thumb|350px|Famílias de moradores de rua no Recife, capital brasileira onde há a maior desigualdade entre ricos e pobres.Recife, a capital brasileira da desigualdade Os problemas sociais do Brasil podem ser compreendidos com o auxílio e interpretação de indicadores sociais. Houve uma evolução positiva destes indicadores na última década, especialmente em relação ao aumento da expectativa de vida, queda da mortalidade infantil, acesso a saneamento básico, coleta de lixo e diminuição da taxa de analfabetismo. Apesar da melhora desses índices, há nítidas diferenças regionais, especialmente em relação ao nível de renda.Vasconcellos, Marco Antonio Sandoval de; Gremaud, Amaury Patrick; Toneto Júnior, Rudinei Toledo. Economia Brasileira Contemporânea. 3a edição. São Paulo: Atlas, 1999. p.66-81

Os problemas sociais ficam claros, sobretudo, com o Índice de Desenvolvimento Humano, o qual o Brasil, entre 189 nações pelo mundo, fica na 79.ª posição de acordo com dados referentes a 2017 divulgados pelas Nações Unidas no ano seguinte, embora tenha a sétima economia do mundo.The Economist (10 de março de 2011). Measuring Brazil's economy - Statistics and lies, acesso em 17 de novembro de 2011

Concentração de renda

miniatura|Favela Dona Marta, no Rio de Janeiro, ao lado de prédios residenciais de alto padrão miniatura|Habitações precárias sob um viaduto em São Paulo miniatura|Favela em Teresina

No final da década de 1970, o economista Edmar Bacha citou o Brasil como um país com características de uma Belíndia, em referência à sua enorme desigualdade social, que se traduz por uma minoria com padrão de vida dos ricos da Bélgica e uma maioria com o padrão de vida dos pobres da Índia. No entanto, um relatório, divulgado em 2008 e baseado no IDH, aponta o país com características de Islíndia, com uma minoria com padrão de vida ainda melhor que o da Bélgica e superior a dos 20% mais ricos da Islândia - o país com maior IDH no mundo.Folha de S.Paulo. (19 de dezembro de 2008). Desigualdade faz Brasil ter índice de "Islíndia" Há ainda o termo InGana. Pois no país alguns vivem com padrões de vida semelhante ao da Inglaterra, enquanto uma grande parcela da população vive com o padrão de vida igual ao de Gana.

Esse relatório menciona também que, no Brasil, os 20% mais ricos vivem em condições melhores que a fatia mais rica de países como Suécia, Alemanha, Canadá e França.

A base de dados do PNUD mostra que o Brasil é o décimo no ranking da desigualdade.PNUD. (julho de 2010). Informe Regional sobre Desarrollo Humano para América Latina y el Caribe 2010 - Actuar sobre el futuro: romper la transmisión intergeneracional de la desigualdad . Nova Iorque, acesso em 24 de julho de 2010BBC Brasil/O Estado de S. Paulo. (23 de julho de 2010). Brasil ainda é um dos mais desiguais, apesar de progresso, diz ONU, acesso em 24 de julho de 2010

Em comparação com o resto do mundo, a divisão pessoal de renda do Brasil é mais discrepante que a dos outros países de baixo desenvolvimento econômico. Até a última década de 1990, alguns países como Etiópia e Uganda tinham distribuição de renda muito melhor que a brasileira. No período, os mais ricos tiveram aumento da renda real e os mais pobres também tiveram aumento de renda, embora o abismo entre as classes sociais tenha ficado ainda maior.

A renda também é clara entre os gêneros. Um estudo da ONU, divulgado em 2010, mostra que, se analisadas a saúde reprodutiva, empoderamento (autonomia) e atividade econômica, o país aparece em 80.º lugar na lista de 138 nações e territórios.PNUD Brasil. (4 de novembro de 2010). PNUD lança índice de disparidade de gênero , acesso em 11 de dezembro de 2010

Dados do Censo 2010 revelam que a renda dos mais ricos (média de R$ 16.560,92 mensais) é maior que a de 40 brasileiros mais pobres (R$ 393,43).Censo 2010/IBGE (16 de novembro de 2011). Distribuição do rendimento nominal mensal das pessoas de 10 anos ou mais de idade, com rendimento, e valor do rendimento nominal médio e mediano mensal das pessoas de 10 anos ou mais de idade, com rendimento, por sexo, segundo as classes de percentual das pessoas de 10 anos ou mais de idade, em ordem crescente de rendimento - Brasil - 2010, acesso em 17 de novembro de 2011

Em 2009, uma pesquisa do IBGE, realizada em setembro de 2008, revelou que os 10% mais ricos (R$ 4.424 mensais ou mais) concentravam 43% da riqueza, ao passo que os 50% mais pobres possuem apenas 18%.Gois, Antônio (19 de setembro de 2009). Desigualdade cai; renda e emprego avançam. Folha de S.Paulo, Caderno Dinheiro

O Censo 2010 detectou que 25% da população brasileira recebia até R$ 188 mensais e metade tem renda per capita de R$ 375, valor abaixo do salário mínimo de 2010 (R$ 510).IBGE (16 de novembro de 2011). Indicadores Sociais Municipais 2010: incidência de pobreza é maior nos municípios de porte médio, acesso em 16 de novembro de 2011

De acordo com dados da OIT relativos a 2010, cerca de 25% da população brasileira ganha menos de US$ 75 por mês, e a geração de empregos formais é incipiente. Coincidentemente, o Brasil detém o posto de menor cobertura de seguro-desemprego entre as economias do G20.Chade, Jamil. (19 de abril de 2010). Um em cada quatro brasileiros ganha menos de US$ 75 ao mês, diz OIT - O Estado de S. Paulo, acesso em 19 de abril de 2010

Em maio de 2011, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome calculou, a partir de dados do IBGE e estudos do Ipea, que existam 16,2 milhões de brasileiros (8,6% do total) vivendo na miséria extrema ou com ganho mensal de até R$ 70.MDS (3 de maio de 2011). Plano Brasil sem Miséria atenderá 16,2 milhões de pessoas , acesso em 3 de maio de 2011 Na distribuição da miséria, as regiões Nordeste (18,1%) e Norte (16,8%) lideram o levantamento, ao passo que o Sul tem menos gente extremamente pobre (2,6%).

Ainda de acordo com o ministério, metade dos brasileiros mais pobres tem até 19 anos de idade.

O IDH de 2011, quando ajustado à desigualdade de renda, mostra o Brasil na 97.ª posição no ranking de desenvolvimento formado por 187 países.Anexo estatístico do desenvolvimento humano/Relatório do PNUD - ONU (2011). Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado à Desigualdade, p.142, acesso em 17 de novembro de 2011

Mobilidade social

A desigualdade social caiu de 2001 a 2007, mas sofreu uma ligeira alta em 2008, embora a taxa da população considerada como pobre tenha caído de 30% em 2007 para 25,8% em 2008.

A taxa de miséria é parcialmente atribuída à desigualdade econômica do país, que, de acordo com o Coeficiente de Gini - com um índice de 0,56 em 2006 -, é uma das maiores do mundo.

Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, em junho de 2006, a taxa de miséria baseada em renda de trabalho era de 18,57% da população, com queda de 19,8% nos quatro anos anteriores.Fundação Getúlio Vargas. (23 de agosto de 2006). Miséria em queda, acesso em 30 de maio de 2010

Outro estudo, ligado à FGV com base em dados do IBGE, PNAD e Pesquisa Mensal do Emprego e divulgado em junho de 2011, avalia que a redução da pobreza ganhou mais impulso a partir de 2003, dado o crescimento da oferta de empregos e renda real da população, levando 24,6 milhões a saírem da pobreza.Neri, Marcelo Cortes (coord). Os Emergentes dos Emergentes: Reflexões Globais e Ações Locais para a Nova Classe Média Brasileira. Centro de Políticas Sociais/FGV, acesso em 27 de junho de 2011 Segundo o mesmo estudo, a classe média, em especial a classe C (renda familiar de R$ 1.200 a R$ 5.174), é a predominante (100,5 milhões de pessoas) e a que mais cresce no país (ingresso de 39,6 milhões de 2003 a 2011) em especial pelo aumento do tempo dedicado à educação, um passaporte para o trabalho formal, a redução do número de filhos, a estabilidade econômica do país e a expansão do crédito.

Entre as classes mais baixas, os programas governamentais de transferência de renda são instrumentos para mobilidade social.

A ascensão também chega às classes mais altas, de acordo com a mesma pesquisa da FGV, acompanhando o efeito gerado pelo sistema tributário baseado em impostos indiretos.Pintos-Payeras, José Adrian. Análise da progressividade da carga tributária sobre a população brasileira. PPE/Ipea, v.40, n.2, agosto de 2010, acesso em 28 de junho de 2011

A ausência de taxas sobre grandes fortunas mostra que o processo de concentração está institucionalizado, pois os mais ricos têm seus rendimentos mais protegidos.Safatle, Vladimir (28 de junho de 2011). Ricos pagam pouco. Folha de S.Paulo Levantamento divulgado em 2011 aponta que o trabalhador brasileiro labuta mais quatro meses para pagar impostos a todas as esferas governamentais.IBPT/Folha da Região (3 de maio de 2011). Você trabalhou de janeiro até hoje para pagar impostos , acesso em 28 de junho de 2011

Aspectos regionais

Entre 1950 e 1990, a divisão regional de renda ficou praticamente inalterada, com algum crescimento da participação das regiões Centro-Oeste e Norte, em decorrência da expansão da fronteira agrícola. Em 1990, a região Sudeste, com 42% da população brasileira, respondia por quase 60% da renda do país, ao passo que o Nordeste, com 30% da população, possuía 15% da renda.

De acordo com estudo do IBGE, em 2008, em 32,9% dos municípios a administração pública continua responsável por um terço da economia, mostrando a dependência do fomento público para manutenção econômica.

A riqueza está concentrada em poucos municípios e foi ampliada em decorrência da centralização de gastos e investimentos públicos, o que causou o congelamento e desestímulo aos desenvolvimentos regional e local.IPEA. (12 de agosto de 2010). Comunicados do IPEA - Informativo n.º 60 - Desigualdade da renda no território brasileiro, acesso em 13 de agosto de 2010

Educação, trabalho, reforma agrária, transporte e planejamento urbano incipientes provocaram a migração em massa para os grandes centros urbanos, especialmente nas décadas de 60 e 70, o que gerou a formação e o inchaço de aglomerados subnormais - formado por mais de 11,4 milhões de pessoasIBGE (21 de dezembro de 2011). Censo 2010: 11,4 milhões de brasileiros (6,0%) vivem em aglomerados subnormais, acesso em 26 de dezembro de 2011 - que incluem favelas, mocambos, palafitas e outros conjuntos irregulares e carentes de serviços públicos.Folha de S.Paulo (26 de dezembro de 2011). 11 milhões em favelas, Opinião, Editoriais

Em 1920, os 10% municípios economicamente mais ricos tinham 55,4% de participação no PIB, ampliaram para 72,1% em 1970 e para 78,1% em 2007.

Estudo do IBGE, divulgado em 2010 com dados relativos a 2008, mostrou que seis capitais brasileiras — São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Manaus — concentravam 25% do PIB do país.IBGE. (10 de dezembro de 2010). Em 2008, seis capitais concentravam 25% do PIB do país, acesso em 11 de dezembro de 2010 De acordo com o mesmo estudo, as diferenças regionais em cada estado também são claras, visto que, em 2008, os cinco maiores municípios do Amazonas eram responsáveis por 88,1% do PIB estadual, assim como no Amapá (87,6%) e Roraima (85,4%).

Resultado parecido também foi obtido em outro estudo do IBGE divulgado em 2011 com dados de 2005 a 2009 ao detectar que aproximadamente 25% de toda a geração da renda brasileira estava concentrada em cinco municípios (12,6% da população nacional): São Paulo (12,0%), Rio de Janeiro (5,4%), Brasília (4,1%), Curitiba (1,4%) e Belo Horizonte (1,4%).IBGE (14 de dezembro de 2011). Em 2009, preços das commodities minerais influenciaram a participação de municípios no PIB, acesso em 14 de dezembro de 2011