thumb|Real Abadia de Alcobaça. thumb|Igreja da Abadia. thumb|Mosteiro de Alcobaça: fachada principal. thumb|Mosteiro de Alcobaça: lado sul com a Biblioteca. thumb|Mosteiro de Alcobaça: estátua de D. Afonso Henriques (1716) e fachada do dormitório. thumb|Castelo de Alcobaça: ruínas. thumb|Abadia de Alcobaça: mapa dos coutos. thumb|Mosteiro de Alcobaça: caldeira (1385). thumb|Pelourinho em Aljubarrota (1514). thumb|Mosteiro de Alcobaça: danos da inudação de 1772 no Claustro da Levada. thumb|Mosteiro com uma nova praça. thumb|Biblioteca 1755. thumb|Santos, Escola de Alcobaça, século XVII. thumb|Santa Ana, Escola de Alcobaça, século XVII. A Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça, Real Abadia de Alcobaça ou simplesmente Abadia de Alcobaça, é uma abadia situada na cidade de Alcobaça, na região Oeste, em Portugal, constituiu-se em um vasto senhorio clerical com um território de quase 500 km², compreendido entre a serra dos Candeeiros e o oceano Atlântico, que abrangia o atual municípios da Nazaré, quase todo o de Alcobaça, assim como a parte norte do município de Caldas da Rainha, e tinha a sua sede no Mosteiro de Alcobaça. Foi formado por doação concedida por D. Afonso Henriques ao abade da Ordem de Cister, Bernardo de Claraval, em 1153, e mais tarde alargado por doação de Fernando I de Portugal no século XIV.

Ao longo de vários séculos, a abadia constituiu-se em importante centro espiritual do país, com autonomia governamental, e o seu abade era um dos mais altos conselheiros do rei. O mosteiro constitui-se, na atualidade, local de atração para os mais de 250.000 visitantes que o visitam anualmente.

História Antecedentes Segundo a lenda, no contexto da Reconquista, à época da formação da nacionalidade portuguesa, D. Afonso Henriques prometeu a Santa Maria erguer um mosteiro em sua homenagem, caso ele conseguisse conquistar aos mouros o importante Castelo de Santarém. Com a conquista do mesmo em 1147, o monarca cumpriu o prometido, doando e coutando, em 1153, o território de Alcobaça a Bernardo de Claraval. Esta narrativa encontra-se documentada nos paineis de azulejos nas paredes da Sala dos Reis do Mosteiro, que datam do século XVIII.

Em 1178, os monges iniciaram a construção do atual Mosteiro, vindo este a tornar-se um dos mais ricos e poderosos da Ordem de Cister.COCHERIL, Maur. Alcobaça, Abadia Cisterciense de Portugal. Alcobaça, 1989. P. 19.

O reconhecimento do novo rei pelo Papa Após a vitória na Batalha de Ourique (1139), D. Afonso Henriques autoproclamou-se Rei de Portugal e libertou-se da prestação de vassalagem ao reino de Castela. Em 1143, Afonso VII de Castela reconheceu a independência de Portugal por meio de um representante do Papa. Mas era fundamental o reconhecimento da independência do estado português pelo Papa, o que levou D. Afonso Henriques a pedir auxílio a Bernardo de Claraval.GUSMÃO, Nobre de. A real Abadia de Alcobaça (2ª ed.). Lisboa, 1992. , p. 45-49. Enquanto abade e fundador da abadia de Claraval, Bernardo de Claraval foi um dos clérigos mais influentes de seu tempo. Além disso, no ano de 1145 foi eleito como primeiro Papa cisterciense, Papa Eugénio III. Em 1144, D. Afonso Henriques concedeu aos Cistercienses a vila de Tarouca, no norte de Portugal. Quando em 1147, conquistou Lisboa, Sintra, Almada e Palmela aos mouros o reconhecimento da independência de Portugal tornara-se muito mais premente. Com a doação de Alcobaça em 1153, e ainda durante a vida de Bernardo de Claraval – tendo sido este o último Mosteiro que ele fundou antes da sua morte -, é provável que houvesse a intenção de lhe ligar especial importância. Contudo, o reconhecimento do Papa chegou somente em 1179 através de uma bula do Papa Alexandre III. Sobre esta conjuntura, na Sala dos Reis do Mosteiro encontra-se representada a coroação imaginária de D. Afonso Henriques por Bernardo de Claraval e pelo Papa Inocêncio II (1130—1143) num grupo de figuras de barro em tamanho real que data do século XVIII.

Política de povoamento Independentemente desta ocasião excepcional, a doação aos mosteiros de terras conquistadas aos mouros na península, correspondeu a uma política de povoamento geral, destinada a pacificar o território ocupado e a converter os novos súbditos. Desta forma, na luta pela independência, D. Afonso Henriques entregou, em 1127, Vimieiro à congregação beneditina de Cluny; em 1128, o Castelo de Soure à Ordem dos Templários; em 1131, fundou o Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra; entregou o Castelo de Tomar aos Templários em 1159, assim como, em 1169, um terço do território conquistado no Alentejo. Por fim, em 1172, a Ordem de Santiago obteve o Castelo de Arruda, na localidade de Évora.Confirmação da doação, à Ordem de Santiago de Castelo do castelo de Arruda.

Mosteiro da Idade Média Doze monges cistercienses e um abade da mesma Ordem – de acordo com as regras gerais da Ordem o número de monges correspondia ao tamanho mínimo de uma abadia -, tomaram posse do terreno pertencente ao Mosteiro e construíram, a poucos metros do atual Mosteiro e junto ao rio Alcoa, a abadia provisória de Santa Maria-a-Velha, da qual a igreja de Nossa Senhora da Conceição ainda hoje é um testemunho. Quando, no ano de 1178, foram iniciadas as obras de construção da igreja e das primeiras divisórias do Mosteiro, o território ainda não se encontrava de todo pacificado, sendo a construção atrasada pelas investidas dos mouros. No massacre de 1195, muçulmanos vindos de Marrocos, penetraram, possivelmente através da Lagoa da Pederneira (actual Nazaré) e assaltaram o Mosteiro em construção, tendo morto os 95 monges que aí se encontravam a trabalhar. Os monges só encontraram protecção numa fortaleza vizinha, o Castelo de Alcobaça, que era um antigo castelo mouro, segundo algumas opiniões, este castelo era de origem visigoda. O castelo foi restaurado tanto por D. Afonso Henriques como pelo seu sucessor, D. Sancho I. Hoje em dia ainda restam as paredes das muralhas exteriores. No dia 6 de Agosto de 1223, os monges abandonaram a velha abadia, mudando-se para o novo Mosteiro. O túmulo do terceiro rei de Portugal, D. Afonso II, falecido em 1223, foi acolhido nesta igreja em 1224. Contudo, as obras só terminariam fundamentalmente em 1240, dando-se a consagração em 1252.

Coutos de Alcobaça O território cedido aos cistercienses e que, anteriormente, tinha pertencido aos mouros, provavelmente não tinha sido utilizado para a agricultura, devido às inúmeras guerras que se passavam nesse local. Os monges iniciaram de imediato o seu povoamento através da criação de granjas a partir das quais nasceram os coutos (lat. cautum: para segurança), uma espécie de comunidades que a igreja vigiava e dirigia. Estas comunidades nunca se encontravam a mais de um dia de marcha do Mosteiro. Com a passagem dos anos, os colonos locais foram adquirindo direitos de exploração próprios, sendo obrigados a prestar contas à abadia. As primeiras comunidades- como, por exemplo, a de Aljubarrota-, surgiram já nos anos de 1164/1167; as últimas foram criadas no século XIV. A única granja que perdurou até aos dias de hoje na sua estrutura básica é a Quinta do Campo, no Valado dos Frades no concelho da Nazaré. A granja já existia no século XIII, datando possivelmente do século XII, tendo sido criado através da secagem dos pântanos. A partir do século XIV, os monges criaram nesse sítio uma escola agrícola. Hoje em dia, os edifícios têm meramente um valor turístico.IPPAR,http://www.ippar.pt/pls/dippar/ pat_pesq_detalhe?code_pass=72693 A maior parte das localidades circundantes de Alcobaça e da Nazaré remontam ao tempo destas colonizações como nos testemunham as igrejas e as capelas construídas em primeiro lugar, assim como os pelourinhos que detinham a sua própria jurisdição. O abade de Alcobaça tinha o privilégio real de poder tomar decisões judiciais sem a confirmação do rei, pelo que alguns fugitivos ou mesmo, inicialmente, alguns criminosos, encontravam aqui protecção mesmo relativamente ao rei.Maur Cocheril: Alcobaça, Abadia Cisterense de Portugal. Alcobaça 1989 Deposito Legal 30 258/89 , pagina 27 Deste modo, os monges cultivavam e povoavam rapidamente as terras e possuiam, através dos coutos, um domínio clerical e, simultaneamente, mundano. Já no século XIII, o Mosteiro possuía dois portos (Alfeizerão/São Martinho do Porto situados na Lagoa de Alfeizerão, e Pederneira, hoje uma parte da Nazaré), possibilitando aos monges a prática da pesca, a exportação de vinho e de sal, extraído das salinas da lagoa que existia desde a Pederneira (Nazaré) até poucos quilómetros de Alcobaça. Mais tarde, exportavam azeitonas e azeite, nozes, frutos secos e madeira. Em 1368 e em 1374, por meio de uma doação do rei D. Fernando, o domínio da abadia foi alargado com territórios perto de Paredes da Vitória e Pataias. Deste modo, passaram a fazer parte integrante do Mosteiro dezanove localidades, das quais treze se tornaram vilas, tais como Aljubarrota (1164/1167), Alvorninha ( 1210), Pederneira ( hoje Nazaré (1236/1238), São Martinho do Porto (1257), Paredes da Vitória (1282), Évora de Alcobaça (1285), Cela Nova (1286), Salir de Matos (provavelmente século XIII), Cós (1301), Maiorga (1303), Santa Catarina (1307), Turquel (1314), e Alfeizerão ( 1332, mas que já existia nos tempos dos mouros).Joaquim Vieira de Natividade, Obras Várias, Alcobaça, vol. II, As Granjas do Mosteiro de Alcobaça, pp.62-64 Esta estrutura de povoação marca, ainda hoje, o concelho de Alcobaça, possuindo esta, na maior parte das suas freguesias, de 2000 e 6000 habitantes, aproximadamente. Devido à grande experiência dos monges, os reis pediam-lhes o seu auxílio para a secagem de pauis noutras zonas do território português. Em troca do auxílio na secagem dos pauis por parte da abadia, ela recebia bens feudais .

Aumento do poder