Rainha das Rainhas do Carnaval Paraense ou Rainha das Rainhas, é um evento anual que acontece no início do ano, mais precisamente no carnaval, na cidade de Belém, organizado pelo Grupo Liberal. Tem como participantes uma representante por cada clube participante da capital paraense. Por ano, cerca de 15 clubes participam do concurso. O certame é um dos maiores concursos de beleza do Brasil, vide Lista de concursos de beleza, e o maior do Norte e Nordeste. Atualmente o título pertence a Layane Santos, do Guará Acqua Park.

História

1947: O início Tendo sua primeira edição em 1947, criado pela família Maranhão então proprietária do jornal "Folha do Norte", na época o mais tradicional do Pará. Os irmãos Maranhão, proprietários do jornal, se reuniram com o jornalista Ossian Brito, decidiram então criar um concurso para ser usado para acalmar a briga política que havia entre os Maranhão e o então governador Zacharias de Assumpção.

O concurso aconteceu pela primeira vez na sede do Clube dos Aliados, tendo como convidado especial o governador do Pará. Na época, a ideia inicial de acalmar a briga política então deu certo: Foram acalmado os ânimos entre os Maranhão e um segmento da classe política. O Jornal "Folha do Norte" fez um grande marketing do evento, que a partir da li, passou a ser realizado anualmente, tendo como coordenador: Ossian Brito, que decidiu então que os jurados seriam pessoas "em trânsito" pela cidade de Belém, para que de forma alguma houvesse influência no resultado final.

Décadas de 1950 e 1960: Desfiles em carro aberto Antigamente, as candidatas ao título de Rainha do Carnaval desfilavam em carro aberto pelas ruas de Belém em direção a algum clube social. Ao chegar lá, as candidatas desfilavam de portas fechadas, ficando apenas o júri, apresentador e os dirigentes de clubes que participavam do resultado do concurso. Nessa fase ficaram marcados:

1º título do Pará Clube em 1950; Assembleia Paraense conquista seu primeiro tricampeonato: 1951-1953; Bancrévea conquista o bicampeonato duas vezes seguidas: 1954-1955 e 1957-1958; 1º título do Clube do Remo em 1959; Automóvel Clube conquistando o bicampeonato: 1961 e 1962; Jóquei Clube conquista seu bicampeonato: 1965 e 1966; O único título do extinto Círculo Militar: 1969

No ano de 1966 o jornalista Romulo Maiorana, que na época era presidente do Grupo Liberal, adquiriu o jornal Folha do Norte e em 1967 o concurso muda totalmente de comando. O Rainha das Rainhas continuou com a chancela do jornal A Folha do Norte, mas tendo como novo presidente o jornalista Romulo Maiorana.

Década de 70: A transmissão pela televisão e estreia do Papaya

Em 1971, a candidata Ana Júlia Chermont da Assembleia Paraense surpreendeu se apresentando com uma trilha sonora no concurso, já que desde então, a apresentação ocorria nas ruas de Belém em carro aberto ao som de buzinas. A candidata garantiu o concurso e a ideia chegou aos organizadores do concurso. Aos poucos, o rainhas foi se tornando tradição em Belém e as fantasias foram ficando mais ousadas.

Em 1976, Rômulo Maiorana funda a TV Liberal - Afiliada da Rede Globo, e passou a transmitir o concurso ao vivo em televisão aberta. A partir de então, os paraenses passaram a assistir as apresentações das candidatas nos seus lares, já que aconteciam em salões nobres e de portas fechadas, ficando presentes apenas o júri, o apresentador, repórteres e autoridades.

Em 1979, entra em cena a música Papaya, de autoria do tecladista Lafayette Coelho ("Lafayette e Seu Conjunto. 1976. Vol. 2), música tema que prevalece até hoje no concurso, com exceção de 1998. A escolha da melodia aconteceu através de uma curadoria realizada pelo jornalista Walter Júnior Filho, sob aval de Rômulo Maiorana, uma vez que o concurso não tinha trilha sonora e precisaria de uma melodia para ser tocada nos telejornais quando se falasse do evento. Inicialmente, a canção seria utilizada na edição local do Jornal Hoje, mas foi fixada no concurso, apesar de só tocar oficialmente no evento em 1984, ganhando também várias versões ao longo dos anos. Até 1983, a música tema só tocava apenas no vídeo de apresentação das candidatas, que antecediam o desfile oficial.

Nessa fase se destaca:

Primeiro título da Tuna Luso Brasileira: 1973; O tricampeonato do Clube do Remo, o único na história do clube: 1975-1977; O único título do Signo's Clube: 1979

Década de 80: Popularização Em 1983, o concurso é realizado pela última vez na sede social da Assembleia Paraense, na Av. Presidente Vargas e também foi a última vez que os desfiles em grupo e a divulgação do resultado final aconteciam de portas fechadas, sendo restrita apenas ao júri, jornalistas, presidente dos clubes e as próprias candidatas.

Em 1984, o concurso passa a ser realizado no Iate Clube do Pará, que tinha uma sede campestre monumental para a época, com amplos salões, camarotes e boxes para lanchas. Os boxes, então, foram transformados em camarins para as fantasias e este novo ambiente propiciou que as vestimentas das candidatas aumentassem de tamanho. A partir desse ano, o concurso passa a ser aberto ao público e em local fechado, o que proporcionou a estreia das torcidas organizadas. Em sua nova fase, as candidatas se apresentavam sem música aos jurados, contendo apenas o barulho das torcidas. Após encerrar as apresentações para o júri, as candidatas desciam para a passarela e desfilavam ao som da música-tema do concurso, Papaya. Ainda no mesmo ano, a coordenação do concurso promoveu, além do desfile das Rainhas, o desfile de três destaques do carnaval do Rio de Janeiro, da Escola de Samba Beija-Flor, na ocasião do término do concurso. A sambista Pinah (que seria homenageada anos mais tarde como tema das fantasias de algumas candidatas), Marlene Paiva e Evandro de Castro Lima desfilaram ao fim daquela edição, após a eleição de Marina Ramos Neves, cujo prêmio recebeu das mãos do ator Tarcísio Meira, especialmente convidado pelo jornalista Rômulo Maiorana para assistir ao concurso.

No ano de 1985, segundo ano do Iate Clube do Pará, algumas candidatas ainda chegaram a sede do desfile de carros abertos, tal como se fazia anos antes, quando o evento se realizava na sede social da Assembleia Paraense. Esta tradição não mais aconteceu a partir de então, deixando de existir no ano seguinte.

Em 1986, o concurso passa a fazer parte do calendário oficial da prefeitura de Belém por conta de seu sucesso. Em 1988, estreia a segunda versão da música Papaya, com tons de brega. O sucesso do concurso era tanto, que várias agremiações sociais passaram a participar dessa edição. Em 1989, a edição é realizada pela última vez no Iate Clube.

Nessa fase se destacam:

O bicampeonato do Tênis Clube: 1984 e 1985; O bicampeonato do Clube de Engenharia: 1987 e 1988

Década de 90: Período de auge do concurso, nova gestão e maior edição da história (1997) Em 1990, o concurso é realizado pela primeira vez no novo salão da Assembleia Paraense, da Av. Almirante Barroso e também foi a segunda e última edição a usar a música Papaya em versão brega. Também foi a penúltima edição a usar o voto manual.

Em 91 a votação do júri passou a ser totalmente eletrônica e o concurso volta a ser realizado no Iate Clube, onde ficou até 1999.

Em 92 houve problemas técnicos com o sistema e de última hora a votação precisou voltar a ser manual. Também nessa edição, surge a terceira versão da música Papaya, sendo essa a mais popular do concurso, elaborada pelos músicos Luiz Pardal e Jacinto Kahwage, executada pelo grupo de Luciano Júnior.

Já em 93, o sistema foi totalmente aperfeiçoado e a votação eletrônica voltou a ser implementada. Desde então, as candidatas são julgadas por 3 quesitos: fantasia, beleza e desembaraço.

Em 1996, o Rainha das Rainhas completa 50 anos de existência e tradição, logo, os jornalistas Ossian Brito e Isaac Soares declararam que iriam se afastar da coordenação do concurso. O jornalista Adenirson Lage foi convidado para assumir a coordenação do Rainha das Rainhas juntamente com a professora de dança Clara Pinto, já que Ossian e Isaac se afastariam do evento.

No ano de 1997, o concurso passou por reformulações. O corpo de jurados passou a ser composto por personalidades ligadas ao mundo da moda e do Carnaval e teve como membros Joãosinho Trinta e Antar Rohit. Ainda em 1997, cada Rainha passou a ter sua própria trilha individual de acordo com o tema de sua fantasia e escolhida por ela própria. No desfile para os jurados, as candidatas se apresentavam com suas músicas e, ao descerem para a passarela, desfilavam ao som de "Papaya". Essa edição ficou marcada por ter o maior número de candidatas da história do concurso, ao todo, 29 clubes disputavam o título de rainha do carnaval paraense.

Em 1998, o Rainha das Rainhas do Carnaval promoveu o "Disque Rainha" - Promoção que oferecia prêmios para o clube que tivesse mais ligações do público e também sortearia um carro Gol 0 km para um participante que houvesse ligado para a numeração da sua candidata preferida no período do evento. O custo da ligação era de R$3,95. Foi a única edição a não usar o tema oficial do concurso desde a sua estreia em 1979.

Em 1999, o concurso é realizado pela última vez no Iate Clube.

Nessa fase se destaca:

A era gloriosa do Clube de Engenharia. Campeão em 1991, 4ª princesa em 1992, 3ª princesa em 1993, bicampeão em 1995 e 1996, duas vezes 1ª princesa em 1997 e 1998 e 2ª princesa em 1999; Primeiro título do Clube dos Advogados em 1993, sendo esse o mais polêmico da história do concurso. No mesmo ano, houve a estreia de uma candidata negra, através do Monte Líbano, chamando a atenção do público. Seu sucesso fez com que os Clubes paraenses apostassem em candidatas negras nas próximas edições; Primeira Rainha das Rainhas negra: Luciana Athayde, do Monte Líbano em 1994; Paysandu Sport Club conquista o título de 3ª princesa em 1998; Assembleia Paraense não conquistou nenhum título nessa década; Remo ultrapassa a Assembleia Paraense em 1999 com a vitória de Geruzah Souza e se torna o maior detentor de títulos.

Década de 2000: Fase de ouro e saída da TV Aberta No ano de 2000 o evento muda novamente de local de realização. A partir de então, o Rainha das Rainhas passou a ser realizado na sede campestre da Assembleia Paraense (Clube que participa do concurso desde a primeira edição e que detém o maior número de títulos). Neste ano, ficou definido que haveria limites de peso e tamanho para as fantasias das candidatas, quais sejam: 2,40 metros de largura por 2 metros de altura a partir da cintura, e 20 quilos de peso para o resplendor.

Em 2004, Taíze da Costa do Clube dos Médicos inova ao trazer a fantasia em duas faces, se tornando um marco na história do concurso. Nessa edição, um fato ficou marcado na história do concurso. A candidata Joseana Vilhena, do CEPE, teve sua fantasia desmontada no meio de sua apresentação aos jurados, além de possuir dificuldades para entrar no palco devido ao peso do resplendor. Por conta dos problemas na apresentação, a candidata decidiu retirar a fantasia, tendo a ajuda do colunista e de um operador de câmera. Após conseguir, a candidata desfilou para o público sem a fantasia, recebendo aplausos de todas as torcidas e até mesmo dos jornalistas e dos jurados.