thumb|350px|Aspecto do Königsberger Schloss na primeira metade do século XX
O Königsberger Schloss (Palácio de Königsberg) foi, até 1945, ao lado da Königsberger Dom (Catedral de Königsberg) um dos marcos da capital da Prússia Oriental, Königsberg, actual Kaliningrado, capital do Óblast de Kaliningrado, na Rússia. O palácio atingia, na sua amplitude máxima, 104 metros de comprimento e 66,8 de largura. A torre mais alta situava-se na Kaiser-Wilhelm-Platz (Praça Imperador Guilherme) e tinha 84,5 metros de altura.
Os acontecimentos históricos foram sempre motivo para construir novos edifícios ou alterar os já existentes. Em 1312, Königsberg tornou-se sede dos marechais da Ordem Teutónica. Durante todo o passou pela guerra movida contra os lituanos. Em 1457, o grão-mestre da Ordem Teutónica mudou a sua capital para Königsberg depois de ter perdido o Castelo de Malbork. Em 1525, o palácio foi residência do duque Alberto, tornando-se no centro de poder do Eleitor de Brandemburgo. Königsberg era, agora, a segunda residência depois de Berlim. Em 1701, o Príncipe-eleitor Frederico III, nascido no Königsberger Schloss em 1657, auto-coroou-se Rei na Prússia na sala de audiências do palácio. A Schlosskirche (igreja palaciana), construída entre 1584 e 1595, foi o local de coroação dos reis prussianos. A intenção de Frederico de transformar o palácio num imponente edifício barroco foi abandonada após a sua morte. Só uma ala, situada no canto sudoeste do complexo, foi concluída de forma gradual. No período seguinte, o palácio tornou-se cada vez mais numa casa governamental e edifício de museu.
Desenvolvimento histórico Época da Ordem Teutónica
Em 1242, desenvolveram-se negociações entre a Ordem Teutónica e Lübeck com vista ao estabelecimento dum porto fluvial em Portu Lipze, o chamado Pregore ou Lipza. Inicialmente, foi pensada a criação duma cidade-estado por intermédio de Lübeck. Em 1246, chegou-se, então, a acordo, ficando estabelecido que seria a própria Ordem a fundar a cidade e que deveria construir um castelo ao seu lado.
Também foram empreendidas múltiplas incursões guerreiras à Sâmbia. Contudo, a interrupção do projecto deveu-se a outros acontecimentos políticos e militares. No início de 1255, sob a liderança da Ordem, um grande exército cruzado, enviado de Balga pelo rei Otacar II da Boémia, atravessou a Lagoa do Vístula sobre o gelo e penetrou na Sâmbia. Deste modo, os sâmbios ocuparam a linha do Pregel em antecipação a esse ataque. As tropas da Ordem deslocaram-se para sul, devastando tudo, e derrotaram os defensores da linha do Pregel.
Sobre uma montanha numa floresta, chamada pelos prussianos de Tuwangste, (e também de Twangste, Twangst, Twongst e Twoyngst), celebrava-se uma antiga festa dos prussianos. Do nome desta fortaleza deriva a palavra wangus que descreve a batida da madeira numa floresta de carvalhos. O carvalho era o símbolo de Perkūnas, o deus do trovão prussiano, e estava sob tabu, sendo proibido, mesmo aos nativos prussianos, tocar os carvalhos. A Ordem baptizou a fortificação como Königsberg (Montanha do Rei) em homenagem a Otacar II da Boémia. Otacar chamou à Ordem um grande exército de prussianos para labutarem na construção em conjunto. O primeiro castelo, o castrum antiquum, foi construído no sítio onde, mais tarde, se ergueria a parte da frente do palácio, então caserna dos couraceiros e, a partir de 1926, o edifício do Reichsbank. Durante a construção deste último edifício, foram encontrados pequenos fragmentos de pranchas de fixação, assim como estacas firmadas através da compressão com pedras, provavelmente utilizadas na estacagem de edifícios de madeira.
Em 1260, irrompeu uma grande revolta prussiana. O castelo sofreu um grande cerco, mas resistiu. A fixação na área e a construção do castelo pela Ordem tinha começado logo após a tomada de posse do planalto, em 1255. A estrutura que tinha sido construída como uma muralha de terra para protecção temporária junto ao Pregel, ganhou mais tarde característica de vorburg (área cercada que antecede uma fortaleza). Ao mesmo tempo já tinha começado a expansão do castelo principal. Em 1260, apenas alguns anos depois do início da construção, o castelo estava tão robusto que resistiu ao cerco de três anos causado pela revolta prussiana. Mas, provavelmente, só após a derrota desta insurreição terá começado a expansão da dupla muralha de cintura, interrompida pelas novas torres de defesa. Destas torres, apenas a Haberturm, situada no lado norte, sobreviveu. Os restantes edifícios, prédios rústicos, estábulos e outros, estavam dentro do pátio apoiados na muralha.
No , o espaço do Tribunal Supremo era ocupado por um celeiro. A casa conventual com igreja, refeitório e casa do capítulo, ficava situada a oeste. No lado norte ficava a residência dos marechais da Ordem, seguida do refeitório, duma antiga torre de muralha e, finalmente, da enfermaria, uma casa de saúde para os irmãos da Ordem, com uma capela. Em 1380, foi, finalmente, erguida no canto sudoeste da casa conventual, como torre dos sentinelas e dos sinos, a actual torre do palácio. Com a realização desta torre do castelo, da qual ainda hoje se preserva a imagem medieval com as pequenas torres de canto, terminou, grosso modo, a história das construções na época da Ordem.
Em 1457, depois da perda do Castelo de Malbork para a Polónia, o Königsberger Schloss tornou-se na residência do Grande Mestre da Ordem Teutónica, funções que desempenharia até 1525. Este ocupou, então, a residência dos marechais, que passou a ser a residência do Grande Mestre.
As muralhas O edifício foi começado pela edificação das muralhas exteriores. Em 1263, estas abrangiam todo o quadrilátero do presente palácio. O desenvolvimento de todos os lados, com excepção do lado oeste, é acompanhado de perto. No lado norte, a muralha tinha entre 5 e 6 metros de altura e uma espessura de 2 metros de pedras do campo em quase toda a sua extensão. Originalmente, a muralha incluia adarves construídos em tijolo a uma altura de 7 ou 8 metros. Neste lado norte ainda se encontrava, além da torre do canto noroeste, a chamada Haberturm (Torre Haber), duas robustas torres quadrangulares, datadas aproximadamente por uma inscrição no lado oeste.
Nos desenhos do , a muralha leste só é observada na sua parte norte, na sua progressão para sul até à zona situada sobre o portão exterior. Tal como na parede ocidental, também aqui não existe qualquer torre intermédia.
A parte inferior da parede sul foi construída com pedras do campo. Isto dava-lhe um aspecto muito irregular na parte de cima. Na chamada Guerra da Cidade, em meados do , a muralha, com quatro torres avançadas sobre a cidade velha, foi demolida pelos cidadãos revoltosos, vindo a ser reconstruída pela Ordem Teutônica em 1482. Para isso, foram utilizados os restos do muro destruído. Também as bases das três torres quadradas e a superfície da torre quadrada do canto sudeste foram utilizadas na reconstrução, como seria comprovado pelas escavações. A torre do canto sudeste foi removida, em finais do , pela construção da igreja palaciana. O castelo dispunha de outras torres além das quatro torres de canto (duas no lado norte e duas no lado sul), num total de nove.
A casa conventual O aparecimento da casa conventual e do danzker (espécie de sanitários dos castelos) não pode ser datado com precisão. A casa conventual deve ter sido construída antes da enfermaria dos homens, uma vez que o convento é considerado no esboço e no desenho desta última. As bases da ala oeste talvez tenham sido parcialmente reutilizadas no novo edifício. As fundações das restantes três alas, que se encontravam por baixo do pavimento do pátio, foram descobertas nas escavações realizadas entre 1926 e 1927. Partindo do pressuposto de que o velho chafariz do castelo, que foi conservado, se encontrava no meio do pátio da casa conventual, esta teria as seguintes dimensões: pátio - 22,85 por 29 metros; dimensões externas do edifício de quatro alas - 47,5 por 58 metros. As alas norte e sul iam ao encontro da muralha oriental, de modo que a ala leste se estendia entre elas. Todas as três alas escavadas tinham duas naves, sendo as alas norte e sul não estavam, originalmente, divididas por paredes transversais. Na ala sul, mais ampla, são reconhecíveis divisórias transversais nos andares superiores previamente existentes, uma vez que o seu apoio, ao invés dum pilar central, estava organizado com duas colunas. Nas últimas décadas do , quando a ala da igreja palatina foi construída por ordem do marquês Jorge Frederico, ainda como parte da casa conventual, as alas sul e oeste foram demolidas.
A enfermaria dos homens A Firmarie (enfermaria), uma casa de isolamento de doentes e asilo dos irmãos da ordem, foi construída no canto noroeste do castelo. Esta consistia em dois espaços, separados por uma parede de pedra, cobertos por abóbadas de aresta (abóbadas nervuradas), com janelas em grandes nichos na parede norte. O mais oriental destes espaços ficou quase irreconhecível depois duma renovação ocorrida no , mas foi reconstruida a partir de traços na alvenaria.
A residência dos marechais superiores
A casa foi construída depois de outros edifícios mais antigos que se encontravam apoiados na muralha exterior, os quais foram eliminados. O seu programa espacial incluia as salas habituais no andar principal: sala de estar, quarto, escritório, quarto do criado, remter (refeitório) e vestíbulo. Além disso, também foi construída uma capela para a enfermaria, a Capela de Santa Ana, com dimensões consideráveis. O sistema construtivo do edifício assentava em duas filas adjacentes de abóbadas em forma de estrela. No , a abóbada sobre o vestíbulo, o quarto do criado e o remter, que se estendia por toda a profundidade do edifício, foi substituida, pelo que o seu aspecto foi significativamente alterado.
A partir do pátio podia subir-se ao andar superior através duma escadaria com dois alpendres. No alpendre superior, um portal com arco quebrado conduzia ao vestíbulo de entrada. A parede consistia, parcialmente, em tijolos de perfil invulgarmente altos, instalados de acordo com a alvenaria da parede da casa. Originalmente, o vestíbulo não tinha as dimensões que viria a adquirir. Na parte leste da parede encontravam-se dois arcos quebrados, com escudos, e também duas portas, uma sob cada um dos arcos. Mais tarde, quando, no foi construído um andar superior sobre o andar principal, a escadaria também foi substituída por uma maior. A abóbada tinha uma forma estranha. A abóbada, em pedra calcária, apoiava-se sobre consolas esculpidas no mesmo tipo de pedra: um homem acocorado, um cão com coleira ao pescoço, uma cabeça de carneiro, uma consola rendilhada. O seu significado permanece incerto, sendo possivelmente figuras alegóricas prussianas. A janela do lado ocidental, virada ao pátio, tinha um parapeito elevado. Neste, encontrava-se uma porta que dava passagem para um cave através duma escadaria em espiral instalada na espessura da parede. Foram preservados restos das pinturas murais do século XV: sobre a porta de entrada da sala de estar ficava o brasão de Frederico da Saxónia, o penúltimo grão-mestre. O quarto tinha, tal como a sala de estar, as consolas e os apoios das abóbadas em calcário esculpido.
Época dos Duques da Prússia
O Königsberger Schloss tornou-se residência dos duques da Prússia a partir de 1525 e dos príncipes-eleitores de Brandemburgo a partir do . Alberto, marquês de Brandemburgo, grão-mestre da Ordem Teutônica entre 1511 e 1525, tornou o estado religioso num ducado secular, tendo comandado, desta forma, a transformação do castelo da ordem num palácio residencial para os duques da Prússia. O seu primeiro mestre de obras, Friedrich Nußdörfer, edificou parte da ala leste, o Edifício de Alberto (Albrechtsbau, mais tarde Supremo Tribunal da Prússia - Oberlandesgereicht von Preußen), em especial a Porta de Alberto (Albrechttor), datada de 1532.