A Batalha de Vimy Ridge foi um combate ocorrido durante a Batalha de Arras, na região de Nord-Pas-de-Calais, em França, durante a Primeira Guerra Mundial. As principais forças no terreno foram o Corpo Canadense, de quatro divisões, contra três divisões do 6.º Exército alemão. A batalha, que teve lugar de 9 a 12 de Abril de 1917, fez parte da fase de abertura da Batalha de Arras liderada pelos britânicos, um ataque num âmbito da Ofensiva Nivelle. O objetivo era atrair as reservas alemãs para longe das forças francesas, preparando o terreno para a ofensiva francesa ao longo do rio Aisne e da crista de Chemin des Dames, alguns dias depois.

O objetivo do Corpo Canadense era a captura e controlo do terreno elevado, controlado pelos alemães, à volta de uma escarpa no extremo norte da Ofensiva de Arras. O controle desta posição significaria que as tropas mais a sul poderiam avançar sem sofrerem fogo de flanco alemão. Apoiado por bombardeamento de barragem, o Corpo Canadense capturou a maior parte da colina durante o primeiro dia do ataque. A cidade de Thélus foi tomada durante o Segundo dia do ataque, tal como a crista da colina depois de os canadenses terem superado um saliente ocupado pelos alemães. O último objetivo, uma pequena posição situada no exterior da cidade de Givenchy-en-Gohelle, foi capturada a 12 de Abril. As forças alemãs retiraram-se da linha de Oppy–Méricourt.

Os historiadores atribuem o sucesso do Corpo canadense na captura da colina a um conjunto de inovações técnicas e táticas, planeadas com todo o cuidado; a um apoio significativo da artilharia e muito treino; tal como ao fracasso do 6.º Exército alemão na aplicação da nova doutrina defensiva. A batalha marcou a primeira vez que as quatro divisões do Corpo Expedicionário Canadiano participaram juntas numa batalha, tornando-se um símbolo nacional do Canadá de sacrifício e conquista. Uma área de 100 ha do antigo terreno serve de parque e local do Memorial Nacional Canadiano a Vimy.

Contexto da batalha left|300px|thumb|Local da Batalha de Vimy A colina de Vimy é uma escarpa de oito quilómetros a nordeste de Arras, no limite oeste das Planícies de Douai. A colina é menos inclinada do lado oeste que a leste. A aproximadamente 7 km de distância da base, e a uma altitude de 145 m ou 60 m acima das Planícies de Douai, a colina tem uma vista que se estende por vários quilómetros em todas as direcções.

A colina ficou sob controlo alemão, em Outubro de 1914, durante a Corrida para o Mar, quando as forças franco-britânicas e alemãs tentavam, de forma continua, flanquear umas às outras na região nordeste da França.Boire (2007) pp. 52–53 O 10.º Exército francês tentou expulsar os alemães da região durante a Segunda Batalha de Artois em Maio de 1915, atacando as suas posições na colina de Vimy e Notre Dame de Lorette. A 1.ª Divisão francesa (de Marrocos), tomou. Por pouco tempo, o topo da colina, não conseguindo manter o seu controlo por falta de reforços.Boire (2007) p. 56 Os franceses tentaram, de novo, durante a Terceira Batalha de Artois, em Setembro de 1915, mas apenas conseguiram tomar a cidade de Souchez, na zona oeste da base da colina.Tucker p. 68 O sector de Vimy ficou mais calmo após a ofensiva, com ambos os lados a adoptar uma abordagem de "vive e deixa viver", tal como já ocorrido durante a Trégua de Natal de 1914. No total, os franceses sofreram cerca de baixas nas diversas tentativas de ganhar o controlo da colina de Vimy e terreno circundante.Turner p. 8

O XVII Corpo britânico, sob o comando do tenente-general Julian Byng, substituiu o 10.º Exército no sector em Fevereiro de 1916, permitindo que as forças francesas pudessem alargar as suas Operações em Verdun.Boire (1992) p. 15 Os britânicos descobriram que as companhias alemãs de construção de túneis tinham aproveitado o período de calma relativa à superfície para construir uma extensa rede de túneis, e colocar minas, a partir dos quais atacariam as posições francesas fazendo explodir as suas trincheiras.Boire (2007) p. 59 Os Royal Engineers de imediato mobilizaram companhias de construtores de túneis para a frente para fazer face às operações de minagem alemãs. Em resposta à agressiva resposta de minagem britânica, a artilharia alemã e os morteiros de trincheira, bombardearam intensamente as posições Aliadas no início de Maio de 1916.Samuels pp. 200–202 A 21 de Maio de 1916, depois de bombardearem as trincheiras avançadas e as posições de artilharia, cerca de 80 baterias do lado não visível da colina, a infantaria alemã atacou as linhas britânicas ao longo de uma frente de 1800 m, num esforço de os expulsar das suas posições na colina. Os alemães capturaram vários túneis e crateras controlados pelos britânicos antes de pararem o seu avanço e de se entrincheirarem. A 22 de Maio, os britânicos efectuaram pequenos contra-ataques com unidades das 140.ª e 141.ª Brigadas, mas sem qualquer efeito prático. O Corpo canadiano substituiu o IV Corpo britânico estacionado no declive oeste da colina de Vimy, em Outubro de 1916.Farr p. 147

Prelúdio Planeamento estratégico

No dia 28 de Maio de 1916, Byng assumiu o commando do Corpo canadiano que estava nas mãos do tenente-general Sir Edwin Alderson. A discussão sobre uma ofensiva na Primavera perto de Arras teve início na sequência de uma conferência de comandantes de corpos no quartel-general do 1.º Exército britânico a 21 de Novembro de 1916.Nicholson p. 245 Em Março de 1917, o quartel-general informou Byng sobre a importância da colina de Vimy como o objectivo do corpo para a Ofensiva de Arras.Brennan p. 94 Um plano de assalto, adoptado em Março de 1917, tinha por base informações de oficiais que tinham recolhido relatos sobre a experiência do Exército francês durante a Batalha de Verdun.

Pela primeira vez, todas as quatro divisões canadianas foram agrupadas para participar numa batalha. De acordo com o plano, a dimensão e a natureza do Corpo canadiano necessitava de apoio e recursos para além da sua habitual capacidade operacional. Assim, a 5.ª Divisão de Infantaria britânica e as unidades de artilharia e engenharia, reforçaram as quatro divisões canadianas. O Corpo canadiano contava agora com homens, dos quais eram canadianos.Nicholson p. 229

Plano táctico Em Janeiro de 1917, três oficiais dos Corpos canadianos acompanharam outros oficiais britânicos e canadianos numa série de palestras dadas pelo Exército francês sobre as suas experiências durante a Batalha de Verdun. A contra-ofensiva francesa concebida pelo general Robert Nivelle foi um de muitos sucessos dos Aliados em 1916. Depois de um treino muito intensivo, oito divisões francesas atacaram posições alemãs em duas ondas ao longo de uma frente de 10 km. Apoiados por uma forte artilharia, os franceses conseguiram reconquistar terreno perdido e infligir pesadas baixas em cinco divisões alemãs.Nicholson p. 227

thumb|left|upright|Plano de ataque do Corpo canadiano onde estão destacados os quatro objectivos (preto, vermelho, azul e castanho) No seu regresso, os oficiais do Corpo canadiano elaboraram uma análise táctica das batalhas em Verdun, e efectuaram várias palestras, ao nível dos Corpos e Divisões, para mostrar a importância da artilharia, fogo intenso e da flexibilidade dos pelotões e das companhias. O relatório do comandante da 1.ª Divisão canadiana, Arthur Currie, salientou os ensinamentos que o Corpo canadiano podia adquirir a partir das experiências dos franceses.Humphries p. 67 O plano final para o assalto a Vimy exigia bastante da experiência e da análise táctica dos oficiais que frequentaram as palestras sobre Verdun. O comandante britânico do 1.º Exército, General Henry Horne, aprovou o plano a 5 de Março de 1917.

O plano dividiu o avanço do Corpo canadiano por objectivos através de linhas coloridas. O ataque seria feito numa frente de m, com a zona central oposta à vila de Vimy, a leste da colina. O primeiro objectivo, representado pela linha preta, era cercar a linha defensiva mais avançada dos alemães.Granatstein p. 113 O objectivo final do flanco norte, a linha vermelha, era a tomada do ponto mais alto da colina, uma posição fortificada conhecida por “Pimple, the Folie Farm”; a trincheira Zwischen-Stellung; e a aldeia de Les Tilleuls. A sul, duas divisões tinham dois objectivos: a linha azul circundante da cidade de Thélus e os bosques vizinhos de Vimy; e a linha castanha, que representava a captura da trincheira Zwölfer-Graben e a segunda linha alemã.Nicholson p. 254 A infantaria devia avançar, precedida de fogo de barragem efectuado por artilharia ligeira, em incrementos de 91 m. Os obuses médios e pesados manteriam um bombardeamento continuo, à frente da infantaria, contra os sistemas de defesa.Nicholson p. 249

O plano estabelecia que, à medida que as forças fossem progredindo, as diferentes unidades podiam passar à frente umas das outras, de maneira a que não houvesse nenhuma quebra nem espaços vazios durante o ataque. A onda inicial devia tomar e controlar a linha preta e depois avançar para a linha vermelha. O fogo de barragem faria uma pausa para que as forças de reserva pudessem avançar, e então juntar-se-iam às unidades que se estivessem para além da linha vermelha em direcção à azul. A partir do momento em que a linha azul estivesse controlada, as unidades em progressão podiam, de novo, ultrapassar as já instaladas e capturara linha castanha. Se seguido à risca, o plano deixaria pouco tempo às forces alemãs para deixar as suas posições de segurança nas trincheiras, e defendê-las contra o avanço da infantaria.Turner p. 38 Se o Corpo seguisse o plano, as tropas avançariam cerca de 3 700 m e teriam o controlo da maioria da colina por volta da 13h00 do primeiro dia.Nicholson p. 248

Defesas alemãs

Dada a experiência obtida na Batalha do Somme, o comando alemão concluiu que seguir uma política rígida na defesa de linhas de defesa estáticas não eram eficaz, e já não podia servir de estratégia defensiva.Nicholson p. 239 Assim, o comando germânico deu início a uma nova doutrina em Dezembro de 1916, a qual dava relevância a uma batalha flexível defensiva em profundidade, em vez de controlar, de modo rígido, linhas sucessivas de trincheiras.Nicholson p. 240 Ao longo da colina de Vimy, as forças alemães passaram dois anos a construir fortificações concebidas de acordo com a antiga doutrina de defesa rígida. Por volta de Abril de 1917, eram poucas as reconstruções baseadas na doutrina da defesa em profundidade.Wynne pp. 170–171

As características geográficas do campo de batalha de Vimy dificultavam a execução da defesa em profundidade.Turner p. 29 A colina tinha cerca de 700 m de largura no seu ponto mais estreito e tinha uma inclinação muito acentuada no seu lado leste, eliminando, assim, a possibilidade de contra-ataques no caso de um ataque Aliado tomar a colina.Sheldon pp. ix, 252 Os alemães aperceberam-se destas dificuldades e ficaram bastante preocupados com os pontos fracos da natureza geográfica da colina e da total dependência das suas posições. A estratégia defensiva alemã passava por operar uma defesa de linha da frente suficientemente forte para fazer face a um assalto inicial, e fazer avançar as tropas de reserva antes que o inimigo pudesse consolidar os seus ganhos ou tomasse as restantes posições alemãs. Deste modo, a defesa alemã na colina de Vimy dependia significativamente de metralhadoras, que actuavam como uma força multiplicadora para a infantaria de defesa.Sheldon p. 252