólogo russo, Ivan Pavlov, que condicionou cães a salivarem ao som de campainhas.

A partir de 1930 Na década de 1930 os cientistas Edwin R. Guthrie, Clark L. Hull e Edward C. Tolman pesquisaram sobre as leis que regem a aprendizagem.

Guthrie acreditava que as respostas, ao invés das percepções ou os estados mentais, poderiam formar os componentes da aprendizagem.

Hull afirmava que a força do hábito, além dos estímulos originados pelas recompensas, constituía um dos principais aspectos da aprendizagem, a qual se dava num processo gradual.

Tolman seguia a linha de raciocínio de que o princípio objetivo visado pelo sujeito era a base comportamental para a aprendizagem. Percebendo o ser humano na sociedade em que está inserido, se faz necessário uma maior observação de seu estado emocional. Pagina visitada em 13 de Janeiro de 2012

Definição de aprendizagem A definição de aprendizagem é difícil de ser realizada em razão da necessidade dela não se confundir com outros conceitos. Isso se deve ao fato de aprendizagem ser um conceito natural e não um conceito artificialmente criado.

Uma definição com base no paradigma comportamentalista A definição a seguir é clássica criada dentro do modelo da psicologia comportamentalista:

"Aprendizagem é o processo pelo qual uma atividade tem origem ou é modificada pela reação a uma situação encontrada, desde que as características da mudança de atividade não possam ser explicadas por tendências inatas de respostas, maturação ou estados temporários do organismo (por exemplo, fadiga, drogas, etc.)'".

Essa definição inicial serve para que possamos fazer algumas importantes diferença entre atividades de aprendizagem e outras que não são.

Diferenças entre aprendizagem e tendências inatas O comportamento inato pode ser classificado em 3 tipos de atividades: reflexos, tropismos e instintos. Numa primeira abordagem ao problema parece não haver motivos para confundir aprendizagem e comportamento inato. A questão surge quando, no estudo de determinados instintos (comportamentos complexos presentes em nosso código genético), existe uma abertura para variações ambientais.

O caso clássico que podemos citar aqui é o comportamento de imprinting apresentados por aves. No imprinting a ave está geneticamente programada a aceitar uma variação no estímulo ambiental "mãe". Em razão dessa variação até mesmo humanos podem ser identificados como sendo a "mãe" daquela ave.

Diferença entre maturação e aprendizagem Como os processos de maturação também envolvem mudança é preciso saber quais dessas mudanças são ocasionados pelo crescimento, propriamente dito, ou pela aprendizagem. Isso seria fácil se, assim como os comportamentos inatos, não houvesse casos em que determinadas atividades complexas (como a aquisição da linguagem em seres humanos) não fossem ao mesmo tempo produto de processos de maturação biológica e de exposição a variações ambientais. Como é notório, uma criança somente começa a falar a partir de certa idade, no entanto, ela falará o idioma a qual ela está exposta.

Diferença entre fadiga e aprendizagem A fadiga pode ser vista quando após uma atividade repetida muitas vezes em curto espaço de tempo seja identificada uma perda da sua eficiência. Ou seja, a fadiga é um produto da prática.

O interesse disso é que a aprendizagem também guarda uma estreita relação com a prática que a produz. No entanto, ao contrário da fadiga a curva da aprendizagem melhora com a prática. Desse modo, o que parece haver é que uma prática intensa sem muitos intervalos poderia levar a uma perda momentânea de eficiência da atividade, mas em espaços de tempo maiores levaria ao aumento da eficiência da aprendizagem.

A fadiga desse modo pode ser considerada como um estado temporário do organismo e, portanto, não pode ser confundida com a aprendizagem. O mesmo raciocínio se aplica ao uso de drogas que promove alterações no comportamento resultantes do seu uso e não de uma aprendizagem.

Uma definição com base em um paradigma cognitivista Dentro de uma perspectiva mais cognitiva podemos ter a seguinte definição de aprendizagem: "A aprendizagem é uma mudança relativamente duradoura de comportamento resultante da experiência. Ela ocorre quando os organismos se beneficiam da experiência para que seus futuros comportamentos sejam mais bem adaptados ao ambiente."Inicialmente, é preciso explicar que a noção de comportamento aqui exposta comporta também estados mentais como pensamentos, sentimentos, imagens mentais, etc. Depois a definição deixar claro que as mudanças ocorridas nos comportamentos são resultados da experiência (e não da programação genética ou estados momentâneos, por exemplo). Isso é importante, pois uma coisa que todas as teorias da aprendizagem tende a concordar é que a aprendizagem provoca algum tipo de mudança .

Depois a definição acima se liga a perspectiva evolucionista em ciência ao mostrar que as mudanças ocorrem para beneficiar o organismo no seu processo de adaptação ao meio (o que não significa que mudando o meio determinada aprendizagem deixe de ser benéfica). Isso é essencial para se compreender a natureza adaptativa da aprendizagem humana. Uma das evidências que podemos trazer aqui para justificar essa ideia é o fato de que bebês humanos aprendem desde o nascimento e com grande velocidade. E que toda essa aprendizagem dos primeiros dias é quase toda ela não consciente e sem grande necessidade de intervenção social programa (ensino).

Ela também apresenta uma característica de toda aprendizagem que estava ausente na definição anterior: a sua durabilidade no tempo. Essa característica é de suma importância, pois mostra a estreita relação entre aprendizagem e memória. De fato, como se verá, muito do que hoje podemos falar sobre os processos de aprendizagem vem dos estudos sobre o funcionamento da nossa memória, principalmente da aprendizagem de conteúdos mais explícitos, como são aqueles presentes na atividade escolar. No entanto, como é claro ainda persistem como na parte anterior os problemas de atividades ou comportamentos fronteiriços (imprinting, aquisição da linguagem, etc.).

Características da aprendizagem Em razão disso, Pozo (2002) prefere não criar uma definição formal de aprendizagem. Acreditar ser mais útil pensar em quais seriam as melhores características para uma boa aprendizagem. Ele sugere três:

a) a aprendizagem produz mudanças duradouras;

b) a aprendizagem deve ser transferível para outras situações;

c) a aprendizagem é consequência direta da prática realizada.

O ser humano nasce potencialmente inclinado a aprender, necessitando de estímulos externos e internos (motivação, necessidade) para o aprendizado. Há aprendizados que podem ser considerados natos, como o ato de aprender a falar, a andar, necessitando que ele passe pelo processo de maturação física, psicológica e social. Na maioria dos casos a aprendizagem se dá no meio social e temporal em que o indivíduo convive; sua conduta muda, normalmente, por esses fatores, e por predisposições genéticas.

Processo de aprendizagem Segundo os behavioristas, a aprendizagem é uma aquisição de comportamentos através de relações entre ambiente e comportamento, ocorridas numa história de contingências, estabelecendo uma relação funcional entre Ambiente e Comportamento

Apresenta como principais características: O indivíduo é visto como ativo em todo o processo; A aprendizagem é sinônimo de comportamento adquirido; O reforço é um dos principais motores da aprendizagem; A aprendizagem é vista como uma modelagem do comportamento.

Em algumas abordagens cognitivas, considera-se que o homem não pode ser considerado um ser passivo. Enfatiza a importância dos processos mentais no processo de aprendizagem, na forma como se percebe, seleciona, organiza e atribui significados aos objetos e acontecimentos.

É um processo dinâmico, centrado nos processos cognitivos, em que temos:

INDIVÍDUO → INFORMAÇÃO → CODIFICAÇÃO → RECODIFICAÇÃO → PROCESSAMENTO → APRENDIZAGEM