Physalis Alkekengi (sinónimo Alkekengi officinarum), comummente conhecida como alquequenge (grafia alternativa alquequenque), é uma espécie de planta com flor da família das solanáceas, cujo fruto é comestível.
Nomes comuns Além do substantivo «alquequenge», esta espécie dá ainda pelos seguintes nomes comuns: tomate-capucho (grafia alternativa tomatinho-de-capucho, não confundir com a espécie Physalis peruviana que também é conhecida por estes dois nomes comuns), cereja-de-judeu, tomate-lagartixa, barrileiro. É também conhecida como fisális (grafia alternativa fisálide), a par das demais espécies do género Physalis.
Por fim, é ainda conhecida, regionalmente, nos Açores como chapucho (sem confundir com a espécie Physalis peruviana, que também é conhecida nesse território por este nome comum) ou capucha.
Etimologia Do que toca ao nome científico, o nome genérico, Physalis, provém do grego antigo φυσαλλίς que significa «bexiga» ou «fole».
O nome comum «alquequenge» e o epíteto específico Alkekengi provêm do árabe aalkākanj, que significa «resina» e este, por sua vez, terá remontado do persa kākunadj, com o mesmo significado.
Sendo que o nome comum «alquequenge» provavelmente terá entrado na língua portuguesa pelo francês alkékenge, com a já referia etimologia árabe.
Descrição O alquequengue é uma planta herbácea perene que se desenvolve através de um sistema radicular rizomatoso. Pode crescer até aos 30 centímetros de altura.
O fruto é uma baga com cerca de 17 mm de diâmetro. A planta envolve cada fruto num cálice, que se assemelha a uma bolsa paperífera, que serve proteger de pragas e das condições ambientais.
É um parente próximo da Calliphysalis carpenteri (cereja-de-carpinteiro) e um parente um pouco mais distante dos membros do gênero Physalis. Esta espécie é nativa das regiões que abrangem o Sul da Europa ao Sul da Ásia e Nordeste da Ásia .
Foi descoberto que a espécie Calliphysalis carpenteri (anteriormente classificada como Physalis carpenteri) está entre as espécies mais estreitamente relacionadas com a Physalis alkekengi.
Distribuição Marca presença no Eurásia, desde a Península Ibérica e França até oriente, por via da Europa Central e do Sul até chegar à Ásia Central e ao Paquistão. Também se encontra presente na China austral e oriental.
Cultivo miniaturadaimagem| Planta madura direita|miniaturadaimagem| As "bolsas" alaranjadas (cálices frutíferos) de Alkekengi officinarum perdem a cor garrida e a aparência de papel durante o inverno, e na primavera tornam-se redes de veios bege, revelando os frutos vermelho-alaranjados no interior. É uma planta ornamental amplamente cultivada em regiões temperadas do mundo, e, quando em estado de dormência, é resistente até temperaturas abaixo de -20 graus celsius, embora os rebentos jovens na Primavera possam ser danificados por geadas tardias. Pode ser considerada invasiva, nalguns territórios, especialmente tendo em conta o seu sistema radicular de expansão dispersiva. Em vários lugares do mundo, escapou ao cultivo e naturalizou-se.
Desenvolve-se em qualquer solo, conquanto que bem drenado, seja em pleno sol ou em sombra ligeira.
A subespécie Physalis alkekengi subsp. franchetii Mak. (por vezes tratada como espécie distinta) é uma forma mais resistente da espécie, pautando-se pelos seus frutos de maiores dimensões.
As lesmas são particularmente atraídas pelos rebentos desta planta, quando jovem, especialmente na altura da Primavera e podem destruir mesmo touceiras de tamanho considerável.
Usos
Culinária O fruto consome-se cru ou cozinhado, sendo particularmente rico em vitaminas, reputando-se-lhe o dobro da vitamina C dos limões, embora tenha um sabor menor acentuado.
Embora suculentos, os tomates-capuchos podem ter um sabor que varia entre o tenuemente adocicado, o amargo e o acre, sendo por isso, por vezes, usados em saladas. O cálice dos frutos é tóxico e não deve ser consumido.
Quanto às folhas e rebentos novos, podem ser comestíveis, mas só se devidamente cozinhadas, ressalta-se que, quando cruas não são próprias para o consumo humano, reputando-se-lhes propriedades venenosas.
Etnobotânica O alquequenge há muito que tem sido utilizado ao longo da história no âmbito da medicina, por virtude das suas propriedades químicas, porém é raramente empregue na prática moderna.
A planta inteira tem propriedades antinflamatórias, antipiréticas, antitússicas e expectorantes. Além disso, o alquequenge foi historicamente usado no tratamento de doenças urinárias e cutâneas.
No entanto, recomenda-se redobrada cautela, no uso etnobotânico desta planta, porquanto a sobredosagem pode precipitar facilmente o aborto. Com efeito, a semente pode ser usada num preparado destinado a anticipar o parto.
Do que respeita ao fruto, é aperiente, fortemente diurético e litontríptico. De modo que é utilizado no tratamento de perturbações renais e da bexiga. Com efeito, o fruto usa-se, por via interna, no tratamento de cálculos urinários, retenção urinária, entre outros, sendo altamente recomendado em estados febris e na gota. No âmbito da etnobotânica, o fruto é colhido quando completamente maduro e pode ser utilizado fresco, em sumo ou seco, sendo que o cálice deve ser removido.
As folhas e os caules têm propriedades febrífugas e ligeiramente tónicas, pelo que foram utilizados historicamente no tratamento do mal-estar subsequente à malária e em indivíduos asténicos ou anémicos.
As folhas frescas podem ser usadas na confecção de cataplasmas calmantes para o tratamento de inflamações cutâneas.
Relatos históricos Na medicina chinesa, o alquequenge era usado para tratar de abscessos, tosse, febre e dor de garganta. A extinta língua dácia deixou poucos vestígios, mas em De Materia Medica de Pedanius Dioscórides, é discutida uma planta chamada Strychnos alikakabos (Στρύχνος άλικακάβος), que era chamada de kykolis (ou cycolis ) pelos dácios. Alguns consideraram esta planta como sendo Alkekengi officinarum, mas o nome mais provavelmente refere-se a ashwagandha (Withania somnifera).Berendes, J. (ed.) Arzneimittellehre in fünf Büchern des Pedanios Dioskurides aus Anazarbos. Stuttgart. 1902. 405-08.
Constituintes químicos A Alkekengi officinarum contém uma grande variedade de fisalinas. Quando isolados da planta, apresentam atividades antibacterianas e leishmanicidasleishmanicidal Choudhary M.I., Yousaf S., Ahmed S., Samreen, Yasmeen K., Atta-ur-Rahmang "Antileishmanial physalins from Physalis minima" Chemistry and Biodiversity 2005 2:9 (1164-1173). in vitro.
Registos fósseis Encontraram-se fósseis de sementes de Alkekengi, os quais foram datados do Mioceno, quando encontrados na Sibéria; do Plioceno quando encontrados em vários países europeus; e especificamente do Pleistocénico, aos encontrados na Alemanha.The Pliocene flora of Kholmech, south-eastern Belarus and its correlation with other Pliocene floras of Europe by Felix Yu. VELICHKEVICH and Ewa ZASTAWNIAK - Acta Palaeobot. 43(2): 137–259, 2003
Referências
Categoria:Physaleae Categoria:Plantas descritas em 1753 Categoria:Flora da Ásia Categoria:Flora da Europa Categoria:Plantas medicinais